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Síndrome estafilocócica da pele escaldada

Por

A. Damian Dhar

, MD, JD, North Atlanta Dermatology

Última modificação do conteúdo set 2019
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A síndrome da pele escaldada estafilocócica é uma epidermólise aguda causada por uma toxina estafilocócica. Os neonatos e as crianças são os mais suscetíveis. Os sintomas são: bolhas disseminadas com desprendimento da epiderme. O diagnóstico baseia-se no exame clínico e, às vezes, biópsia. O tratamento consiste em cuidados locais e antibióticos antiestafilocócicos. O prognóstico é excelente com o tratamento no momento oportuno.

A síndrome da pele escaldada estafilocócica quase sempre atinge crianças com < 6 anos (especialmente lactentes); raramente ocorre em pacientes mais velhos, exceto em caso de insuficiência renal ou comprometimento imunitário. As epidemias podem ser observadas em berçários, presumivelmente transmitidas pelas mãos das pessoas em contato com um lactente infectado ou portadores de Staphylococcus aureus nasais. Casos esporádicos também podem ocorrer.

Síndrome estafilocócica da pele escaldada é causada por estafilococos do grupo II coagulase-positivos, geralmente do fago de tipo 71, que elabora a esfoliatina (também denominada epidermolisina), uma toxina que divide a parte superior da epiderme um pouco abaixo da camada granular tendo como alvo a desmogleína-1 ( Infecções estafilocócicas). A infecção primária geralmente se inicia nos primeiros dias de vida no coto umbilical ou na região das fraldas; em crianças maiores, a face é a localização típica. As toxinas produzidas nessas áreas penetram na circulação e afetam toda a pele.

Sinais e sintomas

Em geral, a lesão inicial é superficial e crostosa. Em 24 horas, a pele circundante se torna dolorosa e escarlate, disseminando-se rapidamente para outras áreas. A pele fica flácida e tem aspecto enrugado, com consistência semelhante a papel. Grandes bolhas flácidas surgem na pele eritematosa e se rompem rapidamente, formando erosões. Bolhas estão frequentemente presentes em áreas de atrito, como áreas intertriginosas, região glútea, mãos e pés. Bolhas intactas se estendem lateralmente com uma pressão suave (sinal de Nikolsky). A epiderme desprende-se facilmente, muitas vezes em grandes camadas. Uma extensa descamação ocorre em 36 a 72 horas, e os pacientes tornam-se muito enfermos com manifestações sistêmicas (p. ex., mal-estar, calafrios e febre). As áreas descamadas têm aspecto de queimadura. A perda da barreira protetora da pele conduz a sepse e desequilíbrio hidroeletrolítico.

Manifestações da síndrome da pele escaldada estafilocócica (SPEE)

Diagnóstico

  • Biópsia

  • Obter culturas das áreas suspeitas de causarem a infecção primária

O diagnóstico baseia-se na suspeita clínica, mas a confirmação exige, em geral, uma biópsia (por congelação o resultado é mais rápido). Há desprendimento superficial da epiderme sem inflamação.

Deve-se fazer cultura da conjuntiva, nasofaringe, sangue, urina e áreas de possível infecção primária, como o umbigo em um neonato ou lesões cutâneas suspeitas. As culturas não devem ser obtidas das bolhas porque são estéreis, diferentemente do impetigo bolhoso, no qual culturas do líquido na bolha revelam o patógeno.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial engloba hipersensibilidade a fármacos, exantemas virais, escarlatina, queimaduras térmicas, doenças bolhosas genéticas (p. ex., alguns tipos de epidermólise bolhosa), doenças bolhosas adquiridas (p. ex., pênfigo vulgar, penfigoide bolhoso) e necrólise epidérmica tóxica [[ Diferenças entre síndrome estafilocócica da pele escaldada (SEPE) e necrólise epidérmica tóxica (NET) e ver síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica (NET)]. As superfícies mucosas são poupadas na SEPE; mas são afetadas na síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica.

Tabela
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Diferenças entre síndrome estafilocócica da pele escaldada (SEPE) e necrólise epidérmica tóxica (NET)

Característica

SEPE

NET

Pacientes acometidos

Recém-nascidos, crianças e adultos imunodeprimidos

Pacientes idosos

História do paciente

Infecção estafilocócica recente

Uso de fármacos, insuficiência renal

Nível de clivagem da epiderme (formação de bolha)*

Na camada granular (mais externa) da epiderme

Entre a epiderme e a derme ou no nível da camada basal

* Determinado pelo teste de Tzanck ou por tecido congelado de um fragmento recente.

Tratamento

  • Antibióticos

  • Curativos com géis em lesões exsudativas

A morte raramente ocorre se o diagnóstico for rápido e instituído o tratamento; a camada córnea é rapidamente substituída e a cura, observada em 5 a 7 dias após o início do tratamento.

Administram-se imediatamente antibióticos IV antiestafilocócicos penicilinase-resistentes. Nafcilina, 12,5 a 25 mg/kg IV, a cada 6 h, para recém-nascidos com > 2 kg, e 25 a 50 mg/kg, para crianças maiores, é administrada até se observar melhora, seguida por cloxacilina por via oral, 12,5 mg/kg, a cada 6 horas (para recém-nascidos e crianças pesando 20 kg), e 250 a 500 mg, a cada 6 horas (para crianças maiores). Considerar vancomicina, linezolida ou outros antibióticos eficazes contra MRSA em áreas com alta prevalência de S. aureus resistente à meticilina (MRSA) ou para os pacientes que não respondem ao tratamento inicial. Os corticoides são contraindicados.

Emolientes (p. ex., vaselina branca) são às vezes usados para evitar perda adicional de água insensível da pele ulcerada. Mas a terapia tópica e o manuseio do paciente deve ser mínimos.

Se a doença for disseminada e as lesões secretoras, a pele deverá ser tratada como queimaduras. Curativos de polímeros hidrolisados em gel podem ser úteis, sem troca frequente dos curativos.

Os passos para detectar portadores e prevenir ou tratar epidemias em berçários estão descritos em outras partes (ver Prevenção de infecção hospitalar em neonatos).

Pontos-chave

  • Descamação generalizada e doença sistêmica na maioria das vezes são causadas pela necrólise epidérmica tóxica em pacientes mais velhos e na síndrome da pele escaldada estafilocócica (SPEE) em lactentes e crianças pequenas (e, ocasionalmente, em adultos imunocomprometidos).

  • Fazer biópsia e cultura da conjuntiva, nasofaringe, sangue, urina e áreas de possível infecção primária, como o umbigo e lesões cutâneas suspeitas.

  • Tratar os pacientes com antibióticos antiestafilococos e, se a doença estiver disseminada, encaminhar para uma unidade de queimadura se possível.

  • Monitorar e tratar complicações semelhantes àquelas que ocorrem com queimaduras (p. ex., desequilíbrio hídrico e eletrolítico, sepse).

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