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Preocupações relacionadas a vacinações na infância

Por

Michael J. Smith

, MD, MSCE, Duke University

Última revisão/alteração completa set 2018| Última modificação do conteúdo set 2018
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Apesar dos fortes sistemas de segurança de vacina existentes nos Estados Unidos, alguns pais continuam preocupados com a segurança das vacinas da infância e com o cronograma de imunização. Estas preocupações fizeram com que alguns pais não permitam que seus filhos recebam algumas ou todas as vacinas recomendadas. As doenças que podem ser prevenidas pelas vacinas são muito mais comuns nas crianças cujos pais recusaram uma ou mais vacinas. Especificamente, as crianças não vacinadas têm:

Crianças nos Estados Unidos ainda morrem devido a doenças que podem ser prevenidas pela vacina. Em 2008, cinco crianças desenvolveram infecção pelo Haemophilus influenza tipo B com risco de morte no estado de Minnesota, o maior número de casos desde 1992. Três das crianças infectadas, incluindo uma que faleceu, não haviam recebido vacina porque seus pais haviam adiado ou recusado a administração da vacina.

vacina tríplice viral e preocupações com autismo

A imprensa pública tem relatado preocupações de que a vacina tríplice viral possa causar autismo. Essas preocupações se basearam em um breve relatório médico de 1998 sobre 12 crianças com distúrbios do desenvolvimento como, por exemplo, o autismo. Seus pais informaram que oito das crianças haviam recebido a vacina tríplice viral até um mês antes de elas começarem a desenvolver os sintomas. Uma vez que esta cadeia de eventos também poderia ter ocorrido ao acaso, desde então os médicos têm realizado muitos estudos para procurar por uma conexão entre a vacina e o autismo. Essa conexão não foi encontrada em nenhum dos estudos.

O maior desses estudos examinou 537.303 crianças dinamarquesas que nasceram entre os anos de 1991 e 1998. A maioria (82%) dessas crianças havia recebido a vacina tríplice viral. Os médicos descobriram que

  • crianças que haviam sido vacinadas não tinham uma probabilidade maior de desenvolver autismo do que aquelas que não haviam sido vacinadas.

O autismo ou um distúrbio relacionado ocorreu em 608 das 440.655 (0,138%) crianças que foram vacinadas e em 130 das 96.648 (0,135%) crianças que não foram vacinadas. A porcentagem de crianças que se tornaram autistas é quase idêntica entre o grupo vacinado e o grupo não vacinado.

Outros estudos similares foram realizados por todo o mundo e chegaram a conclusões semelhantes. Além disso, foi observado que a pesquisa no estudo original amplamente divulgado, associando o autismo e a vacina tríplice viral, tinha graves falhas científicas e a mesma foi desacreditada pelas comunidades médicas e científicas.

O timerosal e preocupações com autismo

Também existem preocupações entre as pessoas sobre os possíveis efeitos colaterais do timerosal. No passado, o timerosal era usado como conservante nos frascos-ampola que continham mais de uma dose de uma vacina (frascos-ampola de dose múltipla). Os conservantes não são necessários nos frascos-ampola que contêm apenas uma dose (frascos-ampola de dose única) e eles não podem ser usados em vacinas com vírus vivo (como, por exemplo, rubéola e varicela). O timerosal, que contém mercúrio, passa por decomposição no organismo e se transforma em etilmercúrio, que é rapidamente eliminado do organismo. Uma vez que o metilmercúrio (que é um composto diferente que não é eliminado rapidamente do organismo) é toxico para os humanos, houve preocupações de que as quantidades muito pequenas de timerosal usadas nas vacinas poderiam causar problemas neurológicos, particularmente o autismo, nas crianças.

Devido a essas preocupações teóricas, e apesar de nenhum estudo ter demonstrado evidências de efeitos prejudiciais, o timerosal foi removido das vacinas de infância rotineiras nos Estados Unidos, Europa e vários outros países até o ano de 2001. (Timerosal ainda é utilizado em ampolas que contêm mais de uma dose da vacina contra a gripe e em diversos outros tipos de vacina cuja intenção é serem usadas em adultos.) A Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomendou sua remoção de nenhuma vacina, porque não existe evidência de que seu uso rotineiro causa danos. A remoção do timerosal das vacinas da infância não teve efeito algum sobre o número de crianças que desenvolveram autismo. Diversos estudos demonstraram que os índices de autismo continuaram a aumentar apesar da remoção do timerosal das imunizações de infância rotineiras. Esse aumento, que ocorreu apesar da remoção do timerosal, fornece apoio adicional indicando que o timerosal nas vacinas não causa autismo.

Contudo, as pessoas que ainda estão preocupadas com o timerosal na vacina contra a gripe podem pedir a seus médicos para usar os frascos-ampola de dose única que não contém timerosal.

Utilização de diversas vacinas ao mesmo tempo

De acordo com o cronograma recomendado, as crianças devem receber diversas doses de vacinas contra 15 infecções diferentes até completarem seis anos de idade. Como alguns pais se preocupam com o número de injeções e consultas médicas, foram desenvolvidas vacinas combinadas como a vacina contra difteria-tétano-coqueluche e outras, para que as crianças possam receber um número maior de vacinas com menos injeções e consultas.

Contudo, alguns pais se preocupam que o sistema imunológico das crianças não consiga lidar com um número tão grande de antígenos administrados de uma só vez. Os antígenos são as substâncias nas vacinas que são derivadas dos vírus ou bactérias e que fazem com que o sistema imunológico do organismo produza anticorpos para combater a doença. Algumas vezes, os pais que estão preocupados pedem para seguir um cronograma de vacinação diferente ou pedem para adiar ou excluir certas vacinas. No entanto, o cronograma recomendado é elaborado para administrar as várias vacinas em idades quando as crianças começam a precisar de proteção contra as doenças. Assim, não seguir o cronograma aumenta o risco de as crianças desenvolverem uma infecção.

Além disso, as vacinas, mesmo as vacinas combinadas, contêm uma quantidade muito pequena de antígenos. Desde o nascimento, as crianças se deparam com dezenas e possivelmente centenas de antígenos durante um único dia comum. Seus sistemas imunológicos lidam com estes antígenos sem dificuldade. Mesmo um leve resfriado expõe crianças a cerca de 4 a 10 antígenos de vírus. O sistema imunológico das crianças não fica estressado ou sobrecarregado pelas vacinas combinadas.

Efeitos de recusar a vacina sobre a saúde pública

Adiar ou excluir vacinas afeta a saúde pública. Quando um número menor de pessoas é vacinado, a porcentagem de uma população que é imune à doença diminui. Então, a doença se torna mais comum, principalmente entre as pessoas que correm um risco maior de desenvolver uma doença.

Pessoas podem estar correndo um risco maior porque

  • elas foram vacinadas, mas não se tornaram imunes;

  • elas foram vacinadas, mas sua imunidade diminuiu com o passar do tempo, como pode ocorrer com o avanço da idade;

  • o sistema imunológico dessas pessoas está comprometido por um distúrbio ou um medicamento (como, por exemplo, os medicamentos que são usados para prevenir câncer ou a rejeição de um transplante), e elas não podem receber vacinas com vírus vivo, como a vacina tríplice viral ou a vacina contra varicela.

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