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Dislipidemia

(Hiperlipidemia)

Por

Anne Carol Goldberg

, MD, Washington University School of Medicine

Última revisão/alteração completa set 2018| Última modificação do conteúdo set 2018
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Dislipidemia significa um nível elevado de lipídios (colesterol, triglicerídeos ou ambos) ou um nível baixo de colesterol do tipo lipoproteína de alta densidade (HDL).

  • O estilo de vida, a genética, distúrbios (por exemplo, níveis baixos de hormônio da tireoide ou doença renal), medicamentos ou uma combinação entre eles podem contribuir para o surgimento da dislipidemia.

  • A aterosclerose pode resultar em provocação de angina, ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais e doença arterial periférica.

  • O médico mede os níveis de triglicerídeos e os vários tipos de colesterol no sangue.

  • Atividade física, alterações de dieta e medicamentos podem ser eficazes.

As lipoproteínas são partículas de proteínas e outras substâncias. Elas transportam gorduras, como o colesterol e os triglicerídeos, que não conseguem circular livremente no sangue por si mesmas.

Existem vários tipos de lipoproteínas (consulte a tabela Lipoproteínas: Transportadores de lipídios), incluindo

  • Quilomícrons

  • Lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL)

  • Lipoproteínas de baixa densidade (LDL)

  • Lipoproteínas de alta densidade (HDL)

Os níveis de lipoproteínas e, consequentemente, de lipídios, sobretudo do colesterol LDL (lipoproteínas de baixa densidade) aumentam ligeiramente conforme a pessoa envelhece. Esses níveis são normalmente ligeiramente mais elevados nos homens do que nas mulheres, ainda que nestas comecem a aumentar depois da menopausa. O aumento dos níveis de lipoproteínas que ocorre com o envelhecimento pode resultar em dislipidemia.

O risco de apresentar aterosclerose aumenta conforme os níveis de colesterol total aumentam, mesmo que os níveis não sejam suficientemente altos para serem considerados dislipidemia. A aterosclerose pode afetar as artérias que fornecem sangue ao coração (causando doença arterial coronariana), as que fornecem sangue ao cérebro (causando acidente vascular cerebral) e as que fornecem sangue ao resto do corpo (causando doença arterial periférica). Dessa forma, ter níveis de colesterol total elevados também aumenta o risco de ter um ataque cardíaco ou um acidente vascular cerebral.

Ter um nível baixo de colesterol total é geralmente considerado melhor do que tê-lo elevado. No entanto, ter níveis de colesterol muito baixos também pode não ser saudável (hipolipidemia).

Embora não haja um limite natural entre níveis de colesterol normais e anormais, no caso de adultos, um nível de colesterol total inferior a 200 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl) é desejável. Além disso, muitas pessoas se beneficiam ao manterem níveis de lipídios ainda mais baixos. Em algumas regiões do mundo (tal como China e Japão), onde o nível médio de colesterol é de 150 mg/dl, a doença arterial coronariana é menos comum do que em países como os Estados Unidos. O risco de ataque cardíaco mais que duplica quando o nível de colesterol total se aproxima de 300 mg/dl.

O nível de colesterol total é somente um guia geral para classificar o risco de aterosclerose. Os níveis dos componentes do colesterol total – em especial do colesterol LDL e do colesterol HDL – são mais importantes. Um nível elevado de colesterol LDL (ruim) aumenta o risco. A presença de níveis elevados de colesterol HDL (bom) não costuma ser considerada um distúrbio, uma vez que ela diminui o risco de ter aterosclerose. No entanto, a presença de um nível baixo de colesterol HDL (definido como inferior a 40 mg/dl) está associada a um risco maior. Um nível de colesterol LDL inferior a 100 mg/dl é considerado desejável pelos especialistas.

Ainda não se sabe se níveis elevados de triglicerídeos aumentam o risco de ataque cardíaco ou de acidente vascular cerebral. Níveis de triglicerídeos superiores a 150 mg/dl são considerados anômalos, mas níveis elevados não parecem aumentar o risco para todos. No caso de pessoas com níveis elevados de triglicerídeos, o risco de ataque cardíaco ou de acidente vascular cerebral aumenta se elas também apresentarem níveis de colesterol HDL baixos, diabetes, doença renal crônica ou muitos parentes próximos que tiveram aterosclerose (histórico familiar).

Ter níveis elevados de colesterol HDL, o colesterol bom, pode ser benéfico e sua presença não é considerada um distúrbio. O nível que é demasiadamente baixo aumenta o risco de aterosclerose.

