Depressão

PorWilliam Coryell, MD, University of Iowa Carver College of Medicine
Revisado porMark Zimmerman, MD, South County Psychiatry
Revisado/Corrigido: modificado jan. 2026
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Fatos rápidos

A depressão é um sentimento de tristeza, vazio ou irritabilidade que se torna um transtorno quando é intensa o suficiente para interferir no dia a dia.

  • Fatores hereditários, efeitos colaterais de medicamentos, eventos emocionalmente angustiantes, alterações dos níveis de hormônios ou outras substâncias no corpo e outros fatores podem contribuir para a depressão.

  • A depressão pode fazer com que a pessoa fique triste e sem energia e/ou que perca todo o interesse e prazer em atividades de que costumava gostar.

  • Os médicos baseiam o diagnóstico nos sinais e nos sintomas.

  • Medicamentos antidepressivos, psicoterapia e, às vezes, eletroconvulsoterapia podem ajudar.

(Consulte também Considerações gerais sobre transtornos de humor.)

A depressão é o segundo transtorno de saúde mental mais frequente (a ansiedade é o mais frequente). Aproximadamente 13% das pessoas que consultam um profissional de atenção primária preenchem os critérios para um diagnóstico de depressão maior.

A depressão normalmente surge em meados da adolescência ou ao redor dos 20 ou 30 anos; no entanto, a depressão pode começar praticamente em qualquer idade, incluindo durante a infância (consulte também Depressão e transtornos de regulação do humor em crianças e adolescentes).

Um episódio de depressão não tratado costuma durar cerca de seis meses, mas, às vezes, prolonga-se por dois anos ou mais. Os episódios tendem a se repetir diversas vezes ao longo da vida.

O termo “depressão” costuma ser usado para descrever o humor triste ou desencorajado que resulta de eventos emocionalmente estressantes, como um desastre natural, uma doença séria ou a morte de um ente querido. É possível também que a pessoa diga que se sente “deprimida” em determinados momentos, como nas festas de fim de ano (tristeza de fim de ano) ou no aniversário da morte de um ente querido. No entanto, esses sentimentos normalmente não representam um transtorno. Geralmente, esses sentimentos de tristeza, desmoralização e decepção são temporários, durando dias em vez de semanas ou meses, e ocorrem em ondas que tendem a estar ligadas a pensamentos ou lembranças do evento angustiante. Além disso, esses sentimentos não interferem substancialmente com a funcionalidade durante qualquer período de tempo.

A depressão afeta muitos adultos mais velhos. Alguns idosos já tiveram depressão antes. Outras a desenvolveram pela primeira vez depois de idosas.

Causas da depressão em idosos

Algumas causas de depressão podem ser mais comuns em idosos. Por exemplo, os idosos possivelmente têm mais propensão a vivenciarem eventos emocionalmente angustiantes que envolvem uma perda, como a morte da pessoa amada ou a perda de uma vizinhança familiar, como na mudança para outro local. Outras fontes de estresse, como a redução da renda, piora de uma doença crônica, perda gradativa da independência ou isolamento social, também podem contribuir para a doença.

Doenças que podem levar à depressão são comuns em idosos. Essas doenças incluem câncer, ataque cardíaco, insuficiência cardíaca, doenças da tireoide, acidente vascular cerebral, demência e doença de Parkinson.

Depressão versus demência

A depressão em idosos pode causar sintomas que se assemelham aos da demência: pensamento mais lento, diminuição da concentração, confusão e problemas de memória em vez da tristeza que as pessoas costumam associar com a depressão. No entanto, o médico consegue diferenciar entre depressão de demência, porque quando a depressão é tratada, a pessoa com depressão recupera sua função mental. Isso não ocorre em pessoas com demência. Além disso, a pessoa com depressão pode se queixar amargamente sobre a sua perda de memória, mas raramente esquece importantes acontecimentos atuais ou assuntos pessoais. Pelo contrário, as pessoas com demência geralmente negam perda de memória.

