Hipoglicemia

PorErika F. Brutsaert, MD, New York Medical College
Reviewed ByGlenn D. Braunstein, MD, Cedars-Sinai Medical Center
Revisado/Corrigido: modificado dez. 2025
v104715671_pt
Visão Educação para o paciente

Hipoglicemia ou baixo nível de glicose no plasma podem resultar em estimulação do sistema nervoso simpático e disfunção do sistema nervoso central. Em pacientes com diabetes em uso de insulina ou em tratamento anti-hiperglicêmico, a hipoglicemia é comum e é definida como um nível de glicose ≤ 70 mg/dL. Por outro lado, a hipoglicemia não relacionada com o tratamento com insulina exógena é uma síndrome clínica incomum causada por diversas doenças ou medicamentos. O diagnóstico requer exame de glicemia no momento dos sintomas ou durante jejum de 72 horas. O tratamento da hipoglicemia consiste em fornecer glicose associada ao tratamento da causa subjacente.

Mais comumente, a hipoglicemia sintomática é uma complicação do tratamento medicamentoso do diabetes mellitus com anti-hiperglicêmicos orais (especialmente sulfonilureias) e insulina.

A hipoglicemia sintomática não relacionada com o tratamento do diabetes mellitus é relativamente rara, em parte pelo fato de o organismo ter amplos mecanismos contrarreguladores para compensar as baixas concentrações de glicose. A elevação em pico das concentrações de glucagon e adrenalina em resposta à hipoglicemia aguda parece ser a primeira linha de defesa. Cortisol e o GH (growth hormone) também se elevam agudamente e são importantes na recuperação da hipoglicemia prolongada. O limiar para liberação desses hormônios é, geralmente, superior aos sintomas de hipoglicemia. Síndromes hereditárias ou congênitas que causam hipoglicemia na infância e adolescência não são discutidas aqui. (Ver Hipoglicemia neonatal e Visão geral dos distúrbios do metabolismo de carboidratos.)

Etiologia da hipoglicemia

A hipoglicemia em pacientes sem diabetes é rara (1). Pode ocorrer em jejum ou no estado pós-prandial (1 a 3 horas depois de comer) e pode ser classificada como mediada pela insulina ou não mediada pela insulina. Uma classificação útil e prática baseia-se no estado clínico: se a hipoglicemia ocorre em pacientes com aspecto saudável ou enfermo.

Pacientes com aparência saudável

Em adultos com bom aspecto e sem diabetes, o diagnóstico diferencial inclui distúrbios mediados pela insulina e não mediados pela insulina (2).

As causas mediadas pela insulina incluem:

  • Insulina exógena

  • Uso de secretagogos de insulina (sulfonilureia)

  • Insulinoma

  • Hipoglicemia pós-cirurgia bariátrica

  • Síndrome de hipoglicemia pancreatogênica não insulínica (SHPNI)

  • Hipoglicemia autoimune com anticorpos anti-insulina

Insulinoma é um tumor neuroendócrino raro de células beta produtoras de insulina. Tipicamente, causa hipoglicemia em jejum, embora também possa ocorrer hipoglicemia pós-prandial.

A hipoglicemia que ocorre após cirurgia bariátrica é uma hipoglicemia hiperinsulinêmica que às vezes se desenvolve anos após a cirurgia bariátrica (especialmente o bypass gástrico em Y de Roux). É rara, mas sua frequência real não é conhecida, e as amostras patológicas mostram nesidioblastose (proliferação anormal das células beta pancreáticas). A hipoglicemia é tipicamente pós-prandial.

A síndrome de hipoglicemia pancreatogênica não insulinoma (SHPNI) é uma doença rara na qual os pacientes têm hipoglicemia hiperinsulinêmica com exames de imagem local negativos e sem história de cirurgia bariátrica. Em geral, a hipoglicemia é pós-prandial, e as amostras cirúrgicas mostram características de nesidioblastose.

A hipoglicemia autoimune por anticorpos anti-insulina é uma doença que ocorre mais frequentemente em pacientes com outras doenças autoimunes, como lúpus eritematoso sistêmico. Os autoanticorpos se ligam à insulina ou receptores de insulina nas membranas celulares nos tecidos alvo (p. ex., fígado, músculos, tecido adiposo) e dissociam-se. A insulina circulante torna-se disponível para se ligar ao receptor na dissociação dos anticorpos, que causam hipoglicemia. O tratamento é com corticoides ou imunossupressores.

