Como reparar uma laceração com grampeamento

PorMatthew J. Streitz, MD, San Antonio Uniformed Services Health Education Consortium
Reviewed ByDiane M. Birnbaumer, MD, David Geffen School of Medicine at UCLA
Revisado/Corrigido: modificado jan. 2026
v52125196_pt
Visão Educação para o paciente

Utilizam-se aparelhos de grampeamento de pele para fechar rapidamente lacerações retas e com bordas nítidas quando o fechamento não tem preocupações estéticas.

Indicações para reparo de laceração com grampeamento

  • Lacerações relativamente retas e com bordas nítidas no tronco ou em um membro, e lacerações superficiais do couro cabeludo

Contraindicações ao reparo de laceração com grampeamento

Contraindicações absolutas

  • Necessidade prevista de tomografia computadorizada da área a ser reparada com grampos, devido ao risco de artefatos de imagem.

Contraindicações relativas

  • Lacerações na face ou no pescoço porque o resultado estético é muitas vezes inferior ao da sutura

  • Lacerações nas mãos ou nos pés porque a dor costuma ser mais intensa

  • TC prevista da cabeça porque os grampos teciduais interferem nas imagens

  • Pacientes que provavelmente não retornarão para a remoção de grampos

O fechamento de qualquer tipo de ferimento pode ser contraindicado para feridas contaminadas, relativamente antigas, ou que teriam maior risco de infecção se fechadas, como pequenas mordidas nas mãos ou nos pés, feridas por perfuração ou ferimentos por projéteis de alta velocidade.

Feridas envolvendo estruturas profundas (p. ex., nervos, vasos sanguíneos, dutos, articulações, tendões, ossos) podem exigir técnicas especializadas ou encaminhamento a um especialista em cirurgia, assim como aquelas que abrangem grandes áreas ou que envolvem a face ou as mãos.

Complicações do reparo de laceração com grampeamento

  • Aposição inadequada das bordas da ferida levando a fechamento da ferida e resultado estético ruins

  • Em pacientes em que a cicatrização é muito rápida, a cicatriz é maior

  • Efeito estético pior, especialmente se os grampos são mantidos por muito tempo

  • Infecção

Equipamento para reparo de laceração com grampeamento

A higiene e o fechamento da ferida não precisam ser realizados em condições estéreis (4, 5). Os instrumentos que tocam a ferida (p. ex., pinça, agulhas, sutura) devem ser estéreis. Luvas limpas de uso único não estéreis, bem como água limpa, mas não estéril, podem ser usadas em pacientes imunocompetentes.

Procedimento de limpeza, proteção de contato

  • Equipamento de proteção individual adequado (p. ex., máscara facial, óculos de segurança ou protetor facial, gorro, bata, luvas)

  • Campos estéreis, toalhas (para desbridamento e sutura de feridas)

  • Antisséptico líquido como clorexidina

  • Seringas, agulhas e anestesia local

  • Pinça de tecido

  • Grampeador (incluindo aparelho de remoção)

  • Pomada antibiótica

  • Curativos não oclusivos

Considerações adicionais para reparo de laceração com grampeamento

  • Os desfechos de cicatrização, resistência à tensão da ferida, taxa de complicações, tolerância do paciente, eficiência do fechamento, largura, cor e aparência geral da cicatriz, marcas de suturas ou grampos, taxas de infecção, custo e aceitação pelo paciente de suturas e grampeamento são comparáveis (21, 22). Em estudos com animais, os grampos causaram menos inflamação da ferida e maior resistência à infecção em feridas contaminadas.

  • A principal vantagem do uso de grampos é o fechamento mais rápido da ferida.

  • Se as feridas têm tensão subjacente significativa, aplicar suturas profundas e absorvíveis antes de grampear para diminuir a tensão.

Posicionamento para reparo de laceração com grampeamento

  • Colocar o paciente confortavelmente reclinado ou em decúbito dorsal.

  • Ajustar a altura da maca de modo a sentir-se à vontade sentado ou em pé à beira do leito.

  • A laceração deve estar bem iluminada, de preferência com luz de procedimento acima da cabeça.

