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Porfirias agudas

Por

Herbert L. Bonkovsky

, MD, Wake Forest University School of Medicine;


Sean R. Rudnick

, MD, Wake Forest University School of Medicine

Avaliado clinicamente dez 2020
Visão Educação para o paciente

Porfirias agudas resultam da deficiência de certas enzimas na via biossintética do heme, levando ao acúmulo dos precursores de heme que causam crises intermitentes de dor abdominal e sintomas neurológicos. As crises são precipitadas por certos fármacos e outros fatores. O diagnóstico é feito pelos altos níveis urinários dos precursores da porfirina, o ácido delta-aminolevulínico e o porfobilinogênio, durante as crises. As crises são tratadas com glicose ou, se forem mais graves, heme IV. O tratamento sintomático, incluindo analgesia, é fornecido conforme necessário.

Porfirias agudas incluem, na ordem de prevalência decrescente:

  • Porfiria intermitente aguda (PIA)

  • Porfiria variegada (PV)

  • Coproporfiria hereditária (CPH)

  • Porfiria por deficiência de ácido delta-aminolevulínico desidratase (ALAD) (extremamente rara)

Pacientes com porfiria variegada e coproporfiria hereditária, com ou sem sintomas neuroviscerais, podem desenvolver erupções bolhosas especialmente nas mãos, antebraços, face, pescoço ou outras áreas da pele expostas ao sol.

Entre os heterozigotos, as porfirias agudas raramente têm expressão clínica antes da puberdade; após a puberdade, eles são expressos em apenas cerca de 2 a 4% dos indivíduos. Entre homozigotos e heterozigotos compostos, o início ocorre tipicamente na infância e os sintomas costumam ser graves.

Fatores precipitantes

Existem vários fatores precipitantes, tipicamente acelerando a síntese de heme acima da capacidade catalítica da enzima deficiente. Ocorre acúmulo dos precursores da porfirina PBG e ALA ou, no caso da porfiria por deficiência de ALAD, apenas de ALA.

As crises provavelmente resultam de fatores múltiplos, às vezes não identificáveis. Os fatores desencadeadores identificados incluem

  • Alterações hormonais em mulheres

  • Fármacos

  • Baixo teor calórico, dietas pobres em carboidratos

  • Álcool

  • Exposição a solventes orgânicos

  • Infecções e outras doenças

  • Cirurgia

  • Estresse emocional

Os fatores hormonais são importantes. As mulheres apresentam maior tendência a crises do que os homens, em particular durante os períodos de mudanças hormonais (p. ex., fase luteal do ciclo menstrual, durante uso de contraceptivos orais, nas primeiras semanas da gestação e logo após o parto). No entanto, a gestação não é contraindicada.

Outros fatores são fármacos, particularmente aqueles que induzem a enzima hepática ALA sintase e enzimas do citocromo P-450. As crises costumam ocorrer até 24 horas após a exposição ao fármaco precipitante. Uma ampla variedade de fármacos é problemática, sobretudo barbitúricos, hidantoínas, outros fármacos anticonvulsivantes, antibióticos sulfonamidas e hormônios reprodutivos (progesterona e esteroides relacionados). Entretanto, o grau de risco e o nível de certeza variam consideravelmente; deve-se procurar informações atuais em bancos de dados on-line como www.drugs-porphyria.org e a American Porphyria Foundation.

A exposição à luz solar precipita os sinais e sintomas cutâneos da porfiria variegada e da coproporfiria hereditária.

Sinais e sintomas das porfirias agudas

Os sinais e sintomas de porfirias agudas envolvem sistema nervoso, abdome ou ambos (neurovisceral). As crises se desenvolvem em horas ou dias e podem durar até várias semanas. A maioria dos portadores de genes apresenta poucas crises durante a vida, se houver alguma. Outros apresentam sintomas reincidentes. Em mulheres, as crises recorrentes geralmente coincidem com fase luteal do ciclo menstrual.