A lipoproteína (a) é uma combinação de LDL com outra proteína presa a ela. A presença de níveis superiores a aproximadamente 30 mg/dl (ou 75 nmol/l) está associada a um risco maior de ter aterosclerose. A tendência a ter níveis elevados é hereditária. Os níveis de lipoproteína (a) não são afetados pela dieta ou pela maioria dos medicamentos hipolipemiantes. Geralmente, ela precisa ser medida apenas uma vez.

Tabela
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Níveis de lipídios desejáveis em adultos*

Lipídio

Nível desejável (mg/dl)

Colesterol total

Inferior a 200 mg/dl

Colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL)

Inferior a 100 mg/dl

Colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL)

Superior a 40 mg/dl

Triglicerídeos

Inferior a 150 mg/dl

*Os níveis indicados acima representam apenas diretrizes sugeridas. É possível que algumas pessoas precisem de tratamento, mesmo quando tenham esses níveis de lipídios, caso elas tenham fatores de risco ou doenças, como doença arterial coronariana ou acidente vascular cerebral.

mg/dl = miligramas por decilitro de sangue.

Causas

Os fatores que causam dislipidemia são categorizados em

  • Primária: Causas genéticas (hereditárias)

  • Secundária: Estilo de vida e outras causas

Tanto a causa primária como a secundária contribuem para dislipidemia em graus variados. Por exemplo, uma pessoa com hiperlipidemia hereditária pode ter níveis de lipídios ainda mais altos se ela também tiver causas secundárias de hiperlipidemia.

Dislipidemia primária (hereditária)

As causas primárias incluem mutações genéticas que fazem com que o organismo produza um excesso de colesterol LDL ou de triglicerídeos ou não consiga remover essas substâncias. Algumas causas envolvem subprodução ou remoção excessiva de colesterol HDL. As causas primárias tendem a ser hereditárias e, portanto, é um problema familiar. Algumas das causas genéticas da dislipidemia são abordadas tanto aqui como em outras partes do Manual.

Os níveis de colesterol e triglicerídeos são mais elevados em pessoas com dislipidemias primárias, que interferem no metabolismo do organismo e na eliminação de lipídios. Também é possível que a pessoa herde a tendência de ter um colesterol HDL excepcionalmente baixo.

As consequências das dislipidemias primárias podem incluir a ocorrência de aterosclerose precoce, que pode causar angina ou ataques cardíacos. A doença arterial periférica também é uma consequência que costuma causar a diminuição do fluxo sanguíneo nas pernas, com dor ao caminhar (claudicação). O acidente vascular cerebral é outra possível consequência. A presença de níveis de triglicerídeos muito elevados pode causar pancreatite.

Em pessoas que têm doença genética que provoca níveis de triglicerídeos elevados (tais como hipertrigliceridemia familiar ou hiperlipidemia familiar combinada), certos distúrbios e substâncias podem causar o aumento dos triglicerídeos a níveis extremamente elevados. Exemplos de distúrbios incluem diabetes mal controlada e disfunção renal. Exemplos de substâncias incluem consumo excessivo de álcool e uso de certos medicamentos, como estrogênios (tomados por via oral) que aumentam os níveis de triglicerídeos. Os sintomas podem incluir depósitos de gordura (erupção de xantomas) na pele, na parte da frente das pernas e parte de trás dos braços, aumento do baço e do fígado, dor abdominal e diminuição da sensibilidade ao toque devido a danos nos nervos. Esse distúrbio pode causar pancreatite que ocasionalmente é fatal. Limitar o consumo de gordura (para menos de 50 gramas por dia) pode ajudar a evitar danos aos nervos e a pancreatite. Perder peso e não consumir álcool também pode ajudar. Os medicamentos hipolipemiantes podem ser eficazes.