As causas não mediadas por insulina são:

Pacientes com aparência doente

Em pacientes enfermos, o diagnóstico diferencial também inclui distúrbios mediados pela insulina e não mediados pela insulina (2).

Os transtornos mediados por insulina são:

  • Insulina exógena

  • Uso de secretagogos de insulina (sulfonilureia)

Os transtornos não mediados por insulina são:

Em pacientes enfermos e hospitalizados, hipoglicemia espontânea que não é causada por medicamentos pode ocorrer quando a má nutrição é combinada com insuficiência de órgãos em fase avançada (especialmente insuficiência hepática, renal ou cardíaca) e/ou sepse. Nesses pacientes, a hipoglicemia indica um prognóstico desfavorável.

A hipoglicemia decorrente de tumor que não da ilhota pancreática é uma doença rara causada pela produção de grandes quantidades de formas aberrantes do fator 2 de crescimento semelhante à insulina (IGF-2) por um tumor. A forma aberrante do IGF-2 liga-se ao receptor de insulina e causa hipoglicemia. Quando a hipoglicemia se desenvolve, o tumor geralmente está em fase avançada.

A hipoglicemia factícia é a hipoglicemia verdadeira induzida pela administração não terapêutica de sulfonilureias ou insulina.

Pseudohipoglicemia

Pseudo-hipoglicemia ocorre quando o processamento de amostras de sangue em tubos de ensaio não tratados é retardado e as células, como eritrócitos e leucócitos (em especial se estiverem aumentados, como em leucemia ou policitemia), consomem a glicose. A má circulação nos dígitos também pode provocar medições erroneamente baixas na glicemia medida na ponta dos dedos.

Referências sobre etiologia

  1. 1. González-Vidal T, Lado-Baleato Ó, Fernández-Merino C, et al. Evaluation of Asymptomatic Fasting Hypoglycemia in Outpatients Without Diabetes. J Am Board Fam Med. Published online August 11, 2025. doi:10.3122/jabfm.2024.240274R1

  2. 2. Looi E, Lawler HM. Non-Diabetic Hypoglycemia: Evaluation and Management in Adults. J Clin Med. 2025;14(13):4393. doi:10.3390/jcm14134393

Sinais e sintomas da hipoglicemia

Uma elevação de atividade autonômica em resposta a baixas concentrações plasmáticas de glicose causa sudorese, náuseas, calor, ansiedade, tremores, palpitação e, possivelmente, fome e parestesias (1). O suprimento inadequado de glicose para o cérebro (neuroglicopenia) causa cefaleia, visão turva ou dupla, confusão, agitação, convulsões e coma. Nos idosos, a hipoglicemia pode causar sinais e sintomas semelhantes aos de um acidente vascular cerebral com afasia ou hemiparesia e tem maior probabilidade de causar um acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio e morte súbita (2, 3).

Pacientes com diabetes mellitus, especialmente pacientes com diabetes tipo 1, diabetes tipo 2 de longa duração ou pacientes com hipoglicemia frequente podem não perceber os episódios de hipoglicemia por não apresentarem mais os sintomas autonômicos (hipoglicemia despercebida) (4).

Em estudos de pesquisa sob condições controladas, os sintomas autonômicos iniciam-se em níveis de glicemia ≤ 60 mg/dL (3,3 mmol/L), enquanto os sintomas do sistema nervoso central ocorrem em níveis ≤ 50 mg/dL (5). A maioria das pessoas com níveis de glicose nesses limiares pode não apresentar sintomas e as pessoas com sintomas sugestivos de hipoglicemia podem ter concentrações normais de glicose.

Referência sobre sinais e sintomas

  1. 1. Palani G, Stortz E, Moheet A. Clinical Presentation and Diagnostic Approach to Hypoglycemia in Adults Without Diabetes Mellitus. Endocr Pract. 2023;29(4):286-294. doi:10.1016/j.eprac.2022.11.010

  2. 2. Makam S, Stein LK, Dhamoon MS. Hypoglycemic Events May Trigger Acute Ischemic Stroke Within 30 Days in Those With Diabetes: A Case-Crossover Study. Stroke. 2025;56(1):122-127. doi:10.1161/STROKEAHA.124.049178