Crise de porfiria aguda

Os sinais e sintomas das crises são inespecíficos e podem mimetizar muitos outros processos da doença. Constipação intestinal, fadiga, alterações do estado mental (muitas vezes descritas como "nebulosidade mental") e insônia costumam preceder uma crise aguda. Os sintomas mais comuns de uma crise são dor abdominal e vômito. A dor pode ser excruciante e desproporcional a dor abdominal ou outros sinais físicos. As manifestações abdominais podem resultar de efeitos nos nervos viscerais. Em geral, não há inflamação, o abdome não está doloroso à palpação e não há sinais peritoneais. Mas uma minoria de pacientes com porfirias hepáticas agudas também desenvolve pancreatite aguda Pancreatite aguda Pancreatite aguda é a inflamação aguda do pâncreas (e, algumas vezes, dos tecidos adjacentes). Os fatores desencadeantes mais comuns são cálculos biliares e ingestão de álcool. A classificação... leia mais Pancreatite aguda , para as quais potenciais causas alternativas não são encontradas, como cálculos biliares, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e hipertrigliceridemia grave. A temperatura e a contagem de leucócitos geralmente estão normais ou apenas ligeiramente aumentadas. A distensão intestinal pode ocorrer como resultado do íleo paralítico. A urina é vermelha ou vermelho-amarronzada e positiva para porfobilinogênio durante a crise.

Todos os componentes do sistema nervoso periférico e o sistema nervoso central podem estar envolvidos. A neuropatia motora é comum nas crises graves e prolongadas. A fraqueza muscular geralmente inicia-se nas extremidades, mas pode envolver qualquer neurônio motor ou par craniano e evoluir para tetraplegia. O envolvimento bulbar pode causar insuficiência respiratória.

O envolvimento do sistema nervoso central pode causar convulsões ou distúrbios mentais (p. ex., apatia, depressão, agitação, psicose franca, alucinações). Convulsões, comportamento psicótico e alucinações podem decorrer ou serem exacerbadas por hiponatremia e hipomagnesemia, que também contribuem para arritmias. A hiponatremia pode ocorrer durante uma crise aguda devido ao excesso de vasopressina (liberação de hormônio antidiurético [ADH]) e/ou administração de soluções hipotônicas IV (5% ou 10% de dextrose na água), uma terapia padrão para crises agudas. Alguns pacientes desenvolvem características da síndrome da leucoencefalopatia posterior (PRES), caracterizada por cefaleia, estado mental alterado, convulsões e perda visual que se acredita serem decorrentes do edema nos lobos occipital posterior e parietal.

O excesso de catecolaminas geralmente causa inquietação e taquicardia. Raramente, arritmias induzidas por catecolaminas causam morte súbita. A hipertensão lábil, com aumento transitório da pressão arterial, pode causar alterações vasculares, evoluindo para hipertensão irreversível se não for tratada. Doença renal crônica na porfiria aguda é multifatorial; a hipertensão aguda (possivelmente levando à hipertensão crônica) é, provavelmente, o principal fator precipitante. Mas fatores genéticos, especialmente uma variação genética no transportador peptídico 2 (PEPT2), que codifica um peptídeo e um transportador de aminoácidos que podem afetar a reabsorção de ALA no túbulo proximal, foram encontrados em pacientes com porfiria aguda intermitente que desenvolveram doença renal crônica. Especificamente, descobriu-se que portadores da variante de maior afinidade (PEPT2*1* 1) têm disfunção renal mais grave do que os portadores das variantes de menor afinidade.

Sintomas subagudos e crônicos

Alguns pacientes apresentam sintomas prolongados de menor intensidade (p. ex., obstipação, fadiga, cefaleia, dores no dorso ou coxas, parestesias, taquicardia, dispneia, insônia, depressão, ansiedade ou outras alterações do humor, convulsões). Os sintomas crônicos entre as crises provavelmente ocorrem em muitos pacientes, especialmente naqueles que já tiveram mais de uma crise grave, sendo a dor o sintoma mais frequente. Muitos pacientes têm sintomas diariamente.

