Manual MSD

Please confirm that you are not located inside the Russian Federation

honeypot link

Dor torácica

Por

Andrea D. Thompson

, MD, PhD, Department of Internal Medicine, Division of Cardiovascular Medicine, University of Michigan;


Michael J. Shea

, MD, Michigan Medicine at the University of Michigan

Última revisão/alteração completa set 2020| Última modificação do conteúdo set 2020
Clique aqui para a versão para profissionais
Recursos do assunto

A dor torácica é uma queixa muito comum. A dor pode ser aguda ou sutil, embora algumas pessoas com doenças torácicas descrevam sua sensação como desconforto, aperto, pressão, gases, queimação ou pontadas. Às vezes, as pessoas também têm dor nas costas, pescoço, mandíbula, parte superior do abdômen ou braço. Outros sintomas também podem estar presentes, como náusea, tosse ou dificuldade para respirar, dependendo da causa da dor torácica.

Muitas pessoas têm consciência que a dor torácica é um alerta de possíveis doenças de risco à vida e procuram avaliação médica em caso de sintomas mínimos. Outras pessoas, incluindo muitas que têm doenças graves, minimizam ou ignoram esses avisos.

Causas

Muitas doenças causam dor ou desconforto torácicos. Nem todas essas doenças envolvem o coração. A dor torácica também pode ser causada por doenças do trato digestivo, pulmões, músculos, nervos ou ossos.

Causas comuns

No geral, as causas mais comuns de dor torácica são:

As síndromes coronarianas agudas (ataque cardíaco ou angina instável) envolvem um bloqueio repentino de uma artéria no coração (artéria coronariana) que corta o abastecimento de sangue para uma área do músculo cardíaco. Se parte do músculo cardíaco morrer por não ter recebido sangue suficiente, tal evento é denominado ataque cardíaco (infarto do miocárdio). Na angina estável, o estreitamento de longo prazo de uma artéria coronariana (por exemplo, em decorrência de aterosclerose) limita o fluxo sanguíneo que passa por aquela artéria. O fluxo sanguíneo reduzido causa dor torácica quando essas pessoas fazem algum esforço.

Causas de risco à vida

Algumas das causas de dor torácica podem apresentar risco imediato à vida, porém, com exceção do ataque cardíaco ou da angina instável, essas causas são menos comuns:

Outras causas variam de problemas possivelmente graves a doenças que apenas geram desconforto.

Avaliação

Pessoas com dor torácica devem ser avaliadas por um médico. As informações abaixo podem ajudar as pessoas a decidirem quando é necessária uma avaliação e a saberem o que esperar durante a avaliação.

Sinais de alerta

Em pessoas com dor torácica ou desconforto, certos sintomas e características são causa de preocupação. Incluem

  • Dor com sensação de esmagamento ou pressão

  • Falta de ar

  • Sudorese

  • Náuseas ou vômitos

  • Dor nas costas, pescoço, mandíbula, abdômen superior ou em um dos ombros ou braços

  • Sensação de desmaio iminente ou desmaio

  • Sensação de batimento cardíaco rápido ou irregular

Quando consultar um médico

Embora nem todas as causas de dor torácica sejam graves, uma vez que algumas causas representam risco à vida, as seguintes pessoas devem consultar um médico imediatamente:

  • Pessoas com dor torácica recente (nos últimos dias)

  • Pessoas que apresentam um sinal de alerta

  • Pessoas com suspeita de ocorrência de ataque cardíaco (por exemplo, porque os sintomas são semelhantes aos de um ataque cardíaco anterior)

Elas devem telefonar para o serviço de emergência (911) ou serem levadas a um pronto-socorro o quanto antes. As pessoas não devem tentar dirigir sozinhas até um hospital.

Uma dor torácica que dura segundos (menos de 30 segundos) raramente é causada por uma doença cardíaca. Pessoas com dor torácica muito breves precisam procurar um médico, mas, geralmente, não em caráter emergencial.

Pessoas que têm dor torácica por tempo prolongado (uma semana ou mais) devem procurar um médico de ambulatório o quanto antes, a menos que desenvolvam sinais de alerta, ou caso a dor piore ou se torne mais constante. Nesses casos, elas devem ir a um pronto-socorro imediatamente.

