Sexualidade

PorGeorge R. Brown, MD, East Tennessee State University
Reviewed ByOluwatosin Goje, MD, MSCR, Cleveland Clinic, Lerner College of Medicine of Case Western Reserve University
Revisado/Corrigido: modificado out. 2025
v53070934_pt
Visão Educação para o paciente

Poucos elementos da experiência humana combinam aspectos físicos, intelectuais e emocionais das interações humanas de maneira tão completa quanto a sexualidade e todos os sentimentos que a acompanham (1). As normas de comportamento e atitudes sexuais aceitas variam enormemente dentro da mesma cultura e entre culturas diferentes.

Os profissionais de saúde nunca devem julgar comportamentos sexuais que não são prejudiciais e que ocorrem entre adultos consententes, mesmo sob pressão da sociedade para ver aspectos do comportamento sexual humano como desviante.

Em geral, não é possível definir o que é "normal" e "anormal" em termos clínicos. Entretanto, quando o comportamento ou as dificuldades sexuais provocam sofrimento significativo para o paciente, seu parceiro ou causam danos, o tratamento pode ser justificado.

(Ver também Visão geral da função e disfunção sexual masculina e Visão geral da função e disfunção sexual feminina.)

Sexo e identidade sexual

Sexo e identidade sexual não são a mesma coisa.

  • Define-se sexo pelas características geralmente utilizadas para distinguir entre machos e fêmeas, e é determinado por uma variedade de fatores, incluindo interações genéticas, de desenvolvimento fetal, psicológicas e outras. Sexo refere-se especialmente às características físicas e biológicas que são fisicamente evidentes ao nascimento; assim, a linguagem típica na designação de sexo é "designado homem ao nascer (DHN)" e "designado mulher ao nascer (DMN)". Contudo, cerca de 1 em 4500 neonatos têm genitália ambígua (isto é, suas características genitais externas não correspondem aos padrões geralmente masculinos ou femininos) (2, 3, 4). Em alguns desses neonatos, a genitália ambígua torna difícil a atribuição inicial de sexo (5). Sexo é um conceito complexo; para uma revisão detalhada, consulte Lehmiller, The Psychology of Human Sexuality, Terceira Edição, Wiley-Blackwell, Nova York, 2023.

  • A identidade/orientação sexual é o padrão de atração emocional, romântica e/ou sexual que as pessoas têm em relação aos outros. Também se refere ao senso de identidade pessoal e social de uma pessoa com base nessas atrações, comportamentos relacionados e participação em uma comunidade de outras pessoas com atrações e comportamentos semelhantes. Há muitas identidades sexuais diferentes, como heterossexual (atração pelo sexo oposto), homossexual (atração pelo mesmo sexo), bissexual (atração por ambos os sexos), assexual (ausência de atração sexual) e pansexual (atração sexual por pessoas independentemente da identidade de gênero ou do sexo).

Identidade de gênero: sensação interna de ser homem, mulher ou gênero diferente, que pode ou não corresponder ao sexo atribuído a um indivíduo ao nascer ou às suas características sexuais. A identidade de gênero não necessariamente descreve as atrações românticas ou sexuais de um indivíduo. (Ver também Incongruência de gênero e disforia de gênero.)

Aspectos do desenvolvimento da sexualidade

É extremamente importante auxiliar os adolescentes a colocar a sexualidade e a identidade sexual em um contexto saudável.

Alguns adolescentes lutam com a questão da identidade sexual e podem se sentir amedrontados em revelar sua identidade sexual a amigos ou familiares, particularmente se eles têm uma identidade não heterossexual. Adolescentes com uma identidade não heterossexual são 2 a 3 vezes mais propensos a ter comportamento suicidas ou autoflagelantes do que seus pares heterossexuais (6, 7). Deve-se incentivar os adolescentes e seus pais a falar abertamente sobre suas atitudes em relação ao sexo e à sexualidade; as opiniões dos pais permanecem um determinante importante do comportamento do adolescente, apesar das onipresentes influências das redes sociais e fontes de informação da Internet sobre sexualidade. As redes sociais podem formar a base para a maioria das informações e desinformações sobre sexualidade obtidas por adolescentes (8).

