Fluxo de ar, volumes pulmonares e curvas fluxo-volume

Análise completa: abr. 2026 PorKaren L. Wood, MD, Grant Medical Center, Ohio Health | Colega revisado porM. Patricia Rivera, MD, University of Rochester Medical Center
Última atualização: abr. 2026
v912529_pt
Visão Educação para o paciente

As avaliações de índice de fluxo e volume pulmonar podem ser utilizadas para diferenciar as doenças pulmonares obstrutivas das restritivas, caracterizar a gravidade da doença e avaliar as respostas terapêuticas.

Os testes incluem espirometria para medir o fluxo de ar inspiratório e expiratório e os volumes pulmonares e, às vezes, testes de fluxo-volume para definir anormalidades obstrutivas e restritivas específicas. Em pacientes com anormalidades obstrutivas, a espirometria é repetida após a administração de broncodilatadores inaláveis de curta duração para avaliar a reversibilidade e a resposta ao tratamento.

As avaliações são classicamente relatadas em fluxos e volumes absolutos e em porcentagens de valores predeterminados e derivados de grandes populações, compostas de indivíduos presumidamente portadores de função pulmonar normal. Variáveis que auxiliam a predizer os valores normais envolvem idade, sexo e altura.

Calculadora clínica

Não há um consenso entre as diferentes sociedades profissionais quanto ao uso de ajustes baseados em raça nos testes de função pulmonar. Estudos demonstraram que o uso de equações de referência baseadas em raça e etnia provavelmente subestima a gravidade da doença pulmonar (e, portanto, resulta em subtratamento) em indivíduos não brancos (1, 2). Assim, a American Thoracic Society (ATS) recomendou substituir as equações de referência específicas por etnia ou raça anteriormente utilizadas (3) por aquelas derivadas de equações de referência neutras em relação à raça, como as derivadas da equação média da Global Lung Function Initiative (GLI) (4, 5). No entanto, a norma técnica de 2022 da European Respiratory Society (ERS)/ATS reconheceu que o uso de conjuntos de referência neutros em relação à raça pode resultar em alterações na elegibilidade para tratamentos específicos (p. ex., cirurgia, transplante de pulmão) (6). Evidências limitadas demonstraram que o uso de equações sem ajuste racial aumentou a precisão dos diagnósticos de patologia pulmonar em pacientes negros (7).

Fluxo de ar

As avaliações quantitativas dos fluxos inspiratório e expiratório são obtidas pela espirometria forçada. Utiliza-se clipes nasais para ocluir as narinas.

Nas avaliações do volume e fluxo inspiratórios, o paciente expira da forma mais completa possível e então inspira vigorosamente. O volume inspiratório é a quantidade máxima de ar inalado em uma respiração profunda, e o fluxo inspiratório é o volume inspirado por segundo.

Nas avaliações do fluxo expiratório, o paciente inspira o mais profundamente possível, sela seus lábios em torno do bocal e expira o mais vigorosa e completamente possível em um aparelho que registra o volume expirado (capacidade vital forçada [CVF]) e o volume exalado no primeiro segundo (volume expiratório forçado no primeiro segundo [VEF1], ver figura ).

Essas manobras fornecem várias medições:

  • CVF: quantidade máxima de ar que o paciente pode expirar vigorosamente após ter realizado uma inspiração máxima

  • VEF1VEF1: volume exalado no primeiro segundo

  • Pico de fluxo expiratório (PFE): velocidade máxima do fluxo de ar quando o paciente expira

VEF1 é o parâmetro de fluxo mais reprodutível, sendo especialmente útil no diagnóstico e no monitoramento de pacientes com doença pulmonar obstrutiva (p. ex., asma, DPOC [doença pulmonar obstrutiva crônica]).

Tanto o VEF1 quanto a CVF ajudam a diferenciar doenças pulmonares obstrutivas e restritivas. Um VEF1 normal torna improvável um diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva irreversível (ou seja, fixa). Uma CVF normal torna a doença restritiva improvável. A diminuição da relação VEF1/CVF indica obstrução. A medição repetida de FEV1 e da CVF com um broncodilatador de curta duração em pacientes com evidências de obstrução no teste inicial é útil para diferenciar pacientes com broncospasmo reversível (como ocorre na asma) daqueles com obstrução fixa na DPOC.

Algumas pessoas têm fatores de risco de DPOC (p. ex., tabagismo, infecção prévia, exposição ocupacional, exposição à poluição do ar), mas não demonstram obstrução definitiva no teste de função pulmonar. Acredita-se que essas pessoas tenham pré-DPOC (8). Mais estudos são necessários para caracterizar essa população, mas monitorar os valores da espirometria ao longo do tempo pode ser útil para identificar pacientes com probabilidade de desenvolver DPOC.

