honeypot link

Manual MSD

Please confirm that you are a health care professional

Hiperêmese gravídica

Por

Antonette T. Dulay

, MD, Main Line Health System

Última modificação do conteúdo jun 2019
Clique aqui para acessar Educação para o paciente
Recursos do assunto

Hiperêmese gravídica é a ocorrência de vômitos incontroláveis durante a gestação, resultando em desidratação, perda ponderal e cetose. O diagnóstico é clínico e pela aferição de cetona urinária, eletrólitos séricos e função renal. O tratamento é a suspensão temporária da ingestão oral e administração de líquidos IV antieméticos, se necessário, bem como de vitaminas e reposição de eletrólitos.

A gestação geralmente causa náuseas e vômitos; a causa parece ser a rápida elevação dos níveis de estrogênios ou da subunidade beta da gonadotropina coriônica humana (beta-hCG). Os vômitos normalmente se desenvolvem em aproximadamente 5 semanas de gestação, com picos em aproximadamente 9 semanas, e desaparecem com cerca de 16 a 18 semanas. Isso geralmente ocorre de manhã (por isso, é denominada doença matinal), embora possa ocorrer em qualquer horário do dia. As mulheres com doença matinal continuam a ganhar peso e não se tornam desidratadas.

A hiperêmese gravídica é provavelmente uma forma extrema comum de náuseas e vômitos durante a gestação. Pode ser diferenciada por causar o seguinte:

  • Perda ponderal (> 5% do peso)

  • Desidratação

  • Cetose

  • Anormalidades eletrolíticas (em muitas mulheres)

A hiperêmese gravídica pode causar hipertireoidismo leve transitório. A hiperemese gravídica que persiste após 16 a 18 semanas é incomum, mas pode danificar seriamente o fígado, causando necrose centrolobular ou degeneração gordurosa generalizada, além de encefalopatia de Wernicke ou ruptura esofágica.

Diagnóstico

  • Avaliação clínica (às vezes incluindo mensurações seriadas do peso)

  • Cetona urinária

  • Testes séricos de eletrólitos e função renal

  • Exclusão de outras causas (p. ex., abdome agudo)

Os médicos suspeitam de hiperemese gravídica com base nos sintomas (p. ex., início, duração e frequência dos vômitos; fatores que exacerbam e aliviam; tipo e quantidade de êmese). Medições seriais do peso podem dar suporte ao diagnóstico.

Se houver suspeita de hiperemese gravídica, mensuram-se cetonas urinárias, hormônio estimulante da tireoide, eletrólitos séricos, nitrogênio ureico sanguíneo (BUN), creatinina, aminotransferase aspartato (AST), aminotransferase alanina (ALT), magnésio, fósforo e, às vezes, o peso corporal. A ultrassonografia obstétrica deve ser obtida para excluir a possibilidade de mola hidatiforme e gestação múltipla.

Diagnóstico diferencial

Outros distúrbios que podem causar vômitos precisam ser excluídos: gastroenterite, hepatite, apendicite, colecistite, outros distúrbios do trato biliar, úlcera péptica, obstrução intestinal, hipertireoidismo não causado por hiperêmese gravídica (p. ex., causado por doença de Graves), doença trofoblástica gestacional, nefrolitíase, pielonefrite, cetoacidose ou gastroparesia diabética, hipertensão intracraniana benigna e enxaqueca.

Sintomas proeminentes, mais náuseas e vômitos, sugerem outra causa.

Testes para esses distúrbios são realizados com base nos achados clínicos, laboratoriais e ultrassonográficos.

Tratamento

  • Suspensão temporária da ingestão oral, seguida por retomada gradual

  • Líquidos, tiamina, multivitamínicos e eletrólitos, conforme a necessidade

  • Antieméticos, se necessário

Em primeiro lugar, nada é administrado pela boca para as pacientes. O tratamento inicial é a reposição volêmica IV, que começa com 2 L de Ringer lactato infundido durante 3 horas para manter uma produção de urina > 100 mL/h. Se a dextrose for administrada, a tiamina 100 mg IV deve ser dada antes, para prevenir contra a encefalopatia de Wernicke. Essa dose de tiamina deve ser administrada diariamente por 3 dias.

Os subsequentes requisitos de líquidos variam com a reação da paciente, mas podem chegar a 1 l a cada 4 horas ou então em até 3 dias.

Tratam-se as deficiências eletrolíticas; potássio, magnésio e fósforo são repostos como necessário. Deve-se tomar cuidado para não repor rapidamente os baixos níveis de sódio porque isso pode causar a síndrome de desmielinização osmótica.

Os vômitos que persistem após o líquido inicial e a reposição eletrolítica são tratados com a administração de antiemético, de acordo com a necessidade; os antieméticos incluem

  • Vitamina B6 10 a 25 mg por via oral, a cada 8 horas ou a cada 6 h

  • Doxilaminna, 12,5 mg VO a cada 6 ou 8 horas (pode ser tomada em acréscimo à vitamina B6)

  • Prometazina 12,5 a 25 mg por via oral, IM ou retal, a cada 4 a 8 horas

  • Metoclopramida 5 a 10 mg IV ou por via oral, a cada 8 horas

  • Ondansetrona 8 mg VO ou IM a cada 12 horas

  • Proclorperazina 5 a 10 mg por via oral ou IM a cada 3 a 4 horas

Após a resolução dos vômitos e da desidratação, pequenas quantidades de líquidos por via oral são dadas. As pacientes que não conseguem tolerar líquidos orais após a reidratação intravenosa e antieméticos podem necessitar de manutenção da internação ou terapia IV em casa e nenhuma administração oral por longos períodos (algumas vezes, dias ou mais). À medida que as pacientes passam a tolerar líquidos, podem iniciar a ingestão de pequenas quantidades de alimentos e refeições brandas, expandindo-se a dieta à medida que é tolerada. A terapia com vitaminas intravenosas é necessária inicialmente, até que possam ser ingeridas por via oral.

Se o tratamento é ineficaz, pode-se tentar corticoides; p. ex., metilprednisolona 16 mg, a cada 8 horas, por via oral ou IV pode ser administrada durante 3 dias, então reduzida ao longo de 2 semanas até a menor dose efetiva. Os corticoides devem ser menos usados por < 6 semanas e com extremo cuidado. Não devem ser usados durante a organogênese fetal (entre 20 e 56 dias após a fertilização); o uso desses fármacos durante o 1º trimestre é fracamente associado às fissuras faciais. O mecanismo do efeito dos corticoides sobre náuseas não é claro. Nos casos extremos, a nutrição parental total (NPT) tem sido utilizada, embora seu uso geralmente seja desencorajado.

Se ocorrerem perda ponderal progressiva, icterícia ou taquicardia persistente, apesar do tratamento, pode-se oferecer a finalização da gestação.

Pontos-chave

  • Hiperemese gravídica, diferentemente de enjoo matinal, pode causar perda ponderal, cetose, desidratação e, às vezes, alterações eletrolíticas.

  • Excluir outros distúrbios que podem provocar vômitos com base nos sintomas da mulher.

  • Determinar a gravidade medindo eletrólitos séricos, cetonas na urina, ureia, creatinina e peso corporal.

  • Suspender inicialmente a ingestão oral, dar líquidos e nutrientes IV restaurar a ingestão oral de forma gradual e administrar antieméticos conforme necessário.

Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família
Profissionais também leram

Também de interesse

MÍDIAS SOCIAIS

PRINCIPAIS