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Doença arterial periférica oclusiva

Por

Koon K. Teo

, MBBCh, PhD, McMaster University, Hamilton, Ontario, Canada

Última revisão/alteração completa jul 2019| Última modificação do conteúdo jul 2019
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A doença arterial periférica oclusiva consiste no bloqueio ou estreitamento de uma artéria nas pernas (ou, raramente, nos braços), geralmente devido a aterosclerose e resultando em diminuição do fluxo sanguíneo.

  • Os sintomas dependem de qual artéria está obstruída e do quão grave é a obstrução.

  • Para fazer o diagnóstico, os médicos medem o fluxo sanguíneo nas áreas afetadas.

  • São usados medicamentos, angioplastia ou cirurgia para reduzir a obstrução e aliviar os sintomas.

A doença arterial periférica oclusiva é comum entre idosos, pois frequentemente resulta da aterosclerose (placa ou acúmulo patológico na parede de vasos sanguíneos) que se torna mais frequente com o envelhecimento.

A doença arterial periférica oclusiva também é comum entre

Todos esses fatores, além de contribuírem para o desenvolvimento da doença arterial periférica oclusiva, também favorecem seu agravamento.

A doença arterial periférica oclusiva se desenvolve mais comumente nas artérias das pernas, incluindo os dois ramos da aorta (artérias ilíacas) e as principais artérias das coxas (artérias femorais), joelhos (artérias poplíteas) e panturrilhas (artéria tibial e artéria peroneal). Muito mais raramente, a doença se desenvolve nas artérias dos ombros ou dos braços.

A doença arterial oclusiva também pode manifestar-se na parte da aorta que atravessa o abdômen (aorta abdominal) ou em seus ramos (consulte Oclusão de ramo aórtico abdominal).

A doença arterial periférica oclusiva pode resultar de

  • Estreitamento progressivo de uma artéria

  • Bloqueio repentino de uma artéria

Quando uma artéria se estreita, as partes do corpo supridas por ela podem não receber sangue suficiente. Um suprimento de sangue inadequado resulta em níveis insuficientes de oxigênio nos tecidos corporais, o que é chamado isquemia. A isquemia pode surgir de forma gradual ou repentina. Quando uma artéria é obstruída repentina ou completamente, o tecido que ela irriga pode morrer.

Estreitamento progressivo das artérias

O estreitamento progressivo das artérias deve-se, muitas vezes, à aterosclerose, na qual se formam depósitos de colesterol e de outras substâncias gordurosas (ateromas ou placas ateroscleróticas) nas paredes das artérias. Os ateromas podem estreitar o interior (lúmen) da artéria e reduzir o fluxo sanguíneo gradualmente. Pode haver acúmulo de cálcio nas paredes dos vasos sanguíneos, o que provoca o enrijecimento das artérias.

Menos frequentemente, as artérias se estreitam progressivamente devido ao crescimento anormal de músculo na parede arterial (displasia fibromuscular), inflamação (vasculite) ou pressão originada de fora do vaso sanguíneo por uma massa adjacente em crescimento, como um tumor ou saco preenchido por líquido (cisto).

Bloqueio repentino de uma artéria

A formação de um coágulo de sangue (trombo) em uma artéria já estreitada pode formar uma obstrução súbita e completa de uma artéria. Uma obstrução súbita também é possível quando um coágulo se desprende de um dado local, como o coração ou a aorta, converte-se em um êmbolo, viaja pela corrente sanguínea e se aloja em uma artéria mais distante. Algumas doenças aumentam o risco da formação de coágulos de sangue. Tais doenças incluem fibrilação atrial, outras doenças cardíacas e distúrbios de coagulação. A inflamação de vasos sanguíneos (vasculite), que pode ser decorrente de uma doença autoimune, também pode causar o bloqueio súbito de uma artéria.

Às vezes, um ateroma pode se romper no vaso sanguíneo e desencadear a formação de um coágulo de sangue que bloqueia uma artéria subitamente. Outras vezes, um fragmento de material gorduroso desprende-se de um ateroma e bloqueia uma artéria subitamente. A obstrução súbita também pode resultar de uma dissecção aórtica, em que a camada interna da aorta se rompe, permitindo que o sangue passe através da abertura e separe a camada interna da camada intermediária da aorta. À medida que a dissecção aumenta, pode haver bloqueio de uma ou mais artérias conectadas à aorta.

Sintomas

Os sintomas de doença arterial periférica oclusiva variam, dependendo

  • De qual artéria é afetada

  • Da extensão do bloqueio da artéria

  • A artéria ser estreitada progressivamente ou bloqueada subitamente

Normalmente, cerca de 70% do interior da artéria precisam estar bloqueados antes de ocorrerem sintomas. O estreitamento gradual de uma artéria pode trazer sintomas menos graves do que a obstrução súbita — mesmo se a artéria chegar a ficar completamente bloqueada. Os sintomas podem ser menos graves quando o estreitamento é gradual e há tempo para que os vasos sanguíneos mais próximos se dilatem ou para que novos vasos (denominados vasos colaterais) se desenvolvam. Desse modo, o tecido afetado ainda pode receber sangue. Se uma artéria for bloqueada subitamente, não há tempo para que vasos colaterais se desenvolvam, assim, os sintomas geralmente são graves.