Deficiência de lipoproteína lipase e deficiência de apolipoproteína CII

A deficiência de lipoproteína lipase e a deficiência de apolipoproteína CII são doenças raras causadas pela falta de certas proteínas necessárias para remover partículas que contêm triglicerídeos. Nesses distúrbios, o organismo não consegue remover os quilomícrons da corrente sanguínea, resultando em níveis muito elevados de triglicerídeos. Sem tratamento, os níveis são muitas vezes consideravelmente superiores a 1.000 mg/dl. Os sintomas aparecem durante a infância e a idade de adulto jovem. Eles incluem episódios recorrentes de dor abdominal, aumento do tamanho do fígado e do baço, e aparecimento de tumefações de tom amarelo rosado na pele dos cotovelos, joelhos, nádegas, costas, frente das pernas e na região posterior dos braços. Essas tumefações, denominadas xantomas eruptivos, são depósitos de gordura. O consumo de gorduras piora os sintomas. Ainda que esse distúrbio não dê origem à aterosclerose, ele pode causar a pancreatite, que ocasionalmente é fatal. As pessoas que apresentam esse distúrbio devem limitar rigidamente a quantidade de todos os tipos de gordura, seja ela saturada, insaturada ou poli‑insaturada, da dieta. É possível que a pessoa precise tomar suplementos vitamínicos para compensar a ausência de nutrientes na dieta. Algumas terapias estão sendo desenvolvidas para o tratamento da deficiência de lipoproteína lipase e da deficiência de apolipoproteína CII.

Hipercolesterolemia familiar

Na hipercolesterolemia familiar, o nível de colesterol total é elevado. É possível que uma pessoa tenha herdado um gene anômalo ou tenha herdado dois genes anômalos, um do pai e um da mãe. As pessoas que têm dois genes anômalos (homozigotos) serão mais gravemente afetadas que aquelas com apenas um gene anômalo (heterozigoto). Aproximadamente uma em cada 200 pessoas é heterozigota e uma em cada 250.000 a um milhão de pessoas é homozigota. As pessoas afetadas podem apresentar depósitos de gordura (xantomas) nos tendões dos calcanhares, joelhos, cotovelos e dedos. Raramente, os xantomas aparecem aos 10 anos de idade. A hipercolesterolemia familiar pode provocar aterosclerose de rápida evolução e morte precoce devido à presença de doença arterial coronariana. A criança com dois genes anômalos pode ter um ataque cardíaco ou angina aos 20 anos de idade, e homens com um gene anômalo frequentemente apresentam doença arterial coronariana entre os 30 e os 50 anos de idade. O risco também é alto em mulheres com um gene anômalo, mas esse risco costuma surgir aproximadamente dez anos depois que em homens. Fumantes ou pessoas com hipertensão arterial, diabetes ou obesidade podem ter aterosclerose ainda mais cedo.

O tratamento da hipercolesterolemia familiar começa por seguir uma dieta pobre em gorduras saturadas e colesterol. Se aplicável, é aconselhável perder peso, deixar de fumar e aumentar a atividade física. Normalmente, é necessária a administração de um ou mais medicamentos hipolipemiantes. Algumas pessoas precisam realizar uma aférese, que é um método de filtração do sangue para reduzir os níveis de LDL. O transplante de fígado pode beneficiar algumas pessoas com hipercolesterolemia familiar heterozigótica. O diagnóstico precoce e o tratamento podem diminuir o risco elevado de ataque cardíaco e acidente vascular cerebral.

Hiperlipidemia combinada familiar

Na hiperlipidemia familiar combinada, os níveis de colesterol, de triglicerídeos ou de ambos podem ser elevados. Esse distúrbio afeta cerca de 1% a 2% das pessoas. Os níveis de lipídios costumam ficar alterados depois dos 30 anos de idade, mas às vezes, em pessoas mais jovens, sobretudo aquelas com excesso de peso, que seguem uma dieta com alto teor de gordura ou que têm síndrome metabólica.

O tratamento da hiperlipidemia familiar combinada inclui a limitação do consumo de gorduras saturadas, colesterol e açúcar, além de praticar exercícios e, se for o caso, perder peso. Muitas pessoas com esse distúrbio têm de tomar medicamentos hipolipemiantes.

Disbetalipoproteinemia familiar

Na disbetalipoproteinemia familiar, os níveis de lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL), de colesterol total e de triglicerídeos são elevados. Esses níveis são elevados, porque ocorre o acúmulo de uma forma anômala de VLDL no sangue. Os depósitos de gordura (xantomas) podem se formar na pele dos cotovelos e joelhos e nas palmas, onde eles podem causar vincos amarelos. Esse distúrbio incomum resulta no desenvolvimento precoce de aterosclerose grave. Na meia-idade, a aterosclerose frequentemente produz obstruções nas artérias coronarianas e periféricas.

O tratamento da disbetalipoproteinemia familiar inclui atingir e manter o peso corporal recomendado e limitar o consumo de colesterol, gorduras saturadas e carboidratos. Frequentemente, são necessários medicamentos hipolipemiantes. Através do tratamento, os níveis de lipídios podem melhorar, o avanço da aterosclerose pode ser retardado e os depósitos de gordura na pele podem se tornar menores ou desaparecerem.

