Existem mais de 190 espécies reconhecidas de micobactérias, encontradas principalmente no ambiente físico e não em humanos (1). Novas espécies e infecções são identificadas regularmente. (Ver também Tuberculose.) Muitos desses organismos são onipresentes no solo, na poeira e na água.
Micobactérias além de Mycobacterium tuberculosis podem ser patógenos humanos, mas são muito menos virulentas para humanos do que M. tuberculosis e, portanto, a maioria das exposições não causa infecção e muitas infecções não causam doença. As infecções causadas por esses organismos foram chamadas infecções por micobactérias atípicas, ambientais e não tuberculosas (MNT).
A ocorrência de doença causada por infecções por MNT geralmente requer um defeito nas defesas imunológicas locais ou sistêmicas do hospedeiro. As pessoas com maior risco são aquelas com doença pulmonar crônica (incluindo fibrose cística, bronquiectasia por outras causas que não a fibrose cística e doença pulmonar obstrutiva crônica), pessoas com infecção por HIV, idosos frágeis e pacientes imunocomprometidos; contudo, outros indivíduos com imunocomprometimento menos evidente podem desenvolver doença progressiva (2).
As infecções por MNT geralmente não são transmissíveis (isto é, são geralmente adquiridas do ambiente, e não de pessoas infectadas), de modo que não são doenças de notificação compulsória na maioria dos estados dos Estados Unidos, e é difícil determinar com precisão a incidência de infecção por MNT. Além disso, o isolamento de um microrganismo de MNT em uma amostra de líquido ou tecido não significa necessariamente que ele seja a causa da doença.
Entretanto, a quantidade de pacientes que apresenta infecção por micobactérias não tuberculosas que requer tratamento parece estar aumentando. Não está claro quanto desse aumento aparente é decorrente da maior conscientização e da melhora nos testes diagnósticos e quanto é um aumento real na incidência da infecção (3). A sobrevida mais longa dos pacientes com fibrose cística e pacientes com outras doenças pulmonares predisponentes podem ser um fator. Como micobactérias não tuberculosas são bastante resistentes aos níveis rotineiros de cloro na água pública (4), a maior exposição a fontes de água aerossolizadas através de duchas diárias, nebulizadores de água ou fontes decorativas pode estar influenciando. As mudanças climáticas também podem desempenhar um papel porque um clima mais quente e úmido amplia as áreas que os microrganismos de MNT podem habitar. Em todo o mundo, há uma diversidade geográfica considerável quanto à prevalência de micobactérias não tuberculosas em amostras clínicas e fontes ambientais. Nos Estados Unidos, o clima mais quente e úmido do sul geralmente favorece mais a presença de isolados de MNT do que o clima mais frio e seco do norte.
O complexo Mycobacterium avium (MAC) inclui duas espécies estreitamente relacionadas, M. avium e M. intracellulare, e é responsável pela maioria das doenças por MNT, mas M. abscessus está se tornando cada vez mais comum globalmente (5). Outras espécies causadoras de MNT são M. kansasii, M. xenopi, M. marinum, M. ulcerans, M. fortuitum e M. chelonae (M. fortuitum e M. chelonae estão relacionados com M. abscessus). Embora não se acredite que haja transmissão de uma pessoa para outra na maioria das infecções por micobactérias não tuberculosas, a M. abscessus pode ser transmitida entre pacientes com fibrose cística.
Os pulmões são o local mais comum de infecção por MNT; a maioria dessas infecções pulmonares é causada por MAC, mas também pode ser causada por M. kansasii, M. xenopi ou M. abscessus. Linfonodos, ossos e articulações, pele e feridas são outros locais que podem ser infectados. Esses organismos costumam ser resistentes a medicamentos anti-TB (exceto por M. kansasii e M. xenopi).
O diagnóstico de infecções por MNT é geralmente estabelecido por coloração para bacilos álcool-ácido resistentes e cultura de amostras de líquido ou tecido. Embora existam testes de amplificação de ácidos nucleicos (TAANs) para os microrganismos de MNT mais comuns, nos Estados Unidos a especiação é cada vez mais realizada em laboratórios estaduais de saúde pública por sequenciamento gênico e outros métodos, como espectrometria de massa.
As infecções por MNT são mais bem tratadas por um especialista com conhecimento específico nessa área.
