Baylisascaríase é uma infecção rara causada pelo nematoide (verme) ascarídeo do guaxinim, Baylisascaris procyonis, que pode causar infecção fatal do sistema nervoso central (SNC), doença ocular ou síndrome de larva migrans visceral em seres humanos. O diagnóstico é clínico e com RM e testes de anticorpos do soro e líquido cefalorraquidiano. O tratamento é feito com albendazol.
A infecção geralmente ocorre em crianças que brincam na terra ou com itens contaminados com fezes de guaxinim (1). A maioria dos casos notificados ocorreu nas regiões do Atlântico médio, meio oeste e nordeste dos Estados Unidos.
Embora a baylisascaríase seja rara em pessoas, é preocupante porque uma grande quantidade de guaxinins vive perto de seres humanos e a taxa de infecção por Baylisascaris procyonis nestes animais é alta.
Guaxinins infectados excretam milhões de ovos diariamente pelas fezes; os ovos podem sobreviver no meio ambiente por anos. A infecção em seres humanos ocorre pela ingestão de ovos infectantes.
Após a ingestão por seres humanos, os ovos eclodem em larvas. Sintomas inespecíficos como febre, letargia e náuseas podem se manifestar uma semana após a ingestão. As larvas migram para uma grande variedade de tecidos (fígado, coração, pulmões, cérebro e olhos), resultando em larva migrans visceral e ocular (1), semelhante às síndromes causadas por toxocaríase. Mas em comparação às larvas de Toxocara, larvas de Baylisascaris crescem até alcançarem um tamanho maior (fêmeas: até 24 cm; machos: 12 cm) dentro do sistema nervoso central.
As anormalidades neurológicas costumam aparecer 2 a 4 semanas após a ingestão de uma grande quantidade de ovos infectados. Larvas no SNC causam reações inflamatórias, meningoencefalite eosinofílica e lesão tecidual substancial resultando em alteração do status mental, irritabilidade, anormalidades cerebelares, ataxia, estupor e coma. Morte ou incapacidade permanente muitas vezes são o resultado, mesmo com o tratamento.
A gravidade da doença neurológica em humanos varia dependendo do
Número de ovos infectantes ingeridos
Número de larvas migrando no sistema nervoso central
Os danos teciduais, os sinais e os sintomas de baylisascaríase muitas vezes são graves porque as larvas Baylisascaris tendem a se deslocar muito e não morrem de imediato.
(Ver também Abordagem às infecções parasitárias.)
Image from the Centers for Disease Control and Prevention, Global Health, Division of Parasitic Diseases and Malaria.
Referência geral
1. Graeff-Teixeira C, Morassutti AL, Kazacos KR. Update on Baylisascariasis, a Highly Pathogenic Zoonotic Infection. Clin Microbiol Rev. 2016;29(2):375-399. doi:10.1128/CMR.00044-15
Diagnóstico da baylisascaríase
RM
Testes de anticorpos no soro ou no LCR
Exame oftalmológico
Encefalite por Baylisascaris deve ser considerada em pacientes com início súbito de encefalite eosinofílica e histórico de possível exposição a guaxinins e/ou a áreas onde guaxinins defecam (p. ex., possivelmente resultando na ingestão de fezes de guaxinim ou solo contaminado).
Achados característicos incluem pleocitose eosinofílica no líquido cefalorraquidiano (LCR), eosinofilia periférica e anormalidades na substância branca profunda, especialmente periventricular, observadas na RM.
O diagnóstico da baylisascaríase é difícil porque não há sorologia disponível comercialmente, mas o teste para anticorpos no LCR ou soro pode ser feito no Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
Visualizar uma larva durante um exame ocular também é um indício. A baylisascariose ocular tem sido associada à neurorretinite subaguda unilateral difusa (NSUD). A NSUD pode levar à perda permanente da visão.
Tratamento da baylisascaríase
Albendazol
Quando a suspeita de baylisascaríase é alta, o tratamento imediato com albendazol, 25 a 50 mg/kg por via oral uma vez ao dia, por 10 a 20 dias, pode ser eficaz. Deve-se iniciar o tratamento presuntivo assim que possível após a ingestão de material potencialmente infeccioso (1), idealmente em 3 dias.
Se o albendazol não estiver disponível, pode-se utilizar mebendazol ou a ivermectina até obtê-lo.
Os corticoides também podem ser utilizados para reduzir a inflamação.
Referência sobre tratamento
1. Graeff-Teixeira C, Morassutti AL, Kazacos KR. Update on Baylisascariasis, a Highly Pathogenic Zoonotic Infection. Clin Microbiol Rev. 2016;29(2):375-399. doi:10.1128/CMR.00044-15
Prevenção da baylisascaríase
Para prevenir a baylisascaríase, é importante desencorajar os guaxinins a morarem nas casas ou perto delas. As caixas de areia devem ser cobertas quando não estão em uso.
Guaxinins utilizam o mesmo local comunal para defecar, deixando uma grande quantidade de fezes tubulares com cheiro fétido em uma área (chamada latrina de guaxinim). As latrinas de guaxinim são perigos biológicos devido à alta probabilidade de contaminação parasitária, e é melhor deixar sua remoção para profissionais. (Ver também the CDC Raccoon Latrines: Identification and Clean-up.)
Pontos-chave
A baylisascaríase, uma infecção causada por guaxinins, é rara em pessoas, mas é preocupante porque uma grande quantidade de guaxinins vive perto de seres humanos e a taxa de infecção por B. procyonis nesses animais é alta.
A baylisascaríase normalmente ocorre em crianças que brincam na terra ou com artigos contaminados pelas fezes de guaxinins (raccoons).
Manifestações neurológicas e lesões nos tecidos costumam ser graves porque as larvas Baylisascaris são grandes, tendem a se deslocar muito e não morrem prontamente nos seres humanos.
O diagnóstico da baylisascaríase é difícil porque não há sorologia disponível comercialmente, mas o teste para anticorpos no líquido cefalorraquidiano ou soro pode ser feito no Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
Quando a suspeita de baylisascaríase é alta, tratamento imediato com albendazol pode ser eficaz. Inicia-se o tratamento presuntivo o mais rápido possível se uma pessoa ingere solo ou areia com probabilidade de estar contaminado com fezes de guaxinim.
Acúmulos de fezes de guaxinim (latrinas de guaxinim) são perigos biológicos e são mais bem removidos por profissionais.



