A coccidioidomicose é uma infecção causada pelo fungo Coccidioides immitis ou Coccidioides posadasii que geralmente afeta os pulmões.
A infecção é causada pela inalação de esporos do fungo.
Se for leve, a infecção pulmonar causa sintomas parecidos com os da gripe e, por vezes, falta de ar, mas a infecção pode piorar e se espalhar pelo corpo, causando vários sintomas.
O diagnóstico pode ser confirmado pela identificação dos fungos em amostras de materiais infectados, examinadas ao microscópio.
O tratamento é feito com medicamentos antifúngicos.
(Consulte também Considerações gerais sobre infecções fúngicas).
A coccidioidomicose é adquirida pela inalação de esporos de Coccidioides. Os esporos estão presentes no solo e podem ser transportados pelo ar, quando a terra é mexida e a poeira viaja no vento. Os agricultores e outras pessoas que trabalham ou estão expostos à terra mexida têm mais possibilidade de inalar os esporos e serem infectados. As pessoas que são infectadas durante uma viagem podem não manifestar os sintomas até depois de terem voltado para casa.
A coccidioidomicose ocorre em áreas secas do sudoeste dos Estados Unidos, no vale central da Califórnia, em partes do Novo México, no Texas a oeste de El Paso, no norte do México e em partes da América Central e da Argentina. A coccidioidomicose também ocorre em Utah, Nevada e no centro-sul de Washington.
A coccidioidomicose causa cerca de 15% a 30% dos casos de pneumonia adquirida na comunidade (uma infecção pulmonar que se desenvolve em pessoas que não são pacientes em um hospital) em áreas metropolitanas do Arizona, como Tucson e Phoenix.
Nos Estados Unidos, cerca de 20.000 casos de coccidioidomicose são relatados a cada ano.
A coccidioidomicose ocorre de 2 formas:
A coccidioidomicose primária é uma infecção pulmonar leve. A infecção desaparece sem tratamento. Esta forma representa a maioria dos casos.
A coccidioidomicose progressiva é uma infecção grave que piora rapidamente. A infecção se espalha dos pulmões para todo o corpo e é geralmente fatal.
Fatores de risco de coccidioidomicose progressiva
A coccidioidomicose progressiva é incomum em pessoas normalmente saudáveis. Sua ocorrência é mais provável em pessoas que:
Tomam medicamentos que suprimem o sistema imunológico (imunossupressores)
Têm mais de 50 anos de idade
Estão no segundo ou terceiro trimestre de gravidez ou no pós-parto (acabou de parir)
São filipinos, negros, indígenas americanos, hispânicos ou asiáticos
Sintomas de coccidioidomicose
A maioria das pessoas com coccidioidomicose primária não manifesta sintomas. Se os sintomas surgirem, eles aparecem entre 1 e 3 semanas depois que as pessoas se infectaram. Os sintomas, em geral, são leves e muitas vezes parecidos com os da gripe. Eles incluem tosse, febre, calafrios, dor no peito e, por vezes, falta de ar. A tosse pode produzir expectoração. Ocasionalmente, quando a infecção pulmonar for grave, podem formar-se espaços nos pulmões e as pessoas podem expelir sangue ao tossir.
Algumas pessoas apresentam uma reação alérgica a um fungo que causa coccidioidomicose. A reação pode causar dor nas articulações, conjuntivite, eritema multiforme ou eritema nodoso. Esta imagem mostra um exemplo grave de eritema multiforme causado por coccidioidomicose.
Pessoas com a forma progressiva da doença podem desenvolver sintomas semanas, meses ou até anos depois de uma infecção inicial. Os sintomas incluem febre leve, perda de apetite, emagrecimento e diminuição da força. A infecção pulmonar pode piorar, mas geralmente apenas em pessoas com o sistema imunológico debilitado. Ela pode causar aumento da falta de ar e, por vezes, expectoração com sangue.
A coccidioidomicose também pode se espalhar dos pulmões para a pele e outros tecidos. Se a infecção se disseminar para a pele, as pessoas podem apresentar uma ou muitas ulcerações. As articulações podem inchar e ficar doloridas. As infecções de pele profundas às vezes irrompem na pele, formando uma abertura pela qual o material infectado é secretado.
Em ambas as formas de coccidioidomicose, algumas pessoas apresentam reação alérgica ao fungo, que pode causar dor nas articulações, conjuntivite e uma erupção cutânea caracterizada por pequenas protuberâncias vermelhas ou arroxeadas e sensíveis sob a pele (chamada eritema nodoso) ou manchas vermelhas e protuberantes na pele que frequentemente se assemelham a alvos (eritema multiforme).
