Manual MSD

Please confirm that you are a health care professional

Carregando

Necrose cortical renal

Por

Zhiwei Zhang

, MD,

  • Loma Linda University
  • VA Loma Linda Healthcare System

Última modificação do conteúdo jul 2019
Clique aqui para acessar Educação para o paciente
Recursos do assunto

A necrose cortical renal compreende a destruição do tecido cortical resultante de lesão arteriolar renal, causando insuficiência renal crônica. Essa doença rara costuma surgir tipicamente em recém-nascidos e em gestantes e após o parto, se houver sepse e complicações da gestação. Os sinais e sintomas incluem hematúria macroscópica, dor no flanco, diminuição do débito urinário, febre e sintomas de uremia. Os sintomas da doença subjacente podem predominar. O diagnóstico é feito por RM, TC, mapeamento renal isotópico, ou biópsia renal. A taxa de mortalidade em 1 ano é > 20%. O tratamento é direcionado à doença subjacente e à preservação da função renal.

Na necrose cortical renal, que pode ser irregular ou difusa, as lesões arteriolares renais bilaterais resultam em destruição e calcificação dos tecidos corticais e lesão renal aguda. Os tecidos corticais renais eventualmente calcificam-se. O córtex justamedular, a medula e a área logo abaixo da cápsula são poupados.

Etiologia

A lesão geralmente resulta da redução da perfusão da artéria renal secundária a vasospasmo, lesão microvascular, ou coagulação intravascular.

Cerca de 10% dos casos ocorrem em lactentes e crianças. As complicações da gestação aumentam o risco dessa doença em recém-nascidos e em mulheres, assim como a sepse. Outras causas [p. ex., coagulação intravascular disseminada (CID)] são menos comuns (ver tabela Causas da necrose cortical renal).

Tabela
icon

Causas da necrose cortical renal

Grupo de pacientes

Causas

Recém-nascidos

Descolamento prematuro de placenta (provoca cerca de 50% dos casos)

Desidratação

Transfusão materno-fetal

Asfixia perinatal

Trombose da veia renal

Crianças

Desidratação

Mulheres grávidas e em pós-parto

Sepse (causa ao redor de 30%)

Outros

Queimaduras

Fármacos (p. ex., anti-inflamatórios não esteroides)

Rejeição hiperaguda de alotransplante

Transfusão de sangue incompatível

Meios de contraste nefrotóxicos

Trauma

Sinais e sintomas

Hematúria macroscópica, dor no flanco e, algumas vezes, diminuição do débito urinário ou anúria abrupta podem ocorrer. A febre é comum e ocorre desenvolvimento de insuficiência renal e hipertensão. Entretanto, esses sintomas são geralmente obscurecidos pela doença subjacente.

Diagnóstico

  • Exames de imagem, geralmente angiografia por tomografia computadorizada (TC)

Há suspeita diagnóstica quando os sintomas típicos ocorrem em pacientes com causas potenciais.

Os exames de imagem algumas vezes podem confirmar o diagnóstico. A angiografia por TC é geralmente a escolhida, apesar dos risco do uso de um agente de contraste iodado. Tendo em vista o risco de fibrose sistêmica nefrogênica, o uso de angiografia por ressonância magnética com gadolínio não é recomendado para esses pacientes, que geralmente apresentam disfunção renal grave.

Uma alternativa é o mapeamento isotópico utilizando ácido penta-acético de dietilenotriamina. Ele mostra rins aumentados ou não obstruídos, com pouco ou nenhum fluxo sanguíneo renal. A biópsia renal é realizada apenas se o diagnóstico não for claro e não existir contraindicação. Estabelece o diagnóstico definitivo e as informações prognósticas.

Os exames de sangue e urina (urina I, hemograma completo (HC), provas de função hepática e eletrólitos séricos e exames de função renal) são realizados rotineiramente. Esses exames geralmente confirmam o diagnóstico de insuficiência renal aguda ou crônica (p. ex., indicadas por elevação da concentração de nitrogênio ureico sanguíneo e creatinina e por hiperpotassemia) e sugerem a causa. As anormalidades graves de eletrólitos podem estar presentes dependendo da causa (p. ex., hiperpotassemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia). O hemograma geralmente detecta leucocitose (mesmo quando a causa não é sepse) e pode detectar anemia e trombocitopenia se a causa for hemólise, CID, ou sepse. As aminotransferases podem estar elevadas em estados de hipovolemia relativa (p. ex., choque séptico, hemorragia pós-parto). Caso se suspeite de CID, os exames de coagulação são realizados. Podem detectar baixas concentrações de fibrinogênio, aumento de produtos de degradação da fibrina e aumento do tempo de protrombina (TP)/INR e do tempo de tromboplastina parcial (TTP). O exame de urina tipicamente detecta proteinúria e hematúria.

Prognóstico

O prognóstico da necrose cortical renal era ruim no passado, com mortalidade > 50% no primeiro ano. Mais recentemente, com o uso de tratamento agressivo de suporte, a mortalidade em 1 ano pode ser de 20% e até 20% dos sobreviventes podem recuperar alguma função renal.

Tratamento

O tratamento é direcionado para a doença de base e para a preservação da função renal (p. ex., com diálise precoce).

Pontos-chave

  • A necrose cortical renal é rara e costuma ocorrer em recém-nascidos e em gestantes ou após o parto com sepse e complicações da gestação.

  • Suspeitar do diagnóstico em pacientes de risco que desenvolvem sintomas típicos (p. ex., hematúria macroscópica, dor no flanco, diminuição da produção de urina, febre, hipertensão).

  • Confirmar o diagnóstico com exames de imagem vascular renal, geralmente angiografia por TC.

  • Tratar a doença subjacente.

Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família
Profissionais também leram

Também de interesse

MÍDIAS SOCIAIS

PRINCIPAIS