Crianças expostas à hostilidade verbal e física, rejeição e a crueldade podem desenvolver problemas com a intimidade sexual e emocional (9). Por exemplo, o amor e a excitação sexual podem se dissociar. Como resultado, laços emocionais podem ser formados com pares, mas relacionamentos sexuais podem ocorrer apenas com aqueles com os quais não há intimidade emocional, geralmente aqueles que são desvalorizados de alguma forma (p. ex., profissionais do sexo, parceiros anônimos, pessoas percebidas como sendo de uma classe socioeconômica mais baixa).

Atitudes sociais em relação a sexo e sexualidade

As atitudes sociais sobre sexo e sexualidade, incluindo masturbação, homossexualidade e sexo extraconjugal, diferem em várias sociedades e podem mudar com o tempo.

Masturbação

Os médicos há muito tempo reconhecem a masturbação como uma atividade sexual normal ao longo da vida.

A masturbação é o mais comum de todos os comportamentos sexuais humanos (10). É também um comportamento visto em muitas outras espécies, incluindo outros primatas, esquilos-terrestres e outros roedores (10). Cerca de 97% dos homens e 80% das mulheres se masturbaram, com 33% das mulheres e 66% dos homens relatando masturbação pelo menos uma vez nas 4 semanas anteriores (11).

Não há resultados fisiológicos negativos conhecidos da masturbação (12), mas observou-se masturbação excessiva levando a problemas de relacionamento, particularmente em homens com uso muito frequente de pornografia como estímulo visual (13). Embora a masturbação seja geralmente inofensiva, a culpa criada pela desaprovação e atitudes punitivas ainda mantidas por algumas pessoas pode provocar desconforto considerável e prejudicar o desempenho sexual. A masturbação é considerada anormal quando inibe comportamento orientado para um parceiro, é realizada em público, ou é suficientemente compulsiva para ocasionar desconforto ou disfunção em ambientes sociais, de trabalho ou outros.

A masturbação frequentemente continua em algum nível, mesmo com um relacionamento sexual saudável. Pessoas que se masturbam podem experimentar maior bem-estar, fertilidade aumentada e a capacidade de alcançar satisfação sexual sem risco de contrair infecções sexualmente transmissíveis (14, 15).

Homossexualidade

A homossexualidade não é considerada um transtorno pela American Psychiatric Association há mais de 5 décadas. Assim como a heterossexualidade, a homossexualidade resulta de fatores biológicos e ambientais complexos que levam à capacidade de se excitar sexualmente por pessoas do mesmo sexo (16, 17). E como a heterossexualidade, a homossexualidade não é uma questão de escolha.

Uma pesquisa de 2024 com mais de 14.000 pessoas constatou que a proporção de adultos nos Estados Unidos que se identificam como gays, lésbicas, bissexuais ou transgênero triplicou desde 2012 para um total de 9,3%. As proporções daqueles que assim se identificam variam substancialmente conforme a coorte etária: 3% dos nascidos entre 1946 e 1964 (“Baby Boomers”) se identificam como LGBTQ, em comparação com 23,1% dos nascidos entre 1997 e 2006 (“Geração Z”). (See Gallup: LGBT+ Identification in U.S. Rises to 9.3%.) Outras pesquisas demonstram que as proporções também variam entre diferentes países, com algumas estimativas variando de aproximadamente 3 a 12% (18, 19).

Sexo extraconjugal

A maioria das culturas desencoraja a atividade sexual extraconjugal, mas aceita a atividade sexual pré-marital ou não marital como normal. Nos Estados Unidos, muitas pessoas têm relações sexuais antes do casamento ou sem casamento como parte da tendência de maior liberdade sexual nos países industrializados. O sexo extraconjugal ocorre frequentemente entre pessoas casadas, apesar dos tabus sociais e do risco de contrair e disseminar infecções sexualmente transmitidas a cônjuges ou parceiros sexuais desatentos.