O que o médico faz

Os médicos primeiramente fazem perguntas sobre os sintomas da pessoa e o histórico médico e, em seguida, fazem um exame físico. O que eles encontram na avaliação do histórico e no exame físico muitas vezes sugere uma causa para a dor torácica e os testes que podem ser necessários.

No entanto, por haver doenças torácicas graves e outras que não oferecem perigo, os sintomas podem se sobrepor e variar muito. Por exemplo, embora um ataque cardíaco típico cause dor incômoda em esmagamento, algumas pessoas sentem somente um pequeno desconforto ou reclamam apenas de indigestão ou dor no ombro (dor referida — O que é a dor referida?). Por outro lado, pessoas com indigestão podem ter somente uma dor de estômago e aquelas com dor no ombro podem ter apenas uma inflamação muscular. Da mesma forma, embora o tórax fique sensível ao toque em pessoas com dor torácica musculoesquelética, o tórax também pode ficar sensível em pessoas que estão tendo um ataque cardíaco. Portanto, os médicos geralmente fazem testes em pessoas com dor torácica.

Tabela
icon

Algumas causas e características da dor torácica

Causas

Características comuns*

Exames†

Doenças cardíacas

Ataque cardíaco (infarto do miocárdio) ou angina instável

Risco à vida imediato

Dor de esmagamento repentina que

  • Espalha-se pela mandíbula ou braço

  • Pode ser constante ou intermitente

Às vezes, falta de ar ou náusea

Dor que surge durante o esforço e melhora com repouso (angina pectoris)

Alguns sons cardíacos anormais ouvidos pelo estetoscópio

Sinais de alerta frequentes‡

ECG, feito diversas vezes em um determinado período

Exames de sangue para medir substâncias que indicam quando há lesão cardíaca (marcadores cardíacos)

Se o ECG e os níveis de marcadores cardíacos estiverem normais, muitas vezes uma TC das artérias do coração ou teste de esforço

Se o ECG ou os níveis de marcadores cardíacos estiverem anormais, um exame de cateterismo cardíaco

Dissecção aórtica torácica (uma laceração na parede de uma parte da aorta no tórax)

Risco à vida imediato

Dor repentina e dilacerante que se espalha para o meio das costas ou tem origem nessa região

Às vezes, sensação de desmaio iminente, derrame, dor, resfriamento ou dormência em uma perna (indicando fluxo sanguíneo inadequado para esse membro)

Outras vezes, pulso ou pressão arterial em um membro que diferem dos valores observados examinando-se o outro membro

Em geral, em pessoas com mais de 55 anos que possuem histórico de hipertensão arterial

Sinais de alerta

Radiografia do tórax

Tomografia computadorizada da aorta

Ecocardiograma transesofágico (ultrassonografia do coração com equipamento ultrassonográfico inserido através da garganta)

Pericardite (inflamação da membrana que envolve o coração)

Possivelmente de risco à vida

Dor aguda que

  • É constante ou intermitente,

  • Frequentemente piora quando a pessoa respira, engole alimentos ou deita-se de costas.

  • Melhora quando se deita de bruços.

Som cardíaco anormal ouvido pelo estetoscópio

ECG

Ecocardiograma

Exames de sangue para medir substâncias que indicam quando há lesão cardíaca (marcadores cardíacos)

RM

Distúrbios do trato digestivo

Risco à vida imediato

Dor repentina e grave, imediatamente após vômito ou procedimento médico envolvendo o esôfago (como endoscopia do esôfago e estômago ou ecocardiografia transesofágica)

Alguns sinais de alerta‡

Radiografia do tórax

Radiografias do esôfago feitas depois de a pessoa ingerir uma solução de contraste (esofagografia)

Pancreatite (inflamação do pâncreas)

Possivelmente de risco à vida

Dor severa e constante que

  • Ocorre na parte superior intermediária do abdômen ou na parte inferior do tórax

  • Com frequência piora deitando-se de costas

  • Melhora quando se deita de bruços.