Espirograma normal

FEF25–75% = fluxo expiratório forçado durante a expiração de 25–75% da CVF; VEF1= volume expiratório forçado no primeiro segundo da manobra de capacidade vital forçada; CVF = capacidade vital forçada (a quantidade máxima de ar expirada vigorosamente após a inspiração máxima).

O fluxo expiratório forçado médio durante o intervalo em que 25 a 75% da CVF são expirados (também chamado de FEF25-75%) pode ser um indicador mais sensível de limitação leve do fluxo aéreo nas pequenas vias respiratórias do que o VEF1, mas a reprodutibilidade dessa variável é baixa.

O fluxo expiratório de pico (FEP) é o fluxo máximo que ocorre durante a expiração. Essa variável é utilizada principalmente para o monitoramento domiciliar de pacientes com asma e para a determinação de variações diurnas do fluxo aéreo. A asma pode ser monitorada comparando-se o PFE com o melhor desempenho do paciente.

A interpretação dessas avaliações depende de esforço adequado do paciente, que frequentemente é aperfeiçoado pelo treinamento durante a manobra real. Espirogramas aceitáveis demonstram:

  • Bom início de teste (p. ex., um início rápido e vigoroso da expiração)

  • Nenhuma tosse

  • Curvas suaves

  • Ausência de término precoce da expiração (p. ex., tempo de exalação mínimo de 6 segundos sem nenhuma alteração no volume para o último 1 segundo)

Padrões de controle de qualidade devem ser assegurados na realização da espirometria (p. ex., calibração de equipamentos, esforço do paciente, treinamento do operador). Em geral, esforços reprodutíveis devem concordar entre si dentro de uma margem de 5% ou 100 mL (ou seja, a diferença entre as 2 medidas mais altas para a CVF ou a VEF1 deve ser menor ou igual a 5% do valor mais alto, ou 100 mL, o que for maior) na mesma sessão de espirometria. Resultados que não satisfazem esses critérios mínimos aceitáveis devem ser interpretados com cautela.

Volume pulmonar

Os volumes pulmonares são avaliados pela determinação da capacidade residual funcional (CRF). CRF é a quantidade de ar que permanece nos pulmões após a exalação normal. Capacidade pulmonar total (CPT) é o volume de gás que está contido nos pulmões no final da inspiração máxima. O conhecimento da CRF permite que o pulmão seja dividido em subvolumes que são avaliados pela espirometria ou calculados (ver figura ). Normalmente, a CRF representa cerca de 40% da CPT.

Volumes pulmonares normais

VRE = volume de reserva expiratório; CRF = capacidade residual funcional; CI = capacidade inspiratória; VRI = volume de reserva inspiratório; VR = volume residual; CPT = capacidade pulmonar total; CV = capacidade vital; VT= volume corrente.

CRF = VR + VRE; CI = VT + VRI; CV = VT+ VRI + VRE.

Avalia-se a CRF com o uso de técnicas de diluição gasosa ou um pletismógrafo (que é mais preciso em pacientes que têm limitação do fluxo aéreo e gás aprisionado).

As técnicas de diluição gasosa incluem:

  • Remoção de nitrogênio

  • Equilíbrio de hélio

Com a remoção de nitrogênio, o paciente exala até a CRF e, a seguir, respira em um espirômetro que contém oxgênio a 100%. O teste termina quando a concentração de nitrogênio exalada for zero. Como a concentração de nitrogênio nos pulmões é conhecida na linha de base e o volume de nitrogênio coletado é medido, é possível calcular o volume pulmonar total.

Com o equilíbrio de hélio, o paciente exala até a CRF e, em seguida, conecta-se a um sistema fechado contendo volumes conhecidos de hélio e oxigênio. Avalia-se a concentração de hélio até que seja a mesma na inalação e na exalação, indicando o equilíbrio deste com o volume de gás no pulmão, que é estimado pela diluição de hélio.

Ambas as técnicas podem subestimar a CRF, pois avaliam apenas o volume pulmonar que se comunica com as vias respiratórias superiores. Nos pacientes com limitação grave do fluxo aéreo, um volume considerável de gás aprisionado pode se comunicar muito pouco ou não ter qualquer comunicação.

