Meningoencefalite amebiana primária

PorChelsea Marie, PhD, University of Virginia;
William A. Petri, Jr, MD, PhD, University of Virginia School of Medicine
Revisado porChristina A. Muzny, MD, MSPH, Division of Infectious Diseases, University of Alabama at Birmingham
Revisado/Corrigido: modificado set. 2025
v14457381_pt
VISUALIZAR A VERSÃO PARA PROFISSIONAIS DE SAÚDE

A meningoencefalite amebiana primária é uma infecção cerebral rara e geralmente fatal causada pela ameba de vida livre Naegleria fowleri.

  • A ameba pode penetrar no cérebro pelo nariz quando a pessoa nada em água doce morna contaminada.

  • Os sintomas podem evoluir rapidamente, desde alterações no olfato ou no paladar, dor de cabeça, rigidez da nuca, náusea e vômito até confusão e morte.

  • Para detectar quanto à presença de amebas, os médicos realizam uma punção lombar para coletar uma amostra de líquido cefalorraquidiano e, às vezes, retiram um pequeno fragmento de tecido do cérebro (biópsia) e então examinam e analisam a amostra coletada.

  • Determinar o melhor tratamento é difícil, mas os médicos normalmente recorrem a uma combinação de medicamentos, incluindo miltefosina.

As amebas de vida livre são protozoários, que são um tipo de parasita. Eles formam um grupo diverso de organismos microscópicos unicelulares. Embora elas raramente causem infecções em humanos, algumas dessas amebas podem causar infecções graves e potencialmente fatais.

A ameba de vida livre Naegleria fowleri também é classificada como um protozoário extraintestinal (consulte também Introdução aos protozoários extraintestinais), o que significa que ela causa infecções apenas em áreas fora do intestino, tais como no cérebro.

As amebas de vida livre são protozoários (organismos infecciosos unicelulares) que vivem na terra ou na água e não precisam viver em pessoas ou animais.

A Naegleria fowleri, também conhecida como “ameba comedora do cérebro”, está presente na terra e em lagos de água doce e morna. Essa ameba também pode viver em fontes termais, água quente que é descartada por fábricas ou em piscinas mal conservadas cujos níveis de cloro são mínimos ou ausentes. Ela pode até mesmo crescer em aquecedores de água a temperaturas de até 46 °C (115 °F) e sobreviver por curtos períodos em temperaturas mais altas. A Naegleria fowleri não vive em água salgada.

Nos Estados Unidos, a maioria das pessoas é infectada nos estados da região sul depois de terem nadado ou mergulhado em lagos e rios de água doce, quente e contaminada no verão.

Essa ameba não precisa de um hospedeiro humano ou animal para viver, mas pode entrar pelo nariz e se espalhar para o cérebro. Quando chegam ao cérebro, elas causam inflamação e destruição do tecido, o que geralmente leva rapidamente à morte. A maioria das pessoas infectadas são crianças saudáveis ou adultos jovens.

A meningoencefalite amebiana primária difere da encefalite amebiana granulomatosa, que é outra infecção muito rara e geralmente fatal do sistema nervoso central, causada por vários tipos de amebas de vida livre, da espécie Acanthamoeba ou pelas amebas Sappinia pedata ou Balamuthia mandrillaris. A encefalite amebiana granulomatosa ocorre geralmente em pessoas cujo sistema imunológico está enfraquecido ou com mau estado de saúde geral e, normalmente, avança mais lentamente que a meningoencefalite amebiana primária.

(Consulte também Considerações gerais sobre infecções parasitárias.)

Sintomas da meningoencefalite amebiana primária

Os sintomas têm início uma a duas semanas depois da exposição à água contaminada. Por vezes, o primeiro sintoma é uma mudança no olfato ou paladar. Mais tarde, as pessoas têm dor de cabeça, pescoço duro, sensibilidade à luz, enjoo e vômito. Elas ficam confusas e sonolentas, e podem ter convulsões.

A infecção pode progredir rapidamente e ser fatal no prazo de 10 dias.

Diagnóstico da meningoencefalite amebiana primária

  • Uma punção lombar e análise do líquido cefalorraquidiano

Os médicos suspeitam de meningoencefalite amebiana primária em pessoas que apresentam os sintomas e nadaram recentemente em água doce, mas é difícil confirmar o diagnóstico. São realizados exames de imagem do cérebro, tais como tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM), para descartar outras possíveis causas de infecção, mas esses exames não conseguem confirmar se a infecção está sendo causada por uma ameba.

É feita uma punção lombar para obter uma amostra de líquido cefalorraquidiano (o líquido que circunda o cérebro e a medula espinhal). Esse exame consegue excluir algumas outras possíveis causas de meningite e infecção cerebral, mas os médicos nem sempre conseguem encontrar as amebas na amostra.

Outras técnicas de análise estão disponíveis em laboratórios especializados e têm uma probabilidade maior de detectar a ameba:

  • Cultura (permite que os médicos desenvolvam a ameba em laboratório até que haja uma quantidade suficiente para identificá-la)

  • Teste por reação em cadeia da polimerase (polymerase chain reaction, PCR) para investigar a presença de material genético (DNA) da ameba

  • Coleta de uma amostra de tecido cerebral que é examinado ao microscópio (biópsia) ou analisado por meio de teste por PCR

Tratamento da meningoencefalite amebiana primária

  • Uma combinação de medicamentos

Como poucas pessoas sobrevivem, é difícil determinar o melhor tratamento para meningoencefalite amebiana primária.

Os médicos geralmente usam uma combinação de vários medicamentos para tratar a infecção.

O medicamento miltefosina é administrado a todas as pessoas com meningoencefalite amebiana primária. A miltefosina é administrada em combinação com um ou mais dos medicamentos a seguir:

  • Anfotericina B

  • Rifampicina

  • Fluconazol, voriconazol ou cetoconazol

  • Azitromicina ou minociclina

Embora a miltefosina possa causar defeitos congênitos no feto, é possível que os médicos a administrem a gestantes mesmo assim, uma vez que a meningoencefalite amebiana primária geralmente é fatal sem tratamento; portanto, os possíveis benefícios do tratamento superam os riscos ao feto.

É possível que o médico receite a nitroxolina, um medicamento experimental, que costuma ser usado em combinação com outros medicamentos.

Outros medicamentos costumam ser administrados para controlar convulsões e inchaço do cérebro. É possível que a pessoa seja colocada em uma manta de resfriamento especial por alguns dias para baixar a temperatura corporal para abaixo do normal. Esse tratamento é conhecido como hipotermia terapêutica. A hipotermia terapêutica ajuda a diminuir ou a prevenir mais danos ao cérebro.

Mais informações

O seguinte recurso em inglês pode ser útil. Vale ressaltar que O Manual não é responsável pelo conteúdo deste recurso.

  1. Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC): About Naegleria fowleri Infections

quizzes_lightbulb_red
Test your KnowledgeTake a Quiz!
ANDROID iOS
ANDROID iOS
ANDROID iOS