Sintomas cutâneos na porfiria variegada e na coproporfiria hereditária

Pele frágil e erupções bolhosas podem ocorrer nas áreas expostas ao sol, mesmo na ausência de sintomas neuroviscerais. Muitas vezes, os pacientes não estão cientes da conexão com a exposição ao sol. As manifestações cutâneas são idênticas às da porfiria cutânea tardia Porfiria cutânea tardia A porfiria cutânea tardia é uma porfiria hepática comparativamente comum, afetando principalmente a pele. Hepatopatia também é comum. A PCT ocorre por causa de uma deficiência hepática adquirida... leia mais Porfiria cutânea tardia ; lesões tipicamente ocorrem na porção dorsal das mãos e antebraços, face, orelhas e pescoço.

Manifestações tardias das porfirias agudas

Envolvimento motor durante as crises agudas pode causar fraqueza persistente e atrofia muscular durante as crises. Cirrose, carcinoma hepatocelular, hipertensão arterial sistêmica e comprometimento renal tornam-se mais comuns após a meia-idade na porfiria intermitente aguda e, possivelmente, também na porfiria variegada e coproporfiria hereditária, especialmente nos pacientes com crises anteriores de porfiria.

Diagnóstico das porfirias agudas

  • Exame de urina para porfobilinogênio (PBG)

  • Se os resultados do exame de urina são positivos, determinação quantitativa da ALA e PBG urinários

  • Para a confirmação da porfiria intermitente aguda, dosar a atividade da deaminase PBG nos eritrócitos

  • Análise genética se o tipo deve ser identificado

Crise aguda

É comum haver diagnóstico errôneo em razão de a crise aguda ser confundida com outras causas de abdome agudo Dor abdominal aguda A dor abdominal é comum e geralmentesem maiores consequências. A dor abdominal aguda e intensa, entretanto, é quase sempre um sintoma de doença intra-abdominal. Pode ser a única indicação de... leia mais (às vezes levando a cirúrgicas desnecessárias) ou com doenças neurológicas ou mentais primárias. Entretanto, em um paciente diagnosticado previamente como portador do gene ou com história familiar positiva, deve-se suspeitar de porfiria. Ainda assim, em portadores genéticos conhecidos, outras causas devem ser consideradas.

Urina avermelhada ou vermelho-amarronzada, ausente antes do início dos sintomas, é um sinal importante e frequentemente presente durante as crises completas. Uma amostra de urina deve ser examinada em pacientes com dor abdominal de causa desconhecida, em especial se apresentarem constipação intestinal grave, vômitos, taquicardia, fraqueza muscular, envolvimento bulbar ou sintomas mentais.

Se houver suspeita de porfiria, realiza-se a análise de PBG urinário utilizando-se uma rápida determinação qualitativa ou semiquantitativa. Um resultado positivo ou alta suspeita clínica exige medições quantitativas dos níveis urinários de ALA e PBG, e mensuração dos níveis de creatinina, preferencialmente obtidas da mesma amostra. Os níveis de PBG e ALA, normalizados para a concentração de creatinina urinária, > 5 vezes o normal indicam crise aguda de porfiria, a menos que o paciente seja portador de genes nos quais a excreção de precursores de porfirina ocorra em níveis semelhantes mesmo durante a fase latente da doença.

Se os níveis urinários de PBG/creatinina e ALA/creatinina estão normais, deve-se considerar um diagnóstico alternativo. Medição das porfirinas totais urinárias e perfis de cromatografia líquida de alto desempenho dessas porfirinas são úteis. Níveis urinários de ALA elevados e coproporfirina com PBG normal ou ligeiramente alto sugerem intoxicação por chumbo Intoxicação por chumbo A intoxicação pelo chumbo frequentemente causa no início discretos sintomas, mas pode haver encefalopatia ou dano irreversível ao órgão, resultando comumente em deficiência cognitiva em crianças... leia mais , porfiria por deficiência de ácido delta-aminolevulínico desidratase (ALAD) ou tirosinemia hereditária tipo 1. Análise de amostra de urina de 24 horas não é necessária. Em vez dela, utiliza-se uma amostra randômica de urina e as concentrações de PBG e ALA são corrigidas para diluição, relacionando a concentração de creatinina da amostra.