Descrição passo a passo do reparo de laceração com grampeamento

(Para descrições passo a passo da preparação da ferida, anestesia e curativo, ver Como limpar, irrigar, desbridar e realizar curativo em feridas.)

  • Limpar, anestesiar, irrigar e desbridar a ferida conforme necessário.

  • Colocar o campo estéril fenestrado sobre a ferida. Colocar campos estéreis adicionais nas proximidades conforme necessário para fornecer uma área de trabalho estéril suficientemente grande.

  • Iniciar em uma das extremidades da laceração.

  • Everter as bordas da ferida utilizando uma pinça, o que é preferencialmente feito por um segundo profissional. Às vezes, pode-se everter a pele simplesmente comprimindo-a entre o polegar e o indicador.

  • Depois que as bordas estão evertidas, colocar delicadamente os grampos ao longo da ferida.

  • Para garantir um melhor fechamento, posicionar o centro do grampeador perpendicular e sobre o centro da ferida.

  • Depois que a manopla do grampeador é pressionada, o grampo é automaticamente inserido na ferida e dobrado na configuração adequada. Quando colocada corretamente, a barra transversal do grampo eleva-se alguns milímetros acima da superfície da pele.

  • Fechar de uma extremidade à outra da laceração, colocando cada grampo a cerca de 0,5 a 1 cm do anterior, conforme necessário, para alcançar a aposição adequada das bordas ao longo de toda a extensão da ferida.

Cuidados posteriores para reparo de laceração com grampeamento

  • Aplicar pomada antibiótica, se desejado, então deixar descoberto ou cobrir com um bandagem estéril.

  • Pedir que o paciente remova o curativo e limpe delicadamente a ferida em 24 a 48 horas. Pode-se limpar lacerações do couro cabeludo ao tomar banho após algumas horas.

  • Remover os grampos utilizando o mesmo intervalo de tempo que quando utilizadas suturas. (Ver Como reparar uma laceração com suturas interrompidas simples: cuidados posteriores.) Para remover grampos, utilizar um aparelho específico feito especificamente pelo fabricante desse grampeador. Colocar a mandíbula inferior do removedor de grampos sob a barra transversal e pressionar a manopla.

Alertas e erros comuns para reparo de laceração com grampeamento

  • Os erros mais comuns são aposição inadequada das bordas (fazendo com que fiquem sobrepostas) e falha em everter as bordas da ferida. Alinhar o meio do grampo ao centro da ferida.

  • Pressionar com muita força o grampeador pode inserir grampos muito apertados, causando isquemia na ferida.

  • A remoção dos grampos pode ser mais desconfortável do que a remoção de suturas.

  • Grampos podem causar cicatrizes significativas se deixados no local por muito tempo.

Recomendações e sugestões para reparo de laceração com grampeamento

  • Em vez de começar em uma extremidade da laceração, muitos profissionais acham mais fácil começar no meio e então inserir os grampos subsequentes no meio de cada seção aberta, até que não haja lacunas remanescentes na ferida.

  • Se pinças não estão disponíveis, pode-se everter a pele pinçando-a (p. ex., com o polegar e o indicador).

Referências

  1. 1. Singer AJ, Hollander JE, Subramanian S, et al. Pressure dynamics of various irrigation techniques commonly used in the emergency department. Ann Emerg Med. 1994;24(1):36-40. doi:10.1016/s0196-0644(94)70159-8

  2. 2. Fernandez R, Griffiths R. Water for wound cleansing. Cochrane Database Syst Rev. 2012;(2):CD003861. Published 2012 Feb 15. doi:10.1002/14651858.CD003861.pub3

  3. 3. Baldwin G, Colbourne M. Puncture wounds. Pediatr Rev. 1999;20(1):21-23. doi:10.1542/pir.20-1-21

  4. 4. Worrall GJ. Repairing skin lacerations: does sterile technique matter?. Can Fam Physician. 1987;33:1185-1187.

  5. 5. Hollander JE, Singer AJ. Laceration management. Ann Emerg Med. 1999;34(3):356-367. doi:10.1016/s0196-0644(99)70131-9

  6. 6. Singer AJ, Dagum AB. Current management of acute cutaneous wounds. N Engl J Med. 2008;359(10):1037-1046. doi:10.1056/NEJMra0707253.

