Na quiropraxia (prática de manipulação corporal) acredita-se que a relação entre a estrutura da coluna vertebral e outras superfícies articulares e sua interação com o sistema nervoso é fundamental para manter ou restaurar a saúde. O principal método para restabelecer essa relação é a manipulação da coluna vertebral, outras articulações e tecidos moles. Quiropraxista podem realizar fisioterapia (p. ex., frio e calor, estimulação elétrica, estratégias de reabilitação), massagens, acupressão e podem recomendar exercícios, medidas ergonômicas e mudanças de estilo de vida.
Alguns quiropráticos enfatizam a medicina vitalista (a capacidade do corpo de se curar). Eles utilizam a manipulação para corrigir possíveis desalinhamentos nas vértebras em uma tentativa para restaurar o fluxo de energia vital (chamado inato) e assim curar a maioria dos distúrbios. Outros quiropraxistas rejeitam em vários graus essa noção; alguns restringem-se aos tratamentos musculoesqueléticos baseados em evidências.
Usos da quiropraxia
Evidência de qualidade moderada apoia a manipulação quiroprática para
Lombalgia (1, )
Um amplo estudo pragmático envolvendo militares dos EUA com dor lombar demonstrou que a incorporação de cuidados quiropráticos ao tratamento médico convencional resultou em melhora da qualidade de vida relacionada à saúde, da dor e da incapacidade, em comparação com o tratamento convencional isolado (3).
A quiropraxia às vezes é útil no tratamento de cefaleia, sobretudo a cervicogênica, embora os benefícios não sejam duradouros e evidências de mais alta qualidade sejam necessárias (4). A manipulação vertebral para dor cervical aguda pode ser eficaz, porém as evidências são escassas em termos de qualidade e quantidade (5).
Alguns quiropraxistas tratam outras doenças (p. ex., asma, enurese, torcicolo e otite média em crianças), embora existam poucos estudos de boa qualidade sobre a quiropraxia como tratamento para essas doenças, e esses estudos não respaldam a eficácia.
Possíveis efeitos adversos
Complicações graves resultantes da manipulação da coluna (p. ex., dor lombar, lesão em nervos cervicais e lesão nas artérias do pescoço) são raras (6). A manipulação espinal não é recomendada em pacientes com osteoporose ou sintomas de neu- ropatias (p. ex., parestesias ou perda de força em um membro). Ainda não está claro se a manipulação é segura para pacientes que foram submetidos a cirurgia espinal, que tiveram acidente vascular cerebral ou que têm doença vascular.
Referências
1. Coulter ID, Crawford C, Hurwitz EL, et al. Manipulation and mobilization for treating chronic low back pain: a systematic review and meta-analysis. Spine J.18(5):866-879, 2018. doi: 10.1016/j.spinee.2018.01.013
2. Walker BF, French SD, Grant W, Green S. A Cochrane review of combined chiropractic interventions for low-back pain. Spine (Phila Pa 1976). 2011;36(3):230-242. doi:10.1097/BRS.0b013e318202ac73
3. Hays RD, Shannon ZK, Long CR, et al. Health-Related Quality of Life Among United States Service Members with Low Back Pain Receiving Usual Care Plus Chiropractic Care vs Usual Care Alone: Secondary Outcomes of a Pragmatic Clinical Trial. Pain Med. 2022;23(9):1550-1559. doi:10.1093/pm/pnac009. Erratum to. Health-Related Quality of Life among United States Service Members with Low Back Pain Receiving Usual Care plus Chiropractic Care vs Usual Care Alone: Secondary Outcomes of a Pragmatic Clinical Trial. Pain Med. 2022;23(6):1198. doi:10.1093/pm/pnac054
4. Fernandez M, Moore C, Tan J, et al. Spinal manipulation for the management of cervicogenic headache: a systematic review and meta-analysis. Eur J Pain. 24(9):1687-1702, 2020. doi:10.1002/ejp.1632
5. Chaibi A, Stavem K, Russell MB. Spinal manipulative therapy for acute neck pain: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. J Clin Med. 10(21):5011, 2021. Published 2021 Oct 28. doi:10.3390/jcm10215011
6. Rubinstein SM, de Zoete A, van Middelkoop M, Assendelft WJJ, de Boer MR, van Tulder MW. Benefits and harms of spinal manipulative therapy for the treatment of chronic low back pain: systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ. 2019;364:l689. Published 2019 Mar 13. doi:10.1136/bmj.l689