Determinação do tipo de porfiria aguda

Considerando-se que o tratamento não depende do tipo de porfiria aguda, a identificação do tipo específico é válida principalmente para identificação de parentes portadores do gene. Quando o tipo e a mutação já são conhecidos em virtude de exames prévios de parentes, o diagnóstico está claro, mas deve ser confirmado por análise genética.

A atividade das enzimas ALAD e PBG nas células dos eritrócitos é facilmente mensurável e pode ser útil para estabelecer o diagnóstico na porfiria por deficiência de ALAD e porfiria intermitente aguda, respectivamente. Na porfiria por deficiência de delta aminolevulínica desidratase (ALAD), a atividade da ALAD nos eritrócitos está muito diminuída (< 10% do normal). Níveis de desaminase PBG nos eritrócitos que são cerca de 50% do normal sugerem porfiria intermitente aguda.

Se não houver história familiar para orientar o diagnóstico, as diferentes formas de porfiria aguda são diferenciadas pelos padrões característicos de acúmulo e excreção de porfirinas (e precursores) no plasma, na urina e nas fezes. Quando a análise da urina revela concentrações elevadas de ALA e PBG, as porfirinas fecais devem ser medidas. Porfirinas fecais costumam estar normais ou minimamente aumentadas na porfiria intermitente aguda, mas elevadas na coproporfiria hereditária e na porfiria variegada. Em geral, esses marcadores não estão presentes na fase quiescente da doença. Pode-se utilizar emissão fluorescente plasmática após excitação com banda Soret de luz (~410 nm) para diferenciar coproporfiria hereditária e porfiria variegada, que têm diferentes emissões de pico.

Estudos familiares nas porfirias agudas

Filhos de portadores do gene para uma forma autossômica dominante da porfiria aguda (porfiria intermitente aguda, coproporfiria hereditária, porfiria variegada) têm 50% de risco de herdar a doença. Em comparação, filhos de pacientes com porfiria por deficiência de ALAD (herança autossômica recessiva) são portadores obrigatórios, mas é muito improvável que desenvolvam a doença clínica. Como o diagnóstico precoce e a orientação reduzem o risco de morbidade, as crianças das famílias afetadas devem ser avaliadas antes do início da puberdade. Exames genéticos são utilizados se a mutação causadora tiver sido identificada no caso índice. Se não, medem-se os níveis persistentes de enzimas nos eritrócitos ou leucócitos. Mas teste genético é preferível para fazer um diagnóstico definitivo porque a medição da atividade enzimática nos eritrócitos está sujeita a variações na maneira como as amostras são processadas e transportadas, há sobreposição entre a atividade da PBG desaminase em pessoas sem porfiria e pacientes com PAI, e cerca de 5% dos pacientes com PAI têm atividade normal da PBG desaminase nos eritrócitos. A analise gênica pode ser utilizada para o diagnóstico in utero (usando amniocentese Amniocentese A avaliação genética faz parte dos exames pré-natais de rotina e deve ser feita, preferencialmente, antes da concepção. A extensão da avaliação escolhida pela paciente deve levar em consideração... leia mais Amniocentese ou amostra de vilo coriônico Amostragem de vilo coriônico A avaliação genética faz parte dos exames pré-natais de rotina e deve ser feita, preferencialmente, antes da concepção. A extensão da avaliação escolhida pela paciente deve levar em consideração... leia mais Amostragem de vilo coriônico ), mas raramente é indicada em virtude do prognóstico favorável da maioria dos portadores do gene.

Prognóstico para porfirias agudas

Avanços em cuidados médicos e autocuidados melhoraram o prognóstico das porfirias agudas para pacientes sintomáticos. Ainda assim, alguns desenvolvem crises reincidentes ou doença progressiva com paralisia permanente e insuficiência renal. Além disso, necessidade frequente de analgésicos opioides pode levar à dependência de opioides.