Pletismografia corporal usa a lei de Boyle (P1V1 = P2V2, em que P é pressão e V é volume) para medir o volume de gás compressível dentro do tórax. A pletismografia corporal é mais precisa do que as técnicas de diluição gasosa. O paciente senta-se em uma câmara hermética e tenta inalar contra um bocal fechado a partir da CRF. À medida que a parede torácica se expande, a pressão na câmara hermética aumenta. Conhecendo-se o volume pré-inspiratório da câmara e a pressão nesta antes e depois do esforço inspiratório, é possível calcular a modificação do volume da caixa, que deve ser igual à modificação do volume pulmonar.

Calculadora clínica

Curva fluxo-volume

Diferentemente do espirograma, que mostra uma curva volume-tempo (isto é, volume [em litros] ao longo do tempo [em segundos]), a curva fluxo-volume mostra o fluxo aéreo (em L/s) em relação ao volume pulmonar (em litros) durante a inspiração máxima a partir da exalação completa (volume residual [VR]) e durante a expiração máxima a partir da inalação completa (capacidade pulmonar total [CPT]). A vantagem principal da curva fluxo-volume é que esta pode mostrar se os fluxos são apropriados para um determinado volume pulmonar. Por exemplo, o fluxo de ar normalmente é mais lento com volumes pulmonares baixos porque a retração elástica é menor em volumes pulmonares mais baixos. Pacientes com fibrose pulmonar têm baixos volumes pulmonares e seu fluxo de ar parece estar diminuído se avaliado isoladamente. Entretanto, quando se mede o fluxo em relação aos volumes pulmonares, torna-se aparente que o fluxo está, na verdade, mais elevado que o normal, em virtude do aumento da retração elástica, característico dos pulmões fibróticos.

As curvas fluxo-volume exigem a avaliação dos volumes pulmonares absolutos. Infelizmente, muitos laboratórios simplesmente plotam o fluxo de ar em relação à CVF; a curva fluxo-CVF não tem um membro inspiratório e, portanto, não fornece o mesmo número de informações.

Referências gerais

  1. 1. Baugh AD, Shiboski S, Hansel NN, et al. Reconsidering the Utility of Race-Specific Lung Function Prediction Equations [published correction appears in Am J Respir Crit Care Med. 2022;206(2):230]. Am J Respir Crit Care Med. 2022;205(7):819-829. doi:10.1164/rccm.202105-1246OC

  2. 2. Ekström M, Mannino D. Research race-specific reference values and lung function impairment, breathlessness and prognosis: Analysis of NHANES 2007-2012 [published correction appears in Respir Res. 2023;24(1):41]. Respir Res. 2022;23(1):271. doi:10.1186/s12931-022-02194-4

  3. 3. Bhakta NR, Bime C, Kaminsky DA, et al. Race and Ethnicity in Pulmonary Function Test Interpretation: An Official American Thoracic Society Statement. Am J Respir Crit Care Med. 2023;207(8):978-995. doi:10.1164/rccm.202302-0310ST

  4. 4. Quanjer PH, Stanojevic S, Cole TJ, et al. Multi-ethnic reference values for spirometry for the 3-95-yr age range: the global lung function 2012 equations. Eur Respir J. 2012;40(6):1324-1343. doi:10.1183/09031936.00080312

  5. 5. Bowerman C, Bhakta NR, Brazzale D, et al. A Race-neutral Approach to the Interpretation of Lung Function Measurements. Am J Respir Crit Care Med. 2023;207(6):768-774. doi:10.1164/rccm.202205-0963OC

  6. 6. Stanojevic S, Kaminsky DA, Miller MR, et al. ERS/ATS technical standard on interpretive strategies for routine lung function tests. Eur Respir J. 2022;60(1):2101499. doi:10.1183/13993003.01499-2021

  7. 7. Vyas DA, Zhao S, Lai PS, et al. Lung Function Trajectory Using Race-Specific vs Race-Neutral Global Lung Function Initiative Coefficients. JAMA Netw Open. 2025;8(4):e257304. Published 2025 Apr 1. doi:10.1001/jamanetworkopen.2025.7304

  8. 8. Han MK, Agusti A, Celli BR, et al. From GOLD 0 to Pre-COPD. Am J Respir Crit Care Med. 2021;203(4):414-423. doi:10.1164/rccm.202008-3328PP

Padrões de anormalidades

As doenças respiratórias mais comuns podem ser classificadas como obstrutivas ou restritivas, com base nos índices de fluxo e nos volumes pulmonares (ver tabela ).

