Paracoccidioidomicose

PorPaschalis Vergidis, MD, MSc, Mayo Clinic College of Medicine & Science
Reviewed ByChristina A. Muzny, MD, MSPH, Division of Infectious Diseases, University of Alabama at Birmingham
Revisado/Corrigido: modificado nov. 2025
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Visão Educação para o paciente

Paracoccidioidomicose é uma micose progressiva dos pulmões, pele, mucosas, linfonodos e órgãos internos causada por Paracoccidioides brasiliensis. Os sintomas são úlceras de pele, adenite e dor no órgão abdominal envolvido. O diagnóstico é clínico e microscópico, confirmado por cultura. O tratamento é feito com azóis (p. ex., itraconazol), anfotericina B, ou sulfonamidas.

(Ver também Visão geral das infecções fúngicas.)

A paracoccidioidomicose ocorre principalmente em focos discretos na América do Sul e Central, mais frequentemente em homens entre 40 e 50 anos de idade, especialmente trabalhadores agrícolas em regiões rurais endêmicas, particularmente no Brasil (1). É rara nos Estados Unidos.

Embora seja uma infecção oportunista relativamente incomum, a paracoccidioidomicose pode ocorrer em pacientes imunocomprometidos, mas é rara naqueles com infecção avançada por HIV.

Embora fontes ambientais específicas de Paracoccidioides brasiliensis permaneçam indefinidas, presume-se que o fungo exista no solo na forma de mofo, com a infecção ocorrendo por inalação de conídios (esporos produzidos pela forma micelial do fungo). Estes convertem-se em leveduras invasivas nos pulmões, assumindo-se que sua disseminação ocorra por via linfo-hematogênica.

Referência geral

  1. 1. Blotta MH, Mamoni RL, Oliveira SJ, et al. Endemic regions of paracoccidioidomycosis in Brazil: a clinical and epidemiologic study of 584 cases in the southeast region. Am J Trop Med Hyg. 1999;61(3):390-394. doi:10.4269/ajtmh.1999.61.390

Sinais e sintomas da paracoccidioidomicose

A maioria das pessoas que inalam conídios de P. brasiliensis desenvolve infecção pulmonar assintomática.

Em geral, a doença sintomática se manifesta como pneumonia aguda, que pode se resolver espontaneamente. Do ponto de vista clínico, as infecções aparentes são, geralmente, crônicas e progressivas, mas comumente não são fatais. Existem 3 padrões:

  • Mucocutâneas: as infecções muito frequentemente envolvem a face, em especial as bordas mucocutâneas do nariz e da cavidade oral. Em geral, leveduras são abundantes e apresentam lesões puntiformes sobre bases granulares de úlceras que se expandem lentamente. Linfonodos regionais aumentam de tamanho, tornam-se necróticos e drenam material necrótico através da pele.

  • Linfáticas: ocorre aumento indolor de linfonodos cervicais, supraclaviculares, ou axilares.

  • Viscerais: caracterizadas por lesões focais que causam aumento, em especial, de fígado, baço e linfonodos abdominais, algumas vezes com dor abdominal concomitante.

As infecções podem ser mistas, envolvendo combinações dos 3 padrões.

A paracoccidioidomicose pode se manifestar como:

  • Forma aguda ou subaguda que geralmente acomete pacientes < 30 anos e se manifesta como doença disseminada (atingindo linfonodos, fígado, baço e medula óssea)

  • Uma forma crônica que afeta principalmente pacientes > 30 anos de idade devido à reativação que pode causar doença pulmonar crônica com fibrose pulmonar, enfisema e bolhas pulmonares

Manifestações da paracoccidioidomicose
Paracoccidioidomicose (úlceras mucocutâneas)

A infecção por Paracoccidioides brasiliensis torna-se clinicamente aparente como úlceras mucocutâneas, especialmente em torno do nariz (parte superior) e da boca, acometendo a língua, a faringe e as gengivas (parte inferior).

A infecção por Paracoccidioides brasiliensis torna-se clinicamente aparente como úlceras mucocutâneas, especialmente em

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Images courtesy of www.doctorfungus.org © 2005.

Paracoccidioidomicose (pescoço)

Na infecção por Paracoccidioides brasiliensis, os linfonodos regionais podem necrosar.

Na infecção por Paracoccidioides brasiliensis, os linfonodos regionais podem necrosar.

Imagem cedida por cortesia de www.doctorfungus.org © 2005.

Paracoccidioidomicose (face)

A paciente nesta foto apresenta envolvimento facial e auricular. Esta foto mostra duas placas verrucosas acinzentadas em uma base eritematosa, nódulos eritematosos e manchas violáceas.

A paciente nesta foto apresenta envolvimento facial e auricular. Esta foto mostra duas placas verrucosas acinzentadas e

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Imagem cedida por cortesia de Karen McKoy, MD.

Diagnóstico da paracoccidioidomicose

  • Cultura e/ou histopatologia

  • Métodos sorológicos

  • Exames de imagem

Achados clínicos sugerem o diagnóstico de paracoccidioidomicose. O diagnóstico é estabelecido pela identificação direta de espécies de Paracoccidioides em amostras clínicas por meio de microscopia, histopatologia ou cultura. Exames de imagem podem detectar envolvimento de tecidos mais profundos.

O diagnóstico é feito por cultura, embora a presença de grandes leveduras (frequentemente, > 15 micrômetros) nas amostras, formando brotamentos múltiplos característicos, forneça forte evidência presuntiva. Testes sorológicos, particularmente a imunodifusão dupla, são um complemento valioso, oferecendo sensibilidade de 90% e especificidade de 100% (1).

Como a cultura do P. brasiliensis pode representar um risco biológico importante para a equipe do laboratório, o laboratório deve ser notificado sobre a suspeita diagnóstica.

Exames de imagem, como radiografias de tórax ou TCs de tórax, podem identificar envolvimento pulmonar.

Referência sobre diagnóstico

  1. 1. Moreto TC, Marques ME, de Oliveira ML, Moris DV, de Carvalho LR, Mendes RP. Accuracy of routine diagnostic tests used in paracoccidioidomycosis patients at a university hospital. Trans R Soc Trop Med Hyg. 2011;105(8):473-478. doi:10.1016/j.trstmh.2011.03.001

Tratamento da paracoccidioidomicose

  • Itraconazol

(Ver também Antifúngicos.)

Azóis são altamente eficazes. Itraconazol oral é, geralmente, considerado o medicamento de escolha, principalmente por custar menos que outros azóis disponíveis nas áreas endêmicas.

A anfotericina B intravenosa também pode eliminar a infecção, sendo muitas vezes utilizada em casos graves.

As sulfonamidas (p. ex., sulfametoxazol/trimetoprima), amplamente utilizadas em alguns países por serem baratas, podem suprimir o crescimento de Paracoccidioides e melhorar as lesões. Podem precisar ser administrados por longos períodos de tempo, frequentemente excedendo 2 anos (1).

Referência sobre tratamento

  1. 1. Nery AF, Crepaldi NP, Rossi SBRS, et al. Therapeutic Response in Adult Patients with Nonsevere Chronic Paracoccidioidomycosis Treated with Sulfamethoxazole-Trimethoprim: A Retrospective Study. Am J Trop Med Hyg. 2017;97(2):556-562. doi:10.4269/ajtmh.16-0255

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