Hipertrigliceridemia familiar

Na hipertrigliceridemia familiar, os níveis de triglicerídeos são elevados. Esse distúrbio afeta aproximadamente 1% das pessoas. Em algumas famílias afetadas por esse distúrbio, a aterosclerose tende a surgir na juventude, mas em outras não. Se for o caso, perder peso e limitar o consumo de álcool e de carboidratos costuma reduzir os níveis de triglicerídeos até os níveis normais. Se estas medidas forem ineficazes, o uso de medicamentos hipolipemiantes pode ajudar. No caso de pessoas com diabetes, é importante ter um bom controle da diabetes.

Hipoalfalipoproteinemia

Na hipoalfalipoproteinemia, o nível de colesterol HDL é baixo. O nível de colesterol HDL baixo é frequentemente herdado. Muitas anomalias genéticas diferentes podem causar níveis baixos de HDL. Uma vez que medicamentos que aumentam o colesterol HDL não diminuem o risco de ter aterosclerose, a hipoalfalipoproteinemia é tratada por meio da redução do colesterol LDL.

Dislipidemia secundária

Causas secundárias contribuem para muitos casos de dislipidemia.

A causa secundária mais importante de dislipidemia é

  • Um estilo de vida sedentário com consumo excessivo de gordura saturada, colesterol e gorduras trans (consulte a barra lateral Tipos de gordura)

Outras causas secundárias comuns incluem:

Algumas pessoas são mais sensíveis aos efeitos da dieta do que outras, mas a dieta afeta em algum grau a maioria das pessoas. Uma pessoa pode comer grandes quantidades de gordura animal e o nível de colesterol total não subir acima dos níveis desejáveis. Outra pessoa pode seguir uma rigorosa dieta de baixo teor de gordura e o colesterol total não cair abaixo de um nível elevado. Esta diferença parece ser principalmente determinada geneticamente. A composição genética da pessoa influencia a taxa em que o organismo produz, usa e elimina essas gorduras. Além disso, o tipo de corpo nem sempre prevê os níveis de colesterol. Algumas pessoas com sobrepeso têm níveis de colesterol baixos e algumas pessoas magras têm níveis elevados. Ingerir calorias em excesso pode resultar em níveis de triglicerídeos altos, assim como o consumo de álcool em grandes quantidades.

Você sabia que...

  • O tipo de corpo não prevê os níveis de colesterol. Algumas pessoas com sobrepeso têm níveis de colesterol baixos e algumas pessoas magras têm níveis de colesterol altos.

Alguns distúrbios fazem com que os níveis de lipídios aumentem. Ter diabetes mal controlado ou doença renal crônica pode causar o aumento dos níveis de colesterol total ou de triglicerídeos. Algumas doenças hepáticas (em especial a cirrose biliar primária) e a presença de uma glândula tireoide hipoativa (hipotireoidismo) podem causar o aumento dos níveis de colesterol total.

O uso de medicamentos, como estrogênios (tomados por via oral), contraceptivos orais, corticosteroides, retinoides, diuréticos tiazídicos (até certo ponto), ciclosporina, tacrolimo e medicamentos antivirais usados para tratar a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e AIDS pode causar o aumento dos níveis de colesterol e/ou triglicerídeos.

O tabagismo, a infecção pelo HIV, o diabetes mal controlado ou os distúrbios renais (tais como síndrome nefrótica) podem contribuir para o nível de colesterol HDL baixo. Medicamentos como betabloqueadores e esteroides anabolizantes podem reduzir o nível de colesterol HDL.

Sintomas

Os níveis elevados de lipídios no sangue normalmente não provocam sintomas. Ocasionalmente, quando os níveis são extremamente elevados, a gordura se deposita na pele e nos tendões e forma nódulos denominados xantomas. Às vezes, surgem anéis brancos ou cinza opacos na margem da córnea. A presença de níveis de triglicerídeos muito elevados pode causar o aumento do fígado ou do baço, provocar sensação de formigamento ou queimação nas mãos e pés, dificuldade para respirar e confusão e pode também aumentar o risco de ter pancreatite. A pancreatite pode causar dor abdominal grave e ocasionalmente ser fatal.

Diagnóstico

  • Exames de sangue para medir os níveis de colesterol

Os níveis de colesterol total, colesterol LDL, colesterol HDL e triglicerídeos – perfil lipídico – são medidos em uma amostra de sangue. Visto que o consumo de alimentos ou bebidas pode provocar um aumento temporário dos níveis de triglicerídeos, a pessoa deve ficar em jejum por, no mínimo, 12 horas antes de a amostra de sangue ser coletada.