Referências gerais
1. Matsumoto Y, Kinjo T, Motooka D, et al. Comprehensive subspecies identification of 175 nontuberculous mycobacteria species based on 7547 genomic profiles. Emerg Microbes Infect. 2019;8(1):1043-1053. doi:10.1080/22221751.2019.1637702
2. Floto RA, Olivier KN, Saiman L, et al. US Cystic Fibrosis Foundation and European Cystic Fibrosis Society consensus recommendations for the management of non-tuberculous mycobacteria in individuals with cystic fibrosis. Thorax. 2016;71 Suppl 1(Suppl 1):i1-i22. doi:10.1136/thoraxjnl-2015-207360
3. Prevots DR, Marshall JE, Wagner D, Morimoto K. Global Epidemiology of Nontuberculous Mycobacterial Pulmonary Disease: A Review. Clin Chest Med. 2023;44(4):675-721. doi:10.1016/j.ccm.2023.08.012
4. Norton GJ, Williams M, Falkinham JO 3rd, Honda JR. Physical measures to reduce exposure to tap water-associated nontuberculous mycobacteria. Front Public Health. 2020;8:190. doi:10.3389/fpubh.2020.00190
5. Pereira JV, Wong CYX, Sng LH, Low JGH, Ng DHL. Longitudinal epidemiology of pulmonary nontuberculous mycobacteria and tuberculosis in Singapore (2006-2024): Emerging dominance of Mycobacterium abscessus. Int J Infect Dis. Published online September 10, 2025. doi:10.1016/j.ijid.2025.108054
Doença pulmonar
Um cenário clínico comum de infecção pelo complexo Mycobacterium avium (MAC) ocorre em mulheres brancas, imunocompetentes, de meia-idade ou idosas, com baixo IMC, que apresentam bronquiectasia do lobo médio, escoliose, pectus excavatum ou prolapso da valva mitral. Essa população de pacientes costuma apresentar tosse crônica não produtiva e nenhuma outra anormalidade pulmonar. Esse padrão é frequentemente chamado de síndrome de Lady Windermere e parece estar aumentando em frequência, especialmente entre mulheres em países ricos em recursos. Os motivos para esse aumento não são totalmente compreendidos, mas podem decorrer da ubiquidade de micobactérias não tuberculosas no ambiente e do aumento da suscetibilidade do hospedeiro. Ambos os fatores levam a taxas de infecção mais elevadas em pessoas sem doença pulmonar prévia, particularmente mulheres idosas e imunocompetentes (1). O padrão observado na síndrome de Lady Windermere parece ter sido relatado incidentalmente em alguns homens idosos também.
O MAC também causa doença pulmonar em homens brancos de meia-idade ou idosos com condições pulmonares prévias como bronquite crônica, enfisema, tuberculose curada, bronquiectasia ou silicose.
Nem sempre está claro se MAC causa bronquiectasias ou se bronquiectasias levam a MAC em qualquer paciente; ambos os fenômenos ocorrem.
Outra população importante sujeita à infecção por micobactérias não tuberculosas são os pacientes com fibrose cística (FC). Com a melhora no manejo da FC, os pacientes vivem mais tempo e, portanto, têm maior probabilidade de desenvolver complicações como a doença por micobactérias não tuberculosas.
Os sintomas comuns são tosse e expectoração, frequentemente associados a fadiga, perda de peso e febre baixa. O curso pode ser lento, progressivo e estável ao longo do tempo. Insuficiência respiratória e hemoptise persistentes podem se desenvolver.
Os infiltrados fibronodulares nas radiografias de tórax assemelham-se aos da tuberculose pulmonar, mas a cavitação é tipicamente de parede fina e o derrame pleural é raro. As chamadas infiltrações em árvore-e-brotamento, vistas na TC do tórax, também são características de doença por MAC.
O exame e a cultura do escarro são realizados para diagnosticar infecção por MAC e diferenciá-la da TB.
A determinação de sensibilidade para combinação de fármacos é útil para determinadas associações de microrganismos/fármacos, mas pode ser obtida somente em laboratórios altamente especializados. Para MAC, a susceptibilidade à claritromicina é um indicador de resposta terapêutica.
O tratamento da doença pulmonar em adultos é adaptado à espécie específica de micobactérias não tuberculosas, à gravidade da doença e aos resultados de suscetibilidade a fármacos (2). Recomenda-se um esquema de 3 medicamentos, tipicamente azitromicina ou claritromicina, rifampina (rifampicina) ou rifabutina e etambutol, por vezes com a adição de amicacina ou estreptomicina parenteral. O tratamento deve continuar por pelo menos 12 meses após a conversão da cultura. Devido à longa duração do tratamento, a adesão e o potencial para efeitos adversos (incluindo interações medicamentosas) devem ser considerados nas decisões de manejo. O tratamento da doença pulmonar (geralmente causada pelo MAC) baseia-se na gravidade clínica.