A coccidioidomicose que se espalha dos pulmões para a pele pode causar uma ferida única.
A coccidioidomicose também pode infectar o cérebro e os tecidos que cobrem o cérebro (meninges), causando meningite. A meningite é muitas vezes crônica, causando dores de cabeça, confusão, perda de equilíbrio, visão dupla e outros problemas. A meningite não tratada é sempre fatal.
Diagnóstico de coccidioidomicose
Exame e cultura de uma amostra de sangue ou outro tecido
Exames de sangue
Uma radiografia ou tomografia computadorizada (TC) do tórax
Teste de reação em cadeia da polimerase (PCR)
O médico pode suspeitar de coccidioidomicose se as pessoas desenvolverem os sintomas depois de terem residido em uma das regiões onde a infecção é comum ou apenas ter viajado até lá recentemente.
Para identificar o fungo e assim confirmar o diagnóstico, os médicos examinam amostras de sangue, expectoração, pus, líquido cefalorraquidiano ou outro tecido infectado ao microscópio ou enviá-las a um laboratório para fazer cultura.
Normalmente são feitas análises de sangue para detectar anticorpos ao fungo (testes sorológicos). Em pessoas com sistema imunológico saudável, as análises de sangue geralmente conseguem detectar esses anticorpos se a coccidioidomicose estiver presente.
As radiografias ou TCs do tórax geralmente mostram anormalidades características.
Um teste que detecta antígenos (proteínas liberadas pelo fungo) na urina também pode ser feito.
Um exame para identificar o material genético do fungo (o seu DNA), como a reação em cadeia da polimerase (polymerase chain reaction, PCR), pode ser realizado em amostras coletadas da garganta e dos pulmões. O teste de PCR é usado para produzir muitas cópias de um gene do fungo, tornando muito mais fácil identificar o fungo, mas esse teste não é amplamente disponível.
Tratamento de coccidioidomicose
Medicamentos antifúngicos
Cirurgia raramente
A coccidioidomicose primária normalmente desaparece sem tratamento em pessoas saudáveis e a recuperação é geralmente completa. Entretanto, alguns médicos preferem tratar essas pessoas devido à pequena chance de a coccidioidomicose se disseminar. Além disso, quando as pessoas são tratadas, os sintomas desaparecem mais rapidamente. O tratamento geralmente consiste em um medicamento antifúngico, como fluconazol. As pessoas com fatores de risco são tratadas.
A coccidioidomicose progressiva é geralmente fatal, a menos que tratada, principalmente se o sistema imunológico estiver enfraquecido. Cerca de 70% das pessoas com infecção grave pelo HIV ou infecção avançada pelo HIV (também chamada AIDS) morrem em menos de dois meses após serem diagnosticadas.
Para coccidioidomicose progressiva leve a moderada, administra-se fluconazol ou itraconazol por via oral. Como alternativa, o médico pode tratar a infecção com voriconazol, administrado por via oral ou pela veia (via intravenosa), ou posaconazol, por via oral.
No caso de coccidioidomicose progressiva grave, administra-se anfotericina B por via intravenosa.
Os médicos não administram certos medicamentos antifúngicos a gestantes no primeiro trimestre de gravidez, devido ao risco de causarem defeitos congênitos. Pessoas com coccidioidomicose leve a moderada que estão no primeiro trimestre normalmente não precisam de tratamento. No entanto, os médicos podem administrar anfotericina B a gestantes que estão no primeiro trimestre e que apresentam uma infecção grave por coccidioidomicose ou uma infecção que se espalhou para além dos pulmões. Após o primeiro trimestre, os médicos podem administrar um medicamento antifúngico diferente. Gestantes que se infectam no segundo ou terceiro trimestre ou nas seis semanas anteriores ao parto correm o risco aumentado de progressão da infecção. Se essas pessoas não forem tratadas com medicamentos, os médicos fazem o acompanhamento e exames de sangue para determinar se a infecção se disseminou ou não.
Se ocorrer meningite, administra-se fluconazol. As pessoas que contraíram meningite devido a coccidioidomicose precisam tomar fluconazol pelo resto da vida, porque recidivas são comuns e potencialmente fatais.
Pessoas com um sistema imunológico enfraquecido precisam tomar medicamentos durante anos, às vezes por toda a vida.
Se um osso estiver infectado, ou se a infecção no pulmão se espalhar internamente ou causar sangramento, pode ser necessária cirurgia.