A obstrução total e súbita de uma artéria em uma perna ou braço pode desencadear dor intensa, resfriamento e dormência no membro afetado. A perna ou o braço apresentam palidez ou coloração azulada (cianose). Não é possível sentir o pulso abaixo da obstrução. A redução súbita e drástica do fluxo sanguíneo para um membro é uma emergência médica. A ausência de fluxo sanguíneo pode resultar em perda de sensibilidade ou paralisia de um membro rapidamente. Se não houver fluxo sanguíneo por muito tempo, o tecido pode morrer e o membro pode ter que ser amputado.

A claudicação intermitente, o sintoma mais frequente da doença arterial periférica, resulta do estreitamento progressivo de uma artéria da perna. Trata-se de uma sensação de dor, câimbra ou cansaço nos músculos da perna — não nas articulações. A claudicação intermitente aparece de forma regular e previsível durante a atividade física, mas sempre melhora rapidamente com o repouso. Os músculos doem quando a pessoa caminha e a dor começa mais rapidamente e é mais grave quando a pessoa caminha rapidamente ou sobe uma ladeira. Normalmente, depois de um a cinco minutos de repouso (não é necessário sentar), a pessoa pode caminhar uma distância equivalente à já percorrida, porém, continuar caminhando provoca dor em uma distância comparável. Mais comumente, a dor ocorre nas panturrilhas, mas também pode ocorrer nas coxas, quadris ou nádegas, dependendo da localização do bloqueio. Muito raramente, a dor ocorre no pé.

Conforme aumenta o estreitamento da artéria afetada, a distância que a pessoa pode percorrer sem dor diminui. Por fim, com o agravar da doença, pode ocorrer dor nos músculos da perna mesmo durante o repouso, em particular, quando a pessoa está deitada. A dor começa na parte inferior da perna ou na parte da frente do pé, é intensa e contínua e piora quando a perna afetada é elevada. Essa dor muitas vezes afeta o sono. Para alívio da dor, a pessoa pode deixar os pés suspensos na borda da cama ou sentar-se com as pernas suspensas, sem que os pés toquem o chão.

Obstruções extensas das artérias do braço, que são raras, podem causar cansaço, câimbras ou dor nos músculos do braço quando este é utilizado repetidamente.

Quando o suprimento de sangue é reduzido apenas leve ou moderadamente, a perna ou o braço podem parecer quase normais. Quando há redução grave do suprimento de sangue para um pé, este pode ficar frio, e os médicos podem precisar de equipamentos especiais para detectar as pulsações no pé. A pele pode parecer ressecada, escamosa, brilhante ou rachada. As unhas podem não crescer normalmente e os pelos da perna podem deixar de crescer. À medida que a obstrução da artéria piora, a pessoa pode desenvolver úlceras que não cicatrizam com facilidade, em especial nos dedos dos pés ou nos calcanhares e, às vezes, na parte inferior da perna, sobretudo após um ferimento. Infecções ocorrem facilmente e tornam-se sérias rapidamente. Em pessoas com doença arterial oclusiva periférica grave, as feridas na pele podem levar semanas ou meses para cicatrizarem ou nunca cicatrizarem. Podem surgir úlceras no pé. Os músculos da perna podem encolher (atrofiar). Uma obstrução grande pode causar gangrena.

Em algumas pessoas que tiveram claudicação previsível e estável, esta pode piorar repentinamente. Por exemplo, a dor na panturrilha que ocorre após uma caminhada de dez quarteirões pode aparecer repentinamente depois de se caminhar apenas um quarteirão. Essa alteração pode indicar a formação de um novo coágulo em uma artéria da perna. Essas pessoas devem buscar assistência médica imediatamente.

Você sabia que...

  • Se de repente as pessoas sentirem o braço ou a perna doer, ficar fria e pálida, elas devem buscar assistência médica imediatamente.

Diagnóstico

  • Exame físico e sintomas

  • Medição da pressão arterial e do fluxo sanguíneo

Exame físico

O diagnóstico de doença arterial periférica oclusiva baseia-se nos sintomas e nos resultados de exames físicos. Os médicos examinam a pele das pernas ou dos braços, observando sua cor e temperatura e pressionando suavemente para ver com que rapidez a cor retorna após a pressão ser removida. Essas observações são úteis para determinar se a circulação é adequada. Procedimentos que medem diretamente a pressão arterial ou o fluxo sanguíneo também são realizados.