Nos Estados Unidos, a proporção de adultos em relacionamentos conjugais diminuiu drasticamente nas últimas 2 décadas, com 67% dos adultos relatando serem casados em 1990 em comparação com 51% em 2023 (20). Essas mudanças foram acompanhadas por um aumento substancial entre aqueles que coabitam com um parceiro romântico (4% a 7%) e entre aqueles que relatam não ter parceiro (29% a 42%).

Papel dos profissionais de saúde

Os profissionais de saúde, quando relevante, devem obter um histórico sexual como parte da história médica. Os pacientes devem ser aconselhados sobre sexo seguro e contracepção e devem ser rastreados para violência por parceiro íntimo. Os médicos devem discutir a sexualidade com os pacientes de tal modo que possam identificar e abordar questões sexuais, incluindo disfunção sexual (ver Função e disfunção sexual masculina e Função e disfunção sexual feminina), disforia de gênero e parafilias.

Sexualidade e expressão sexual são muitas vezes ignoradas em adultos mais velhos (ver Intimidade e idosos), incluindo aqueles que são institucionalizados, embora preocupações sexuais muitas vezes sejam importantes nessa fase da vida (21). Os médicos devem estar cientes das diferenças entre comportamentos sexuais baseados em identidade e comportamento; não é possível fazer suposições confiáveis entre a identidade sexual expressa de alguns indivíduos e as pessoas com quem eles escolhem ter interações sexuais (22). Por exemplo, homens que se identificam como heterossexuais também podem ter encontros sexuais com outros homens, embora não considerem seus comportamentos homossexuais (23). Isso pode ser extremamente importante, porque comportamentos considerados de alto risco para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis não necessariamente dependem da identidade ou da orientação sexual declarada.

Alguns profissionais de saúde podem não se sentir confiantes em abordar questões de saúde sexual (24). Profissionais de saúde sem as competências necessárias para atender determinados pacientes devem realizar o encaminhamento apropriado.

Referências

  1. 1. Dewitte M. On the interpersonal dynamics of sexuality. J Sex Marital Ther. 40(3):209-232, 2014. doi:10.1080/0092623X.2012.710181

  2. BBB.

  3. 2. Fluck C, Guran T. Ambiguous genitalia in the newborn. In: Endotext [Internet]. Feingold KR, Ahmed SF, Anawat B et al, eds. South Dartmouth (MA): MedText.com, Inc; 2000.

  4. 3. Aydin BK, Saka N, Bas F, et al. Frequency of Ambiguous Genitalia in 14,177 Newborns in Turkey. J Endocr Soc. 2019;3(6):1185-1195. Published 2019 Apr 24. doi:10.1210/js.2018-00408

  5. 4. Ameyaw E, Asafo-Agyei SB, Hughes IA, Zacharin M, Chanoine JP. Incidence of disorders of sexual development in neonates in Ghana: prospective study. Arch Dis Child. 2019;104(7):636-638. doi:10.1136/archdischild-2019-316986

  6. 5. Witchel SF. Disorders of sex development. Best Pract Res Clin Obstet Gynaecol. 48:90-1022018. doi:10.1016/j.bpobgyn.2017.11.005

  7. 6. Poštuvan V, Podlogar T, Zadravec Šedivy N, et al. Suicidal behaviour among sexual-minority youth: a review of the role of acceptance and support. Lancet Child Adolesc Health. 3(3):190-198 2019. doi:10.1016/S2352-4642(18)30400-0

  8. 7. Taliaferro LA, Muehlenkamp JJ. Nonsuicidal Self-Injury and Suicidality Among Sexual Minority Youth: Risk Factors and Protective Connectedness Factors [published correction appears in Acad Pediatr. 17(8):917, 2017]. Acad Pediatr. 17(7):715-722, 2017. doi:10.1016/j.acap.2016.11.002

  9. 8. Eleuteri S, Saladino V, Verrastro V. Identity, relationships, sexuality, and risky behaviors of adolescents in the context of social media, Sexual and Relationship Therapy. 32:3-4, 354-365, 2017. doi: 10.1080/14681994.2017.1397953

