Cálculos urinários

(Nefrolitíase; Cálculos; Urolitíase)

PorGlenn M. Preminger, MD, Duke Comprehensive Kidney Stone Center
Reviewed ByLeonard G. Gomella, MD, Sidney Kimmel Medical College at Thomas Jefferson University
Revisado/Corrigido: jan. 2025 | modificado abr. 2025
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Visão Educação para o paciente

Cálculos urinários são partículas sólidas no sistema urinário. Podem causar dor, náuseas, vômitos, hematúria e calafrios e febre decorrentes de infecção secundária. O diagnóstico baseia-se em TC espiral sem contraste. O tratamento é feito com analgésicos, antibióticos para infecção, tratamento médico expulsivo e, algumas vezes, procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos (litotripsia por ondas de choque ou remoção endoscópica de cálculos).

A incidência anual de cálculos renais em adultos nos Estados Unidos é de aproximadamente 1 a 2% (1–3); aproximadamente 1 em cada 1000 (4) adultos nos Estados Unidos é hospitalizado anualmente devido a cálculos urinários. Até 19% dos homens e 10% das mulheres desenvolverão cálculo renal até os 70 anos de idade (2). Os cálculos variam desde focos de cristais microscópicos até cálculos de vários centímetros de diâmetro. Um cálculo grande, denominado cálculo coraliforme, pode preencher todo o sistema calicial renal.

Referências

  1. 1. Hill AJ, Basourakos SP, Lewicki P, et al. Incidence of Kidney Stones in the United States: The Continuous National Health and Nutrition Examination Survey. J Urol. 2022;207(4):851-856. doi:10.1097/JU.0000000000002331

  2. 2. Tundo G, Vollstedt A, Meeks W, Pais V. Beyond Prevalence: Annual Cumulative Incidence of Kidney Stones in the United States. J Urol. 2021;205(6):1704-1709. doi:10.1097/JU.0000000000001629

  3. 3. Ghani KR, Roghmann F, Sammon JD, et al. Emergency department visits in the United States for upper urinary tract stones: trends in hospitalization and charges. J Urol. 2014;191(1):90-96. doi:10.1016/j.juro.2013.07.098

  4. 4. Scales CD Jr, Curtis LH, Norris RD, et al. Changing gender prevalence of stone disease. J Urol. 2007;177(3):979-982. doi:10.1016/j.juro.2006.10.069

Etiologia dos cálculos urinários

Os fatores de risco incluem distúrbios metabólicos que aumentam a concentração urinária de sais, seja pelo aumento da excreção de cálcio ou sais de ácido úrico, seja pela diminuição da excreção de citrato urinário. Exemplos desses distúrbios incluem hiperparatireoidismo (causando hipercalciúria), acidose tubular renal, gota e diabetes tipo 2. Fatores dietéticos como alta ingestão de sódio ou ingestão insuficiente de líquidos, resultando em aumento da concentração urinária, também podem contribuir para a formação de cálculos.

Aproximadamente 85% dos cálculos nos Estados Unidos são compostos de cálcio, principalmente oxalato de cálcio (ver tabela ); 5 a 10% são compostos de ácido úrico, 1 a 2% de cistina e 5 a 15% de fosfato de amônio e magnésio (estruvita).

Tabela
Tabela

Para cálculos de cálcio, os fatores de risco variam de acordo com a população. O principal fator de risco nos Estados Unidos é hipercalciúria, uma condição hereditária presente em 50% dos homens e 75% das mulheres com cálculos por cálcio (1); assim, os pacientes com história familiar de cálculos têm maior risco de cálculos recorrentes. Esses pacientes têm níveis séricos de cálcio normal, mas o cálcio urinário é elevado > 250 mg/dia (> 6,2 mmol/dia) em homens e > 200 mg/dia (> 5,0 mmol/dia) em mulheres.

Hipocitraturia (citrato urinário < 350 mg/dia [1820 micromol/dia]), presente em cerca de 40 a 50% dos formadores de cálculos de cálcio, promove a formação de cálculos de cálcio porque o citrato normalmente se liga ao cálcio urinário e inibe a cristalização dos sais de cálcio.

Mais de 10% dos cálculos de cálcio podem ser causados por acidose tubular renal (2). Até 5% dos pacientes com cálculos de cálcio podem ter hiperparatireoidismo primário (3). As causas raras de hipercalciúria são sarcoidose, intoxicação por vitamina D, hipertireoidismo, mieloma múltiplo, câncer metastático e hiperoxalúria primária.