Vômitos

Sensibilidade abdominal superior

Às vezes, choque

Geralmente em indivíduos que abusam de álcool ou que têm cálculos biliares

Exames de sangue para medir uma enzima (lipase) produzida pelo pâncreas

Às vezes, TC do abdômen

Desconforto indeterminado e recorrente que

  • Ocorre na parte superior intermediária do abdômen ou inferior do tórax

  • É aliviado com antiácidos e às vezes com alimentos

Frequente em pessoas que fumam, consumem álcool ou ambos

Não há sinais de alerta‡

Exame médico

Ocasionalmente, endoscopia

Dor tipo queimação recorrente que

  • Espalha-se da parte superior intermediária do abdômen até a garganta

  • Piora quando a pessoa se inclina para a frente ou se deita

  • Melhora com antiácidos

Exame médico

Ocasionalmente, endoscopia

Desconforto recorrente que

  • Ocorre na parte superior direita do abdômen ou na parte inferior intermediária do tórax

  • Ocorre após as refeições (não depois de esforço)

Ultrassonografia da vesícula biliar

Às vezes, cintilografia hepatobiliar (cintilografia hepatobiliar do análogo do ácido iminodiacético [hepatobiliary iminodiacetic acid scan, HIDA])

Problemas de deglutição em que há movimento anormal (propulsão) de comida pelo esôfago

Dor que

  • Surgiu gradualmente durante um longo período de tempo

  • Pode se manifestar ou não ao engolir

Geralmente dificuldades para engolir

Algumas vezes, radiografia do trato digestivo superior após administração de bário por via oral (deglutição de bário)

Um exame para determinar se as contrações no trato digestivo estão normais (manometria esofágica)

Doenças pulmonares

Embolia pulmonar (bloqueio de uma artéria dos pulmões por um coágulo sanguíneo)

Risco à vida imediato

Normalmente, dor aguda ao inspirar, falta de ar, respiração e frequência cardíaca aceleradas

Às vezes, febre leve, tosse com sangue ou choque

Mais provável em pessoas com fatores de risco para embolia pulmonar (como coágulos sanguíneos preexistentes, cirurgias recentes, especialmente nas pernas, bem como repouso absoluto prolongado, uso de gesso ou tala em uma das pernas, idade avançada, tabagismo ou câncer)

TC ou ressonância magnética dos pulmões

Um exame de sangue para detectar coágulos (teste de dímero D)

Pneumotórax de tensão (colapso pulmonar com pressão crescente de ar formando-se no tórax)

Risco à vida imediato

Falta de ar significativa

Pressão arterial baixa, veias do pescoço inchadas e sons respiratórios fracos em um dos lados ouvidos com um estetoscópio

Acontece normalmente após uma grave lesão no tórax

Normalmente somente um exame realizado pelo médico

Às vezes, radiografia torácica

Possivelmente de risco à vida

Febre, calafrios, tosse e, normalmente, catarro amarelo ou esverdeado

Frequentemente falta de ar

Às vezes, dor ao inspirar

Frequência cardíaca acelerada e pulmões congestionados detectados durante o exame

Radiografia do tórax

Pneumotórax (pulmão colapsado)

Possivelmente de risco à vida

Dor repentina e aguda, em geral em um dos lados do tórax

Às vezes, falta de ar

Às vezes, sons respiratórios fracos em um dos lados ouvidos com o estetoscópio

Radiografia do tórax

Pleurite (inflamação da membrana que envolve o pulmão)§

Dor aguda ao respirar

Normalmente em pessoas que tiveram pneumonia ou infecção respiratória viral recentemente

Pode haver tosse

Não há sinais de alerta‡

Normalmente somente um exame realizado pelo médico

Outras doenças

Dor na parede torácica,§ incluindo os músculos, ligamentos, nervos e costelas (dor musculoesquelética da parede torácica)

Dor que

  • Normalmente é persistente (dura dias ou mais)

  • É agravada pelo movimento e/ou respiração

  • Pode não demonstrar causa aparente ou resultar de tosse ou sobrecarga

Sensibilidade em um ponto do tórax

Não há sinais de alerta‡

Somente exame médico

Descrição da dor

  • Praticamente constante

  • Afeta áreas extensas do corpo

  • Normalmente, é acompanhada de fadiga e qualidade de sono insatisfatória

Somente exame médico

Dor aguda em uma faixa ao redor da região intermediária do tórax, mas apenas em um dos lados

Eritemas com várias bolhas pequenas, às vezes cheias de pus, na área dolorida e, algumas vezes, com pus surgindo apenas depois da dor

Somente exame médico

Cânceres do tórax ou da parede torácica

Às vezes, dor que piora ao inalar

Às vezes, tosse crônica, histórico de tabagismo, perda de peso, inchaço dos linfonodos no pescoço

Radiografia do tórax

TC torácica

Às vezes, uma cintilografia óssea

* As características incluem os sintomas e os resultados do exame médico. As características mencionadas são típicas, mas nem sempre estão presentes.