  10. 9. Gewirtz-Meydan A, Lassri D. Sex in the Shadow of Child Sexual Abuse: The Development and Psychometric Evaluation of the Post-Traumatic Sexuality (PT-SEX) Scale. J Interpers Violence. 2023;38(5-6):4714-4741. doi:10.1177/08862605221118969

  11. 10. Roth L, Briken P, Fuss J. Masturbation in the Animal Kingdom. J Sex Res. 2023;60(6):786-798. doi:10.1080/00224499.2022.2044446

  12. 11. Mercer CH, Tanton C, Prah P, et al. Changes in sexual attitudes and lifestyles in Britain through the life course and over time: findings from the National Surveys of Sexual Attitudes and Lifestyles (Natsal). Lancet. 382(9907):1781-1794, 2013. doi:10.1016/S0140-6736(13)62035-8

  13. 12. Zimmer F, Imhoff R. Abstinence from Masturbation and Hypersexuality. Arch Sex Behav. 49(4):1333-1343, 2020. doi:10.1007/s10508-019-01623-8

  14. 13. Grubbs JB, Perry SL, Wilt JA, Reid RC. Pornography Problems Due to Moral Incongruence: An Integrative Model with a Systematic Review and Meta-Analysis. Arch Sex Behav. 48(2):397-415, 2019. doi:10.1007/s10508-018-1248-x

  15. 14. Coleman E. Masturbation as a Means of Achieving Sexual Health, J of Psychol & Hum Sex. 14:2-3, 5-16, 2003. doi: 10.1300/J056v14n02_02

  16. 15. Ayad BM, Horst GV, Plessis SSD. Revisiting The Relationship between The Ejaculatory Abstinence Period and Semen Characteristics. Int J Fertil Steril. 11(4):238-246, 2018. doi:10.22074/ijfs.2018.5192

  17. 16. Balthazart J. Sexual partner preference in animals and humans. Neurosci Biobehav Rev. 2020;115:34-47. doi:10.1016/j.neubiorev.2020.03.024

  18. 17. Jain S, Rana M. Alternative Sexual Orientation in Humans: What Is Known and What Needs to Be Known Further. J Homosex. 2022;69(6):1004-1029. doi:10.1080/00918369.2021.1898805

  19. 18. Wilson T, Temple J, Lyons A, Shalley F. What is the size of Australia's sexual minority population?. BMC Res Notes. 2020;13(1):535. Published 2020 Nov 16. doi:10.1186/s13104-020-05383-w

  20. 19. Spizzirri G, Eufrásio RÁ, Abdo CHN, Lima MCP. Proportion of ALGBT adult Brazilians, sociodemographic characteristics, and self-reported violence. Sci Rep. 2022;12(1):11176. Published 2022 Jul 1. doi:10.1038/s41598-022-15103-y

  21. 20. Fry R. Pew Research Center, January 8, 2025: Share of U.S. adults living without a romantic partner has ticked down in recent years. Accessed September 25, 2025.

  22. 21. Srinivasan S, Glover J, Tampi RR, et al. Sexuality and the Older Adult. Curr Psychiatry Rep. 21(10):97, 2019. Published 2019 Sep 14. doi:10.1007/s11920-019-1090-4

  23. 22. Poteat VP, Russell ST, Dewaele A. Sexual Health Risk Behavior Disparities Among Male and Female Adolescents Using Identity and Behavior Indicators of Sexual Orientation. Arch Sex Behav. 48(4):1087-1097, 2019. doi:10.1007/s10508-017-1082-6

  24. 23. Silva, T. Bud-Sex: Constructing Normative Masculinity among Rural Straight Men That Have Sex With Men. Gender & Society.. 31(1), 51–73, 2017. doi: 10.1177/0891243216679934

  25. 24. Beebe S, Payne N, Posid T, et al. The Lack of Sexual Health Education in Medical Training Leaves Students and Residents Feeling Unprepared. J Sex Med. 2021;18(12):1998-2004. doi:10.1016/j.jsxm.2021.09.011

quizzes_lightbulb_red
Test your KnowledgeTake a Quiz!
iOS ANDROID
iOS ANDROID
iOS ANDROID