Para doença nodular não cavitária ou bronquiectásica por MAC, um esquema aceitável é azitromicina 500 mg, etambutol 25 mg/kg e rifampicina 600 mg via oral, 3 vezes por semana (2).
Para doença bronquiectásica grave ou cavitária decorrente de infecção por MAC com baciloscopias e culturas de escarro positivas, devem-se utilizar claritromicina 500 mg VO 2 vezes ao dia ou azitromicina 250 a 500 mg VO uma vez ao dia, rifampicina 600 mg ou rifabutina 5 mg/kg (300 mg) VO uma vez ao dia, e etambutol 15 mg/kg VO uma vez ao dia (ou 25 mg/kg 3 vezes por semana) por 12 a 18 meses ou até que as culturas estejam negativas por 12 meses (2).
Para pacientes com infecção pulmonar persistente por MAC apesar de 6 meses de terapia, deve-se adicionar suspensão lipossomal de amicacina para inalação, se disponível, ou amicacina para inalação (2). Para pacientes com infecção por MAC resistente a macrolídeos ou doença pulmonar cavitária, deve-se adicionar amicacina ou estreptomicina parenteral ao esquema inicial por 2 a 3 meses.
Infecções por M. kansasii e M. xenopi respondem a isoniazida, rifabutina e etambutol, com ou sem estreptomicina ou claritromicina, administradas durante 18 a 24 meses.
A doença pulmonar pelo complexo M. abscessus é particularmente difícil de tratar porque algumas subespécies são resistentes a macrolídeos. O tratamento requer 3 a 4 antibióticos com atividade determinada por testes de sensibilidade. A terapia pode incluir uma combinação de amicacina, imipeném/cilastatina, cefoxitina, clofazimina, linezolida, bedaquilina ou omadaciclina.
Todas as micobactérias não tuberculosas são resistentes à pirazinamida.
Ressecção cirúrgica pulmonar é recomendada em casos excepcionais envolvendo doença bem localizada em pacientes jovens, sem doença de base.
Referências sobre doença pulmonar
1. Parvathaneni A, Malempati SC. Lady Windermere Syndrome: Unravelling an Older Lady's Nightmare. Cureus. 2023;15(10):e47601. Published 2023 Oct 24. doi:10.7759/cureus.47601
2. Daley CL, Iaccarino JM, Lange C, et al. Treatment of Nontuberculous Mycobacterial Pulmonary Disease: An Official ATS/ERS/ESCMID/IDSA Clinical Practice Guideline. Clin Infect Dis. 2020;71(4):905-913. doi:10.1093/cid/ciaa1125
Linfadenite
Em crianças de 1 a 5 anos de idade, a linfadenite crônica, submaxilar e submandibular cervical é geralmente decorrente de MAC ou M. scrofulaceum. É presumivelmente adquirida por ingestão oral de microrganismos de MNT no solo ou na água.
Esta foto mostra uma criança com linfadenite micobacteriana submandibular direita não tuberculosa que se manifesta com um edema flutuante com extensa pigmentação cutânea característica.
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O diagnóstico geralmente é realizado por biópsia excisional.
Em geral, a excisão é o tratamento adequado e a quimioterapia pode não ser necessária; contudo, antibióticos (p. ex., macrolídeos) podem ser necessários em casos recorrentes ou recalcitrantes (1).
Referência sobre linfadenite
1. Mandell DL, Wald ER, Michaels MG, Dohar JE. Management of nontuberculous mycobacterial cervical lymphadenitis. Arch Otolaryngol Head Neck Surg. 2003;129(3):341-344. doi:10.1001/archotol.129.3.341
Doença cutânea
Granuloma da piscina ou granuloma do aquário é uma doença ulcerativa granulomatosa superficial, prolongada, mas autolimitada, geralmente causada por M. marinum, contraída, por exemplo, ao nadar em uma piscina contaminada ou limpar um aquário doméstico. M. ulcerans e M. kansasii estão ocasionalmente envolvidos.
Lesões eritematosas que crescem e se tornam nódulos violáceos ocorrem mais frequentemente nas extremidades superiores ou joelhos.
A cura pode ocorrer espontaneamente, mas minociclina ou doxiciclina 100 a 200 mg VO uma vez ao dia, claritromicina 500 mg VO 2 vezes ao dia, ou rifampina (rifampicina) mais etambutol por 3 a 6 meses têm sido eficazes contra M. marinum.