Diagnóstico da depressão em idosos

A depressão é muitas vezes difícil de ser diagnosticada em idosos devido a vários fatores:

  • É possível que os sintomas sejam menos perceptíveis, porque o idoso possivelmente não trabalha ou tem uma quantidade menor de interações sociais.

  • Algumas pessoas acreditam que a depressão é uma fraqueza e relutam em contar a outras pessoas que elas estão sentindo tristeza ou outros sintomas.

  • A ausência de emoção pode ser interpretada como indiferença em vez de depressão.

  • É possível que a família e amigos considerem os sintomas de uma pessoa com depressão simplesmente como algo esperado conforme a pessoa envelhece.

  • Os sintomas podem ser atribuídos a outro transtorno, como a demência.

Como pode ser difícil identificar a depressão, muitos médicos rotineiramente fazem perguntas aos idosos sobre seu humor. As pessoas da família devem ficar atentas a mudanças de personalidade sutis, especialmente perda de entusiasmo e espontaneidade, perda do senso de humor e esquecimento de fatos recentes.

Causas e fatores de risco da depressão

A causa exata da depressão não está clara, mas uma série de fatores podem tornar a depressão mais provável. Os fatores de risco incluem

  • Uma tendência familiar (hereditariedade)

  • Eventos emocionalmente angustiantes, especialmente os que envolvem uma perda

  • Sexo feminino

  • Alguns problemas de saúde geral

  • Efeitos colaterais de alguns medicamentos

A depressão não reflete uma fraqueza de caráter ou a falta de tentar se sentir melhor. A classe social, a origem étnica e fatores culturais aparentemente não exercem influência sobre a possibilidade de uma pessoa ter depressão ao longo da vida.

Fatores genéticos contribuem para a depressão em cerca de um terço a metade das pessoas que a sofrem. Por exemplo, a depressão é mais comum entre irmãos, pais e filhos (particularmente em gêmeos idênticos) de pessoas com depressão. Os fatores genéticos podem afetar o funcionamento de substâncias que ajudam as células nervosas a se comunicarem (neurotransmissores). Serotonina, dopamina, norepinefrina, glutamato e acetilcolina são neurotransmissores que podem estar envolvidos na depressão.

Outros fatores incluem os sistemas hormonais que regulam as glândulas tireoide, suprarrenais e pituitária; influências ambientais que podem ativar ou desativar certos genes, como a exposição a traumas repetidos na infância; e estressores significativos da vida, como a perda de um ente querido.

As mulheres são mais propensas a apresentarem depressão que os homens, embora as explicações para esse fato não sejam claras. Entre os fatores físicos, os hormônios são os mais associados à depressão. Alterações nos níveis hormonais podem causar alterações no humor um pouco antes da menstruação (como parte da síndrome pré-menstrual), durante a gravidez, depois do parto e durante a menopausa. Algumas mulheres ficam deprimidas durante a gravidez ou durante as quatro primeiras semanas após o parto (melancolia pós-parto ou, se a depressão for mais séria, depressão pós-parto). A função anormal da tireoide, que ocorre com bastante frequência em mulheres, pode ser outro fator.

Pessoas transgênero e não binárias parecem apresentar taxas de depressão mais elevadas do que pessoas cisgênero.

Os transtornos do humor também podem estar associados a alterações sazonais. Por exemplo, muitas pessoas afirmam que se sentem mais tristes no final do outono e no inverno e atribuem essa tendência à diminuição das horas de luz natural e às temperaturas mais baixas. No entanto, em algumas pessoas, essa tristeza é grave o bastante para ser considerada um tipo de depressão (chamada de transtorno afetivo sazonal).

A depressão pode se manifestar concomitantemente ou ser causada por vários fatores e problemas de saúde geral. Esses problemas de saúde podem causar depressão diretamente (por exemplo, quando um distúrbio da tireoide afeta os níveis hormonais) ou indiretamente (por exemplo, quando a artrite reumatoide provoca dor e incapacidade). Com frequência, uma doença causa a depressão tanto direta quanto indiretamente. Por exemplo, uma infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) pode danificar o cérebro e causar depressão diretamente. Formas menos avançadas de infecção pelo HIV também podem causar depressão indiretamente, por terem um efeito negativo geral na vida da pessoa, desde o diagnóstico até o estágio avançado da infecção.