Tratamento das porfirias agudas

  • Se possível, eliminar os gatilhos

  • Glicose (por via oral ou IV)

  • Heme IV

  • Givosiran (por via subcutânea)

O tratamento do ataque agudo de todas as porfirias agudas é essencialmente idêntico. Possíveis gatilhos (p. ex., abuso excessivo de álcool, fármacos) são identificados e eliminados. A menos que a crise seja leve, o paciente é hospitalizado em um quarto escuro, silencioso e privativo. Frequência cardíaca, pressão arterial e equilíbrio hidroeletrolítico são monitorados. Monitoramento contínuo do estado neurológico, função vesical, função e reflexo de músculos e tendões, função respiratória e saturação de oxigênio. Tratam-se os sintomas (p. ex., dor, vômitos) são com fármacos não porfirinogênicos, conforme necessário.

Dextrose, 300 a 500 g/dia, regula para baixo a sintase da ALA hepática (ALAS 1) e alivia os sintomas. Dextrose pode ser administrada por via oral se o paciente não apresentar vômitos; caso contrário, é administrada IV. O regime comum é 3 L de solução de dextrose a 10%, determinado por um acesso venoso central ao longo de 24 horas (125 mL/h). Mas para evitar a hidratação excessiva com consequente hiponatremia, em vez disso, 1 L de solução de glicose a 50% pode ser utilizado.

Heme IV é mais eficaz que a glicose e deve ser administrado imediatamente para crises graves, desequilíbrio eletrolítico ou fraqueza muscular. O heme habitualmente resolve os sintomas em 3 a 4 dias. Se o tratamento com heme for postergada, a lesão dos nervos é mais grave e a recuperação mais lenta e, possivelmente, incompleta. O heme está disponível nos EUA como hematina liofilizada para ser reconstituída com água estéril. A dose é de 3 a 4 mg/kg, IV, uma vez ao dia, por 4 dias. Uma alternativa é arginato heme, que é dado na mesma dose, exceto que é diluído em dextrose a 5% ou salina seminormal ou quarto normal. Hematina e arginato do heme podem causar trombose e/ou tromboflebite venosa. O risco desses efeitos adversos parece ser menor se o heme é administrado ligado à albumina do soro humano. Essa ligação também diminui a taxa de desenvolvimento de agregados de hematina. Assim, a maioria das autoridades recomenda a administração de hematina ou arginato do heme com albumina do soro humano (1 Referências sobre o tratamento Porfirias agudas resultam da deficiência de certas enzimas na via biossintética do heme, levando ao acúmulo dos precursores de heme que causam crises intermitentes de dor abdominal e sintomas... leia mais ).

Experiências informais indicam que a tolvaptana, um bloqueador do receptor de vasopressina, é útil no tratamento da hiponatremia durante as crises.

Givosiran foi recentemente disponibilizado para o tratamento de adultos com porfiria hepática aguda. É um pequeno RNA interferente (siRNA) que tem como alvo seletivo a ALA sintase-1 hepática (2, 3 Referências sobre o tratamento Porfirias agudas resultam da deficiência de certas enzimas na via biossintética do heme, levando ao acúmulo dos precursores de heme que causam crises intermitentes de dor abdominal e sintomas... leia mais ), regulando-a negativamente. Quando administrado na dose de 2,5 mg/kg por via subcutânea, 1 vez ao mês, reduz a frequência e a gravidade das crises recorrentes da PAI. O givosiran é absorvido pelos hepatócitos onde diminui a atividade da ALA sintase-1, levando a reduções acentuadas nas concentrações plasmáticas e urinárias de ALA e PBG, menor quantidade de crises agudas, menor necessidade de heme IV de "resgate" e melhor qualidade de vida. Em geral, o givosiran é bem tolerado, com apenas alguns pacientes experimentando elevações nos níveis séricos de alanina aminotransferase e aspartato aminotransferase (sem icterícia) graves o suficiente para exigir a interrupção temporária ou permanente do fármaco. Também foi associado a aumentos leves nos níveis séricos de creatinina.