Úlcera de Buruli (também conhecida como úlcera de Bairnsdale ou de Daintree) é causada por M. ulcerans e ocorre em áreas rurais de > 30 países tropicais e subtropicais; a maioria dos casos ocorre na África Ocidental e Central, e áreas na província de Victoria, Austrália, registraram um aumento nos casos (1). Começa como um nódulo subcutâneo indolor, uma grande área de induração indolor ou um edema difuso indolor nos membros inferiores, nos membros superiores ou na face. A infecção progride e causa destruição extensa de pele e tecidos moles; grandes úlceras podem se formar nos membros inferiores ou nos membros superiores. A cura pode resultar em contratura, formação de cicatrizes e deformidade grave.
Para o diagnóstico, devem-se utilizar métodos moleculares, como testes de reação em cadeia da polimerase.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma terapia combinada de 8 semanas com rifampicina 10 mg/kg oral mais estreptomicina 15 mg/kg IM, claritromicina 7,5 mg/kg via oral (preferível durante a gestação) ou moxifloxacino 400 mg via oral. Entretanto, a estreptomicina é problemática porque sua vida de administração é parenteral e tóxica. A OMS afirma que um estudo sugere que a combinação de rifampicina (10 mg/kg 1 vez/dia) e claritromicina (7,5 mg/kg 2 vezes ao dia) é o tratamento recomendado (2). Um ensaio clínico randomizado em andamento está sendo realizado para avaliar se a adição de amoxicilina/clavulanato a esse esquema pode oferecer melhor eficácia e tolerabilidade (3).
Referências sobre infecções cutâneas
1. Ravindran B, Hennessy D, O'Hara M, et al. Epidemiology of Buruli Ulcer in Victoria, Australia, 2017-2022. Emerg Infect Dis. 2025;31(3):448-457. doi:10.3201/eid3103.240938
2. World Health Organization (WHO): Buruli ulcer (Mycobacterium ulcerans infection). January 12, 2023. Accessed October 2, 2025.
3. ClinicalTrials.gov. Beta-Lactam Containing Regimen for the Shortening of Buruli Ulcer Disease Therapy (BLMs4BU). December 1, 2021. Accessed October 29, 2025.
Ferimentos e infecções por corpo estranho
Micobactérias não tuberculosas formam biofilmes; elas podem sobreviver nos sistemas de água em instalações residenciais, comerciais e de saúde. Elas são difíceis de erradicar com práticas comuns de descontaminação (p. ex., uso de cloreto, organomercuriais ou glutaraldeído alcalino).
Micobactérias não tuberculosas em crescimento rápido (complexo M. fortuitum, M. chelonae, complexo M. abscessus) podem causar surtos nosocomiais de infecções, geralmente decorrentes de injeção com soluções contaminadas, contaminação de feridas com água não estéril, uso de instrumentos contaminados ou implantação de dispositivos médicos contaminados. Essas infecções também podem se desenvolver após procedimentos estéticos, acupuntura ou tatuagem. O complexo M. fortuitum causou infecção grave em ferimentos profundos dos olhos e da pele (especialmente pés), em tatuagens e em pacientes que recebem materiais contaminados (p. ex., valvas cardíacas porcinas, implantes mamários, cera para osso).
Nos Estados Unidos, ocorreram surtos da infecção por M. abscessus na Geórgia (2015) e Califórnia (2016). Esses surtos ocorreram em crianças quando água contaminada com biofilme de M. abscessus foi utilizada durante pulpotomia (um procedimento odontológico), resultando em infecção grave.
O tratamento geralmente requer extenso desbridamento e remoção de material estranho.
Diversos medicamentos têm demonstrado eficácia quando utilizados no tratamento de infecções cutâneas e de tecidos moles por micobactérias não tuberculosas (1, 2). Os medicamentos úteis incluem:
Imipeném 1 g IV a cada 6 horas
Levofloxacino, 500 mg, IV ou por via oral uma vez ao dia
Claritromicina 500 mg por via oral 2 vezes ao dia
Sulfametoxazol/trimetoprima, 1 comprimido de dupla potência por via oral 2 vezes ao dia
Doxiciclina, 100 a 200 mg por via oral uma vez ao dia
2 g de cefoxitina IV a cada 6-8 horas
Amicacina, 10 a 15 mg/kg, IV uma vez ao dia
Recomenda-se uma terapia combinada de pelo menos 2 fármacos que apresentem atividade in vitro. A duração da terapia é, em média, 24 meses e pode ser mais longa se o corpo estranho infectado permanecer no corpo. Geralmente inclui-se amicacina nos primeiros 3 a 6 meses da terapia.
