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Sistema complemento

Por

Peter J. Delves

, PhD, University College London, London, UK

Última modificação do conteúdo dez 2018
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O sistema complemento é constituído por uma “cascata” enzimática que ajuda na defesa contra infecções. Muitas proteínas do sistema complemento ocorrem no soro como precursores enzimáticos inativos (zimógenos); outros são encontrados nas superfícies celulares. (Ver também Visão geral do sistema imunitário.)

Esse sis- tema faz uma “ponte” entre a imunidade inata e a adquirida por

  • Aumentar a resposta por anticorpos (Ac) e a memória imunológica

  • Lisar células estranhas

  • Remover imunocomplexos e células apoptóticas

As proteínas do sistema complemento possuem várias funções biológicas (p. ex., estimulam a quimiotaxia e a desgranulação dos mastócitos independente da IgE).

Ativação do complemento

Há 3 vias de ativação do complemento (ver figura Vias de ativação do complemento):

  • Clássico

  • Lectinas

  • Alternativa

Vias de ativação do complemento

As 3 vias de ativação convergem para uma via comum quando a C3 convertase cliva o componente C3 em C3a e C3b. Ac = anticorpo; Ag = antígeno; C1-INH = inibidor de C1; MAC = complexo de ataque à membrana; MASP = protease serina associada a MBL; MBL = lectina ligante de manose. A barra superior indica a ativação.

Vias de ativação do complemento

Os componentes da via clássica costumam ser rotulados com um C e um número (p. ex., C1, C3), com base na ordem em que essas proteínas foram identificadas. Já na via alternativa, os componentes são geralmente classificados por letras (p. ex., fator B, fator D) ou por nome (p. ex., properdina).

A ativação da via clássica é

  • Dependente de anticorpos, ocorrendo quando C1 interage com complexos antígeno-IgM ou agregados antígeno-IgG

  • Independente de anticorpos, ocorrendo quando poliânions (p. ex., heparina, protamina, DNA e RNA das células apoptóticas), bactérias Gram-negativas ou proteína C reativa reagem diretamente com C1.

Essa via é regulada pelo inibidor de C1 (C1-INH). Angioedema hereditário decorre de uma deficiência genética de C1-INH.

A ativação da via das lectinas é independente dos anticorpos; ocorre quando a MBL, uma proteína sérica, se liga a grupos de manose, frutose ou N-acetilglicosamina na parede celular bacteriana, na parede de leveduras ou nos vírus. Essa via, por outro lado, lembra estrutural e funcionalmente a via clássica.

A ativação da via alternativa ocorre quando componentes da superfície celular de microrganismos (p. ex., paredes celulares de leveduras, lipopolissacarídeo bacteriano [endotoxina]) ou até Ig (p. ex., fator nefrótico e IgA agregada) quebram pequenas quantidades do componente C3. Essa via é regulada por properdina, fator H e fator acelerador de degradação (CD55).

As 3 vias de ativação convergem para uma via comum final quando a C3 convertase cliva C3 em C3a e C3b (ver figura Vias de ativação do complemento). A clivagem de C3 pode resultar na formação de MAC, o componente citotóxico do sistema complemento. O MAC causa lise de células estranhas.

O fator I, com cofatores incluindo a proteína cofator de membrana (CD46), inativa o C3b e o C4b.

Deficiências e defeitos do complemento

As deficiências ou defeitos de componentes específicos do complemento foram associados a distúrbios específicos como:

Atividades biológicas do complemento

Os componentes do complemento têm outras funções imunomediadas pelos CR presentes em várias células.

  • CR1 (CD35) estimula a fagocitose e ajuda na eliminação de imunocomplexos.

  • CR2 (CD21) regula a produção de anticorpos pela célula B e serve como receptor do vírus Epstein-Barr.

  • CR3 (CD11b/CD18), CR4 (CD11c/CD18) e o receptor para C1q possuem papel importante na fagocitose.

  • C3a, C5a e C4a (fracamente) tem atividade anafilatoxina: causam a desgranulação dos mastócitos, aumentando assim a permeabilidade vascular e a contração da musculatura lisa.

  • C3b atua como uma opsonina codificando microrganismos e, portanto aumentando sua fagocitose.

  • C3d aumenta a produção de anticorpos pelas células B.

  • C5a regula as atividades dos neutrófilos e monócitos podendo causar maior aderência das células, desgranulação e liberação das enzimas intracelulares dos granulócitos, pro- dução de metabólitos tóxicos derivados do oxigênio e iniciar outros eventos metabóli-cos celulares.

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