Quando os níveis de lipídios no sangue forem muito elevados, são realizados exames de sangue especiais para identificar o distúrbio específico subjacente. Distúrbios específicos incluem vários tipos de doenças hereditárias (dislipidemias hereditárias) que dão origem a diversas anormalidades lipídicas e apresentam riscos diferentes.

Você sabia que...

  • Margarinas feitas principalmente de óleo líquido (margarina em embalagens de apertar ou em potes) e as que contêm estanóis ou esteróis vegetais, ao contrário das margarinas em bastão, são os substitutos mais saudáveis para a manteiga.

Triagem

O perfil lipídico em jejum analisa os níveis de colesterol total, triglicerídeos, colesterol LDL e colesterol HDL após a pessoa ter ficado em jejum durante 12 horas. Os médicos costumam realizar esse exame a cada cinco anos a partir dos 20 anos de idade como parte da avaliação para determinar se a pessoa corre o risco de ter doença arterial coronariana.

Além de medir os níveis de lipídios, o médico também realiza exames preventivos quanto à presença de outros fatores de risco para doença cardiovascular, como hipertensão arterial, diabetes ou histórico familiar de níveis de lipídios elevados.

No caso de crianças e adolescentes, a realização de exames preventivos com perfil lipídico em jejum é recomendada para crianças entre dois e oito anos de idade se ela tiver fatores de risco, como uma pessoa na família com dislipidemia grave ou que tenha tido doença arterial coronariana quando ainda jovem. Em crianças sem fatores de risco, os exames preventivos com perfil lipídico sem jejum costumam ser feitos uma vez antes de a criança alcançar a puberdade (geralmente entre os nove e os onze anos de idade) e mais uma vez mais quando tiver com 17 a 21 anos de idade.

Tratamento

  • Perder peso

  • Atividade física

  • Reduzir gorduras saturadas na dieta

  • Frequentemente, medicamentos hipolipemiantes

Normalmente, o melhor tratamento para perder peso para pessoas com excesso de peso é deixar de fumar, se forem fumantes, reduzir a quantidade total de gorduras e colesterol na dieta, aumentar a atividade física e, caso necessário, tomar medicamentos hipolipemiantes.

A atividade física regular pode ajudar a diminuir o nível de triglicerídeos e a aumentar o nível de colesterol HDL. Um exemplo é andar em passo rápido durante, no mínimo, 30 minutos todos os dias.

O tratamento de crianças pode ser desafiador. A Academia Americana de Pediatria (American Academy of Pediatrics) e o Instituto Nacional de Saúde de Doenças Pulmonares e Sanguíneas (National Health, Lung, and Blood Institute) recomendam o tratamento de algumas crianças com níveis de lipídios elevados. Fazer mudanças na dieta é recomendado. Medicamentos hipolipemiantes podem ser administrados a crianças com níveis de lipídios muito altos que não respondem às alterações da dieta, particularmente crianças com hipercolesterolemia familiar.

Dieta redutora de lipídios

Uma dieta com um baixo teor de gordura saturada e colesterol pode reduzir o nível de colesterol LDL. No entanto, as pessoas com níveis de triglicerídeos elevados também precisam evitar consumir quantidades grandes de açúcar (seja em alimentos ou bebidas), farinha refinada (por exemplo, a usada na maioria dos produtos comerciais assados) e alimentos ricos em amido (por exemplo, batata e arroz).

É importante o tipo de gordura que se consome ( Tipos de gordura). As gorduras podem ser saturadas, poli-insaturadas ou monoinsaturadas. As gorduras saturadas aumentam em maior grau os níveis de colesterol do que as outras formas de gordura. As gorduras saturadas não devem fornecer mais que 5% a 7% do total de calorias consumidas por dia. As gorduras poli-insaturadas (que incluem gorduras ômega 3 e ômega 6) podem ajudar a reduzir os níveis de triglicerídeos e de colesterol LDL no sangue. O teor de gordura da maioria dos alimentos está indicado no rótulo da embalagem.

Grandes quantidades de gorduras saturadas estão presentes nas carnes, na gema do ovo, nos laticínios integrais, em algumas nozes (tais como nozes de macadâmia) e no coco. Os óleos vegetais contêm quantidades menores de gordura saturada, mas apenas alguns óleos vegetais têm teor realmente baixo de gorduras saturadas.