Níveis elevados de oxalato urinário (hiperoxalúria, oxalato urinário > 40 mg/dia [> 440 micromol/dia]) podem causar formação de cálculos de oxalato de cálcio (nefrolitíase hiperuricosúrica com cálculos de oxalato de cálcio). A hiperoxalúria pode ser primária ou causada por excesso de ingestão de alimentos que contêm oxalato (p. ex., ruibarbo, espinafre, cacau, oleaginosas, pimenta, chá) ou por excesso de absorção de oxalato devido a várias doenças entéricas (p. ex., síndromes de supercrescimento bacteriano, doença de Crohn, colite ulcerativa, doença pancreática ou biliar crônica) ou, p. ex., cirurgia ileojejunal (p. ex., bariátrica).

Outros fatores de risco incluem ingestão altas doses de vitamina C (isto é, > 2000 mg/dia), uma dieta com restrição de cálcio (possivelmente porque o cálcio na dieta se liga ao oxalato dietético) e hiperuricosúria leve. Hiperuricosúria leve, definida como ácido úrico urinária > 800 mg/dia (> 5 mmol/dia) em homens e > 750 mg/dia (> 4 mmol/dia) em mulheres, quase sempre é causada pela ingestão excessiva de purina (nas proteínas, geralmente de carne, peixe e aves).

Cálculos de ácido úrico mais comumente se desenvolvem com resultado do aumento da acidez da urina (pH urinário < 5,5) ou muito raramente com hiperuricosúria grave (ácido úrico urinário > 1.500 mg/dia [> 9 mmol/dia]), que cristaliza o ácido úrico não dissociado. Os cristais de ácido úrico podem compor o cálculo todo, ou, mais comumente, formar um núcleo no qual podem se formar cálculos de cálcio ou de ácido úrico e cálcio mistos.

Cálculos de cistina ocorrem apenas na presença de cistinúria.

Cálculos de fosfato de amônio e magnésio (estruvita, cálculos infecciosos) indicam infecções do trato urinário causada por bactérias que desdobram ureia (p. ex., Proteus sp, Klebsiella sp). Esses cálculos devem ser tratados como um corpo estranho infectado e removidos por completo. Ao contrário de outros tipos de cálculos, os de fosfato de amônio e magnésio ocorrem com frequência 3 vezes maior em mulheres.

Causas raras dos cálculos urinários incluem indinavir, melamina, triamtereno e xantina.

Referências sobre etiologia

  1. 1. Coe FL, Evan A, Worcester E. Kidney stone disease. J Clin Invest. 2005;115(10):2598-2608. doi:10.1172/JCI26662

  2. 2. Dessombz A, Letavernier E, Haymann JP, Bazin D, Daudon M. Calcium phosphate stone morphology can reliably predict distal renal tubular acidosis. J Urol. 2015;193(5):1564-1569. doi:10.1016/j.juro.2014.12.017

  3. 3. Sharma S, Rastogi A, Bhadada SK, et al. Prevalence and predictors of primary hyperparathyroidism among patients with urolithiasis. Endocr Pract. 2017;23(11):1311-1315. doi:10.4158/EP171759.OR

Fisiopatologia dos cálculos urinários

Os cálculos urinários podem permanecer no interior do parênquima renal ou do sistema coletor renal ou atravessar os ureteres ou a bexiga. Durante a eliminação, cálculos podem irritar o ureter e podem ali se alojar, obstruindo o fluxo urinário e causando hidroureter e, algumas vezes, hidronefrose. Locais comuns de impactação incluem:

  • Junção ureteropélvica

  • Ureter distal (no nível dos vasos ilíacos)

  • Junção ureterovesical

Há maior probabilidade de os cálculos maiores se impactarem. Normalmente, um cálculo que fica alojado tem um diâmetro > 5 mm, enquanto cálculos 5 mm têm maior probabilidade de passar espontaneamente.

Mesmo a obstrução parcial causa diminuição da filtração glomerular, que pode persistir brevemente após a eliminação do cálculo. Na hidronefrose e na pressão glomerular elevada, o fluxo sanguíneo renal diminui e agrava ainda mais a função renal. Entretanto, geralmente, na ausência de infecção, disfunção renal permanente ocorre apenas após 28 dias de obstrução completa.

As infecções secundárias podem ocorrer com obstrução de longa duração, mas a maioria dos pacientes com cálculos contendo cálcio não apresenta infecção na urina.

