Cobreiro (herpes zóster)

(herpes zóster)

PorKenneth M. Kaye, MD, Harvard Medical School
Revisado porChristina A. Muzny, MD, MSPH, Division of Infectious Diseases, University of Alabama at Birmingham
Revisado/Corrigido: modificado jan. 2026
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Fatos rápidos

O cobreiro é uma erupção cutânea dolorosa causada por uma infecção viral, originada pela reativação do vírus varicela zóster, o vírus que causa a catapora.

  • Em geral, não se sabe o que causa a reativação do vírus; mas, às vezes, a reativação ocorre quando uma doença ou medicamento enfraquece o sistema imunológico.

  • O cobreiro causa uma erupção cutânea dolorosa de bolhas cheias de líquido e, às vezes, causa dor crônica na área afetada.

  • Os médicos diagnosticam o cobreiro quando bolhas características aparecem em uma faixa da pele.

  • Medicamentos antivirais, caso iniciados no prazo de três dias depois de a erupção cutânea aparecer, podem ajudar a aliviar sintomas e ajudá‑los a desaparecer mais cedo, mas, muitas vezes, são necessários analgésicos, incluindo opioides.

  • Para pessoas a partir de 50 anos, a vacina contra herpes zóster pode ajudar a prevenir o cobreiro.

Tanto a catapora como o cobreiro são causados pelo vírus da varicela zóster.

  • A catapora é a infecção inicial.

  • O cobreiro é uma reativação do vírus, geralmente anos mais tarde.

O vírus da varicela zóster é um membro da família dos herpesvírus (herpesvírus tipo 3). Por isso, às vezes, o cobreiro é chamado de herpes zóster.

Durante a catapora, o vírus infecta aglomerados de células nervosas (gânglios) dos nervos espinhais ou cranianos. O vírus permanece em estado inativo (dormente ou latente) nos gânglios. O vírus pode não voltar a provocar sintomas, ou então, ser reativado muitos anos depois. Quando o vírus é reativado, ele se desloca através das fibras nervosas até a pele, onde provoca ulcerações dolorosas semelhantes às da varicela/catapora. Esse surto de herpes zóster (cobreiro) é quase sempre limitado à faixa de pele sobre as fibras nervosas infectadas e somente em um lado do corpo. Esta faixa de pele, a área abastecida pelas fibras nervosas da região de um único nervo espinhal, é chamada um dermatoma. Também podem surgir ulcerações nos dermatomas próximos ao dermatoma afetado.

Ao contrário das infecções pelo vírus do herpes simples, que podem reaparecer muitas vezes, as pessoas geralmente têm apenas um surto de cobreiro em sua vida. Em média, 30% das pessoas correm risco de ter cobreiro e o risco aumenta significativamente com a idade. Em especial, o cobreiro pode ocorrer em até 50% dos adultos até os 85 anos de idade.

Você sabia que...

  • Menos de 6% das pessoas têm mais de um surto de cobreiro.

O cobreiro pode aparecer em qualquer idade, mas é mais comum depois dos 50 anos de idade. A chance de ter cobreiro aumenta significativamente com a idade.

Com mais frequência, a razão para a reativação é desconhecida. Porém, às vezes, a reativação ocorre quando o sistema imunológico está enfraquecido por outra doença, tal como a infecção por HIV avançada, ou pelo uso de medicamentos que suprimem o sistema imunológico (por exemplo, os que previnem a rejeição de um órgão transplantado). O aparecimento do cobreiro não significa necessariamente que a pessoa tem outra doença grave.

Sintomas e complicações do cobreiro

Durante os dois ou três dias antes do surgimento do cobreiro, a maioria das pessoas sente dor, uma sensação de formigamento, ou coceira em uma faixa de pele (um dermatoma) em um lado do corpo. Depois, aglomerados de bolhas pequenas, cheias de líquido, rodeados por uma fina borda avermelhada surgem na faixa da pele. Normalmente, as bolhas localizam-se apenas na área limitada da pele suprida pelas fibras nervosas infectadas. De forma geral, as bolhas surgem no tronco e, normalmente, só de um lado. No entanto, algumas bolhas também podem surgir em outras áreas do corpo. Normalmente, as bolhas continuam a formar-se por três a cinco dias. A área do corpo afetada costuma revelar-se sensível a qualquer estímulo, inclusivamente a um leve toque, e ficar intensamente dolorosa.

Os sintomas do cobreiro são geralmente menos graves em crianças que em adultos.

As bolhas começam a secar e a formar crostas cerca de 5 dias depois de terem aparecido. Até as crostas se formarem, as bolhas são contagiosas e contêm o vírus da varicela zóster que, quando transmitido a pessoas vulneráveis, pode provocar catapora. Ter muitas bolhas fora do dermatoma afetado ou ter bolhas que persistem por mais de duas semanas geralmente indica que o sistema imunológico não está funcionando normalmente.

