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Ingestão de cáusticos

Por

Gerald F. O’Malley

, DO, Grand Strand Regional Medical Center;


Rika O’Malley

, MD, Albert Einstein Medical Center

Última modificação do conteúdo fev 2018
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Os cáusticos (ácidos fortes e álcalis), quando ingeridos, causam queimaduras nos tecidos do trato gastrintestinal superior, às vezes resultando em perfuração de esôfago ou estômago. Os sintomas são salivação, disfagia, e dor em boca, tórax ou estômago; tardiamente, podem ocorrer constrições. É necessário o diagnóstico por endoscopia. O tratamento é de suporte. Carvão ativado e esvaziamento gástrico são contraindicados. A perfuração é tratada cirurgicamente.

Em todo o mundo, 80% das ingestões de cáusticos são feitas por crianças pequenas; geralmente são ingestões acidentais de pequenas quantidades e muitas vezes são benignas. Nos adultos, a ingestão de cáusticos costuma ser uma ingestão intencional de grandes quantidades por pessoas tentando o suicídio e são potencialmente fatais. Fontes comuns de cáusticos são produtos de limpeza, líquidos ou sólidos, de banheiros e esgotos. Em geral, os produtos industriais são mais concentrados que produtos residenciais, portanto tendem a ser mais lesivos.

Fisiopatologia

Os ácidos causam necrose de coagulação; forma-se uma escara que limita mais danos. Lesam mais o estômago que o esôfago. Os álcalis causam rapidamente necrose por liquefação, não formam escara e o dano continua até que o álcali seja neutralizado ou diluído. Tendem a acometer mais o esôfago que o estômago, porém ambos são gravemente afetados pela ingestão de grande quantidade.

Produtos sólidos carregam partículas que ferem e queimam os tecidos, desencorajando mais ingestão e causando dano localizado. Como os líquidos não lesam diretamente a mucosa, grandes quantidades são tomadas com facilidade, sendo o dano bem disseminado. As vias respiratórias superiores também podem ser lesadas caso haja aspiração de líquidos cáusticos.

Sinais e sintomas

Salivação e disfagia são sintomas iniciais da ingestão de cáusticos. Em casos graves, desenvolvem-se rapidamente dor, vômitos e, às vezes, sangramento em boca, garganta, tórax e abdome. A queimadura das vias respiratórias causa tosse, taquipneia ou estridor.

Observam-se tecidos eritematosos e edematosos na cavidade oral; entretanto, líquidos cáusticos às vezes não produzem queimaduras intraorais, apesar do grave dano mais distante no trato gastrintestinal.

A perfuração do esôfago pode resultar em mediastinite, com acentuada dor torácica, taquicardia, febre, taquipneia e choque. A perfuração gástrica causa peritonite. As perfurações gástricas ou esofágicas podem ocorrer em algumas horas, semanas ou a qualquer tempo.

Constrições do esôfago se desenvolvem em semanas, mesmo se os sintomas iniciais forem leves e o tratamento for adequado.

Diagnóstico

  • Endoscopia

Uma vez que a presença ou ausência de queimaduras intraorais não indica com segurança se esôfago e estômago estão queimados, a endoscopia meticulosa é indicada para verificar a presença e a gravidade de queimaduras em esôfago ou estômago, quando os sintomas ou a história sugerem mais que uma ingestão trivial.

Tratamento

  • Evitar o esvaziamento gástrico

  • Às vezes, diluição com líquidos por via oral

O tratamento da ingestão de cáusticos é de suporte. Atenção: esvaziamento gástrico por êmese ou lavagem é contraindicado porque pode reexpor o trato gastrintestinal superior ao ácido cáustico. Tentativas de neutralizar o ácido cáustico corrigindo o pH com uma substância alcalina (e vice-versa) são contraindicadas porque podem resultar em reações exotérmicas graves. Carvão ativado é contraindicado por infiltrar-se nos tecidos queimados e interferir na avaliação endoscópica e a inserção de um NGT é contraindicada porque pode danificar as superfícies das mucosas já comprometidas.

Dicas e conselhos

  • Não provocar êmese nem promover o esvaziamento gástrico por lavagem na ingestão de cáusticos porque isso reexpõe o trato GI superior aos cáusticos.

  • Não tentar neutralizar um ácido cáustico com uma substância alcalina (ou vice-versa) porque isso irá produzir calor que pode agravar o dano tecidual.

A diluição com água ou leite só é útil nos primeiros minutos após a ingestão de um líquido cáustico, mas a diluição tardia pode ser útil após a ingestão de um cáustico sólido. A diluição deve ser evitada se os pacientes têm náuseas, vômitos, sialorreia, estridor ou distensão abdominal.

As perfurações esofágicas ou gástricas são tratadas com antibióticos e cirurgia ( Perfuração aguda do trato GI). Não são recomendados corticoides IV e antibióticos profiláticos. As constrições são tratadas por dilatação ou, se não surtir efeito, derivação esofágica com interposição do cólon.

Pontos-chave

  • Suspeitar de consequências graves se um grande volume de um cáustico ou de produto cáustico de uso industrial for ingerido.

  • Os álcalis, causando liquefação, podem provocar danos até que sejam suficientemente diluídos.

  • Não promover o esvaziamento gástrico, nem administrar carvão ativado, nem neutralizar um ácido ou álcali.

  • Considerar a possibilidade de haver queimaduras no esôfago e estômago e fazer endoscopia, mesmo se não houver queimaduras na cavidade oral.

  • Tratar a perfuração com antibióticos e cirurgia.

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