† Para a maior parte das pessoas com dor torácica, o nível de oxigênio no sangue é medido por um sensor colocado em um dos dedos (oxímetro de pulso) e são feitos um eletrocardiograma (ECG) e uma radiografia torácica.

‡ Os sinais de alerta incluem

  • Sinais vitais anormais (frequência cardíaca anormalmente lenta ou acelerada, respiração rápida e pressão arterial anormalmente baixa)

  • Sinais de redução do fluxo sanguíneo (como confusão, palidez ou pele acinzentada e sudorese excessiva)

  • Falta de ar

  • Sons respiratórios ou pulsação anormais

  • Sopro cardíaco recente

§ Até que seja relatado o oposto, as origens geralmente não são perigosas, embora sejam desconfortáveis.

TC = tomografia computadorizada; ECG = eletrocardiograma; RM = ressonância magnética.

Exames

Para adultos com dor torácica repentina, são feitos exames para eliminar os casos perigosos. Para a maior parte das pessoas, os exames iniciais incluem

  • Medição dos níveis de oxigênio usando-se um sensor colocado em um dedo (oxímetro de pulso)

  • Eletrocardiograma (ECG)

  • Radiografia do tórax

Se os sintomas sugerirem síndrome coronariana aguda ou se não houver nenhuma outra causa evidente (particularmente em pessoas em situação de risco elevado), os médicos geralmente medem os níveis de substâncias que acusam lesão cardíaca (marcadores cardíacos) no sangue (ao menos duas vezes com intervalo de algumas horas) e fazem diversos ECGs.

Se esses testes não indicarem síndrome coronariana aguda, os médicos frequentemente fazem um teste de esforço ou angiografia por tomografia computadorizada (TC) antes de as pessoas voltarem para casa ou dentro de poucos dias. No entanto, se um marcador cardíaco mais recente, chamado de troponina de alta sensibilidade, for usado e esse teste não mostrar evidência de dano cardíaco, exames adicionais podem não ser necessários. No teste de esforço, é feito um ECG ou exame por imagem (como ecocardiograma) durante o exercício físico (geralmente em uma esteira ergométrica) ou após a administração de um medicamento que acelera os batimentos cardíacos ou aumenta o fluxo sanguíneo que passa pelas artérias coronarianas (como dipiridamol).

Se houver suspeita de embolia pulmonar, é feita uma tomografia computadorizada (TC) dos pulmões ou um exame pulmonar. Se a embolia pulmonar for considerada improvável, com frequência é feito um exame de sangue para detectar coágulos (teste de dímero D). Se o resultado do teste for negativo, é improvável que haja embolia pulmonar, mas se o resultado for positivo, são realizados outros exames, como ultrassonografia das pernas ou TC torácica.

Em pessoas que tiveram dor torácica por muito tempo, riscos imediatos são pouco prováveis. A maioria dos médicos faz apenas uma radiografia torácica a princípio e, então, outros exames com base nos sintomas e achados de exames.

Tratamento

São tratadas doenças específicas identificadas. Se a causa não for claramente benigna, as pessoas geralmente são internadas em um hospital ou em uma unidade de observação para monitoramento cardíaco e avaliação mais detalhada. Os sintomas são tratados com acetaminofeno ou opioides, conforme necessário, até que seja estabelecido um diagnóstico.

Pontos-chave

  • A dor torácica pode ser decorrente de doenças que podem ser fatais, então, pessoas com dor torácica recente (de poucos dias) devem procurar atenção médica imediata.

  • Os sintomas de doenças que representam ou não risco à vida podem se sobrepor, então, é necessário determinar a causa.

OBS.: Esta é a versão para o consumidor. MÉDICOS: Clique aqui para a versão para profissionais
Clique aqui para a versão para profissionais
Obtenha o

Também de interesse

Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
Baixe o aplicativo  do Manual MSD! ANDROID iOS
PRINCIPAIS