A síndrome de Mallory-Weiss consiste em laceração não penetrante das mucosas do esôfago distal e do estômago proximal, causada por vômitos, ânsia ou soluços.
Essa imagem mostra ruptura fina linear (seta) começando um pouco acima da junção escamocolunar e se estendendo em direção proximal.
Image provided by David M. Martin, MD.
Inicialmente descrita em pacientes com transtorno por uso de álcool, a síndrome de Mallory-Weiss pode ocorrer em qualquer paciente que vomite vigorosamente. É a causa de aproximadamente 10% dos episódios de hemorragia digestiva alta (1, 2), sendo a causa mais comum após sangramento varicoso e doença ulcerosa péptica.
A ruptura também pode ser acompanhada por dor na parte inferior do tórax.
Referências gerais
1. Akhtar AJ, Padda MS. Natural history of Mallory-Weiss tear in African American and Hispanic patients. J Natl Med Assoc. 2011;103(5):412-415. doi:10.1016/s0027-9684(15)30338-2
2. Halland M, Young M, Fitzgerald MN, Inder K, Duggan JM, Duggan A. Characteristics and outcomes of upper gastrointestinal hemorrhage in a tertiary referral hospital. Dig Dis Sci. 2010;55(12):3430-3435. doi:10.1007/s10620-010-1223-4
Diagnóstico da síndrome de Mallory-Weiss
Endoscopia por via alta
O diagnóstico da síndrome de Mallory-Weiss é sugerido clinicamente por uma história típica de hematêmese, ocorrendo após 1 ou mais episódios de vômitos não sanguinolentos. Nesses casos, se a quantidade de sangramento é mínima e o paciente está estável, pode-se adiar os exames e alguns pacientes podem receber alta hospitalar.
Se a história não está clara ou o sangramento está em curso, o paciente deve ser submetido à avaliação para sangramento gastrointestinal, tipicamente com endoscopia digestiva alta e exames laboratoriais. Endoscopia digestiva alta também pode ser terapêutica porque um clipe pode ser colocado sobre a ruptura para controlar o sangramento.
Tratamento da síndrome de Mallory-Weiss
Geralmente tratamento conservador
Às vezes, intervenção endoscópica
Às vezes, transfusão de sangue
Às vezes, infusão intra-arterial ou embolização
A maioria dos episódios de sangramento para espontaneamente; aproximadamente 25% dos pacientes necessitam de hemostasia endoscópica (por colocação de clipe, injeção de etanol ou adrenalina, ou por eletrocauterização) (1, 2). Alguns pacientes necessitam de transfusões de sangue. Infusão intra-arterial de vasopressina ou embolização terapêutica na artéria gástrica esquerda durante angiografia também pode ser utilizada para controlar sangramento.
Cirurgia raramente é necessária (3).
Referências sobre tratamento
1. Lecleire S, Antonietti M, Iwanicki-Caron I, et al. Endoscopic band ligation could decrease recurrent bleeding in Mallory-Weiss syndrome as compared to haemostasis by hemoclips plus epinephrine. Aliment Pharmacol Ther. 2009;30(4):399-405. doi:10.1111/j.1365-2036.2009.04051.x
2. Yin A, Li Y, Jiang Y, Liu J, Luo H. Mallory-Weiss syndrome: clinical and endoscopic characteristics. Eur J Intern Med. 2012;23(4):e92-e96. doi:10.1016/j.ejim.2012.02.005
3. Mertens A, Essing T, Roderburg C, Luedde T, Kandler J, Loosen SH. A Systematic Analysis of Incidence, Therapeutic Strategies, and In-hospital Mortality of Mallory-Weiss Syndrome in Germany. J Clin Gastroenterol. 2024;58(7):640-649. doi:10.1097/MCG.0000000000001918