O uso de alguns medicamentos com receita médica, como alguns betabloqueadores (usados para tratar hipertensão arterial), pode causar depressão. Por razões desconhecidas, os esteroides (também chamados de corticosteroides ou glicocorticoides) provocam depressão com frequência quando o corpo os produz em grandes quantidades no contexto de um transtorno (como na síndrome de Cushing), mas quando administrados como um medicamento, eles tendem a causar hipomania (uma forma menos grave de mania) ou, raramente, mania. Algumas vezes, interromper a administração do medicamento pode causar depressão temporária.

Vários transtornos de saúde mental podem predispor uma pessoa à depressão. Eles incluem determinados transtornos de ansiedade, o transtorno por uso de álcool, outros transtornos por uso de substâncias e a esquizofrenia. Pessoas que já tiveram depressão têm mais propensão a tê-la novamente.

Eventos emocionalmente angustiantes, como a perda de um ente querido e adversidades crônicas, como as causadas por bullying, estresse socioeconômico e experiências adversas na infância, podem, por vezes, desencadear depressão. No entanto, a depressão geralmente só é observada em pessoas que têm predisposição para a condição, como aquelas que têm familiares com depressão. A depressão pode surgir ou piorar sem nenhum motivo aparente ou significativo.

Tabela
Tabela

Sintomas da depressão

Os sintomas da depressão em geral se desenvolvem gradativamente ao longo de dias ou semanas e podem variar muito. Por exemplo, uma pessoa que esteja se tornando depressiva pode ter um comportamento apático e triste ou irritável e ansioso.

Muitas pessoas com depressão não conseguem sentir emoções – incluindo luto, alegria e prazer – de forma normal. O mundo parece ter menos cores e menos vida. A pessoa perde o interesse ou o prazer em atividades de que costumava gostar.

É possível que a pessoa com depressão fique preocupada com intensos sentimentos de culpa e autodestrutivos e talvez não consiga se concentrar. Ela pode ter sentimentos de desespero, solidão e inutilidade. Essas pessoas costumam ser indecisas e retraídas, sentem-se desamparadas sem esperança e pensam em morte e em suicídio.

A maioria das pessoas com depressão tem dificuldade para adormecer e despertam repetidas vezes, principalmente de madrugada. Algumas pessoas com depressão dormem mais que o habitual.

A falta de apetite e a perda de peso podem causar emaciação e, no caso das mulheres, é possível que a menstruação pare de vir. No entanto, a alimentação excessiva e o aumento de peso são comuns em pessoas com depressão leve.

Algumas pessoas com depressão negligenciam a higiene pessoal ou mesmo seus filhos, outros entes queridos ou animais de estimação. Algumas pessoas se queixam de ter uma doença física, com vários sofrimentos e dores.

Transtorno depressivo maior

A pessoa com transtorno depressivo grave (formalmente chamado de transtorno depressivo unipolar) fica deprimida na maior parte do dia por, no mínimo, duas semanas. Os sintomas específicos incluem humor deprimido, perda ou ganho de peso, fadiga, distúrbios do sono, movimentos agitados ou lentos, sentimentos de inutilidade ou culpa, dificuldade de raciocínio e ideação ou comportamento suicida. Os olhos podem ficar cheios de lágrimas, as sobrancelhas podem estar franzidas e os cantos da boca podem estar voltados para baixo. É possível que ela se sinta desanimada e evite contato ocular. É possível que ela praticamente não se mova, mostre pouca expressão facial e converse de forma monotônica.

Você sabia que...

  • A depressão envolve mais coisas do que ficar triste o tempo todo: A pessoa pode se sentir inútil e culpada, perder o interesse nos seus prazeres habituais, ter problemas de sono, perder ou ganhar peso.

