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Gigantismo e acromegalia

Por

Ian M. Chapman

, MBBS, PhD, University of Adelaide, Royal Adelaide Hospital

Última revisão/alteração completa ago 2019| Última modificação do conteúdo ago 2019
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Fatos rápidos
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A hiperprodução do hormônio do crescimento provoca crescimento excessivo. Em crianças, esse quadro clínico é chamado de gigantismo. Em adultos, é chamado de acromegalia.

  • O hormônio de crescimento excessivo é quase sempre provocado por um tumor da hipófise não canceroso (benigno).

  • As crianças desenvolvem grande estatura; os adultos desenvolvem ossos deformados, mas não crescem.

  • Insuficiência cardíaca, fraqueza e problemas de visão são comuns.

  • O diagnóstico é baseado em exames de sangue e de imagem do crânio e das mãos.

  • Tomografia computadorizada (TC) ou imagem por ressonância magnética (RM) da cabeça são realizadas para descobrir a causa.

  • Uma combinação de cirurgia, radioterapia e terapia medicamentosa é usada para tratar a superprodução do hormônio de crescimento.

O hormônio de crescimento é produzido pelo lobo anterior da hipófise. O hormônio do crescimento estimula o crescimento dos ossos, dos músculos e de muitos órgãos internos. O hormônio de crescimento excessivo, porém, leva ao crescimento anormalmente robusto de todos esses tecidos. A hiperprodução de hormônio de crescimento é quase sempre causada por um tumor da hipófise não canceroso (benigno) (adenoma). Determinados tumores raros do pâncreas e dos pulmões também podem produzir hormônios que estimulam a hipófise a produzir quantidades excessivas do hormônio do crescimento, com consequências semelhantes.

Sintomas

Caso uma produção excessiva de hormônio do crescimento tenha início durante a infância antes de as placas de crescimento (a área na extremidade dos ossos a partir das quais o crescimento ósseo ocorre) terem fechado, esse quadro clínico causa o gigantismo. Os ossos longos crescem exageradamente. A pessoa cresce até atingir uma altura excessiva e os braços e as pernas se alongam. É possível ocorrer um atraso da puberdade e os genitais podem não se desenvolver completamente.

Na maioria dos casos, a produção excessiva do hormônio do crescimento começa entre 30 e 50 anos de idade, muito depois de as placas de crescimento estarem fechadas. Portanto, o aumento do hormônio do crescimento em adultos não aumenta o comprimento dos ossos, mas causa acromegalia, situação onde há deformação dos ossos em vez de alongamento. Uma vez que essas alterações ocorrem lentamente, normalmente elas não são reconhecidas durante anos.

Você sabia que…

  • Uma mulher com acromegalia pode produzir leite materno mesmo que ela não esteja amamentando.

As características faciais da pessoa se tornam ásperas e as mãos e pés incham. Anéis mais largos, luvas, sapatos e chapéus são necessários. O crescimento excessivo do osso maxilar (mandíbula) pode fazer com que o maxilar se torne protuberante (prognatismo). A cartilagem da laringe pode se tornar mais espessa e fazer com que a voz se torne mais profunda e rouca. As costelas podem engrossar e criar um tórax em formato de barril. Dor nas articulações é comum. Uma artrite degenerativa incapacitante pode surgir após vários anos.

No gigantismo e na acromegalia, a língua pode aumentar e se tornar mais rugosa. Pelo corporal áspero, que frequentemente escurece, aumenta à medida que a pele engrossa. As glândulas sebáceas e sudoríparas da pele aumentam e produzem transpiração excessiva e, frequentemente, cheiro corporal desagradável.

O coração geralmente dilata e sua função pode estar tão gravemente prejudicada que causa insuficiência cardíaca.

Algumas vezes, uma pessoa sente sensações estranhas e fraqueza nos braços e nas pernas porque o alargamento dos tecidos comprime os nervos. Os nervos que transportam as mensagens dos olhos para o cérebro também podem ser comprimidos e provocar perda de visão, sobretudo nos campos visuais externos. A pressão no cérebro também pode causar dores de cabeça intensas.

Quase todas as mulheres com acromegalia têm ciclos menstruais irregulares. Algumas mulheres produzem leite materno mesmo quando não estão amamentando (galactorreia) devido ao aumento relacionado à prolactina. Aproximadamente um terço dos homens que tem acromegalia desenvolve disfunção erétil.

A pessoa também estará mais propensa a ter diabetes mellitus, pressão arterial elevada (hipertensão arterial), apneia do sono e determinados tumores que afetam, sobretudo, o intestino grosso, que podem se tornar cancerosos. A expectativa de vida é reduzida em pessoas com acromegalia não tratada.