Sinais e sintomas dos cálculos urinários

Os cálculos grandes remanescentes no parênquima renal ou sistema coletor renal são frequentemente assintomáticos, a menos que causem obstrução e/ou infecção. Dor intensa, muitas vezes acompanhada de náuseas e vômitos, geralmente ocorre quando os cálculos atravessam o ureter e causam obstrução aguda. Hematúria macroscópica também ocorre, mas não em todos os pacientes com cálculos no trato urinário.

Dor (cólica renal) é de intensidade variável, mas é tipicamente excruciante e intermitente, muitas vezes ocorre ciclicamente, e dura 20 a 60 minutos. Náuseas e vômitos são comuns. Dor no flanco e na área dos rins que se irradia ao longo do abdome superior sugere obstrução ureteral ou pélvica renal. A dor que se irradia ao longo do curso do ureter na região genital sugere obstrução ureteral inferior. Dor suprapúbica junto com urgência e frequência urinárias sugerem cálculo ureteral distal, ureterovesical ou vesical (ver Sinais e sintomas da uropatia obstrutiva).

Ao exame, os pacientes apresentam-se com desconforto extremo evidente e, geralmente, pálidos e diaforéticos. Não conseguem permanecer parados ou podem caminhar, gemer e mudar constantemente de posição. O abdome pode estar um pouco dolorido no lado afetado à medida que a palpação aumenta a pressão no rim já distendido (sensibilidade no ângulo costovertebral), mas sem sinais peritoneais (defesa, dor à descompressão brusca, rigidez).

Para alguns pacientes, o primeiro sintoma é hematúria ou cristais ou um cálculo na urina. Outros pacientes podem ter sintomas de uma infecções do trato urinário, como febre, disúria ou urina turva ou mau cheirosa.

Composição dos cálculos urinários

  • Diagnóstico diferencial clínico

  • Urinálise

  • Exames de imagem

  • Identificação da causa

Os sinais e sintomas podem sugerir outros diagnósticos, como

  • Peritonite (p. ex., decorrente de apendicite, diverticulose, gestação ectópica ou doença inflamatória pélvica): a dor é geralmente constante, e os pacientes permanecem imóveis porque o movimento piora a dor; os pacientes muitas vezes também têm descompressão brusca positiva ou rigidez.

  • Colecistite: pode causar dor com cólicas, geralmente no epigástrio ou no quadrante direito superior, geralmente com sinal de Murphy positivo.

  • Obstrução intestinal: pode causar dor abdominal com cólica e vômitos, mas a dor geralmente é bilateral e não localizada de maneira primária no flanco ou ao longo do ureter. Obstipação ou obstipação e diminuição de flatos são comuns.

  • Pancreatite: pode causar dor abdominal superior e vômitos, mas a dor geralmente é constante, pode ser bilateral, muitas vezes irradia para pelas costas, e geralmente não acompanha o flanco ou o ureter.

Na maioria dessas doenças, os sintomas urinários são raros e outros sintomas podem sugerir qual órgão realmente está envolvido (p. ex., corrimento vaginal ou sangramento em doenças pélvicas em mulheres). Deve-se considerar aneurisma dissecante de aorta, particularmente em idosos, pois, se a artéria renal for afetada, pode haver hematúria, dor que se irradia ao longo da distribuição do ureter ou ambas. Outras considerações na avaliação geral da dor abdominal aguda são discutidas em outras partes (ver Avaliação da dor abdominal aguda).

Pacientes com suspeita de cólica renal necessitam de urinálise e, geralmente, de exames de imagem. Se um cálculo é confirmado, é necessária avaliação da doença subjacente, incluindo testes da composição dos cálculos.

Urinálise

Hematúria macroscópica ou microscópica é comum, mas a urina pode ser normal apesar da presença de múltiplos cálculos. Pode ocorrer piúria com ou sem a presença de bactérias. Piúria sugere infecção, particularmente se combinada com achados clínicos sugestivos, tais como urina de mau cheiro ou febre. Pode haver cálculos e várias substâncias cristalinas no sedimento. Nesse caso, geralmente são necessários testes adicionais com coleta de urina de 24 horas para identificar a causa, pois a composição dos cálculos e cristais não pode ser determinada de maneira conclusiva pela microscopia. A única exceção é a existência de cristais hexagonais típicos de cistina em uma amostra concentrada e acidificada, que confirma a cistinúria.