Transtorno depressivo persistente

Uma pessoa com transtorno depressivo persistente fica deprimida a maior parte do tempo por dois anos ou mais.

Os sintomas começam de modo gradativo, frequentemente durante a adolescência, e podem durar anos ou décadas. Esses sintomas incluem humor deprimido, fadiga, alterações no apetite, distúrbios do sono, movimentos agitados ou lentos, baixa autoestima, sentimentos de desesperança e dificuldade de concentração. A quantidade de sintomas presentes concomitantemente varia e, às vezes, os sintomas são mais leves que os da depressão grave.

Pessoas com esse transtorno podem ser melancólicas, pessimistas, céticas, sem senso de humor e hipercríticas. Algumas são passivas, sem energia e introvertidas. Ela reclama constantemente e é rápida em criticar os outros e censurar a si mesma. Ela se preocupa com a inadequação, o fracasso e com acontecimentos negativos, ao ponto de chegar a desfrutar morbidamente dos seus próprios fracassos.

Transtorno disfórico pré-menstrual

Sintomas graves ocorrem antes da maioria dos períodos menstruais e desaparecem quando terminam. Os sintomas causam angústia substancial e/ou interferem bastante no desempenho de funções. Os sintomas são semelhantes aos da síndrome pré-menstrual, mas são mais graves, causando grande angústia e interferindo com o desempenho de funções no trabalho e interações sociais.

O transtorno disfórico pré-menstrual pode surgir em qualquer momento depois da primeira menstruação. Ele pode piorar conforme as mulheres se aproximam da menopausa, mas termina após a menopausa. Ele ocorre em cerca de 1% a 6% das mulheres que estão menstruando.

As mulheres com transtorno disfórico pré-menstrual apresentam alterações de humor e ficam tristes e chorosas subitamente. Elas ficam irritáveis e se zangam com facilidade. Elas ficam bastante deprimidas, sem esperança, ansiosas e se sentem no limite. Elas podem se sentir sobrecarregadas ou sem controle.

Assim como com outros tipos de depressão, mulheres com esse transtorno podem perder o interesse em suas atividades normais, ter dificuldade para se concentrar e se sentir cansadas e sem energia. Elas podem comer em excesso ou ter compulsão por certos alimentos. Elas podem dormir pouco ou muito.

Sintomas físicos como dor nas articulações, sensação de inchaço, sensibilidade nas mamas ou ganho de peso também podem estar presentes.

Transtorno do luto persistente

O luto persistente é quando ocorre uma tristeza persistente após a perda de um ente querido. Ele difere da depressão quanto ao fato de que a tristeza se refere especificamente à perda, em vez de os sentimentos generalizados de tristeza e falência associados à depressão.

O luto persistente é considerado presente quando o luto (demonstrado por uma saudade e/ou preocupação com o falecido persistentes) é de longa duração (no mínimo 12 meses), é sentido o tempo todo e é mais profundo que aquele considerado típico pela cultura da pessoa. Ele também deve ser acompanhado por três ou mais dos quesitos a seguir, durante no mínimo um mês, a ponto de ser angustiante ou incapacitante:

  • Sensação de confusão de identidade (por exemplo, sentir que uma parte de si morreu)

  • Não acreditar que a pessoa morreu

  • Evitar lembretes da perda

  • Dor emocional intensa (por exemplo, dor relacionada à morte)

  • Dificuldade em participar da vida em andamento

  • Sensação de amortecimento

  • Sensação de que nada faz sentido

  • Solidão intensa

Outros transtornos e condições associados a transtornos depressivos incluem o uso de substâncias e maior suscetibilidade ao câncer e a doenças cardiovasculares.

Uso de substâncias

A pessoa com depressão tem mais propensão a usar álcool ou outros entorpecentes para tentar dormir ou se sentir menos ansiosa. Contudo, a depressão dá origem ao transtorno relacionado ao uso de álcool ou a outros transtornos por uso de substâncias com menos frequência do que se pensava.

