As purinas são componentes-chave do sistema energético celular (p. ex., ATP, NAD), dos sinalizadores (p. ex., GTP, cAMP, cGMP), e, juntamente com as pirimidinas, participam da produção do RNA e DNA.
As purinas podem ser “sintetizadas de novo” ou recicladas através de uma via de recuperação do catabolismo normal.
O produto final do catabolismo completo das purinas é ácido úrico.
Além dos distúrbios de salvamento de purina, os (ver também tabela Distúrbios do metabolismo das purinas) incluem
Ver também Abordagem ao paciente com suspeita de distúrbio metabólico hereditário e testes para distúrbios metabólicos hereditários suspeitos.
Síndrome de Lesch-Nyhan
A síndrome de Lesch-Nyhan é um raro distúrbio recessivo ligado ao X provocado pela deficiência de hipoxantina-guanina fosforribosiltransferase (HPRT); o grau de deficiência (e, portanto, as manifestações) varia de acordo com a mutação específica. A deficiência da HRFT leva à degradação da hipoxantina e guanina em ácido úrico. Essas purinas são degradadas em ácido úrico. Além disso, a diminuição do monofosfato de inositol e monofosfato de guanosil leva a um aumento da conversão do 5-fosfo-ribosil-1-pirofosfato (FRPF) em 5-fosfo-ribosilamina, os quais exacerbam a hiperprodução do ácido úrico. A hiperuricemia predispõe a gota e suas complicações. Os pacientes apresentam, ainda, numerosas disfunções cognitivas e comportamentais, cuja etiologia não está esclarecida, parecendo não haver relação com o ácido úrico.
A doença normalmente se manifesta entre 3 meses e 12 meses de idade com o aparecimento de precipitado arenoso cor laranja (xantina) na urina; ela progride e envolve o sistema nervoso central causando deficiência intelectual, paralisia cerebral espástica, movimentos involuntários e comportamento automutilante (particularmente morder). Com o tempo, a hiperuricemia crônica causa sintomas de gota (p. ex., urolitíase, nefropatia, artrite gotosa, tofos).
O diagnóstico da síndrome Lesch-Nyhan é sugerido pela combina-ção de distonia, retardo e autoflagelação. Os níveis de ácido úrico séricos costumam estar elevados, mas faz-se a confirmação por análise de DNA.
A disfunção do sistema nervoso central não tem tratamento conhecido e as medidas são apenas de suporte. A autoflagelação requer contenção física, extração dentária e, à vezes, medicamentos já experimentados. A hiperuricemia é tratada com dieta pobre em purina (evitando carne, feijão, sardinha) e alopurinol, um inibidor da xantina oxidase (a última enzima na via catabólica da purina). O alopurinol impede a conversão da hipoxantina acumulada em ácido úrico, pois a hipoxantina é altamente solúvel e é excretada.
Deficiência da adenina fosfo-ribosiltransferase
A deficiência de adenina fosforribosiltransferase é um distúrbio autossômico recessivo raro que resulta na incapacidade de recuperar adenina para síntese de purina. A adenina acumulada é oxidada para 2,8-di-hidroxi adenina, que se precipita no trato urinário, causando problemas semelhantes aos da nefropatia do ácido úrico (p. ex., cólica renal, insuficiência renal). O início pode ocorrer em qualquer idade.
O diagnóstico da deficiência de adenina fosforibosiltransferase é pela detecção de níveis elevados de 2,8-di-hidroxi adenina, 8-hiroxiadenina e adenina na urina e confirmado por análise de DNA; o ácido úrico sérico é normal.
O tratamento da deficiência de adenina fosforribosiltransferase é feito com restrição de purina na dieta, ingestão abundante de líquidos e em evitar alcalinização urinária. O alopurinol pode prevenir a oxidação da adenina; transplante de rim pode ser necessário para a doença renal em fase terminal.
Informações adicionais
O recurso em inglês a seguir pode ser útil. Observe que este Manual não é responsável pelo conteúdo deste recurso.
Online Mendelian Inheritance in Man (OMIM) database: Complete gene, molecular, and chromosomal location information