  3. 3. Mattishent K, Loke YK. Meta-Analysis: Association Between Hypoglycemia and Serious Adverse Events in Older Patients Treated With Glucose-Lowering Agents. Front Endocrinol (Lausanne). 2021;12:571568. doi:10.3389/fendo.2021.571568

  4. 4. Martín-Timón I, Del Cañizo-Gómez FJ. Mechanisms of hypoglycemia unawareness and implications in diabetic patients. World J Diabetes. 2015;6(7):912-926. doi:10.4239/wjd.v6.i7.912

  5. 5. Cryer PE. Symptoms of hypoglycemia, thresholds for their occurrence, and hypoglycemia unawareness. Endocrinol Metab Clin North Am. 1999;28(3):495-vi. doi:10.1016/s0889-8529(05)70084-0

Diagnóstico da hipoglicemia

  • Medição do nível de glicose no sangue

  • Às vezes, glicemia em jejum

  • Às vezes, insulina sérica, anticorpos contra insulina, níveis de sulfonilureia, peptídeo C, pró-insulina, cetonas séricas

Em pacientes com diabetes em uso de insulina ou de anti-hiperglicêmicos, um nível sérico de glicose < 70 mg/dL (3,9 mmol/L) correlacionado com achados clínicos é consistente com hipoglicemia.

A gravidade da hipoglicemia em pacientes com diabetes depende dos níveis séricos de glicose e da necessidade de assistência:

  • Hipoglicemia de nível 1 (leve): glicemia < 70 mg/dL (< 3,9 mmol/L), mas 54 mg/dL ( 3 mmol/L)

  • Hipoglicemia de nível 2 (moderada): glicose no sangue < 54 mg/dL (< 3 mmol/L)

  • Hipoglicemia de nível 3 (grave): hipoglicemia que exige assistência de outra pessoa por causa da alteração do estado mental ou físico

Em pacientes que não estão recebendo tratamento para diabetes, o diagnóstico de um transtorno hipoglicêmico requer a confirmação da tríade de Whipple ou a confirmação de baixa glicemia durante um jejum. A tríade de Whipple é:

  • Sintomas de hipoglicemia

  • Baixo nível plasmático de glicose [< 55 mg/dL (3,05 mmol/L)] que acontece concomitantemente aos sintomas

  • Diminuição dos sintomas quando se administra glicose ou outro açúcar

Se um médico estiver presente quando os sintomas ocorrem, deve-se enviar o sangue para teste de glicose em um tubo contendo um inibidor glicolítico. Se a glicose está normal, descartar hipoglicemia e considerar outras causas dos sintomas. Se a glicemia estiver anormalmente baixa e não for possível identificar uma causa a partir da anamnese (p. ex., medicamentos, insuficiência suprarrenal, desnutrição grave, disfunção orgânica ou sepse), os níveis séricos de insulina, anticorpos anti-insulina e sulfonilureia devem ser medidos. O peptídeo C e a pró-insulina medidos no mesmo tubo podem distinguir a hipoglicemia mediada pela insulina da não mediada pela insulina e a hipoglicemia factícia da fisiológica, podendo evitar a necessidade de testes adicionais.

Na prática, entretanto, é incomum que médicos estejam presentes quando os pacientes experimentam os sintomas que sugerem hipoglicemia. Medidores caseiros de glicose não são confiáveis para quantificar a hipoglicemia e não há limiares claros de hemoglobina A1C que distingam hipoglicemia a longo prazo de normoglicemia. Os monitores contínuos de glicose também são menos precisos na faixa hipoglicêmica. Portanto, a necessidade de exames diagnósticos mais extensos baseia-se na probabilidade de que exista uma doença subjacente que possa causar hipoglicemia com base na aparência clínica do paciente e em doenças coexistentes.

Para diferenciar entre a hipoglicemia mediada pela insulina da não mediada pela insulina e para determinar a etiologia da hipoglicemia, pode ser necessário jejum de 48 ou 72 horas. Um jejum prolongado pode desencadear hipoglicemia em uma pessoa com história de hipoglicemia de jejum.

Jejum de 72 horas realizado em um ambiente controlado é o padrão para diagnóstico. Entretanto, em quase todos os pacientes com distúrbio hipoglicêmico, o jejum de 48 hora é adequado para detectar a hipoglicemia, e o jejum completo de 72 hora pode não ser necessário. Os pacientes bebem apenas bebidas não calóricas e não cafeinadas. A glicemia é medida na linha de base, sempre que houver algum sintoma e a cada 4 a 6 horas ou a cada 1 a 2 horas se a glicose cair abaixo de 70 mg/dL (3,9 mmol/L).