A pessoa tem mais propensão para fumar muito e descuidar da sua saúde. Por isso, aumenta o risco de a pessoa desenvolver ou piorar outras doenças, como doença pulmonar obstrutiva crônica.

Outros efeitos da depressão

A depressão pode diminuir a capacidade de o sistema imunológico responder a corpos estranhos ou nocivos, como micro-organismos ou células cancerosas. Assim, a pessoa com depressão pode ser mais propensa a desenvolver infecções.

A depressão aumenta o risco de apresentar distúrbios do coração e dos vasos sanguíneos (como ataques cardíacos) e AVC. O motivo pode ser que a depressão causa algumas alterações físicas que aumentam este risco. Por exemplo, o corpo produz uma quantidade maior de substâncias que causam a coagulação do sangue (fatores de coagulação) e ocorre a diminuição da capacidade do coração de mudar a frequência de seus batimentos em resposta a diferentes situações.

Triagem para depressão

É possível que o médico peça à pessoa que responda questionários padronizados para ajudar a identificar a depressão e determinar a sua gravidade, mas eles não podem ser usados isoladamente para diagnosticar a depressão. Dois exemplos desses questionários são o Questionário de saúde do paciente-9 (Patient Health Questionnaire-9, PHQ-9) e o Inventário de depressão de Beck. Por sua vez, o questionário da Escala de Depressão Geriátrica é aplicado aos idosos. O médico também pergunta à pessoa se ela tem qualquer pensamento ou plano de causar lesões a si mesma. Esses pensamentos indicam que a depressão é grave.

O diagnóstico da depressão

  • Avaliação de um médico com base em critérios de diagnóstico psiquiátrico padrão

  • Exames para identificar doenças que podem causar a depressão

Em geral, é possível que o médico diagnostique uma depressão a partir dos sintomas. Os médicos utilizam listas específicas de sintomas (critérios) para diagnosticar os diferentes tipos de transtornos depressivos. Para ajudar a diferenciar entre a depressão e alterações comuns no humor, o médico determina se os sintomas estão causando angústia significativa ou prejudicando a capacidade de a pessoa desempenhar suas atividades. Antecedentes de depressão ou histórico familiar de depressão ajudam a dar respaldo ao diagnóstico.

Na depressão, é frequente a pessoa manifestar preocupação excessiva, ataques de pânico e obsessão, sintomas que podem levar o médico a pensar erroneamente que a pessoa tem um transtorno de ansiedade.

Pode ser difícil detectar a depressão em idosos, sobretudo em pessoas que não trabalham ou que têm pouca interação social (consulte ). Além disso, a depressão pode ser confundida com demência, porque pode causar sintomas semelhantes, como confusão e dificuldade de concentração e de pensar claramente. No entanto, quando esses sintomas são causados por depressão, eles desaparecem quando a depressão é tratada. Quando a demência é a causa, eles não desaparecem.

Exames

Não existe nenhum exame que consiga confirmar a depressão. Entretanto, exames laboratoriais podem ajudar o médico a determinar se a depressão é causada por uma doença hormonal ou outro distúrbio físico. Por exemplo, geralmente são feitos exames de sangue para detectar uma doença de tireoide ou deficiência de vitaminas. É possível que sejam feitos exames para detectar o uso de entorpecentes.

Um exame neurológico completo é feito para detectar a doença de Parkinson, que causa alguns dos mesmos sintomas.

No caso de pessoas com distúrbios do sono graves, talvez seja necessário fazer exames de sono (polissonografia) para diferenciar os distúrbios do sono da depressão.

Tratamento da depressão

  • Apoio

  • Psicoterapia

  • Medicamentos, principalmente antidepressivos

  • Às vezes, terapia eletroconvulsiva ou estimulação magnética transcraniana.

A maioria das pessoas com depressão não precisa de hospitalização. No entanto, às vezes, a pessoa deve ser hospitalizada, sobretudo se ela já considerou ou tentou cometer suicídio, se estiver demasiado fraca pela perda de peso ou se houver risco de problemas cardíacos devido à agitação grave.

