A síndrome de ardência bucal é uma doença crônica de dor em queimação intraoral, geralmente envolvendo a língua, na ausência de uma causa identificada. Não há sinais físicos ou testes diagnósticos específicos, e o tratamento é sintomático e frequentemente difícil.
(Ver também Avaliação do paciente odontológico.)
A síndrome da ardência bucal é incomum, e sua prevalência varia dependendo da população estudada. Uma metanálise relatou uma prevalência geral de 1,7% na população em geral e de 7,7% entre pacientes encaminhados para consultórios odontológicos (1). Dados populacionais também sugerem taxas mais elevadas em mulheres na pós-menopausa (2). A síndrome da ardência bucal raramente ocorre antes dos 30 anos de idade. Acredita-se que seja neuropática, afetando os nervos centrais e periféricos da dor e do paladar, e pode ter origem multifatorial (1).
A síndrome da ardência bucal tem sido classificada de várias maneiras diferentes, e as definições continuam a evoluir. Alguns critérios definiram a síndrome da ardência bucal como dor oral recorrente diariamente por > 2 horas durante > 3 meses (3). A dor caracteriza-se pela sensação de queimação percebida superficialmente na mucosa. A mucosa oral tem aparência normal, e o quadro não é mais bem explicado por outro diagnóstico. Anteriormente, a síndrome da ardência bucal também era classificada como primária ou idiopática (4). Outros sistemas de classificação a categorizaram com base nas flutuações da intensidade da dor ao longo de 24 horas (p. ex., tipo 1, 2, 3).
As possíveis causas da síndrome da ardência bucal incluem (5, 6):
Deficiência nutricional (vitamina B12, vitamina B9 [folato], ferro, zinco)
Distúrbios endócrinos (diabetes mellitus, menopausa/alterações hormonais, distúrbios da tireoide)
Infecção por Candida (candidíase)
Alergia (alimentos, produtos odontológicos)
Comportamento parafuncional oral (p. ex., protrusão da língua, ranger de dentes, bruxismo)
A síndrome de ardência bucal pode causar dor e ardor, parestesia ou dormência da língua, palato, lábios ou outras superfícies mucosas da boca, muitas vezes bilateralmente e, às vezes, em múltiplos focos. A língua é a região mais comumente afetada, particularmente a ponta e os dois terços anteriores. A dor pode ser significativa e pode ocorrer diariamente. A dor pode ser constante ou aumentar ao longo do dia e pode ser aliviada ao comer ou beber. Podem ocorrer xerostomia (sensação subjetiva de boca seca) e disgeusia (alteração do paladar). A dor, assim como os problemas emocionais associados (ansiedade, depressão), podem ser socialmente debilitantes. A duração dos sintomas da síndrome da ardência bucal varia de meses a anos, mas os sintomas podem desaparecer espontaneamente ou após identificação e tratamento de uma causa secundária.
Referências gerais
1. Wu S, Zhang W, Yan J, et al. Worldwide prevalence estimates of burning mouth syndrome: A systematic review and meta-analysis. Oral Dis. 2022;28(6):1431-1440. doi:10.1111/odi.13868
2. Kohorst JJ, Bruce AJ, Torgerson RR, et al. A population-based study of the incidence of burning mouth syndrome. Mayo Clin Proc. 2014;89(11):1545-1552. doi:10.1016/j.mayocp.2014.05.018
3. Currie CC, Ohrbach R, De Leeuw R, et al. Developing a research diagnostic criteria for burning mouth syndrome: Results from an international Delphi process. J Oral Rehabil. 2021;48(3):308-331. doi:10.1111/joor.13123
4. Sun A, Wu KM, Wang YP, et al. Burning mouth syndrome: a review and update. J Oral Pathol Med. 2013;42(9):649-655. doi:10.1111/jop.12101
5. Thakkar J, Dym H. Management of Burning Mouth Syndrome. Dent Clin North Am. 2024;68(1):113-119. doi:10.1016/j.cden.2023.07.007
6. de Lima-Souza RA, Perez-de-Oliveira ME, Normando AGC, et al. Clinical and epidemiological profile of burning mouth syndrome patients following the International Headache Society classification: a systematic review and meta-analysis. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol. 2024;137(2):119-135. doi:10.1016/j.oooo.2023.10.002
Diagnóstico da síndrome de ardência bucal
Principalmente história e exame físico
Às vezes, exames para identificar causas secundárias
O diagnóstico da síndrome da ardência bucal requer dor oral e sintomas de queimação na presença de mucosa oral normal. A dor deve ocorrer todos os dias, por > 2 horas por dia (embora alguns autores omitam esse critério potencialmente duvidoso), por > 3 meses (1). A síndrome de ardência bucal é um diagnóstico de exclusão; portanto, o exame buscando causas secundárias deve ser completo e pode envolver medição do fluxo salivar, exames de sangue à procura de doenças sistêmicas, exames de imagem da cabeça e pescoço e biópsia.
Referência sobre diagnóstico
1. International Classification of Orofacial Pain, 1st edition (ICOP). Cephalalgia. 2020;40(2):129-221. doi:10.1177/0333102419893823
Tratamento da síndrome de ardência bucal
Tratamento sintomático
Tratamento da causa subjacente da síndrome da ardência bucal secundária
O tratamento da síndrome da ardência bucal é desafiador devido à sua etiologia pouco clara e às evidências limitadas que sustentam a maioria das intervenções. Uma abordagem multidisciplinar pode ser útil e as intervenções incluem terapia cognitivo-comportamental; medicamentos como antidepressivos tricíclicos, ácido alfa-lipoico, clonazepam, capsaicina tópica ou gabapentina; e laserterapia de baixa intensidade (1). Medidas de alívio da dor iniciadas pelo paciente incluem bebidas frias, pedaços de gelo, goma de mascar sem açúcar e evitar irritantes como tabaco, alimentos condimentados ou ácidos e álcool (em bebidas e enxaguantes bucais) (2).
A síndrome de ardência bucal secundária pode ser curada por meio de tratamento apropriado da causa subjacente.
Referências sobre tratamento
1. Tan HL, Smith JG, Hoffmann J, et al. A systematic review of treatment for patients with burning mouth syndrome. Cephalalgia. 2022;42(2):128-161. doi: 10.1177/03331024211036152
2. Mishellany-Dutour A, Melin C, Gabrielli F, et al. Intraoral Factors Modulating Pain in Burning Mouth Syndrome. J Oral Rehabil. 2025;52(11):1906-1911. doi:10.1111/joor.14053



