Transtorno bipolar em crianças e adolescentes

(Doença maníaco-depressiva)

PorJosephine Elia, MD, Sidney Kimmel Medical College of Thomas Jefferson University
Revisado porAlicia R. Pekarsky, MD, State University of New York Upstate Medical University, Upstate Golisano Children's Hospital
Revisado/Corrigido: modificado out. 2025
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No transtorno bipolar, períodos de intensa euforia e excitação (mania ou hipomania) se alternam com períodos de depressão e desespero. O humor pode ser normal entre esses dois períodos.

  • As crianças podem passar rapidamente de um estado entusiasmado, feliz e ativo para um estado deprimido, retraído e letárgico ou cheio de raiva e violência.

  • Os médicos baseiam o diagnóstico nos sintomas e no resultado de exames psiquiátricos.

  • O diagnóstico do transtorno bipolar nas crianças pequenas é muito controverso.

  • O tratamento pode incluir medicamentos estabilizadores do humor para tratar a mania, antidepressivos para tratar a depressão, e psicoterapia.

As crianças normalmente têm oscilações de humor razoavelmente rápidas, e passam de felizes e ativas para taciturnas e retraídas. Essas alterações raramente indicam um transtorno de saúde mental. O transtorno bipolar é muito mais grave do que essas alterações normais do humor, e os humores duram muito mais, com frequência semanas ou meses.

O transtorno bipolar é raro em crianças. No passado, o transtorno bipolar costumava ser diagnosticado quando crianças pequenas (entre quatro e 11 anos de idade) apresentavam irritabilidade intensa muitas vezes por dia. Ao contrário, a opinião moderna é que essas crianças têm um transtorno disruptivo da desregulação do humor.

O transtorno bipolar normalmente começa durante meados da adolescência ou no início da idade adulta. O transtorno bipolar em adolescentes é semelhante ao transtorno bipolar em adultos.

A causa é desconhecida, mas a tendência para desenvolver o transtorno bipolar pode ser hereditária. Anomalias químicas e anatômicas no cérebro podem estar envolvidas. Nas crianças com o transtorno, o estresse pode desencadear um episódio. Além disso, alguns outros distúrbios, como uma glândula tireoide hiperativa ou o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), podem causar alguns sintomas semelhantes ou piora do quadro clínico. Certas substâncias (por exemplo, cocaína, anfetaminas, fenciclidinas e certos antidepressivos) e toxinas no ambiente (como chumbo) podem causar sintomas semelhantes ou piorar o quadro clínico.

Determinados entorpecentes e medicamentos (por exemplo, cocaína, anfetaminas, fenciclidina, determinados antidepressivos) e toxinas ambientais, como chumbo, podem imitar os sintomas do transtorno bipolar ou piorá-lo. Algumas outras doenças (por exemplo, doenças da tireoide) também podem causar sintomas semelhantes. As infecções também podem desempenhar uma função, como é o caso da mania, que foi associada à infecção por COVID-19 em crianças e adolescentes.

Pesquisas recentes também indicam um aumento no risco de desenvolver certos transtornos psicóticos (como transtorno bipolar e esquizofrenia) em adolescentes que usam produtos de cannabis. Esse risco aumentado não é explicado por fatores genéticos. Existe a preocupação de que a recente legalização da maconha possa dar aos adolescentes (e pais) uma falsa sensação de segurança acerca do uso dessa substância.

Sintomas do transtorno bipolar em crianças

Em muitas crianças, o primeiro sintoma do transtorno bipolar é um ou mais episódios de depressão.

Os principais sintomas são episódios com a sensação de euforia e entusiasmo em graus variados (intensa [mania] e menos intensa [hipomania]) que se alternam com episódios de depressão, que podem ocorrer com mais frequência. As crianças podem passar por alterações de humor muito intensas.

Durante um episódio maníaco, o sono é perturbado, e as crianças podem se tornar agressivas. Elas podem ter um humor muito positivo ou ficar bastante irritáveis. Elas podem falar rapidamente. Elas podem ter pensamentos acelerados. Elas podem ter pensamentos grandiosos. Por exemplo, as crianças podem acreditar que têm um talento extraordinário ou que fizeram uma descoberta importante. Seu julgamento pode ficar prejudicado e os adolescentes podem comportar-se de maneira irresponsável como, por exemplo, passarem a agir com promiscuidade sexual ou dirigindo sem nenhum cuidado. As crianças mais novas podem ter humores dramáticos, mas estes humores frequentemente duram apenas alguns momentos. O desempenho escolar com frequência se deteriora.