Exames de imagem

TC sem contraste é o exame de imagem inicial preferido na maioria dos pacientes. A tomografia computadorizada renal sem contraste pode detectar a localização de um cálculo e determinar o grau de obstrução. Além disso, a TC espiral também pode revelar outras causas de dor (p. ex., aneurisma da aorta). Para pacientes com cálculos recidivantes, a exposição cumulativa à radiação devido a múltiplas tomografias computadorizadas é preocupante. No entanto, o uso rotineiro de TC renal de baixa dose pode reduzir significativamente a dose de radiação acumulada com pouca perda da sensibilidade (1). Para pacientes com sintomas típicos, ultrassonografia ou radiografias de abdome geralmente podem confirmar a presença de cálculos com mínima ou nenhuma exposição à radiação. RM pode não identificar cálculos.

Embora a maioria dos cálculos urinários possa ser visualizada na radiografia, ainda são necessários exames de imagem mais conclusivos, independentemente da presença desses cálculos; assim, pode-se evitar a realização de uma radiografia, exceto em alguns pacientes com suspeita de cálculos recorrentes. Tanto a ultrassonografia renal quanto a urografia excretora (anteriormente chamada urografia intravenosa ou pielografia intravenosa) podem identificar cálculos e hidronefrose. Mas a ultrassonografia é menos sensível para cálculo ureteral pequeno em pacientes sem hidronefrose, e urografia excretora é demorada e expõe o paciente ao risco de meios de contraste IV. Esses estudos são geralmente utilizados quando TC helicoidal não está disponível.

Identificação da causa

O cálculo é obtido coando a urina (ou, se necessário, durante a remoção cirúrgica) e enviado ao laboratório para análise do cálculo. Alguns cálculos são levados pelos pacientes. As amostras de urina que mostram cristais microscópicos são enviadas para cristalografia.

Em pacientes com um único cálculo de cálcio e sem fatores de risco adicionais para cálculos, avaliação para excluir hiperparatireoidismo é suficiente. A avaliação implica urinálise e determinação da concentração de cálcio no plasma em 2 ocasiões separadas. Deve-se buscar os fatores predisponentes, como cálculos recorrentes, dieta rica em proteína animal ou uso de suplementos de vitamina C ou D.

Pacientes com uma história familiar intensa de cálculos, condições que podem predispor à formação de cálculos (p. ex., sarcoidose, metástases ósseas, mieloma múltiplo) ou condições que dificultam tratar os cálculos (p. ex., rim único, anomalias do trato urinário) requerem avaliação para todos os possíveis distúrbios causadores e fatores de risco. Essa avaliação deve incluir eletrólitos, ácido úrico e cálcio séricos. É feita a determinação de acompanhamento dos níveis do hormônio paratireoideo, se necessário. Testes de urina devem incluir urinálise de rotina e 2 coletas de urina de 24 horas separadas com o paciente em sua dieta de rotina para determinar o volume e pH urinário, e excreção de cálcio, ácido úrico, citrato, oxalato, sódio e creatinina. Para informações adicionais sobre o tratamento clínico dos cálculos renais, ver as diretrizex da American Urological Association. (2).

Referências sobre diagnóstico

  1. 1. Zilberman DE, Tsivian M, Lipkin ME, et al. Low dose computerized tomography for detection of urolithiasis—its effectiveness in the setting of the urology clinic. J Urol. 185(3):910-914, 2011. doi: 10.1016/j.juro.2010.10.052

  2. 2. Pearle MS, Goldfarb DS, Assimos DG, et al. Medical management of kidney stones—AUA guideline. doi: 10.1016/j.juro.2014.05.006 J Urology. 92(2):316-24, 2014. doi: 10.1016/j.juro.2014.05.006

Tratamento dos cálculos urinários

Ver também

  • Analgesia

  • Facilitar a eliminação do cálculo, p. ex., com bloqueadores de alfa-receptores como tansulosina (descritos com terapia médica expulsiva)

  • Para cálculos persistentes ou causadores de infecção, remoção completa utilizando, principalmente, técnicas endoscópicas

Analgesia

A cólica pode ser aliviada com opioides, como a morfina, e, para início rápido, fentanil. Cetorolaco é rapidamente eficaz e não sedativo. Os vômitos habitualmente melhoram com a diminuição da dor, mas, se forem persistentes, podem ser tratados com um antiemético (p. ex., ondansetrona).

