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Anosmia

Por

Marvin P. Fried

, MD, Montefiore Medical Center, The University Hospital of Albert Einstein College of Medicine

Última modificação do conteúdo abr 2020
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É a perda completa do olfato. Hiposmia é a perda parcial do olfato. Se a anosmia for unilateral, frequentemente não é reconhecida.

A maioria dos pacientes com anosmia tem percepção normal de substâncias salgadas, doces, azedas e amargas, porém falta discriminação mais apurada nos sabores, que depende muito do olfato. Portanto, eles muitas vezes se queixam de perder o sentido do paladar (ageusia) e de não apreciar o alimento.

Etiologia

A anosmia ocorre quando o edema intranasal ou outro tipo de obstrução impede que os odores tenham acesso à área olfatória; quando o neuroepitélio olfatório é destruído; ou quando nervo, trato e bulbos olfatórios, ou conexões centrais são destruídos (ver tabela Algumas causas da anosmia).

Tabela
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Algumas causas de anosmia

Causa

Achados sugestivos

Abordagem diagnóstica

Obstrução intranasal

História de sintomas alérgicos crônicos (p. ex., congestão nasal, rinorreia clara), sem dor

Avaliação clínica

Pólipos geralmente visíveis ao exame

Avaliação clínica

Destruição do epitélio neuro-olfatório

Rinite crônica com atrofia e esclerose da mucosa, patência de passagem nasal, formação de crostas e odor fétido

Avaliação clínica

Às vezes biópsia, que mostra epitélio colunar ciliado normal convertido a escamoso estratificado (metaplasia escamosa) e a lâmina própria reduzida em quantidade e vascularidade

Rinorreia mucopurulenta crônica, infecções prévias

Avaliação clínica

TC

Panorâmica que mostra ápices dos dentes maxilares para excluir abscesso dentário

Início dos sintomas após sinais clínicos da infecção

Avaliação clínica

Doença do coronavírus 2019 (covid-19)*

O início muitas vezes precede outros sintomas de infecção (p. ex., febre, tosse)

Quarentena, teste viral quando disponível

Fármacos (p. ex., anfetaminas, enalapril, estrogênio, nafazolina, fenotiazinas, reserpina; uso prolongado de descongestionantes)

Geralmente história aparente de exposição

Avaliação clínica

Toxinas (p. ex., cádmio, manganês)

Geralmente história aparente de exposição

Avaliação clínica

Tumores (causa rara)

Dificuldade visual ou apenas anosmia

TC

RM

Destruição de núcleos centrais e nervos

Doença de Alzheimer

Confusão progressiva e perda da memória recente

RM

Exame minimental

Doenças neurológicas degenerativas (p. ex., esclerose múltipla)

Episódios intermitentes de outros sintomas neurológicos (p. ex., fraqueza, dormência, dificuldade de falar, ver ou engolir

RM

Algumas vezes, punção lombar

Aparente pela história

TC

Cirurgia intracraniana, infecção ou tumor

Cirurgia e infecção em SNC aparente pela história

Tumores com ou sem outros sintomas neurológicos

TC ou RM

* A destruição do epitélio olfatório ainda não foi confirmada como o mecanismo da anosmia.

As causas principais da anosmia incluem

Sequela de IVAS, especialmente infecção por influenza, está implicada em 14 a 26% de todos os casos que apresentem hiposmia ou anosmia.

Fármacos podem contribuir para a anosmia em pacientes suscetíveis. Outras causas incluem radioterapia prévia em região de cabeça e pescoço, cirurgia nasal ou do seio recente, tumores nasais e cerebrais, e toxinas. O papel de tabaco ainda é incerto.

A anosmia pode ser um sintoma precoce e, portanto, uma pista para a covid-19, causada pela síndrome respiratória aguda grave do coronavírus 2 (Sars-CoV-2).

Dicas e conselhos

  • Colocar imediatamente em quarentena os pacientes em risco de covid-19 que têm perda súbita do olfato.

Avaliação

História

A história da doença atual deve avaliar a evolução dos sintomas no tempo e sua relação com qualquer episódio de IVAS ou ferimento na cabeça. Importantes sintomas associados são congestão nasal, rinorreia ou ambos. A natureza da rinorreia deve ser avaliada (p. ex., aquosa, mucoide, purulenta, sanguinolenta).