  7. 7. Tanner J, Melen K. Preoperative hair removal to reduce surgical site infection. Cochrane Database Syst Rev. 2021;8(8):CD004122. Published 2021 Aug 26. doi:10.1002/14651858.CD004122.pub5

  8. 8. Orlinsky M, Bright AA. The utility of routine x-rays in all glass-caused wounds. Am J Emerg Med. 2006;24(2):233-236. doi:10.1016/j.ajem.2005.06.008

  9. 9. Voss JO, Doll C, Raguse JD, et al. Detectability of foreign body materials using X-ray, computed tomography and magnetic resonance imaging: A phantom study. Eur J Radiol. 2021;135:109505. doi:10.1016/j.ejrad.2020.109505

  10. 10. Davis J, Czerniski B, Au A, et al. Diagnostic Accuracy of Ultrasonography in Retained Soft Tissue Foreign Bodies: A Systematic Review and Meta-analysis. Acad Emerg Med. 2015;22(7):777-787. doi:10.1111/acem.12714

  11. 11. Holman M. Using tap water compared with normal saline for cleansing wounds in adults: a literature review of the evidence. J Wound Care. 2023;32(8):507-512. doi:10.12968/jowc.2023.32.8.507

  12. 12. Chisholm CD, Cordell WH, Rogers K, et al. Comparison of a new pressurized saline canister versus syringe irrigation for laceration cleansing in the emergency department. Ann Emerg Med. 1992;21(11):1364-1367. doi:10.1016/s0196-0644(05)81903-1

  13. 13. Lammers RL, Hudson DL, Seaman ME. Prediction of traumatic wound infection with a neural network-derived decision model. Am J Emerg Med. 2003;21(1):1-7. doi:10.1053/ajem.2003.50026

  14. 14. Mankowitz SL. Laceration Management. J Emerg Med. 2017;53(3):369-382. doi:10.1016/j.jemermed.2017.05.026.

  15. 15. Eliya-Masamba MC, Banda GW. Primary closure versus delayed closure for non bite traumatic wounds within 24 hours post injury. Cochrane Database Syst Rev. 2013;2013(10):CD008574. Published 2013 Oct 22. doi:10.1002/14651858.CD008574.pub3

  16. 16. Mehta PH, Dunn KA, Bradfield JF, et al. Contaminated wounds: infection rates with subcutaneous sutures. Ann Emerg Med. 1996;27(1):43-48. doi:10.1016/s0196-0644(96)70295-0

  17. 17. Bresnahan KA, Howell JM, Wizorek J. Comparison of tensile strength of cyanoacrylate tissue adhesive closure of lacerations versus suture closure. Ann Emerg Med. 1995;26(5):575-578. doi:10.1016/s0196-0644(95)70007-2

  18. 18. Farion K, Osmond MH, Hartling L, et al. Tissue adhesives for traumatic lacerations in children and adults. Cochrane Database Syst Rev. 2002;2002(3):CD003326. doi:10.1002/14651858.CD003326

  19. 19. Carvalho C, Marinho AS, Barbosa-Sequeira J, et al. Pediatric Burns With Cyanoacrylate Glue: An Inconspicuous Danger. J Burn Care Res. 2021;42(5):1047-1049. doi:10.1093/jbcr/irab06

  20. 20. Jacques M, Tran S, Bertinetti M, et al. Too Hot to Handle? Full-Thickness Burn Injury in a Child Caused by Cyanoacrylate Glue and Cotton-A Case Report and Experimental Study. J Burn Care Res 2021;42(3):564-568. doi:10.1093/jbcr/iraa174

  21. 21. Shuster M. Comparing skin staples to sutures. Can Fam Physician. 1989;35:505-509.

  22. 22. Edlich RF, Rodeheaver GT, Thacker JG, et al. Revolutionary advances in the management of traumatic wounds in the emergency department during the last 40 years: part II. J Emerg Med. 2010;38(2):201-207. doi:10.1016/j.jemermed.2008.11.016

quizzes_lightbulb_red
Test your KnowledgeTake a Quiz!
iOS ANDROID
iOS ANDROID
iOS ANDROID