Terapia expulsiva

Embora tradicionalmente se recomende o aumento do aporte de líquidos (oral ou intravenoso), a administração aumentada de líquidos não parece acelerar a eliminação (1). Pacientes com cálculos < 1 cm de diâmetro sem infecção ou obstrução, cuja dor é controlada por analgésicos e que toleram líquidos, podem ser tratados em casa com analgésicos e com bloqueadores dos receptores alfa (p. ex., tansulosina) para facilitar a eliminação dos cálculos. Cálculos que não tenham sido eliminados após 6 a 8 semanas tipicamente necessitam de remoção cirúrgica. Em pacientes com suspeita de infecção associada à obstrução, o tratamento inicial consiste em aliviar a obstrução o mais rapidamente possível por meio da colocação de um catéter ureteral por cistoscopia ou de uma nefrostomia percutânea, seguida do tratamento da infecção e posterior remoção dos cálculos assim que viável.

Dicas e conselhos

  • Como a administração de grandes volumes de líquidos não acelera a passagem dos cálculos, deve-se utilizar o volume normal de hidratação IV ou oral.

Remoção de cálculo

A técnica utilizada para a remoção depende do tamanho, localização e tipo do cálculo. Essas técnicas incluem litotripsia extracorpórea por ondas de choque e, para assegurar a remoção completa ou para cálculos maiores, técnicas endoscópicas. As técnicas endoscópicas podem envolver ureteroscópios rígidos ou flexíveis (endoscópios) e podem incluir a remoção por visão direta (captura com cesta), ou a fragmentação com um dos vários tipos de dispositivos de litotripsia (p. ex., pneumáticos, ultrassônicos ou a laser), ou ambos. Stent ureteral a curto prazo (p. ex., 4 a 7 dias) é comumente utilizado até que haja resolução de qualquer inflamação ou edema causado pelo cálculo ou procedimento. Pacientes que sofreram trauma ureteral devido a um cálculo obstrutivo ou durante a remoção do cálculo podem receber um stent por 1 a 2 semanas.

Para cálculos sintomáticos< 1 cm de diâmetro no sistema coletor renal ou ureter proximal, litotripsia é uma primeira opção razoável para a terapia.

Para cálculos maiores ou se litotripsia não for bem sucedida, ureteroscopia (feita de uma forma retrógrada) com litotripsia a laser de hólmio ou de túlio é normalmente utilizada. Às vezes, a remoção é possível utilizando um endoscópio anterógrado inserido através do rim. Para cálculos renais > 2 cm, nefrolitotomia percutânea, com inserção de um nefroscópio diretamente no rim, é o tratamento de escolha.

Para cálculos ureterais centrais, ureteroscopia com litotripsia a laser holmium é geralmente o tratamento de escolha. Litotripsia com onda de choques é uma alternativa.

Para o cálculo ureteral distal, técnicas endoscópicas (ureteroscopia), como a remoção direta e o uso de litotripsia intracorpórea (p. ex., laser de hólmio ou de túlio, pneumático), são os procedimentos de escolha de muitos profissionais. Litotripsia com onda de choques também pode ser utilizada.

(Ver também American Urological Association/Endourological Society Guideline, Part I.)

Dissolução de cálculo

Os cálculos de ácido úrico no trato urinário superior ou inferior ocasionalmente podem ser dissolvidos por alcalinização prolongada da urina com citrato de potássio, 20 mEq (20 mmol/L), por via oral 2 a 3 vezes ao dia, mas a dissolução química de outros cálculos de cálcio não é possível e de cálculos de cistina é difícil.

Referência sobre tratamento

  1. 1. Springhart WP, Marguet CG, Sur RL, et al. Forced versus minimal intravenous hydration in the management of acute renal colic: a randomized trial. J Endourol. 2006;20(10):713-716. doi:10.1089/end.2006.20.713

Prevenção dos cálculos urinários

Em um paciente que expeliu o primeiro cálculo urinário, a probabilidade de formar um segundo cálculo varia de 11% em 2 anos a 39% em 15 anos (1). Recomenda-se ingerir grandes quantidades de líquidos — 8 a 10 copos de 300 mililitros por dia é recomendado para a prevenção de todos os cálculos. Pacientes que formam cálculos (aqueles com história de cálculos recorrentes e aqueles com cálculos recém-diagnosticados por imagem) devem beber líquido suficiente para produzir pelo menos 2,5 litros de urina diariamente. São necessários recuperação e análise dos cálculos, medição urinária das substâncias formadoras de cálculos e história clínica para planejar outras medidas profiláticas.

Em < 3% dos pacientes, nenhuma anomalia metabólica é encontrada. Esses pacientes aparentemente não conseguem tolerar quantidades normais de sais formadores de cálculo na urina sem cristalização. Diuréticos tiazídicos, citrato de potássio e maior ingestão de líquidos podem reduzir a taxa de produção de cálculos.