Tabela
Tabela

Doenças obstrutivas

Distúrbios obstrutivos são caracterizados por uma redução no fluxo aéreo, particularmente o VEF1 e o VEF1 expressos como uma razão da CVF (VEF1/CVF). O nível de redução em VEF1 realmente medido em relação aos valores previstos determina o grau do defeito de obstrução. Os defeitos obstrutivos são provocados por:

  • Aumento da resistência ao fluxo de ar por causa de anormalidades dentro do lúmen das vias respiratórias (p. ex., tumores, secreções e espessamento da mucosa)

  • Alterações da parede das vias respiratórias (p. ex., constrição da musculatura lisa, edema)

  • Redução na retração elástica (p. ex., destruição do parênquima que ocorre no enfisema)

Com a diminuição dos índices de fluxo, os tempos expiratórios são mais longos que os habituais e o ar pode ficar aprisionado nos pulmões em decorrência do esvaziamento incompleto e do aumento dos volumes pulmonares (p. ex., CPT e VR).

Os exemplos mais comuns de doenças obstrutivas são DPOC, asma e bronquiectasia.

A European Respiratory Society e a American Thoracic Society atualizaram suas diretrizes sobre a interpretação dos testes de função pulmonar para classificar a gravidade da doença pulmonar obstrutiva (ver tabela ) (1). Essas diretrizes recomendam expressar todas as medidas, incluindo espirometria, volumes pulmonares e capacidade de difusão dos pulmões para monóxido de carbono (DLCO), como escores z em vez de como porcentagens dos valores previstos para grau de gravidade. Um escore z inferior a -1,645 indica que o valor está abaixo do 5º percentil do valor previsto com base em controles saudáveis pareados (isto é, na população de referência).

Ao julgar a resposta aos broncodilatadores, as diretrizes agora recomendam o uso da alteração percentual em relação ao valor previsto do indivíduo (em vez do valor basal) e recomendam o uso da melhora do VEF1 e/ou CVF 10% como critério para hiper-responsividade das vias respiratórias.

equation

O VEF1 é o valor padrão utilizado para avaliar a reversibilidade da obstrução após o uso de broncodilatador. Às vezes, a CVF pode ser incluída para identificar melhorias no aprisionamento de ar, particularmente na DPOC.

Tabela
Tabela

Doenças restritivas

Distúrbios restritivos são caracterizados por redução do volume pulmonar, especificamente CPT abaixo do limite inferior do normal [um escore z inferior a -1,65, correspondendo a menos do que o 5º percentil do previsto com base em controles pareados saudáveis, (isto é, na população de referência)]. Entretanto, na doença restritiva precoce, a CPT pode estar normal (como resultado de forte esforço inspiratório) e a única anormalidade pode ser a redução do VR. O grau de diminuição da CPT determina a gravidade da restrição. A redução dos volumes pulmonares reduz o fluxo aéreo (VEF1 reduzido). Entretanto, o fluxo aéreo em relação ao volume pulmonar está aumentado, de modo que a relação VEF1/CVF é normal ou aumentada na doença pulmonar restritiva.

Os defeitos restritivos são causados por:

  • Perda de volume pulmonar (p. ex., lobectomia)

  • Anormalidades de estruturas que circundam o pulmão (p. ex., doença pleural, cifose, obesidade)

  • Fraqueza dos músculos inspiratórios da respiração (p. ex., doença neuromuscular)

  • Anormalidades do parênquima pulmonar (p. ex., fibrose pulmonar)

A característica comum a todas essas condições é a diminuição da complacência dos pulmões, da parede torácica, ou de ambos.

Referência sobre padrões de anormalidades

  1. 1. Stanojevic S, Kaminsky DA, Miller MR, et al. ERS/ATS technical standard on interpretive strategies for routine lung function tests. Eur Respir J. 2022;60(1):2101499. doi:10.1183/13993003.01499-2021

Teste de broncoprovocação

O teste de broncoprovocação é um procedimento diagnóstico utilizado para avaliar a hiper-responsividade das vias respiratórias expondo os pacientes a agentes que induzem broncoconstrição. É utilizado para diagnosticar condições como a asma, especialmente quando a espirometria está normal, mas ainda há suspeita de hiperreatividade das vias respiratórias.

Os testes podem ser realizados utilizando métodos diretos ou indiretos.

Métodos diretos incluem:

  • Metacolina

  • Histamina (raramente utilizada)

Os métodos indiretos incluem:

