Neuronite vestibular

(Labirintite viral)

PorMickie Hamiter, MD, Tampa Bay Hearing and Balance Center
Reviewed ByLawrence R. Lustig, MD, Columbia University Medical Center and New York Presbyterian Hospital
Revisado/Corrigido: modificado out. 2025
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Visão Educação para o paciente

A neuronite vestibular causa um episódio autolimitado de vertigem, presumivelmente devido à inflamação da divisão vestibular do VIII par craniano; alguma disfunção vestibular pode persistir.

A neuronite vestibular é uma condição inflamatória aguda que afeta a divisão vestibular do oitavo nervo craniano e causa desequilíbrio devido a impulsos desordenados transmitidos da orelha interna ao cérebro. Às vezes, usa-se neuronite vestibular como sinônimo de labirintite viral. Entretanto, a neuronite vestibular se manifesta apenas com vertigem, enquanto na labirintite viral, zumbido, perda auditiva, ou ambos, também estão presentes.

Em um estudo, a incidência anual variou entre 11,7 e 15,5 casos por 100.000 pessoas, com uma idade média de início de 52,3 anos (1). A neuronite vestibular é geralmente causada por uma infecção viral ou inflamação pós-viral. Geralmente é unilateral.

Referência

  1. 1. Adamec I, Krbot Skorić M, Handžić J, Habek M. Incidence, seasonality and comorbidity in vestibular neuritis. Neurol Sci. 2015;36(1):91-95. doi:10.1007/s10072-014-1912-4

Sinais e sintomas da neuronite vestibular

Os sintomas de neuronite vestibular incluem um único ataque grave de vertigem, com náuseas e vômitos, e nistagmo persistente em direção ao lado não afetado, que dura de 7 a 10 dias. O nistagmo é unidirecional, horizontal e espontâneo, com oscilações de batida rápida na direção da orelha não afetada.

A ausência de zumbido ou perda auditiva concomitante é uma característica da neuronite vestibular e ajuda a diferenciá-la da doença de Ménière bem como de labirintite.

Instabilidade da marcha com ambulação preservada pode ocorrer devido a desequilíbrio.

A condição desaparece lentamente ao longo de dias ou semanas após o episódio inicial. Alguns pacientes têm desequilíbrio residual, em especial com movimentos rápidos da cabeça, provavelmente em consequência de lesão vestibular permanente.

Diagnóstico da neuronite vestibular

  • Principalmente história e exame físico

  • Avaliação audiológica, eletronistagrafia e RM

Se os clínicos suspeitarem de neuronite vestibular, o diagnóstico geralmente pode ser feito com base na história e no exame físico. O teste de impulso cefálico, nistagmo e desvio vertical (HINTS) pode ser realizado em situações de emergência para diferenciar neurite vestibular de causas centrais (p. ex., acidente vascular cerebral) (1). Quando administrado por examinadores habilidosos, esse teste pode ser mais preciso do que os exames de imagem (2); além disso, possui alta sensibilidade e especificidade (3).

O teste HINTS consiste nos seguintes 3 componentes:

  • Teste do impulso da cabeça: o examinador pede que o paciente fixe os olhos em um alvo na sua frente (p. ex., no nariz do examinador). Então, enquanto observa os olhos do paciente, o examinador gira rapidamente a cabeça do paciente 15 a 30° para um dos lados. Quando a cabeça é girada para um lado, a função vestibular nesse lado é normal se os olhos do paciente permanecerem fixos no alvo. Quando a função vestibular está prejudicada, o reflexo vestíbulo-ocular (um reflexo que coordena os movimentos oculares com os movimentos da cabeça, garantindo visão estável durante o movimento da cabeça) está ausente e os olhos do paciente não permanecem fixos no alvo, mas, em vez disso, seguem transitoriamente a rotação da cabeça e, em seguida, de forma rápida e voluntária, retornam de volta ao alvo (chamados movimentos sacádicos de recuperação retardados).