A revisão dos sistemas deve avaliar os sintomas neurológicos, particularmente aqueles envolvendo estado mental (p. ex., dificuldade com a memória recente) e nervos cranianos (p. ex., diplopia, dificuldade em falar ou engolir, zumbido, vertigem).

A história clínica anterior deve incluir os relatos prévios de sinusite, traumatismo craniano ou cirurgia, alergias, fármacos utilizados e exposição às substâncias químicas ou ao fumo.

Exame físico

As fossas nasais devem ser inspecionadas para verificar edema, inflamação, coriza e pólipos. Pedir ao paciente para respirar através de uma narina de cada vez (enquanto a outra é ocluída manualmente) pode ajudar a identificar obstrução.

Exame neurológico completo, especialmente do estado mental e dos nervos cranianos, deve ser realizado.

Sinais de alerta

Os achados a seguir são particularmente preocupantes:

  • Traumatismo craniano prévio

  • Sinais ou sintomas neurológicos

  • Início súbito

  • Epidemia local ou global de covid-19

Interpretação dos achados

Início repentino após traumatismo craniano significativo ou exposição à toxina implica, fortemente, que o evento em questão seja a causa.

História de rinossinusite crônica é sugestiva, sobretudo associada à congestão nasal significativa, aos pólipos ou ambos visíveis ao exame. No entanto, pelo fato desses achados serem comuns na população, o médico deve ser cauteloso para descartar outros transtornos. Confusão progressiva e perda de memória recente em um paciente idoso sugerem doença de Alzheimer como a causa. Sintomas neurológicos recorrentes, que afetam várias áreas, sugerem doença neurodegenerativa, como a esclerose múltipla. Anosmia lentamente progressiva, em paciente idoso, sem outros sintomas ou achados, sugere envelhecimento normal como causa.

Exames

Exame rápido do olfato pode ajudar a confirmar a disfunção olfatória. Comumente, uma narina é ocluída e um odor picante, tal como de um frasco contendo café, canela ou tabaco, é colocado sob a narina aberta; se o paciente conseguir identificar a substância, presume-se que o olfato esteja intacto. O teste é repetido com a outra narina para determinar se a resposta é bilateral. Infelizmente, o teste é muito simples e pouco confiável.

Se há anosmia e nenhuma causa é imediatamente aparente na avaliação clínica (ver tabela Algumas causas da anosmia), deve-se realizar nos pacientes TC da cabeça (incluindo seios) com contraste para descartar fratura ou tumor do assoalho da fossa craniana anterior. A RM é também utilizada para avaliar doença intracraniana e pode ser necessária, em particular nos pacientes sem doença nasal ou sinusal na TC.

Avaliação psicofísica de identificação de odor e sabor e de detecção de limiar é realizada também. Essa avaliação costuma envolver o uso de um ou vários kits de testes comercialmente disponíveis. Um kit utiliza uma série de odores para raspar e cheirar, enquanto outro envolve diluição sequenciais de químicos odoríferos.

Se houver suspeita de covid-19, os pacientes devem ser testados e tratados de acordo com os protocolos locais.

Tratamento

As causas específicas são tratadas; no entanto, nem sempre se recupera o olfato, mesmo após tratamento bem-sucedido de sinusite.

Não existem tratamentos para anosmia. Os pacientes que mantêm certo senso de olfato podem usar a adição de agentes aromatizantes concentrados, para alimentos, melhorando o seu prazer de comer. Alarmes de fumaça, importantes em todos os lares, são ainda mais essenciais para pacientes com anosmia. Os pacientes devem ser advertidos sobre o consumo de alimentos armazenados e uso de gás natural para cozinhar ou aquecimento, pois eles têm dificuldade em detectar deterioração de alimentos ou vazamentos de gás.

Fundamentos geriátricos

Há perda significativa de neurônios receptores olfatórios com o envelhecimento normal, acarretando diminuição marcante no sentido do olfato. As alterações são geralmente perceptíveis aos 60 anos e podem ser mais pronunciadas depois dos 70 anos de idade.

Pontos-chave

  • Anosmia pode ser parte do envelhecimento normal.

  • Causas comuns incluem IVAS, sinusite e traumatismo craniano.

  • Exames de imagem quase sempre são necessários a menos que a causa seja óbvia.

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