Manual MSD

Please confirm that you are a health care professional

honeypot link

Infecções por Vibrio não cólera

Por

Larry M. Bush

, MD, FACP, Charles E. Schmidt College of Medicine, Florida Atlantic University;


Maria T. Perez

, MD, Wellington Regional Medical Center, West Palm Beach

Última modificação do conteúdo abr 2018
Clique aqui para acessar Educação para o paciente

Víbrios não cólera são bactérias Gram-negativas Vibrio parahaemolyticus, V. mimicus, V. alginolyticus, V. hollisae,V. vulnificus; podem causar diarreia, infecção de feridas ou septicemia.

Os vibriões não cólera são às vezes chamados vibriões não aglutináveis (não se aglutinam com o soro de pacientes com cólera). Normalmente, habitam as águas salgadas e quentes ou uma mistura de água salgada e doce (p. ex., em estuários).

V. parahaemolyticus, V. mimicus, e V. hollisae causam epidemias de diarreia transmitidas por alimentos (frutos do mar inadequadamente cozidos, em geral, camarão).

Infecções por V. parahaemolyticus ocorrem normalmente no Japão e em áreas costeiras dos EUA. O microrganismo não produz enterotoxina, nem invade a circulação sanguínea, mas lesiona a mucosa intestinal. Também podem infectar uma ferida quando água salgada e quente entra em uma ferida pequena.

V. alginolyticus e V. vulnificus não causam enterites, mas ambos podem provocar infecção de ferida grave. O V. vulnificus, quando ingerido por um hospedeiro comprometido (em geral alguém com doença hepática crônica ou imunodeficiência), pode atravessar a mucosa intestinal sem causar enterite e provocar sepse com alta taxa de mortalidade; ocasionalmente, pessoas saudáveis desenvolvem essas infecções.

Sinais e sintomas

Doença entérica começa de maneira súbita após 15 a 24 horas de período de incubação; as manifestações incluem cólicas abdominais, grandes volumes de diarreia aquosa (as fezes podem ser sanguinolentas e conter linfócitos polimorfonucleares PMNs]), tenesmo, fraqueza e, às vezes, náuseas, vômitos e febre baixa. Os sintomas cedem espontaneamente em 24 a 48 h.

Feridas infectadas por água quente de mar podem progredir rapidamente para celulite em alguns casos (tipicamente aqueles envolvendo V. vulnificus), resultando em fasciite necrosante com lesões hemorrágicas e bolhosas típicas.

A sepse por V. vulnificus provoca choque, lesões bolhosas da pele e muitas vezes manifestações de coagulação intravascular disseminada (p. ex., trombocitopenia, hemorragia) e a taxa de mortalidade é alta.

Diagnóstico

  • Culturas

Feridas e infecções por Vibrio não cólera do fluxo sanguíneo são prontamente diagnosticadas em culturas de rotina. Quando se suspeita de infecção entérica, organismos Vibrio podem ser cultivados de fezes em meio de tiossulfato, citrato, sais biliares e sacarose. Frutos do mar contaminados também apresentam culturas positivas.

Tratamento

  • Ciprofloxacino ou doxiciclina na infecção entérica

  • Antibióticos e, muitas vezes, desbridamento da ferida infectada

Pode-se tratar infecções por Vibrio não cólera com uma dose única de:

  • Ciprofloxacino 1 g VO

  • Doxiciclina, 300 mg VO

Mas, em geral, esse tratamento não é necessário porque a infecção é autolimitada, embora o tratamento possa ser considerado em casos graves.

Se houver diarreia, deve-se dar atenção especial à repleção de volume e reposição dos eletrólitos perdidos.

Nas feridas infectadas são utilizados antibióticos, normalmente doxiciclina, 100 mg VO a cada 12 h, com ou sem cefalosporinas de 3ª geração em feridas com infecção grave ou sepse. Ciprofloxacino é uma alternativa aceitável.

Para os pacientes com fasciite necrosante, é necessário também o desbridamento cirúrgico.

Pontos-chave

  • Vibriões não cólera podem causar diarreia, infecção de feridas ou sepse, dependendo da espécie e do modo de exposição.

  • Diagnosticar usando culturas de fezes, feridas ou sangue conforme apropriado.

  • Tratar infecções entéricas graves com uma única dose de ciprofloxacino ou doxiciclina.

  • Tratar as infecções de feridas com doxiciclina; para infecção grave acrescentar uma cefalosporina de 3ª geração.

  • Fasciite necrosante exige desbridamento cirúrgico.

Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família
Profissionais também leram

Também de interesse

MÍDIAS SOCIAIS

PRINCIPAIS