Catarata

PorLeila M. Khazaeni, MD, Loma Linda University School of Medicine
Reviewed BySunir J. Garg, MD, FACS, Thomas Jefferson University
Revisado/Corrigido: modificado nov. 2025
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Visão Educação para o paciente

A catarata é a opacificação congênita ou degenerativa do cristalino. O principal sintoma é perda lenta, gradual e indolor da visão. O diagnóstico é realizado por exames de oftalmoscopia e exame com a lâmpada de fenda. O tratamento é cirúrgico, feito pela remoção do cristalino e colocação de uma lente intraocular em seu lugar.

Cataratas são a principal causa de cegueira no mundo; aproximadamente 54% das pessoas ≥ 60 anos têm cataratas (1).

As opacidades do cristalino podem se desenvolver em vários locais:

  • Na porção central do cristalino (esclerose nuclear/catarata nuclear)

  • Por baixo da cápsula posterior do cristalino (catarata subcapsular posterior)

  • Na periferia da lente, no córtex das fibras do cristalino (catarata cortical).

(Para catarata do desenvolvimento ou congênita, ver Catarata congênita.)

Referência geral

  1. 1. Hashemi H. Pakzad R, Yekta A, et al. Global and regional prevalence of age-related cataract: A comprehensive systematic review and meta-analysis. Eye 34:1357–1370, 2020. doi: 10.1038/s41433-020-0806-3

Etiologia da catarata

Cataratas ocorrem com o envelhecimento. Outros fatores de risco podem incluir o seguinte (1, 2):

  • Trauma (às vezes causando cataratas anos mais tarde)

  • Tabagismo

  • Uso de álcool

  • Exposição a raios X

  • Calor da exposição ao infravermelho

  • Doença sistêmica (p. ex., diabetes)

  • Uveíte

  • Alguns medicamentos sistêmicos (p. ex., glicocorticoides)

  • Desnutrição

  • Exposição crônica à luz ultravioleta

Muitas pessoas com cataratas não têm fatores de risco além da idade. Algumas cataratas são congênitas com etiologia genética, ou associadas a síndromes ou doenças sistêmicas.

Referências sobre etiologia

  1. 1. Chen SP, Woreta F, Chang DF. Cataracts: A Review. JAMA. 2025;333(23):2093-2103. doi:10.1001/jama.2025.1597

  2. 2. Miller KM, Oetting TA, Tweeten JP, et al. Cataract in the Adult Eye Preferred Practice Pattern. Ophthalmology. 2022;129(1):P1-P126. doi:10.1016/j.ophtha.2021.10.006

Sinais e sintomas da catarata

A catarata costuma desenvolver-se lentamente ao longo dos anos. Os primeiros sintomas podem ser perda de contraste, brilho intenso (isto é, círculos ao redor das luzes e explosões de estrelas, não fotofobia), necessidade de mais luz para ver bem e problemas para distinguir azul escuro de preto. Embaçamento indolor acaba ocorrendo. O grau de embaçamento depende da localização e da extensão da opacidade. Visão dupla monocular ou imagens fantasmas raramente ocorrem.

Com uma catarata nuclear a visão a distância piora. A visão de perto pode melhorar nos estágios iniciais por causa de mudanças no índice de refração do cristalino; pacientes présbitas podem temporariamente conseguir ler sem óculos (segunda vista).

Uma catarata subcapsular posterior causa visão turva porque a localização da opacidade afeta a refração dos raios de luz incidentes. Tais cataratas reduzem mais a acuidade visual quando a pupila se contrai (p. ex., em luz brilhante, durante a leitura). Também são o tipo mais provável de causar a perda de contraste, assim como o brilho intenso (halos e explosão de estrelas em torno das luzes), especialmente de luzes brilhantes ou de faróis do carro ao dirigir à noite.

A catarata cortical geralmente se desenvolve em padrão radiado na periferia do cristalino e pode comprometer a visão se progredir para o eixo visual.

Raramente a catarata incha, impelindo a íris sobre a malha trabecular de drenagem, causando sua oclusão e, portanto, glaucoma secundário de ângulo fechado e dor.

Diagnóstico da catarata

  • Oftalmoscopia seguida por exame com a lâmpada de fenda

O diagnóstico é mais preciso com a pupila dilatada. Cataratas bem desenvolvidas aparecem no cristalino como opacidades azul-acinzentadas, brancas ou marrom-amareladas. O exame do reflexo vermelho através da pupila dilatada com o oftalmoscópio a cerca de 30 cm de distância geralmente revela opacidades sutis. Cataratas pequenas destacam-se como defeitos escuros do reflexo vermelho. A catarata grande pode obliterar o reflexo vermelho. O exame com a lâmpada de fenda fornece mais detalhes sobre as características, localização e extensão da opacidade.

Dicas e conselhos

  • O exame do reflexo vermelho através da pupila dilatada com o oftalmoscópio a cerca de 30 cm de distância pode ajudar a identificar catarata precoce se uma lâmpada de fenda não estiver disponível.