Deve-se medir insulina sérica, peptídeo C e pró-insulina quando a glicemia simultânea for < 55 mg/dL (< 3,05 mmol/L). Essas medições ajudam a distinguir a hipoglicemia endógena da exógena (factícia). O jejum termina em 72 horas se o paciente não experimentar sintomas e se a glicose permanecer normal; acaba antes se a glicose cair para 45 mg/dL ( 2,5 mmol/L) na presença de sintomas de hipoglicemia.

As dosagens ao final do jejum contemplam o beta-hidroxibutirato (que deve ser baixa se a causa for um insulinoma), a sulfonilureia sérica para detectar hipo glicemia induzida por medicamentos e a glicemia após injeção IV de glucagon para detectar o aumento típico do insulinoma. Sensibilidade, especificidade e valores preditivos para detectar hipoglicemia por esse protocolo não foram relatados.

Se não ocorrer hipoglicemia sintomática em 48 a 72 horas, o paciente deve realizar atividades físicas vigorosa por cerca de 30 minutos. Se ainda não ocorrer hipoglicemia, o insulinoma estará essencialmente excluído e, geralmente, não se indicam mais exames.

Não há um limiar inferior estabelecido de glicose que defina inequivocamente hipoglicemia patológica durante o jejum monitorado. Mulheres tendem a apresentar concentrações de glicose inferiores às dos homens e podem apresentar concentrações de até 50 mg/dL (2,8 mmol/L) sem sintomas.

Em pacientes com história de padrão pós-prandial de hipoglicemia, como em um paciente com hipoglicemia após cirurgia bariátrica, um jejum prolongado pode não desencadear hipoglicemia. Nesses indivíduos, deve-se avaliar se há hipoglicemia depois de uma refeição mista ou uma refeição semelhante à que anteriormente desencadeou sintomas de hipoglicemia (muitas vezes rica em carboidratos refinados e gordura). Pode-se verificar medidas da glicemia por punção digital e exames de sangue avaliando os níveis de glicose, insulina e peptídeo C em intervalos de 30 minutos após a refeição, por até 4 horas.

Tratamento da hipoglicemia

  • Açúcares por via oral ou glicose IV

  • Às vezes, glucagon por via parenteral

  • Às vezes, cirurgia ou outros medicamentos, dependendo da causa

Tratamento de pacientes em uso de anti-hiperglicêmicos

O tratamento imediato da hipoglicemia envolve fornecimento de glicose. Indivíduos em risco de hipoglicemia devem ter glucagon ou dasiglucagon em casa e em outros locais; deve-se instruir seus familiares e outras pessoas de confiança acerca do tratamento de emergências hipoglicêmicas. Para pacientes com um distúrbio hipoglicêmico subjacente, as medidas para prevenir a hipoglicemia são tão importantes quanto a correção imediata da glicemia.

Pacientes com hipoglicemia prolongada ou grave devem ser hospitalizados para infusão contínua de dextrose intravenosa. Em casos de hipoglicemia grave devido à ingestão de sulfonilureia, deve-se administrar octreotida junto com dextrose.

Em pacientes tratados com medicamentos para redução da glicose (insulina ou sulfonilureias), considera-se hipoglicemia quando o nível de glicose no sangue é < 70 mg/dL (< 3,9 mmol/L); a hipoglicemia deve ser tratada para evitar reduções adicionais no nível de glicose e as consequências da hipoglicemia.

Pacientes que são capazes de comer ou beber podem ingerir sucos, água com açúcar ou soluções de glicose; comer doces ou outros alimentos; ou mastigar comprimidos de glicose quando os sintomas ocorrerem.

Deve-se seguir a regra dos 15 para o tratamento da hipoglicemia. Tipicamente, deve-se ingerir 15 g de glicose ou sacarose. Os pacientes devem verificar seus níveis glicêmicos 15 minutos após a ingestão de glicose ou sacarose e ingerir um adicional de 15 g se o nível glicêmico não estiver > 80 mg/dL (4,4 mmol/L). Depois que os níveis de glicose melhoram para > 80 mg/dL, pode-se ingerir um lanche contendo carboidratos e proteínas complexas para evitar que o nível de glicose caia novamente.