  • Nistagmo: os olhos do paciente são observados em posição primária e em olhar lateral, verificando-se a direção do nistagmo e eventuais mudanças em diferentes posições.

  • Teste vertical de desvio: O paciente é solicitado a fixar o olhar no nariz do examinador com um olho coberto e então rapidamente descoberto; em um teste positivo, haverá realinhamento vertical dos olhos.

Se qualquer um desses 3 testes for sugestivo de uma causa central ou se houver quaisquer sintomas neurológicos associados, é necessária uma avaliação emergencial adicional.

Tabela
Tabela

Fora de situações de emergência, os testes devem incluir uma avaliação audiológica, eletronistagmografia com prova calórica e RM com gadolínio do encéfalo, com atenção aos canais auditivos internos para excluir outros diagnósticos (p. ex., tumor do ângulo pontocerebelar). A RM pode evidenciar aumento dos nervos vestibulares, em consonância com neurite inflamatória.

Referências sobre diagnóstico

  1. 1. Edlow JA, Carpenter C, Akhter M, et al. Guidelines for reasonable and appropriate care in the emergency department 3 (GRACE-3): Acute dizziness and vertigo in the emergency department. Acad Emerg Med. 2023;30(5):442-486. doi:10.1111/acem.14728

  2. 2. Tarnutzer AA, Gold D, Wang Z, et al. Impact of Clinician Training Background and Stroke Location on Bedside Diagnostic Test Accuracy in the Acute Vestibular Syndrome - A Meta-Analysis. Ann Neurol. 2023;94(2):295-308. doi:10.1002/ana.26661

  3. 3. Gottlieb M, Peksa GD, Carlson JN. Head impulse, nystagmus, and test of skew examination for diagnosing central causes of acute vestibular syndrome. Cochrane Database Syst Rev. 2023;11(11):CD015089. Published 2023 Nov 2. doi:10.1002/14651858.CD015089.pub2

Tratamento da neuronite vestibular

  • Alívio dos sintomas com antieméticos, anti--histamínicos ou benzodiazepinas

  • Reabilitação vestibular

Os sintomas agudos da neuronite vestibular são tratados sintomaticamente em curto prazo, como na doença de Ménière, isto é, com antieméticos anticolinérgicos (p. ex., proclorperazina ou prometazina via retal ou oral a cada 6 a 8 horas), anti-histamínicos ou benzodiazepinas; opcionalmente, pode-se utilizar um ciclo curto de glicocorticoides seguido de redução gradual (1). Se os vômitos são prolongados, hidratação intravenosa e eletrólitos podem ser necessários. O uso de longo prazo (isto é, por mais de várias semanas) dos inibidores vestibulares é altamente desaconselhado porque esses medicamentos atrasam a compensação vestibular e aumentam o risco de quedas, especialmente em idosos.

A reabilitação vestibular (geralmente realizada por um fisioterapeuta) ajuda na compensação central para qualquer deficit vestibular residual (2).

Referências sobre tratamento

  1. 1. Sjögren J, Magnusson M, Tjernström F, Karlberg M. Steroids for Acute Vestibular Neuronitis-the Earlier the Treatment, the Better the Outcome?. Otol Neurotol. 2019;40(3):372-374. doi:10.1097/MAO.0000000000002106

  2. 2. Huang HH, Chen CC, Lee HH, et al. Efficacy of Vestibular Rehabilitation in Vestibular Neuritis: A Systematic Review and Meta-analysis. Am J Phys Med Rehabil. 2024;103(1):38-46. doi:10.1097/PHM.0000000000002301

Pontos-chave

  • Os pacientes com neuronite vestibular têm vertigem grave constante com náuseas, vômitos e nistagmo em direção ao lado não afetado, que dura de dias a semanas.

  • A neuronite vestibular não causa perda auditiva ou zumbido.

  • Fazer testes para excluir outras doenças.

  • O tratamento é direcionado para os sinais e sintomas sendo utilizados antieméticos e anti-histamínicos ou benzodiazepinas.

  • A reabilitação vestibular ajuda na compensação central de qualquer déficit vestibular.

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