Tratamento da catarata

  • Remoção cirúrgica da catarata

  • Colocação de uma lente intraocular

Refrações frequentes e ajustes repetidos da prescrição de lentes corretivas podem ajudar a manter a visão funcional durante o desenvolvimento da catarata. Raramente, dilatação pupilar a longo prazo (fenilefrina 2,5% a cada 4 a 8 horas) é útil para pequenas cataratas localizadas centralmente. Iluminação indireta ao ler minimiza a constrição pupilar e pode otimizar a visão para tarefas próximas.

Indicações habituais para a cirurgia incluem:

  • A melhor acuidade visual corrigida com óculos ou lentes de contato é pior que 20/40 (< 6/12), ou a visão encontra-se significativamente reduzida em condições de ofuscamento (p. ex., iluminação oblíqua ao tentar ler uma tabela de acuidade), em pacientes com halos ou efeitos estrelados incômodos.

  • Pacientes sentem que a visão está limitada (p. ex., impedimento de atividades da vida diária, como dirigir, ler, hobbies e atividades ocupacionais).

Indicações muito menos comuns incluem cataratas que causam glaucoma ou que obscurecem o fundo do olho em pacientes que necessitam de exames periódicos de fundo de olho para o controle de doenças como retinopatia diabética e degeneração macular. Não há indicação para remover cataratas assintomáticas.

Extração de catarata e procedimentos de implante de cristalino

A cirurgia de catarata é feita geralmente com anestesia tópica ou local e sedação IV. Existem 3 técnicas de extração:

  • Na facoemulsificação (um tipo de extração extracapsular de cataratas), o núcleo duro central é dissolvido por ultrassom e, em seguida, o córtex flexível é removido em várias partes pequenas.

  • Na extração da catarata extracapsular, o núcleo duro central é removido em uma só peça e, em seguida, o córtex suave é removido em várias partes pequenas.

  • Na extração da catarata intracapsular, a catarata e a cápsula do cristalino são removidas em uma só peça; esta técnica é raramente utilizada.

Facoemulsificação utiliza a menor incisão, permitindo assim a cura mais rápida, e costuma ser o procedimento preferido. Os lasers de femtossegundos podem ser utilizados em cirurgia refrativa de catarata assistida por laser antes da facoemulsificação para alcançar uma incisão mais precisa e diminuir o risco de infecção. Se o cristalino for muito denso para ser emulsificado por facoemulsificação, realiza-se a extração extracapsular, com remoção do núcleo central, mantendo-se a cápsula do cristalino.

Uma lente de plástico ou de silicone é quase sempre implantada intraocularmente para substituir a potência óptica de focagem do cristalino removido. O implante de lentes é normalmente colocado sobre ou no interior da cápsula do cristalino (lente de câmara posterior). A lente também pode ser colocada à frente da íris (lente de câmara anterior) ou fixada à íris, no plano da íris e no interior da pupila (lente no plano da íris). Lentes no plano da íris são raramente utilizadas, pois muitos modelos levaram a uma alta frequência de complicações pós-operatórias. Lentes intraoculares multifocais são mais recentes e têm diferentes zonas de focagem que podem reduzir a dependência de óculos após a cirurgia. Os pacientes ocasionalmente experimentam brilho intenso com essas lentes, especialmente em condições com pouca luz, e também apresentam problemas com redução da sensibilidade ao contraste.

Cuidados e complicações pós-cirúrgicas

Na maioria dos casos, uma redução gradual dos antibióticos tópicos e glicocorticoides tópicos (p. ex., acetato de prednisolona) junto com anti-inflamatórios não esteroides tópicos (AINEs; p. ex., cetorolaco) são utilizados por até 4 semanas após a cirurgia. Antibióticos, bem como glicocorticoides e AINEs também podem ser injetados no olho (intracameral) na conclusão da cirurgia de catarata, com a necessidade reduzida de colírios tópicos no pós-operatório (uma técnica chamada "cirurgia de catarata sem gotas"). Estudos mostram que o uso intracameral de antibióticos diminui a endoftalmite pós-operatória (1, 2). Estudos também demonstraram que a dexametasona intracameral foi segura e eficaz na redução da dor pós-operatória e da inflamação (3). Os pacientes muitas vezes utilizam um protetor ocular ao dormir e devem evitar a manobra de Valsalva, trabalho pesado, flexão excessiva para frente e esfregar os olhos por várias semanas.