Os pacientes com hipercalciúria podem receber diuréticos tiazídicos de ação prolongada (p. ex., clortalidona ou indapamida) para reduzir a excreção urinária de cálcio e, assim, prevenir a supersaturação urinária com oxalato de cálcio. Os pacientes são estimulados a aumentar a ingestão de líquidos para 3 L/dia. Recomenda-se uma dieta pobre em sódio e rica em potássio. Mesmo com alta ingestão de potássio, recomenda-se a suplementação com citrato de potássio para evitar hipopotassemia. Também se recomenda a restrição dietética de proteína animal (2).

Para pacientes com hipocitrúria, citrato de potássio melhora a excreção de citrato. Recomenda-se a ingestão normal de cálcio (p. ex., 1000 mg ou cerca de 2 a 3 porções lácteas por dia), e evita-se a restrição de cálcio. Pode-se utilizar agentes alcalinos alternativos (p. ex., bicarbonato de sódio ou potássio) para aumentar a excreção de citrato se o citrato de potássio não puder ser tolerado.

A prevenção de hiperoxalúria varia. Pacientes com doenças do intestino delgado podem ser tratados com uma associação de alta ingestão de líquidos, sobrecarga de cálcio (habitualmente na forma de citrato de cálcio), colestiramina e dieta pobre em oxalato e gorduras. Hiperoxalúria pode responder à piridoxina possivelmente por aumentar a atividade de transaminase responsável pela conversão de glioxilato, o precursor imediato de oxalato para glicina.

Na hiperuricosúria, a ingestão de proteína animal deve ser reduzida. Se a dieta não puder ser alterada, o alopurinol diminui a produção de ácido úrico. Para os cálculos de ácido úrico, o pH urinário deve ser elevado para 6 a 6,5 com medicamentos orais alcalinizantes contendo potássio (p. ex., citrato de potássio) juntamente com aumento da ingestão de líquidos.

Infecção por bactérias que quebram a ureia necessita ser tratada com antibióticos e remoção completa do cálculo. Se a erradicação da infecção for impossível, pode ser necessário um tratamento supressor a longo prazo (p. ex., com nitrofurantoína). Adicionalmente, o ácido acetoidroxâmico pode ser utilizado para reduzir a recidiva de cálculos de estruvita.

Para prevenir cálculos de cistina recidivantes, os níveis de cistina urinária devem ser reduzidos para < 250 mg de cistina/L de urina. Qualquer associação de aumento do volume urinário com redução de excreção de cistina (p. ex., com alfamercaptopropionilglicina [tiopronina] ou D-penicilamina) deve reduzir a concentração de cistina urinária.

Referências sobre prevenção

  1. 1. Rule AD, Lieske JC, Li X, Melton LJ 3rd, Krambeck AE, Bergstralh EJ. The ROKS nomogram for predicting a second symptomatic stone episode. J Am Soc Nephrol. 2014;25(12):2878-2886. doi:10.1681/ASN.2013091011

    2. Ferraro PM,  Bargagli M, Trinchieri A, et al. Risk of kidney stones: Influence of dietary factors, dietary patterns, and vegetarian–vegan diets. Nutrients. 12(3): 779, 2020. doi: 10.3390/nu12030779

Pontos-chave

  • 85% dos cálculos urinários são compostos de cálcio, principalmente oxalato de cálcio (ver tabela ); 5 a 10% são compostos de ácido úrico; 1 a 2% de cistina; e 5 a 15% de fosfato de amônio e magnésio (estruvita).

  • Cálculos maiores são mais propensos a obstruir; mas, pode ocorrer obstrução mesmo com pequenos cálculos ureterais (isto é, 2 a 5 mm).

  • Os sintomas incluem hematúria, sintomas de infecção e cólica renal.

  • Testar geralmente com exame de urina, TC e — se o cálculo puder ser posteriormente recuperado — determinação da composição do cálculo.

  • Administrar analgésicos e medicamentos para facilitar a eliminação do cálculo (p. ex., bloqueadores dos receptores alfa) de forma aguda e remover cálculos que causam infecção ou que persistem, endoscopicamente.

  • Diminuir o risco de formação subsequente de cálculos tratando com diuréticos tiazídicos, citrato de potássio, aumento da ingestão de líquidos e redução da proteína animal na dieta, dependendo da composição do cálculo.

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