A margarina, que é produzida a partir dos óleos vegetais poli-insaturados, normalmente é um substituto mais saudável da manteiga, a qual contém teor elevado de gordura saturada (cerca de 60%). No entanto, as margarinas em bastão (e alguns tipos de alimentos processados) contêm gorduras trans, que podem aumentar os níveis de colesterol LDL (ruim) e reduzir os níveis de colesterol HDL (bom). As margarinas feitas principalmente de óleo líquido (margarinas em embalagens de apertar ou em potes) contêm menos gordura saturada que a manteiga, não contêm colesterol e contêm menos gorduras trans que as margarinas em bastão. As margarinas (e outros produtos alimentícios) que contêm estanóis ou esteróis vegetais podem diminuir ligeiramente os níveis de colesterol total e de colesterol LDL.

Você sabia que...

  • Comer farelo de aveia, farinha de aveia, feijão, ervilhas, farelo de arroz, centeio, frutas cítricas, morangos e polpa de maçã pode ajudar a reduzir o colesterol.

Recomenda-se consumir muitas verduras, frutas e grãos integrais, que naturalmente têm um baixo teor de gordura e não contêm colesterol. Também são recomendados alimentos ricos em fibra solúvel, pois estes retêm as gorduras no intestino e ajudam a reduzir o nível de colesterol. Tais alimentos são farelo de aveia, farinha de aveia, feijão, ervilhas, farelo de arroz, centeio, frutas cítricas, morangos e polpa de maçã. O psílio, geralmente tomado para aliviar a constipação intestinal, também pode diminuir o nível de colesterol.

Tabela
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Limitação de gordura e colesterol na dieta

Tipo de gordura

Quantidades recomendadas

Fontes alimentares

Saturada

Não mais que 5% a 7% do total de calorias

Carnes e carnes processadas

Laticínios não desnatados, tais como leite, queijo e manteiga

Óleos vegetais artificialmente hidrogenados

Óleo de coco

Poli-insaturada

Substituir gordura saturada por gordura monoinsaturada e poli-insaturada

Alguns óleos vegetais, como óleo de soja e de milho

Peixes gordurosos, como salmão, cavala, arenque e truta

Algumas nozes e sementes, como nozes e sementes de girassol

Monoinsaturada

Substituir gorduras saturadas por gordura monoinsaturada e poli-insaturada

Óleo de canola

Óleo de cártamo

Azeite de oliva

Nozes

Abacate

Colesterol

Diminuir o consumo de alimentos com alto teor de gordura saturada e colesterol

Gema do ovo

Miúdos, como fígado de boi

Carne

Aves

Laticínios não desnatados

Tabela
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Uma abordagem prática para dieta de colesterol baixo, dieta de gordura saturada baixa

Alimentos para reduzir

Alimentos para escolher

Carnes e derivados

Cortes gordos de carne bovina, cordeiro e porco

Costelinhas

Miúdos, como fígado de boi

Embutidos

Linguiça

Salsicha

Peixe

Frango e peru (sem a pele)

Cortes magros de carne bovina, cordeiro, porco e vitela

Laticínios e ovos

Leite integral

Leite integral evaporado ou condensado

Creme de leite

Mistura de leite com creme de leite

A maioria dos cremes para café não lácteos

Leite desnatado (sem gordura)

Leite semidesnatado

Soro de leite

Creme chantilly

Creme chantilly sem gordura ou light

Iogurte integral

Queijo cottage de leite integral

Queijos (por exemplo, queijo azul, roquefort, camembert, cheddar e suíço)

Requeijão

Nata

Sorvete

Iogurte desnatado ou light

Queijo cottage light

Queijos light

Nata sem gordura ou light

Gelado de fruta, sorbet e iogurte congelado light (limitar o consumo de alimentos com açúcar se o nível de triglicerídeos for alto)

Manteiga e misturas de manteiga-margarina

Formas menos sólidas de margarina feitas com óleos vegetais líquidos (acondicionadas em potes ou embalagens de apertar)

Produtos de margarina contendo esterol ou estanol vegetal

Misturas de manteiga-óleo

Gema de ovo (até três por semana)

Substituto de ovo sem colesterol

Clara de ovo (é possível substituir um ovo inteiro por duas claras de ovo em receitas)

Produtos de panificadora comerciais

Tortas

Bolos

Sonhos

Croissants

Produtos de confeitaria

Rocambole

Biscoitos

Bolacha salgada com alto teor de gordura

Biscoitos com alto teor de gordura

Macarrão de ovos

Pães feitos com vários ovos

Pães e bolos caseiros feitos com óleos insaturados

Pão de ló

Biscoitos e bolachas salgadas com baixo teor de gordura (limitar o consumo de alimentos com açúcar se o nível de triglicerídeos for alto)