Crises recorrentes

Em pacientes com crises recidivantes intensas, que apresentam risco de lesão renal ou lesões neurológicas permanentes, uma opção é o transplante de fígado Transplante de fígado O transplante de fígado é o 2º tipo mais comum de transplante de órgão sólido. (Ver também Visão geral do transplante.) As indicações de transplante hepático são Cirrose (70% dos transplantes... leia mais . O transplante hepático bem-sucedido leva à cura permanente da porfiria intermitente aguda. A deficiência de PBD desaminase hepática é corrigida com transplante hepático, resultando na estabilização bioquímica (normalização dos níveis de PBG e ALA) e dos sintomas (4 Referências sobre o tratamento Porfirias agudas resultam da deficiência de certas enzimas na via biossintética do heme, levando ao acúmulo dos precursores de heme que causam crises intermitentes de dor abdominal e sintomas... leia mais ). A experiência clínica com transplante de fígado para a PIA se limitou a 14 casos descritos, com taxas de sobrevida semelhantes àquelas para o transplante por outras indicações; a sobrevida aos 3 meses foi de 93% e aos 5 anos a sobrevida foi de 77%. Não há relatos de transplante hepático para a coproporfiria hereditária. Uma criança com porfiria deficiente de ALAD passou por transplante de fígado com diminuição das hospitalizações, mas sem melhora dos marcadores bioquímicos (5 Referências sobre o tratamento Porfirias agudas resultam da deficiência de certas enzimas na via biossintética do heme, levando ao acúmulo dos precursores de heme que causam crises intermitentes de dor abdominal e sintomas... leia mais ).

Embora não sejam reconhecidas na diretriz prática da Association for the Study of Liver Disease (AASLD) Practice Guideline como uma indicação distinta para o transplante hepático, as porfirias hepáticas pertencem com propriedade às distúrbios metabólicos de origem hepática com manifestações sistêmicas. Na ausência de exceções padronizadas no MELD (Model for End-Stage Liver Disease), o transplante hepático para a porfiria intermitente aguda dependeria de uma petição ao comitê de revisão regional da região da UNOS (United Network for Organ Sharing) do centro de transplante.

Pacientes com porfirias agudas não devem ser doadores de fígado mesmo que o fígado possa parecer estruturalmente normal (sem cirrose) porque os receptores sem porfiria diagnosticada anteriormente desenvolveram síndromes de porfiria aguda; esse desfecho ajudou a estabelecer que as porfirias agudas são doenças hepáticas. O transplante renal Transplante de rim O transplante renal é o tipo mais comum de transplante de órgão sólido. (Ver também Visão geral do transplante.) A indicação primária para o transplante renal é Insuficiência renal terminal... leia mais , com ou sem o transplante simultâneo do fígado, deve ser considerado para os pacientes com doença ativa e insuficiência renal terminal porque há risco considerável de progressão das lesões neurais com o início da diálise.

Referências sobre o tratamento

Prevenção das porfirias agudas

Os portadores de porfíria aguda devem evitar os seguintes fatores:

As dietas para obesidade devem causar perda gradual de peso e ser adotadas apenas durante os períodos de remissão. Portadores da porfiria variegada ou coproporfiria hereditária devem reduzir a exposição ao sol; filtros solares que bloqueiam a exposição aos raios ultravioleta B são ineficazes, mas óxido de zinco opaco ou dióxido de titânio são benéficos. Associações de suporte, como a American Porphyria Foundation e a European Porphyria Network, podem fornecer informações por escrito e aconselhamento direto.

Deve-se identificar proeminentemente os pacientes no prontuário médico como portadores e eles devem levar ou usar um cartão contendo aviso sobre o estado de portador e as precauções que devem ser observadas.

Uma dieta rica em carboidratos pode reduzir o risco de crises agudas. Alguns pacientes podem às vezes tratar crises agudas leves aumentando a ingestão de dextrose ou glicose. A utilização prolongada deve ser evitada para diminuir o risco de obesidade e cáries dentais.