Infecções provocadas por M. abscessus e M. chelonae geralmente são resistentes à maioria dos antibióticos (incluindo macrolídeos), têm-se mostrado extremamente difíceis ou impossíveis de serem curadas, e devem ser encaminhadas para um especialista experiente (3).
Referências sobre infecções de feridas e corpos estranhos
1. Shulha JA, Escalante P, Wilson JW. Pharmacotherapy Approaches in Nontuberculous Mycobacteria Infections. Mayo Clin Proc. 2019;94(8):1567-1581. doi:10.1016/j.mayocp.2018.12.011
2. Griffith DE, Aksamit T, Brown-Elliott BA, et al. An official ATS/IDSA statement: diagnosis, treatment, and prevention of nontuberculous mycobacterial diseases. Am J Respir Crit Care Med. 2007;175(4):367-416. doi:10.1164/rccm.200604-571ST
3. Nguyen TQ, Heo BE, Jeon S, et al. Exploring antibiotic resistance mechanisms in Mycobacterium abscessus for enhanced therapeutic approaches. Front Microbiol. 2024;15:1331508. Published 2024 Feb 6. doi:10.3389/fmicb.2024.1331508
Doença disseminada
O complexo Mycobacterium avium (MAC) frequentemente causa doença disseminada em pacientes com infecção por HIV avançada e, ocasionalmente, naqueles com outros estados de imunocomprometimento, incluindo transplante de órgãos e leucemia de células pilosas. Em pacientes com infecção por HIV avançada, a infecção por MAC disseminada geralmente se desenvolve tardiamente (ao contrário da TB, que se desenvolve precocemente), ocorrendo simultaneamente com outras infecções oportunistas (1).
A doença disseminada por MAC causa febre, anemia, trombocitopenia, diarreia e dor abdominal (características similares às da doença de Whipple).
Pode-se confirmar o diagnóstico da infecção por MAC disseminada por culturas do sangue, da medula óssea ou por biópsia (p. ex., biópsia percutânea com agulha fina do fígado ou linfonodos necrosados). Os organismos podem ser identificados nas fezes e em secreções respiratórias, mas microrganismos destas amostras podem representar mais colonização do que doenças verdadeiras.
A terapia combinada para eliminar bacteremia e aliviar os sintomas geralmente requer 2 ou 3 medicamentos; uma combinação é claritromicina, 500 mg, por via oral, 2 vezes ao dia, ou azitromicina, 600 mg, por via oral, uma vez/dia, mais etambutol (EMB), 15 a 25 mg/kg, por via oral, uma vez/dia. Algumas vezes, a rifabutina, 300 mg por via oral uma vez/dia, também é utilizada. Após o tratamento bem-sucedido, é necessária uma profilaxia secundária com claritromicina ou azitromicina associada a EMB para prevenir recidivas.
Pacientes com infecção por HIV que não foram diagnosticados antes de manifestarem infecção por MAC disseminada podem receber até 2 semanas de tratamento antimicobacteriano antes de iniciar a terapia antirretroviral (TARV) para diminuir o risco de desenvolver a síndrome inflamatória de reconstituição imunológica (SIRI).
A profilaxia primária para MAC não é recomendada para pacientes com infecção por HIV que iniciam a TARV imediatamente (1). A profilaxia para MAC é indicada para pacientes com contagem de CD4 < 50 células/mcL que não estão recebendo TARV, que apresentam viremia persistente sob TARV ou que não conseguem atingir supressão total devido à resistência. Antes de iniciar a profilaxia, a infecção por MAC disseminada deve ser excluída clinicamente ou por meio de hemocultura para pesquisa de bacilos álcool-ácido resistentes.
Referência sobre doença disseminada
1. National Institutes of Health; Centers for Disease Control and Prevention; HIV Medicine Association of the Infectious Diseases Society of America Panel on Guidelines for the Prevention and Treatment of Opportunistic Infections in Adults and Adolescents with HIV— A Working Group of the Office of AIDS Research Advisory Council (OARAC). Guidelines for the Prevention and Treatment of Opportunistic Infections in Adults and Adolescents with HIV: Disseminated Mycobacterium avium Complex Disease. August 15, 2024. Accessed October 3, 2025.