Pães e cereais de grãos integrais* (aveia, farelo de trigo, centeio e multigrãos)

Gorduras e óleos saturados

Chocolate

Cacau em pó

Alfarroba

Calda de chocolate sem gordura

Óleo de coco

Óleo de palma

Banha de porco

Bacon

Óleos vegetais insaturados: óleo de canola, azeite de oliva, óleo de milho, de cártamo, de gergelim, de soja e de girassol

Molhos para salada

Molhos para salada feitos com gema de ovo

Maionese light e molhos para salada feitos com óleos líquidos

Frutas e verduras

Frutas e verduras preparadas com manteiga, gorduras saturadas, creme ou molhos feitos com gordura saturada

Frutas ou verduras* frescas, congeladas, enlatadas e secas

Coco

Sementes e nozes*

*Frutas, verduras, grãos, sementes e nozes não contêm nenhum colesterol, e a maioria contém pouca ou nenhuma gordura saturada.

Medicamentos hipolipemiantes

O tratamento com medicamentos hipolipemiantes depende não só dos níveis de lipídios, mas também da presença ou não de doença arterial coronariana, diabetes ou outros fatores de risco importantes para doença arterial coronariana. No caso de pessoas com doença arterial coronariana ou diabetes, o risco de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral pode ser reduzido pelo uso de medicamentos hipolipemiantes denominados estatinas. O uso de medicamentos hipolipemiantes também pode beneficiar as pessoas com níveis de colesterol muito altos ou que apresentam outros fatores de alto risco para ter ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral.

Existem diferentes tipos de medicamentos hipolipemiantes:

  • Estatinas

  • Inibidores da absorção de colesterol

  • Aglutinantes de ácido biliar

  • Inibidores de PCSK9

  • Derivados do ácido fíbrico

  • Suplementos de gorduras ômega 3

  • Niacina

Cada um destes tipos reduz os lipídios por mecanismos diferentes. Assim, os diferentes tipos de medicamentos têm diferentes efeitos colaterais e podem afetar os níveis de lipídios de formas diferentes. Recomenda-se seguir uma dieta com poucas gorduras saturadas quando se está tomando medicamentos.

Os medicamentos hipolipemiantes fazem mais do que apenas reduzir o nível de lipídios – eles também podem prevenir a doença arterial coronariana. Além disso, as estatinas demonstraram que contribuem para a redução do risco de morte precoce.

É possível que pessoas com níveis muito elevados de triglicerídeos e que correm o risco de ter pancreatite precisem tanto de mudanças na dieta como de medicamentos redutores de triglicerídeos, geralmente fibrato ou ácidos graxos ômega 3 obtidos com receita.

Tabela
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Medicamentos hipolipemiantes

Tipo

Mecanismo de ação

Indicações

Alguns efeitos colaterais

Aglutinantes de ácido biliar

Colestiramina

Colesevelam

Colestipol

Aglutinantes de ácidos biliares no intestino fazendo com que os ácidos sejam excretados em vez de usá-los para produzir bile e fazendo com que o fígado remova mais colesterol LDL da corrente sanguínea para fazer bile

Colesterol LDL elevado

Dor abdominal

Aglutinante de alguns outros medicamentos (reduzindo sua eficácia)

Distensão

Constipação

Náusea

Aumento do nível de triglicerídeos (especialmente em pessoas com níveis de triglicerídeos elevados)

Inibidor da absorção de colesterol

Ezetimiba

Diminui a absorção de colesterol no intestino delgado

Colesterol LDL elevado

Alguns efeitos colaterais graves

Inchaço do rosto e dos lábios (muito raro)

Fezes moles

Dores musculares (muito raro)

Derivados do ácido fíbrico

Bezafibrato*

Ciprofibrato*

Fenofibrato

Genfibrozila

Aumenta a decomposição de lipídios e acelera a remoção de VLDL da corrente sanguínea

Pode diminuir a produção de VLDL pelo fígado

Triglicerídeos elevados

Disbetalipoproteinemia

Colesterol VLDL possivelmente elevado

Dor abdominal

Distensão

Diarreia

Cálculos biliares

Níveis de enzimas hepáticas elevados

Dores musculares devido à inflamação (miosite)

Náusea

Erupção cutânea

Inibidor da proteína microssomal de transferência de triglicerídeos

Lomitapida

Inibe a secreção de triglicerídeos

Hipercolesterolemia familiar em pessoas que apresentam dois genes anômalos (que são homozigotos)