A incidência de câncer hepatocelular é alta entre os portadores de porfiria aguda, especialmente em pacientes com doença ativa. Pacientes com > 50 anos devem realizar monitoramento uma ou duas vezes ao ano, incluindo avaliação da função hepática com ultrassonografia. A intervenção precoce pode ser curativa e aumentar a expectativa de vida.

Crises previsíveis ou recorrentes

Para pacientes que apresentam crises recorrentes e previsíveis (tipicamente mulheres com crises relacionadas com o ciclo menstrual), pode-se administrar givosiran mensalmente na dose de 2,5 mg/kg do peso corporal por injeção subcutânea. Por outro lado, os pacientes podem se beneficiar da terapia profilática com heme administrada um pouco antes do início esperado de uma crise aguda ou semanalmente como profilaxia, o que é menos caro (1 Referências sobre prevenção Porfirias agudas resultam da deficiência de certas enzimas na via biossintética do heme, levando ao acúmulo dos precursores de heme que causam crises intermitentes de dor abdominal e sintomas... leia mais ). Não há esquema padronizado; deve-se consultar um especialista.

Crises pré-menstruais frequentes em algumas mulheres são interrompidas pela administração de análogo do GnRH mais uma baixa dose de estrogênio. Às vezes, baixas doses de contraceptivos orais são utilizados com sucesso, mas o componente de progestágeno tende a exacerbar a porfiria.

A introdução do RNA mensageiro (RNAm) do tipo selvagem para porfirinogênio deaminase H nos hepatócitos a fim de aumentar os níveis da enzima é outra abordagem que demonstrou ser promissora em estudos pré-clínicos (2, 3 Referências sobre prevenção Porfirias agudas resultam da deficiência de certas enzimas na via biossintética do heme, levando ao acúmulo dos precursores de heme que causam crises intermitentes de dor abdominal e sintomas... leia mais ).

Referências sobre prevenção

Pontos-chave

  • As porfirias agudas causam crises intermitentes de dor abdominal e sintomas neurológicos; alguns tipos também têm manifestações cutâneas que são desencadeadas pela exposição ao sol.

  • As crises têm muitos gatilhos, incluindo hormônios, fármacos, dietas de baixa caloria e pobres em carboidratos e ingestão de álcool.

  • As crises normalmente envolvem dor abdominal intensa (com um abdome não sensível) e vômitos; qualquer componente do sistema nervoso periférico e central podem ser afetados, mas fraqueza muscular é comum.

  • A urina costuma ser vermelho-amarronzada durante a crise.

  • Fazer exame de urina qualitativo para porfobilinogênio (PBG) e confirmar o resultado positivo pela dosagem quantitativas de ácido delta-aminolevulínico (ALA) e PBG.

  • Tratar crises agudas com dextrose oral ou IV e, para crises graves, heme IV.

  • Tratar os pacientes com crises agudas recorrentes com heme IV, givosiran ou, em alguns casos, transplante de fígado.

Informações adicionais

Os recursos em inglês a seguir podem ser úteis. Observe que O Manual não é responsável pelo conteúdo destes recursos.

  • Martin P, DiMartini A, Feng S, et al: Evaluation for Liver Transplantation in Adults: 2013 Practice Guideline by the AASLD and the American Society of Transplantation. American Association for the Study of Liver Diseases 2013.

  • American Porphyria Foundation: tem por objetivo instruir e apoiar os pacientes e as famílias afetadas por porfirias e apoiar pesquisas sobre o tratamento e a prevenção das porfirias

  • American Porphyria Foundation: Base de dados sobre fármacos seguros/não seguros: fornece uma lista atualizada dos fármacos disponíveis nos Estados Unidos para ajudar os médicos na prescrição de medicamentos a pacientes com porfirias

  • European Porphyria Network: promove pesquisas clínicas sobre porfirias

  • The Drug Database for Acute Porphyrias: fornece uma lista atualizada dos fármacos disponíveis na Europa para ajudar os médicos a prescrever para pacientes com porfirias

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