Ataques e transtorno de pânico

Análise completa: abr. 2026 PorJohn W. Barnhill, MD, New York-Presbyterian Hospital | Colega revisado porMark Zimmerman, MD, South County Psychiatry
Última atualização: abr. 2026
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Visão Educação para o paciente

Ataque de pânico é o início abrupto de um período circunscrito breve de intenso desconforto, ansiedade ou medo, acompanhado por sintomas somáticos e/ou cognitivos. O transtorno de pânico é a ocorrência de ataques de pânico repetidos, normalmente acompanhados de medo sobre futuros ataques ou de mudanças comportamentais para evitar situações que poderiam predispor aos ataques. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos. Ataques de pânico isolados podem não precisar de tratamento. O transtorno de pânico é tratado com farmacoterapia, psicoterapia (p. ex., terapia de exposição, terapia cognitivo-comportamental) ou ambos.

Os ataques de pânico são comuns, com estimativas de prevalência ao longo da vida variando de 8 a 23% (1, 2). Muitas pessoas se recuperam sem tratamento; alguns desenvolvem transtorno de pânico. Os ataques de pânico também podem ocorrer em pessoas com outros transtornos de ansiedade, depressão ou como resultado de uma fobia específica.

O transtorno de pânico acomete 2% a 3% da população em um período de 12 meses (3). O transtorno de pânico geralmente se inicia no final da adolescência ou no início da idade adulta, afetando aproximadamente 2 vezes mais mulheres do que homens.

Referências gerais

  1. 1. Olaya B, Moneta MV, Miret M, Ayuso-Mateos JL, Haro JM. Epidemiology of panic attacks, panic disorder and the moderating role of age: Results from a population-based study. J Affect Disord. 2018;241:627-633. doi:10.1016/j.jad.2018.08.069

  2. 2. Kessler RC,WT Chiu, Jin R, et al. The epidemiology of panic attacks, panic disorder, and agoraphobia in the National Comorbidity Survey Replication. Arch Gen Psychiatry. 63(4):415-424, 2006. doi: 10.1001/archpsyc.63.4.415

  3. 3. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed,Text Revision. American Psychiatric Association Publishing; 2022.

Sinais e sintomas dos ataques de pânico e do transtorno do pânico

O ataque de pânico ocorre como início súbito de medo ou desconforto de forte intensidade acompanhado de pelo menos 4 dos 13 sintomas listados na tabela . Os sintomas de pânico podem durar minutos a uma hora. Embora desconfortável — algumas vezes extremamente — os ataques de pânico não são perigosos do ponto de vista médico.

Tabela
Tabela

O pânico pode incluir elementos emocionais, cognitivos e somáticos. Essa complexidade pode dificultar o diagnóstico. Por exemplo, além da ansiedade, o paciente pode apresentar dor no peito, falta de ar, sudorese e tremores. Esse conjunto de sintomas pode e, muitas vezes, deve levar a uma avaliação médica geral, especialmente em pessoas com condições médicas preexistentes ou naquelas que não foram avaliadas previamente para esse conjunto de sintomas.

Ataques de pânico podem ocorrer em qualquer transtornos psiquiátrico, quase sempre em situações ligadas à característica central do transtorno (p. ex., uma pessoa com fobia de cobras pode entrar em pânico ao ver uma cobra). Esses ataques de pânico são denominados esperados. Ataques de pânico inesperados são aqueles que ocorrem de forma espontânea, sem nenhum gatilho aparente.

Muitas pessoas com transtornos de pânico antecipam e se preocupam sobre outros ataques (ansiedade antecipatória) e evitam lugares ou situações em que tiveram pânico previamente. Muitas vezes, pessoas com transtornos de pânico se preocupam com um problema cardíaco, pulmonar ou cerebral imaginário e visitam repetidamente seu médico de família ou um pronto atendimento procurando ajuda. Infelizmente, nesses contextos, a atenção geralmente foca nos sintomas clínicos gerais e o diagnóstico correto, às vezes, não é feito.

O transtorno de pânico é frequentemente acompanhado por pelo menos uma outra condição comórbida. Outros transtornos de ansiedade, depressão maior, transtorno bipolar, e leve transtorno por uso de álcool são as comorbidades psiquiátricas mais comuns. Comorbidades médicas comuns incluem doenças cardíacas arritmias, hipertireoidismo, asma, e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

Diagnóstico de ataques e transtorno de pânico

  • Avaliação psiquiátrica

  • Avaliação médica geral para excluir efeitos fisiológicos de uma substância ou condição médica geral

O transtorno de pânico é diagnosticado após a exclusão de condições clínicas gerais que possam mimetizar ou causar ansiedade e quando os sintomas satisfazem os critérios diagnósticos do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição, Texto Revisado (DSM-5-TR) (1):

Os pacientes têm ataques de pânico recorrentes e inesperados (a frequência não é especificada). Pelo menos 4 dos seguintes sintomas devem estar presentes:

  • Palpitação

  • Diaforese

  • Tremores

  • Sensação de falta de ar

  • Sensação de sufocamento

  • Náuseas ou dor abdominal

  • Tontura

  • Calafrios ou ondas de calor

  • Parestesias

  • Desrealização ou despersonalização

  • Medo de perder o controle

  • Medo da morte

Além disso, 1 ataque foi seguido por um ou ambos os seguintes por 1 mês (1):

  • Preocupação persistente sobre ter ataques de pânico adicionais ou preocupações com suas consequências (p. ex., perda de controle, enlouquecer) e/ou

  • Resposta comportamental mal-adaptativa aos ataques de pânico (p. ex., evitar atividades comuns como exercício físico ou situações sociais para tentar prevenir novos ataques)

Por fim, os sintomas não devem ser mais bem explicados por uma condição médica geral (como hipertireoidismo ou uma síndrome coronariana aguda), pelo uso ou abstinência de substâncias, ou por outro transtorno psiquiátrico; os sintomas não devem ocorrer exclusivamente em circunstâncias mais bem explicadas por outro transtorno psiquiátrico (como uma fobia específica).