  • Exercício

  • Hiperventilação voluntária eucápnica

  • Hipersensibilidade induzida pelo frio

  • Manitol

  • Solução fisiológica hipertônica

Métodos diretos

Alguns pacientes com asma podem ter função pulmonar normal e parâmetros espirométricos normais entre as exacerbações. Quando a suspeita de asma permanece alta, apesar dos resultados normais da espirometria, o teste de provocação brônquica com metacolina, um análogo sintético da acetilcolina que é um irritante brônquico inespecífico, é indicado para detectar ou excluir a broncoconstrição. Em um teste de provocação com metacolina, os parâmetros espirométricos são medidos na linha de base e após a inalação de doses crescentes de metacolina. A dose de metacolina que provoca queda de 20% no VEF1 é chamada de PD20. Os laboratórios têm definições diferentes de hiperreatividade das vias respiratórias, mas, em geral, uma queda de pelo menos 20% no VEF1 em relação à linha de base (PD20) quando a dose administrada de metacolina inalada é < 25 mcg é considerada diagnóstica de reatividade brônquica aumentada, enquanto um PD20 > 400 mcg exclui esse diagnóstico. Valores de PD20 entre 25 e 400 mcg são inconclusivos (1). Os testes de provocação com histamina envolvem a inalação de doses crescentes de histamina, que atua como um estímulo direto para induzir broncoconstrição mediada por histamina; a hiper-responsividade brônquica é subsequentemente medida (2). 

Métodos indiretos

Pode-se utilizar o teste de esforço para detectar asma induzida por esforço, mas é menos sensível que o teste de provocação com metacolina para a detecção de aumento geral da resposta das vias respiratórias. O paciente efetua um nível constante de trabalho na esteira ou na bicicleta ergométrica por 6 a 8 minutos, em uma intensidade selecionada para alcançar a frequência cardíaca de 80% daquela máxima prevista. O VEF1 e a CVF são avaliados antes e depois de 5, 15 e 30 minutos de exercício. O espasmo brônquico induzido pelo exercício reduz o VEF1 ou a CVF 10-15% após o exercício (3).

A hiperventilação voluntária eucápnica também pode ser utilizada para diagnosticar a asma induzida por exercício. A hiperventilação voluntária eucápnica envolve hiperventilação de uma mistura de gases com 5% de dióxido de carbono e 21% de oxigênio a 85% da ventilação voluntária máxima durante 6 minutos. VEF1A VEF1 é então medida a intervalos especificados após o teste. Como em outros testes de provocação brônquica, a queda do VEF1 que caracteriza o diagnóstico de espasmo brônquico induzido por exercício varia de acordo com o laboratório. A hiperventilação voluntária eucápnica é recomendada em atletas que não apresentam hiper-reatividade brônquica em repouso.

A hiper-reatividade induzida pelo frio pode ser avaliada com um teste semelhante no qual o paciente hiperventila por 3 a 6 minutos com a mistura gasosa resfriada entre -10° C e -20° C. Esse teste requer equipamentos de resfriamento especializados que podem não estar disponíveis em muitos laboratórios de testes.

O teste de provocação com manitol utiliza doses incrementais de manitol em pó seco de 5, 10, 20, 40, 2 × 40, 4 × 40, 4 × 40 e 4 × 40 mg (dose cumulativa total de 635 mg), sendo considerado positivo o teste de provocação brônquica no qual a dose provocativa causa uma diminuição ≥ 15% no VEF1 em relação ao valor basal (4). Alternativamente, uma diminuição de 10% no VEF1 entre 2 doses consecutivas de manitol também pode ser considerada positiva.

A solução salina hipertônica é outro teste indireto no qual a inalação de uma concentração específica de solução salina (geralmente 4,5%) induz estresse osmótico nas paredes das vias respiratórias e aumento da reatividade brônquica, com um teste positivo causando uma diminuição ≥ 15% no VEF1 em relação ao valor basal (4).

Referências sobre teste de broncoprovocação

  1. 1. Coates AL, Wanger J, Cockcroft DW, et al. ERS technical standard on bronchial challenge testing: general considerations and performance of methacholine challenge tests. Eur Respir J. 2017;49(5):1601526. doi:10.1183/13993003.01526-2016

  2. 2. Steinbrugger B, Eber E, Modl M, Weinhandl E, Zach MS. A comparison of a single-step cold-dry air challenge and a routine histamine provocation for the assessment of bronchial responsiveness in children and adolescents. Chest. 1995;108(3):741-745. doi:10.1378/chest.108.3.741

  3. 3. Parsons JP, Hallstrand TS, Mastronarde JG, et al. An official American Thoracic Society clinical practice guideline: exercise-induced bronchoconstriction. Am J Respir Crit Care Med. 2013;187(9):1016-1027. doi:10.1164/rccm.201303-0437ST

  4. 4. Hallstrand TS, Leuppi JD, Joos G, et al. ERS technical standard on bronchial challenge testing: pathophysiology and methodology of indirect airway challenge testing. Eur Respir J. 2018;52(5):1801033. doi:10.1183/13993003.01033-2018

quizzes_lightbulb_red
Test your KnowledgeTake a Quiz!
iOS ANDROID
iOS ANDROID
iOS ANDROID