No caso de adultos e crianças que são incapazes de comer ou beber, pode-se administrar 0,5 mg (< 25 kg de peso corporal) ou 1 mg ( 25 kg) de glucagon por via subcutânea ou intramuscular. Spray nasal de glucagon, 1 aplicação (3 mg) em uma narina, pode ser utilizado em adultos e em crianças com idade 4 anos. Dasiglucagon, 0,6 mg por via subcutânea (disponível em um autoinjetor), uma vez, também pode ser utilizado em adultos e crianças 6 anos.

Adultos ou adolescentes que estão hospitalizados podem ser tratados com glicose a 50%, 50 a 100 mL IV em bolus, com ou sem infusão contínua de solução de glicose a 5 a 10%, suficiente para resolver os sintomas.

A eficácia do glucagon depende do tamanho dos depósitos hepáticos de glicogênio; o glucagon tem pouco ou nenhum efeito sobre a glicemia em pacientes que permanecem em jejum ou que apresentam hipoglicemia por períodos prolongados.

A hiperglicemia pode ocorrer após hipoglicemia por ingestão de excesso de açúcar ou em razão de a hipoglicemia causar um pico de hormônios contrarreguladores (glucagon, adrenalina, cortisol, hormônio do crescimento).

Tratamento em pacientes que não utilizam anti-hiperglicêmicos

Também deve-se corrigir a hipoglicemia em pacientes que não tomam insulina ou sulfonilureia; usa-se açúcar oral, glicose IV ou glucagon.

As causas subjacentes de hipoglicemia também devem ser tratadas. Tumores de células das ilhotas ou de outras células devem ser primeiro localizados e depois removidos por enucleação ou pancreatectomia parcial; cerca de 6% reincidem em 10 anos. Diazóxido e octreotida ou outros análogos da somatostatina podem ser utilizados para controle dos sintomas enquanto o paciente aguarda a cirurgia, ou quando o paciente se recusa ou não é candidato ao procedimento.

A síndrome de hipoglicemia pancreogênica não insulínica (SHPNI) é mais frequentemente um diagnóstico de exclusão depois que um tumor de células das ilhotas é procurado, mas não identificado. A SHPNI está mais frequentemente associada à hipoglicemia pós-prandial, semelhante à hipoglicemia pós-bypass gástrico.

Pacientes com hipoglicemia pós-prandial devido a SHPNI ou após bypass gástrico às vezes podem ser tratados com refeições frequentes com baixo teor de carboidratos, mas outros tratamentos, como a acarbose, podem ser empregados para reduzir a absorção de glicose pós-prandial e a resposta de insulina subsequente. Verapamil, diazóxido e octreotida também foram utilizados para diminuir a secreção de insulina.

Medicamentos que causam hipoglicemia, incluindo álcool, devem ser suspensas.

Tratamentos dos distúrbios hereditários e endócrinos, insuficiência hepática, insuficiência renal ou insuficiência cardíaca, e sepse são descritos em outros capítulos.

Pontos-chave

  • Em pacientes em uso de medicamentos para o diabetes, a hipo glicemia é definida como um nível de glicemia < 70 mg/dL (< 3,9 mmol/L).

  • A maior parte da hipoglicemia é causada por medicamentos utilizados para tratar diabetes mellitus (incluindo a utilização sub-reptícia); tumores que secretam insulina são causas raras.

  • O diagnóstico de uma doença hipoglicêmica não decorrente do tratamento do diabetes exige baixa glicemia [< 55 mg/dL (< 3 mmol/L)] mais sintomas hipoglicêmicos simultâneos revertidos com administração de glicose.

  • Se a etiologia da hipoglicemia não estiver clara, fazer jejum de 48 ou 72 horas com dosagem da glicemia em intervalos regulares e sempre que houver algum sintoma.

  • Medir a insulina sérica, C-peptídeo e proinsulina em períodos de hipoglicemia para distinguir hipoglicemia endógena de exógena (factícia).

  • Tratar os pacientes com hipoglicemia decorrente de insulina ou de anti-hiperglicêmicos orais com glicose e glucagon oral ou parenteral, dependendo da gravidade clínica.

  • Em pacientes com hipoglicemia não decorrente de insulina ou outros agentes anti-hiperglicêmicos, administrar glicose e glucagon e tratar a doença subjacente.

quizzes_lightbulb_red
Test your KnowledgeTake a Quiz!
iOS ANDROID
iOS ANDROID
iOS ANDROID