Raramente, a pele afetada fica infectada por bactérias. Coçar as bolhas aumenta o risco. As infecções bacterianas aumentam o risco de formação de cicatrizes.

Se o cobreiro afetar o nervo que chega ao olho, é possível que este fique infectado. A infecção ocular é mais comum quando as ulcerações ocorrem na testa, próximo aos olhos e, sobretudo, na ponta do nariz. Esta infecção (chamada herpes zóster oftálmico) pode ser séria. Mesmo com tratamento, a visão pode ser afetada.

O nervo que leva ao ouvido também pode ser afetado. Esta infecção (chamada herpes zóster ótico, ou síndrome de Ramsay Hunt) pode causar bolhas no canal auricular, dor, paralisia parcial da face, perda auditiva, zumbido nos ouvidos (acúfeno) e às vezes vertigem.

Pode ocorrer formação de cicatrizes ou hiperpigmentação da pele, mas a maioria das pessoas se recupera sem efeitos duradouros. Algumas pessoas, sobretudo pessoas mais velhas, continuam a sentir dor crônica na região (neuralgia pós-herpética).

A neuralgia pós-herpética surge em cerca de 10% das pessoas tiveram cobreiro. Ela é mais comum entre idosos. Na neuralgia pós-herpética, as pessoas que tiveram cobreiro continuam a ter dor muito tempo depois de a erupção cutânea ter desaparecido. A dor ocorre em áreas da pele supridas por nervos infectados pelo herpes zóster. A neuralgia pós-herpética pode ser muito grave e até mesmo incapacitante.

Diagnóstico do cobreiro

  • Avaliação médica

  • Raramente análise ou biópsia de uma amostra retirada das bolhas

Se uma pessoa suspeitar que está com cobreiro, ela deve consultar um médico imediatamente porque, para ser eficaz, o tratamento deve ser iniciado cedo. Os médicos pedem a elas para descreverem com exatidão o local da dor. Dor em uma faixa indefinida de um dos lados do corpo é um indício de cobreiro. Se bolhas características aparecem no padrão típico (uma faixa de pele representando um dermatoma), o diagnóstico é óbvio.

Raramente, os médicos obtêm uma amostra das bolhas para serem analisadas ou para fazer uma biópsia para confirmar o diagnóstico.

Tratamento do cobreiro

  • Medicamentos antivirais

  • Analgésicos

Os tratamentos para o cobreiro incluem vários medicamentos antivirais. Muitas vezes, são administrados medicamentos antivirais como o fanciclovir ou valaciclovir por via oral, sobretudo, a idosos e pessoas com o sistema imunológico levemente enfraquecido (consulte a tabela ). Para pessoas gravemente imunocomprometidas, recomenda-se aciclovir intravenoso.

Os medicamentos devem ser iniciados assim que houver suspeita de cobreiro, se possível antes de aparecerem as bolhas. É provável que os medicamentos antivirais sejam ineficazes se iniciados mais de três dias depois do aparecimento das bolhas. Esses medicamentos não curam a doença, mas podem ajudar a aliviar os sintomas do cobreiro e encurtar a sua duração.

Se um olho ou ouvido estiver envolvido, o especialista apropriado (oftalmologista ou otorrinolaringologista) deve ser consultado.

Compressas úmidas ajudam a acalmar a pele, mas muitas vezes é necessário o uso de analgésicos. Pode-se tentar medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou paracetamol, mas às vezes são necessários analgésicos opioides, tomados por via oral.

Para prevenir o desenvolvimento de infecções bacterianas, as pessoas com cobreiro devem manter a pele afetada limpa e seca e não devem coçar as bolhas.

Prevenção do cobreiro

É recomendado prevenir a catapora vacinando crianças e adultos que não têm imunidade com a vacina da varicela.

A vacina recombinante contra o zóster é recomendada para pessoas saudáveis ​​a partir de 50 anos de idade, independentemente de se recordarem de terem tido ou não catapora ou cobreiro e de terem recebido ou não a vacina contra o zóster mais antiga. A vacina recombinante também é recomendada para adultos a partir de 19 anos de idade que estão ou ficarão imunodeficientes ou imunossuprimidos devido a uma doença ou terapia.

A vacina recombinante contra o herpes zóster é administrada em duas doses, por meio de injeção intramuscular. As doses são administradas com intervalo de dois a seis meses e pelo menos dois meses depois da vacina mais antiga (de vírus vivo atenuado), no caso de pessoas que tiverem tomado a vacina.

A vacina recombinante reduz significativamente a chance de ter cobreiro e neuralgia pós‑herpética.

Quando o cobreiro ocorre, os corticoides (também denominados glicocorticoides ou corticosteroides) não previnem a neuralgia pós‑herpética; as evidências de que outros medicamentos antivirais reduzem o risco de a pessoa ter neuralgia pós‑herpética são insuficientes.

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