Referência sobre diagnóstico

  1. 1. American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed, Text Revision. American Psychiatric Association Publishing; 2022.

Tratamento de ataques e transtorno de pânico

  • Antidepressivos, benzodiazepinas ou ambos

  • Psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental, incluindo terapia de exposição e psicoterapia interpessoal)

Algumas pessoas se recuperam sem tratamento, particularmente quando continuam expostas a situações em que os ataques de pânico ocorreram. Para outras, sobretudo sem tratamento, o transtorno de pânico segue um curso crônico e flutuante.

Os pacientes devem ser informados de que o tratamento geralmente ajuda a controlar os sintomas. Se comportamentos de esquiva não se desenvolveram, tranquilização, educação sobre ansiedade e encorajamento para continuar a retornar e a permanecer em lugares em que os ataques de pânico ocorreram podem ser tudo o que é necessário. Entretanto, em transtorno de longa duração que envolva ataques frequentes e comportamentos de esquiva, o tratamento provavelmente exigirá farmacoterapia combinada com psicoterapia mais intensiva.

Farmacoterapia

Muitos medicamentos podem evitar ou reduzir bastante a ansiedade antecipatória, a esquiva fóbica e o número e a intensidade dos ataques de pânico (1):

  • Antidepressivos: As diferentes classes — inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs), inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs), moduladores da serotonina, tricíclicos (ADTs) e inibidores da monoaminoxidase (IMAOs) — são todas eficazes (2). Entretanto, ISRSs e IRSNs têm a vantagem potencial de provocar menos efeitos colaterais em comparação com outros antidepressivos.

  • Benzodiazepinas: esses ansiolíticos agem mais rapidamente do que os antidepressivos, mas têm maior probabilidade de causar dependência física e alguns efeitos adversos como sonolência, ataxia e problemas de memória. Para alguns pacientes, o uso de longo prazo de benzodiazepinas é bem-sucedido e não apresenta efeitos adversos significativos.

  • Antidepressivos com benzodiazepinas: esses medicamentos são, às vezes, utilizados inicialmente em combinação; a benzodiazepina é retirada lentamente após o antidepressivo tornar-se eficaz (embora alguns pacientes só respondam ao tratamento combinado).

Os ataques de pânico costumam recorrer quando os medicamentos são descontinuados.

Psicoterapia

A maioria das psicoterapias direcionadas aos transtornos de ansiedade, incluindo o transtorno do pânico, envolve técnicas de ensino que promovem o relaxamento. Essas estratégias são um componente importante da terapia, pois reduzem a ansiedade e permitem a continuação de uma psicoterapia que pode ser provocadora de ansiedade. Estratégias de relaxamento incluem atenção plena, meditação, hipnose, exercícios e respiração lenta e constante.

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é um termo geral que se refere a terapias de fala que se concentram no pensamento disfuncional (cognição) e/ou comportamentos disfuncionais. A TCC mostrou-se eficaz para o transtorno de pânico (3). A exposição interoceptiva é uma forma de terapia que expõe e dessensibiliza os pacientes aos sintomas físicos específicos dos ataques de pânico, como dispneia e palpitações (4).

Os pacientes podem ter seu próprio ciclo de pensamento distinto, mas disfuncional, que pode induzir ansiedade e/ou pânico. Por exemplo, uma pessoa pode ter uma preocupação inicial sobre ter um ataque cardíaco, e ela pode gastar uma quantidade excessiva de tempo procurando em seus corpos sinais de um ataque cardíaco. Se sentirem uma pontada no peito, podem então começar um ciclo que rapidamente leva a uma convicção equivocada de que estão prestes a morrer. A TCC envolve esclarecer esses ciclos e, então, ensinar os pacientes a reconhecer e controlar seus pensamentos distorcidos e suas falsas crenças. Eles são então mais capazes de modificar seu comportamento de modo que ele seja mais adaptativo. Além disso, o tratamento encoraja-os a se exporem gradualmente a situações que possam causar o pânico, dessensibilizando assim sua suposta associação entre o ambiente e os sintomas.

Referências sobre tratamento

  1. 1. Quagliato LA, Freire RC, Nardi AE. Risks and benefits of medications for panic disorder: A comparison of SSRIs and benzodiazepines. Expert Opin Drug Saf.17(3):315-324, 2018. doi: 10.1080/14740338.2018.1429403

  2. 2. Guaiana G, Meader N, Barbui C, et al. Pharmacological treatments in panic disorder in adults: a network meta-analysis. Cochrane Database Syst Rev. 2023;11(11):CD012729. Published 2023 Nov 28. doi:10.1002/14651858.CD012729.pub3

  3. 3. Papola D, Ostuzzi G, Tedeschi F, et al. Comparative efficacy and acceptability of psychotherapies for panic disorder with or without agoraphobia: Systematic review and network meta-analysis of randomised controlled trials. Br J Psychiatry. 221(3):507-519, 2022. doi: 10.1192/bjp.2021.148  

  4. 4. Ito LM, de Araujo LA, Tess VL, de Barros-Neto TP, Asbahr FR, Marks I. Self-exposure therapy for panic disorder with agoraphobia: randomised controlled study of external v. interoceptive self-exposure. Br J Psychiatry. 2001;178:331-336. doi:10.1192/bjp.178.4.331

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