Diagnóstico

  • Exames de sangue

  • Exames de diagnóstico por imagem

Inicialmente, um crescimento rápido em crianças pode não parecer anômalo. Contudo, a anormalidade do crescimento extremo se torna clara.

Uma vez que as mudanças induzidas por uma concentração elevada de hormônio do crescimento ocorrem lentamente em adultos, muitas vezes demora muitos anos desde o início dos primeiros sintomas até a acromegalia ser diagnosticada. Fotografias consecutivas (tiradas ao longo dos anos) podem ajudar o médico a definir o diagnóstico.

Um exame de imagem do crânio pode mostrar o espessamento dos ossos e um alargamento dos seios nasais. As radiografias das mãos evidenciam o espessamento dos ossos sob as pontas dos dedos e inchaço do tecido em torno dos ossos.

A glicose no sangue e a pressão arterial podem estar elevadas.

Uma tomografia computadorizada (TC) ou exame de imagem por ressonância magnética (RM) costuma ser realizado para detectar crescimentos anômalos na hipófise. Como a acromegalia costuma estar presente durante vários anos antes de ser diagnosticada, um tumor é observado nestes exames na maioria das pessoas.

O diagnóstico é confirmado por meio de exames de sangue, que normalmente revelam uma concentração elevada tanto do hormônio do crescimento como do fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1). Visto que o hormônio do crescimento é liberado em jatos rápidos e a concentração do hormônio de crescimento frequentemente varia drasticamente mesmo em pessoas sem acromegalia, um único resultado indicando uma concentração elevada de hormônio do crescimento no sangue não é suficiente para fazer um diagnóstico. O médico precisa administrar algo que normalmente conseguiria suprimir a concentração do hormônio do crescimento, geralmente uma bebida glicosada (exame oral de tolerância à glicose) e demonstrar que a supressão normal não ocorre. Esse exame não é necessário quando as características clínicas da acromegalia estiverem evidentes, a concentração de IGF-1 estiver elevada ou um tumor for detectado na hipófise por exame de TC ou RM.

Tratamento

  • Cirurgia

  • Radioterapia

  • Terapia medicamentosa

Não é fácil cessar ou reduzir a superprodução do hormônio do crescimento. Às vezes, o médico precisa usar uma combinação de cirurgia, radioterapia e tratamento farmacológico.

Cirurgia

A cirurgia para remover a hipófise, realizada por um cirurgião experiente, é atualmente considerada o melhor tratamento inicial para a maioria das pessoas com acromegalia provocada por tumor. Ele resulta em imediata redução do tamanho do tumor e da produção do hormônio do crescimento, mas frequentemente sem provocar deficiências em outros hormônios hipofisários.

Infelizmente, os tumores são frequentemente grandes no momento em que são encontrados e a cirurgia, por si só, não costuma produzir a cura. A radioterapia é utilizada frequentemente como tratamento complementar, sobretudo se uma quantidade substancial de tumor permanecer após a cirurgia e a acromegalia persistir.

Radioterapia

A radioterapia envolve o uso de irradiação por supertensão, que é menos traumática do que a cirurgia. Contudo, esse tratamento pode demorar vários anos para ter efeito completo e, muitas vezes, causar futuras deficiências de outros hormônios hipofisários, uma vez que o tecido normal também costuma ser afetado. Uma radioterapia mais direcionada, tal como a radiocirurgia estereotáxica, está sendo testada para acelerar os resultados e para preservar o tecido hipofisário normal.

Medicamentos

A terapia medicamentosa também pode ser usada para tratar uma redução na concentração do hormônio do crescimento. Os medicamentos mais eficazes são os que são formas da somatostatina, o hormônio que normalmente bloqueia a produção e a secreção do hormônio do crescimento. Esses medicamentos incluem a octreotida e os seus novos análogos de ação prolongada, que precisam ser administrados somente uma vez por mês. Esses medicamentos são eficazes no controle da acromegalia em muitas pessoas, contanto que sejam tomados continuamente (eles não têm efeito curativo). O seu uso foi limitado pela necessidade de injetá-los e por seu custo elevado. Isso pode mudar conforme a ação desses medicamentos fique mais prolongada e eles se tornem mais acessíveis.

Ocasionalmente, a bromocriptina e outros medicamentos relacionados proporcionam benefício, mas não são tão eficazes quanto a octreotida. Vários novos medicamentos bloqueadores do hormônio do crescimento, como o pegvisomante, agora estão disponíveis e podem ser úteis para pessoas que não apresentam resposta a medicamentos do tipo somatostatina.

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