Fraturas dos ossos nasais ou lesões cartilaginosas podem resultar em edema, pontos dolorosos, hipermobilidade, crepitação, epistaxe e lesão periorbital. O diagnóstico costuma ser clínico. O tratamento pode incluir redução, estabilização por meio de compressa interna e utilização de splints. Um hematoma septal deve ser drenado imediatamente.
Os ossos nasais são os ossos faciais comumente fraturados em virtude de sua localização central e protrusão. Dependendo do mecanismo da lesão, podem ocorrer concomitantemente fraturas do maxilar, órbita ou placa cribriforme e lesão dos ductos nasolacrimais.
As complicações das fraturas nasais incluem deformidades estéticas e obstrução funcional. Hematomas septais são concentrações de sangue subpericondrais que podem causar necrose séptica ou avascular da cartilagem, com consequente deformidade (nariz em sela). A fratura da placa cribriforme pode levar à vazamento do líquido cefalorraquidiano (LCR), com aumento de risco de meningite, ou a abscesso cerebral. Felizmente, essa complicação é rara (1).
Equimose, desvio dos ossos nasais e laceração caracterizam essa fratura nasal aberta.
DR P. MARAZZI/SCIENCE PHOTO LIBRARY
Referência geral
1. Umana GE, Pucci R, Palmisciano P, et al. Cerebrospinal Fluid Leaks After Anterior Skull Base Trauma: A Systematic Review of the Literature. World Neurosurg. 2022;157:193-206.e2. doi:10.1016/j.wneu.2021.10.065
Sinais e sintomas das fraturas do nariz
O trauma facial que resulta em epistaxe pode indicar fratura nasal. A rinorreia de líquido cefalorraquidiano (LCR) parece um líquido claro, mas pode estar misturado com sangue, tornando difícil sua identificação.
Os achados do exame físico podem incluir deformidades nasais óbvias ou sutis, edema, dor localizada à palpação, crepitação e instabilidade. Podem estar presentes também lacerações, equimoses (nasal e periorbital), desvio de septo e obstrução nasal. Hematoma septal aparece como mancha roxa no septo.
Diagnóstico das fraturas do nariz
História e exame físico apenas
Em geral, o diagnóstico baseia-se apenas em história clínica e exame físico.
A radiografia simples de uma fratura nasal não complicada não é útil, pois sua sensibilidade e especificidade são pequenas. Se houver suspeita de outras fraturas ou complicações, é realizada TC dos ossos da face.
Se houver suspeita de rinorreia de LCR, o teste da secreção nasal para beta-2-transferrina é um exame eficaz para a detecção de LCR (1). Tiras de teste de glicemia à beira do leito não identificam com precisão a rinorreia do líquido cefalorraquidiano e não são recomendadas.
Referência sobre diagnóstico
1. Mantur M, Łukaszewicz-Zając M, Mroczko B, et al. Cerebrospinal fluid leakage--reliable diagnostic methods. Clin Chim Acta. 2011;412(11-12):837-840. doi:10.1016/j.cca.2011.02.017
Tratamento das fraturas do nariz
Cuidado sintomático
Para hematomas septais, drenagem imediata
Para deformidades, redução tardia
O tratamento imediato inclui controle sintomático com gelo e analgésicos. Os hematomas septais devem ser incisados e drenados imediatamente para prevenir necrose avascular ou séptica da cartilagem septal.
A redução é necessária somente para fraturas que causam deformidade clínica visível ou obstrução da passagem de ar pelo nariz. O resultado da redução é determinado pela aparência clínica ou pela diminuição da obstrução da cavidade nasal. Assim, a redução é feita 3 a 5 dias após a lesão para permitir que o edema diminua, mas deve acontecer dentro de 2 semanas após a lesão, antes da formação de calo ósseo. As fraturas nasais em adultos podem ser reduzidas após anestesia local; as crianças podem necessitar de anestesia geral.
Para a redução, um elevador rombo para fratura nasal é introduzido pelas narinas e colocado sob o osso nasal deprimido, que é elevado anterior e lateralmente, enquanto se aplica pressão no outro lado do nariz para reposicionar o dorso nasal na linha média (1). O nariz pode ser estabilizado com compressa interna (como tiras de gaze impregnadas com antibiótico, esponjas de elastômero de silicone ou produtos similares) colocada bem alto no vestíbulo nasal ou com tala externa. A compressa interna é mantida por um período de 4 a 7 dias; e o splint externo, de 7 a 14 dias. A profilaxia eficaz com antibióticos contra estafilococos é necessária durante o tempo com compressa nasal para diminuir o risco de síndrome do choque tóxico.
As lesões da cartilagem frequentemente não necessitam de redução. Nas raras circunstâncias em que as deformidades persistem após o edema ter cedido, redução e colocação de splint sob anestesia local geralmente são suficientes.
As fraturas do septo são dificilmente mantidas em posição e frequentemente necessitam de cirurgia posterior.
Fraturas da lâmina cribriforme com extravasamento do líquido cefalorraquidiano (LCR) inicialmente requerem hospitalização com repouso no leito e elevação da cabeça (2). A colocação de um dreno lombar pode ser necessária para uma fístula liquórica persistente. A drenagem e a necessidade de antibioticoterapia variam de acordo com a instituição. Se o extravasamento de LCR não for resolvido, o reparo cirúrgico da base do crânio pode ser necessário.
Referências sobre tratamento
1. Trujillo O, Lee C. Nasal Fractures: Acute, Subacute, and Delayed Management. Otolaryngol Clin North Am. 2023;56(6):1089-1099. doi:10.1016/j.otc.2023.05.004
2. Bell RB, Dierks EJ, Homer L, et al. Management of cerebrospinal fluid leak associated with craniomaxillofacial trauma. J Oral Maxillofac Surg. 2004;62(6):676-684. doi:10.1016/j.joms.2003.08.032
Pontos-chave
As principais preocupações com as fraturas nasais são hematoma septal, epistaxe, obstrução nasal, problemas estéticos e, raramente, fratura da placa cribriforme.
Radiografias nasais não são necessárias.
Drenar imediatamente os hematomas septais.
Postergar a redução e alguns outros tratamentos por 3 a 5 dias até o desaparecimento do edema.