O tratamento depende da gravidade e do tipo de depressão:

  • Depressão leve: Terapia de suporte (incluindo visitas frequentes ao médico e educação) e psicoterapia

  • Depressão moderada a grave: Medicamentos, psicoterapia ou ambos e, às vezes, eletroconvulsoterapia

  • Depressão sazonal: Fototerapia

  • Transtorno do luto persistente: Psicoterapia adaptada para esse transtorno

A depressão em geral pode ser tratada com sucesso. Se a causa (por exemplo, um medicamento ou outra doença) puder ser identificada, ela é corrigida primeiro, mas também poderão ser necessários medicamentos para tratar a depressão.

Apoio

O médico explica à pessoa com depressão e à sua família que a depressão tem causas físicas e necessita de tratamento específico, que normalmente é eficaz. O médico a tranquiliza dizendo que a depressão não reflete uma falha de caráter, como fraqueza. É importante que as pessoas da família entendam o transtorno, estejam envolvidas no tratamento e prestem apoio.

Compreender a depressão pode ajudar a pessoa a entender e a lidar com o transtorno. Por exemplo, a pessoa entende que o caminho para a recuperação geralmente é complicado e que episódios de tristeza e pensamentos obscuros podem ocorrer novamente, mas que têm fim. Dessa forma, as pessoas conseguem colocar qualquer retrocesso em perspectiva e ficam mais propensas a continuar o tratamento e não desistir.

Tornar-se mais ativo, caminhando e exercitando-se regularmente, pode ajudar, assim como interagir mais com outras pessoas.

Grupos de apoio (como a Aliança de Apoio a Pacientes com Depressão e Transtorno Bipolar [Depression and Bipolar Support Alliance] – DBSA) podem ajudar oferecendo um fórum para compartilhar experiências e sentimentos comuns.

Psicoterapia

A psicoterapia em si pode ser tão eficaz quanto a farmacoterapia no caso de depressão leve. Quando usada com medicamentos, a psicoterapia pode ser útil para depressão grave.

A psicoterapia individual ou de grupo pode ajudar a pessoa depressiva a retomar de modo gradual suas antigas responsabilidades e a adaptar-se às pressões normais da vida. A terapia interpessoal se concentra nos papéis sociais passados e presentes da pessoa, identifica problemas com o modo como a pessoa interage com outras pessoas e oferece orientação conforme a pessoa se ajusta às alterações nos papéis da vida. A terapia cognitivo-comportamental pode ajudar a eliminar o desespero e os pensamentos negativos. A terapia baseada em atenção plena, que incorpora a autoconsciência à terapia cognitivo-comportamental, e a terapia psicodinâmica, que se concentra em conflitos inconscientes e experiências da primeira infância, são outros tipos de psicoterapias utilizadas para pessoas com depressão.

Medicamentos para depressão

Vários tipos de antidepressivos estão disponíveis (consulte a tabela ). Eles incluem os seguintes:

Eletroconvulsoterapia

A eletroconvulsoterapia (antigamente chamada de terapia de choque) é usada às vezes no tratamento de pessoas com depressão grave, sobretudo quando em pessoas com psicose, bem como aquelas que ameaçam cometer suicídio ou se recusam a comer. Ela também é usada para tratar a depressão durante a gravidez quando os medicamentos não são eficazes.

Esse tipo de terapia costuma ser muito eficaz e pode aliviar a depressão rapidamente, ao contrário da maior parte dos antidepressivos que podem demorar várias semanas até surtirem efeito. A velocidade com que faz efeito pode salvar vidas. Após a interrupção da eletroconvulsoterapia, episódios de depressão podem voltar a ocorrer. Para evitá-los, o médico geralmente receita antidepressivos.