Diarreia

Lesão hepática

Niacina

Niacina

Retarda a remoção de HDL

Reduz os níveis de triglicerídeos

Em doses elevadas, diminui a taxa de produção do VLDL que é usado para sintetizar o LDL

Triglicerídeos elevados

Colesterol LDL e VLDL elevados

Disbetalipoproteinemia

Problemas digestivos

Rubor

Gota

Nível de açúcar no sangue elevado (hiperglicemia)

Níveis de enzimas hepáticas elevados

Prurido

Úlceras

Inibidor oligonucleotídeo da apolipoproteína B

Mipomerseno

Reduz o nível de LDL

Reduz o nível de apolipoproteína B

Hipercolesterolemia familiar (homozigota)

Sintomas parecidos com os da gripe

Lesão hepática

Reações cutâneas nos locais de injeção

Ácidos graxos ômega-3

Ácidos graxos ômega-3

Níveis mais baixos de triglicerídeos

Pode diminuir a produção de VLDL

Triglicerídeos elevados

Arroto

Diarreia

Inibidores de PCSK9

Alirocumabe

Reduz o nível de LDL

Hipercolesterolemia familiar e para outras pessoas com alto risco de ter doença arterial coronariana

Sintomas parecidos com os da gripe

Raramente, níveis de enzimas hepáticas elevados

Reações cutâneas nos locais de injeção

Evolocumabe

Reduz o nível de LDL

Hipercolesterolemia familiar e para outras pessoas com alto risco de ter doença arterial coronariana

Sintomas parecidos com os da gripe

Urticária

Reações cutâneas nos locais de injeção

Estatinas (inibidores de redutase de HMG-CoA)

Atorvastatina

Fluvastatina

Lovastatina

Pitavastatina

Pravastatina

Rosuvastatina

Sinvastatina

Bloqueia a síntese de colesterol, aumenta a remoção de LDL da corrente sanguínea

Colesterol LDL elevado, triglicerídeos ou ambos

Distensão

Constipação (leve)

Fadiga

Dor de cabeça

Fezes moles

Raramente, níveis de enzimas hepáticas elevados

Raramente, dores musculares, devido à inflamação (miosite) ou à degeneração (rabdomiólise)

HDL = lipoproteína de alta densidade; HMG-CoA = 3-hidroxi-3-metilglutaril coenzima A; LDL = lipoproteína de baixa densidade; VLDL = lipoproteínas de densidade muito baixa.

*Não disponível nos Estados Unidos.

Procedimentos para reduzir o colesterol

Procedimentos médicos que reduzem os níveis de colesterol são reservados para pessoas com níveis muito elevados de colesterol LDL que não apresentam resposta à dieta ou ao uso de medicamentos hipolipemiantes. Essas pessoas incluem aquelas com hipercolesterolemia familiar. O procedimento que costuma ser realizado com mais frequência é a LDL‑aférese. A LDL‑aférese é um procedimento não cirúrgico pelo qual o sangue da pessoa é removido e o componente LDL é separado do resto do sangue por uma máquina especial. Depois disso, o sangue (sem o componente LDL) é devolvido à pessoa.

Tratamento das causas do colesterol elevado

Qualquer quadro clínico que causar ou for um fator de risco para o aumento dos níveis de colesterol também precisa ser tratado. Portanto, as pessoas com diabetes devem controlar cuidadosamente os níveis de glicose no sangue. A doença renal, doença hepática e o hipotireoidismo também são tratados. Se um medicamento estiver causando o aumento nos níveis de colesterol, é possível que o médico receite uma dose mais baixa ou outro medicamento à pessoa.

Monitoramento do tratamento

Os médicos normalmente realizam exames de sangue dois a três meses depois do início do tratamento para determinar se os níveis de lipídios estão diminuindo. Depois de os níveis de lipídios terem diminuído o suficiente, o médico realiza exames de sangue uma ou duas vezes por ano. Atualmente, os médicos não utilizam mais alvos específicos para níveis de lipídios. Em vez disso, eles tentam alcançar uma determinada redução percentual nos níveis de lipídios, normalmente entre 30% e 50%.

Uma vez que alguns medicamentos hipolipemiantes podem, às vezes, causar problemas musculares e hepáticos, o médico normalmente realiza exames de sangue quando a pessoa inicia a terapia medicamentosa. Então, se a pessoa apresenta efeitos colaterais, os valores iniciais (basais) estão disponíveis para comparação.

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