Durante um episódio de depressão, as crianças com transtorno bipolar, como aquelas com depressão somente, sentem-se excessivamente tristes e perdem o interesse nas suas atividades habituais. Elas podem apresentar alterações significativas no peso e/ou no apetite. Elas podem pensar e se mover lentamente e dormir mais do que o habitual. Sentimentos de desesperança, inferioridade e culpa que parecem ser impossíveis de serem enfrentados. Elas também podem ter dificuldade para se concentrar, ficar obcecadas com pensamentos de morte (incluindo suicídio) e sua capacidade de controlar o funcionamento diário pode ficar prejudicada.

Crianças com transtorno bipolar parecem normais entre episódios, em contraste com crianças apresentando transtorno do déficit de atenção/hiperatividade, que estão em constante estado de hiperatividade.

Os sintomas começam aos poucos. Contudo, antes de o transtorno se desenvolver, as crianças normalmente eram muito temperamentais e difíceis de ser controladas.

Diagnóstico do transtorno bipolar em crianças

  • Avaliação de um médico ou especialista em saúde comportamental com base em critérios de diagnóstico psiquiátrico padrão

  • Às vezes, questionários sobre sintomas

  • Exames para verificar a presença de outras causas para os sintomas

O médico diagnostica o transtorno bipolar com base em uma descrição dos episódios característicos pela criança e seus pais. O médico tenta determinar se houve algum fator, como estresse grave, incluindo maus‑tratos à criança, que desencadeou o episódio.

Diferenciar o transtorno bipolar de outros transtornos é importante. Por exemplo, tanto o transtorno bipolar (em um episódio de mania) como o transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) podem tornar a criança muito ativa, mas os médicos geralmente conseguem diferenciar entre esses transtornos, porque a maioria das crianças com TDAH, diferentemente daquelas com transtorno bipolar, não apresenta alterações intensas no humor.

Os médicos determinam se as crianças estão tomando algum medicamento que possa contribuir para os sintomas. Os médicos podem também verificar sinais de outros transtornos que possam contribuir para ou causar os sintomas. Eles podem, por exemplo, fazer exames de sangue para verificar a existência de uma glândula tireoide hiperativa.

Tratamento do transtorno bipolar em crianças

  • Psicoterapia

  • Mania: Antipsicóticos de segunda geração, às vezes com estabilizadores de humor adicionados

  • Depressão: Antipsicótico de segunda geração mais um ISRS, às vezes lítio

No transtorno bipolar, episódios de mania e agitação são tratados com antipsicóticos de segunda geração e medicamentos estabilizadores do humor.

Episódios de depressão são tratados com

  • Antipsicóticos de segunda geração mais inibidores seletivos de recaptação da serotonina [ISRSs]

  • Lítio

Antidepressivos não são usados isoladamente, mas em combinação com antipsicóticos ou lítio.

É possível que o médico receite tratamento de manutenção, que inclui a continuação dos medicamentos que foram eficazes durante a doença aguda.

Psicoterapia individual e familiar ajudam as crianças e as famílias a lidar com as consequências do transtorno. A psicoterapia pode ajudar os adolescentes propensos a não seguir o seu esquema medicamentoso a continuar a fazê-lo. Se os adolescentes tiverem sintomas leves a moderados e seguirem corretamente o esquema do medicamento, eles costumam se sair bem.

Você sabia que...

  • Antipsicóticos são o tratamento de escolha para crianças e adolescentes com transtorno bipolar.

  • O tratamento com lítio pode diminuir pensamentos e comportamentos suicidas.

Prognóstico do transtorno bipolar em crianças

Para adolescentes com transtorno bipolar, o prognóstico piora a cada recorrência; portanto, o tratamento completo e meticuloso é muito importante. Os fatores que aumentam o risco de recorrência incluem início em idade precoce, gravidade dos sintomas, histórico familiar de transtorno bipolar e falta de tratamento ou má adesão ao tratamento.

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