Na eletroconvulsoterapia, são colocados eletrodos na cabeça do paciente e é aplicada uma corrente elétrica para induzir uma convulsão no cérebro. Por razões desconhecidas, as crises convulsivas aliviam a depressão. Geralmente, são administrados pelo menos de 6 a 10 tratamentos (1 tratamento em dias alternados).

Como a corrente elétrica pode provocar contrações musculares e dor, é aplicada uma rápida anestesia geral durante os tratamentos. É possível que a eletroconvulsoterapia provoque alguma perda de memória temporária, mas raramente permanente.

Fototerapia (terapia com luz)

A fototerapia que usa banhos de luz é o tratamento mais eficaz contra a depressão sazonal, mas também pode ser útil para outros tipos de transtornos depressivos.

A fototerapia envolve sentar-se a uma distância específica de uma caixa de luz que emite luz com a intensidade necessária. A pessoa é orientada a não olhar diretamente para a luz e a permanecer em frente da luz por 30 a 60 minutos por dia. A fototerapia pode ser realizada em casa.

Se as pessoas dormem e acordam tarde, a fototerapia é mais eficaz pela manhã e, às vezes, complementada com 5 a 10 minutos de exposição entre 15h e 19h. Se a pessoa dorme cedo e acorda cedo, a fototerapia é mais eficaz no período entre o final da tarde e o começo da noite.

Outras terapias

Psicoestimulantes, tais como a dextroanfetamina e o metilfenidato, entre outros medicamentos, são às vezes utilizados, geralmente em combinação com antidepressivos. Os psicoestimulantes são usados para aumentar o estado de alerta mental e a conscientização.

A erva-de-são-joão, um suplemento alimentar à base de ervas, às vezes é usada para aliviar a depressão leve a moderada, embora estudos não tenham comprovado sua eficácia no tratamento da depressão mais grave. Contudo, devido a interações potencialmente nocivas entre a erva-de-são-joão e muitos medicamentos com receita médica, as pessoas interessadas em tomar esse suplemento fitoterápico deverão discutir as possíveis interações medicamentosas com o seu médico.

É possível tentar outras terapias que estimulam o cérebro quando os tratamentos iniciais forem ineficazes. Incluem

  • Estimulação magnética transcraniana repetitiva

  • Estimulação do nervo vago

  • Estimulação cerebral profunda

Espera-se que as células estimuladas liberem mensageiros químicos (neurotransmissores), que ajudam a controlar o humor e assim aliviar sintomas de depressão. Essas terapias podem ajudar as pessoas com depressão grave que não apresentam resposta a medicamentos ou psicoterapia.

Na estimulação magnética transcraniana repetitiva, uma bobina eletromagnética é colocada sobre a testa próxima a uma área do cérebro que se considera estar envolvida com a regulação do humor. O eletroímã gera pulsos magnéticos não dolorosos que, de acordo com os médicos, estimulam as células nervosas na área alvo do cérebro. Os efeitos colaterais mais comuns são cefaleias e desconforto no couro cabeludo próximo ao local onde a bobina foi colocada.

Para a estimulação do nervo vago, implanta-se um dispositivo semelhante a um marca-passo cardíaco (estimulador do nervo vago) sob a clavícula esquerda e liga-se ao nervo vago no pescoço com um cabo sob a pele. (O par de nervos vagos sai do tronco encefálico, localizado na base do crânio, passa pelo pescoço e nas laterais do tórax e abdômen até chegar a órgãos, como o coração e os pulmões.) O aparelho é programado para estimular periodicamente o nervo vago por meio de um sinal elétrico indolor. Este tratamento pode ser útil para depressão quando outros tratamentos forem ineficazes, mas geralmente leva entre três e seis meses para começar a fazer efeito. As reações adversas da estimulação do nervo vago incluem rouquidão, tosse e mudanças no tom de voz quando o nervo é estimulado.

A estimulação profunda do cérebro, que usa eletrodos implantados para atingir áreas específicas do cérebro que desempenham papéis na regulação emocional e nas respostas biológicas automáticas ligadas a emoções, tem demonstrado resultados promissores.

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