As principais complicações da cirurgia de catarata são raras (4). As complicações incluem (5):

  • Intraoperatório: hemorragia sob a retina fazendo com que os conteúdos intraoculares vazem através da incisão (hemorragia da coroide — muito rara, podendo resultar em cegueira irreversível), prolapso do vítreo para fora da incisão (perda vítrea), deslocamento de fragmentos da catarata para dentro do vítreo, queimadura incisional e descolamento do endotélio da córnea e membrana basal (lâmina limitante posterior, ou membrana de Descemet)

  • Na primeira semana: endoftalmite (infecção dentro do olho — muito rara, podendo resultar em cegueira irreversível) e glaucoma

  • No primeiro mês: edema macular cistoide

  • Meses mais tarde: ceratopatia bolhosa (isto é, edema da córnea causado por danos nas células endoteliais da córnea durante a cirurgia de catarata), descolamento de retina e opacificação da cápsula posterior (comum, mas tratável com laser)

Após a cirurgia, a visão retorna a 20/40 (6/12) ou mais em 95% dos olhos se não houver distúrbios preexistentes, como ambliopia, retinopatia, degeneração macular e glaucoma (4). Se uma lente intraocular não for implantada, o olho fica afácico e lentes de contato ou óculos com lentes de alta potência são necessários para corrigir a hipermetropia resultante.

Referências sobre tratamento

  1. 1. Melega MV, Alves M, Cavalcanti Lira RP, et al. Safety and efficacy of intracameral moxifloxacin for prevention of post-cataract endophthalmitis: Randomized controlled clinical trial. J Cataract Refract Surg 45(3):343-350, 2019. doi: 10.1016/j.jcrs.2018.10.044

  2. 2. Shorstein NH, Winthrop KL, Herrinton LJ. Decreased postoperative endophthalmitis rate after institution of intracameral antibiotics in a Northern California eye department. J Cataract Refract Surg 39(1):8-14, 2013. doi: 10.1016/j.jcrs.2012.07.031

  3. 3. Walters T, Bafna S, Vold S, et al. Efficacy and safety of sustained release dexamethasone for the treatment of ocular pain and inflammation after cataract surgery: Results from two phase 3 studies. J Clin Exp Ophthalmol 7.4 (2016):1-11.

  4. 4. Powe NR, Schein OD, Gieser SC, et al. Synthesis of the literature on visual acuity and complications following cataract extraction with intraocular lens implantation. Cataract Patient Outcome Research Team. Arch Ophthalmol. 112(2):239-252, 1994. doi: 10.1001/archopht.1994.01090140115033. Erratum in: Arch Ophthalmol 112(7):889, 1994.

  5. 5. Chen SP, Woreta F, Chang DF. Cataracts: A Review. JAMA. 2025;333(23):2093-2103. doi:10.1001/jama.2025.1597

Prevenção da catarata

Muitos oftalmologistas recomendam óculos com proteção ultravioleta ou óculos de sol como medida preventiva. Redução de fatores de risco como álcool, tabaco e glicocorticoides e controle da glicose no diabetes atrasam o aparecimento da doença.

A exposição ao estrogênio ao longo da vida (p. ex., idade mais precoce na menarca, idade mais avançada na menopausa, terapia de reposição hormonal com estrogênio) em mulheres pode ser protetora contra o desenvolvimento de cataratas (1).

Embora algumas evidências observacionais sugiram que uma dieta rica em vitamina C, vitamina A e carotenoides (contidos em vegetais como espinafre e couve) possa proteger contra catarata (2), os efeitos da suplementação têm sido variáveis (3, 4).

Referências sobre prevenção

  1. 1. Klein BE, Klein R, Ritter LL. Is there evidence of an estrogen effect on age-related lens opacities? The Beaver Dam Eye Study. Arch Ophthalmol. 1994;112(1):85-91. doi:10.1001/archopht.1994.01090130095025

  2. 2. Mares JA, Voland R, Adler R, et al. Healthy diets and the subsequent prevalence of nuclear cataract in women. Arch Ophthalmol 128(6):738-749, 2010. doi: 10.1001/archophthalmol.2010.84

  3. 3. Mathew MC, Ervin AM, Tao J, et al. Antioxidant vitamin supplementation for preventing and slowing the progression of age-related cataract. Cochrane Database Syst Rev6(6):CD004567, 2012. doi: 10.1002/14651858.CD004567.pub2

  4. 4. Christen WG, Glynn RJ, Manson JE, et al. Effects of multivitamin supplement on cataract and age-related macular degeneration in a randomized trial of male physicians. Ophthalmology 121(2):525-534, 2014. doi: 10.1016/j.ophtha.2013.09.038.

Pontos-chave

  • Fatores de risco modificáveis para a catarata incluem exposição à luz ultravioleta; uso de álcool, tabaco e corticoides sistêmicos; e baixo controle da glicose no sangue.

  • Os sintomas incluem perda do contraste, brilho intenso (halos e explosões de estrelas ao redor das luzes) e, com o tempo, visão ofuscada.

  • O diagnóstico é por exame com o olho dilatado.

  • Remoção cirúrgica e colocação de uma lente intraocular geralmente são indicadas se a catarata contribui para perda visual que interfere nas atividades da vida diária, causa brilho intenso incômodo ou alcança certos graus de gravidade (p. ex., melhor acuidade visual corrigida abaixo de 20/40).

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