A medição da pressão arterial é feita usando um manguito de pressão arterial padrão e um estetoscópio eletrônico especial. A pressão arterial sistólica medida em ambos os braços e em ambas as pernas. A pressão deve ser igual nos braços e nas pernas. Se a pressão arterial no tornozelo for inferior à dos braços em uma determinada proporção (menos de 90% da pressão do braço), isso se deve a um fluxo sanguíneo inadequado para as pernas e é estabelecido o diagnóstico de doença arterial periférica oclusiva. Se os médicos suspeitam de um bloqueio em uma artéria do braço, eles medem a pressão arterial sistólica em ambos os braços. A pressão que é consistentemente mais alta em um dos braços sugere um bloqueio no membro com menor pressão e, então, é diagnosticada doença arterial periférica oclusiva.

A avaliação do pulso é igualmente útil para avaliar o fluxo sanguíneo. Um médico ou enfermeiro avalia o pulso em todas as regiões, incluindo as axilas, cotovelos, pulsos, virilha, tornozelos, pés e atrás dos joelhos. O pulso nas artérias após o bloqueio pode ser fraco ou ausente. Por exemplo, se os médicos suspeitam de um bloqueio em uma artéria da perna, eles verificam o pulso abaixo de um determinado ponto na perna. Para artérias cujo pulso seja inacessível, como nas artérias renais, são realizados procedimentos que fornecem imagens do fluxo sanguíneo. Um estetoscópio é usado para verificar a presença de sons anormais causados ​​pelo fluxo sanguíneo turbulento através de uma artéria estreitada (sopros).

Medições de oxigênio nos tecidos

O teste de tensão de oxigênio transcutâneo mede o nível de oxigênio do tecido abaixo da pele. Como o oxigênio é transportado para os tecidos pelo sangue, este teste é uma medida indireta do fluxo sanguíneo. Este teste indolor é realizado colocando-se sensores na pele da perna ou do braço afetado e na parte superior do tórax. Os eletrodos nos sensores aquecem a área por baixo da pele para dilatar temporariamente os vasos sanguíneos para que o nível de oxigênio possa ser facilmente medido pelo sensor.

Diagnóstico por imagem

Pode-se utilizar uma ultrassonografia Doppler para medir diretamente o fluxo sanguíneo e confirmar o diagnóstico de doença arterial periférica oclusiva. Esse procedimento pode detectar com precisão o estreitamento ou bloqueio de vasos sanguíneos. Também pode ser feita uma ultrassonografia Doppler para medir o fluxo sanguíneo durante um teste de esforço, pois alguns problemas aparecem apenas durante o exercício.

Geralmente, a angiografia, um procedimento invasivo em que um cateter de plástico flexível é inserido em uma das grandes artérias na parte superior da coxa, é realizada apenas quando for necessário proceder à cirurgia ou angioplastia (desobstrução de um bloqueio inflando um pequeno balão dentro da artéria). Em tais casos, o seu objetivo é fornecer aos médicos imagens claras das artérias afetadas antes da cirurgia ou da angioplastia ser feita. Raramente, é necessária uma angiografia para determinar se é possível realizar uma cirurgia ou uma angioplastia. Na angiografia, um agente de contraste (corante) radiopaco, que pode ser visto em radiografias, é injetado em uma artéria através do cateter de plástico flexível. O agente de contraste mostra o contorno do interior da artéria quando são tiradas radiografias. Assim, a angiografia pode mostrar o diâmetro preciso da artéria e é mais precisa do que a ultrassonografia Doppler para detecção de alguns bloqueios.

Mais recentemente, os centros médicos estão, em sua maioria, realizando angiografia usando um método menos invasivo como tomografia computadorizada (angiografia por TC) ou ressonância magnética (chamada angiografia por ressonância magnética, ou ARM). Nesses exames não é necessário inserir um cateter flexível em uma artéria principal. Em vez disso, são injetadas pequenas quantidades de um agente de contraste na corrente sanguínea pela veia usando um cateter intravenoso convencional no braço.

Outros testes para diagnosticar doença arterial periférica oclusiva

Para pessoas com aterosclerose, os médicos tentam identificar fatores de risco, muitas vezes fazendo exames de sangue para medir os níveis de colesterol, açúcar (glicose) e, ocasionalmente, homocisteína. A pressão arterial é medida em mais de uma ocasião para determinar se ela se mantém elevada.

Também podem ser feitos exames de sangue para identificar outras causas para o estreitamento ou bloqueio das artérias, como inflamação dos vasos sanguíneos devido a uma doença autoimune. Entre esses exames de sangue estão a medição da velocidade de hemossedimentação (VHS) e do nível de proteína C reativa, que é produzida somente quando existe inflamação. Em caso de bloqueio de uma artéria do braço, os médicos tentam determinar se a causa é aterosclerose, síndrome do desfiladeiro torácico ou inflamação da artéria (arterite).

Os médicos utilizam ressonância magnética (RM) para descartar estenose da coluna vertebral (estreitamento do canal vertebral), que também pode causar dor durante a atividade física. No entanto, essa dor, ao contrário da claudicação intermitente, requer que a pessoa se sente, não apenas repouse, para alívio.

Prevenção

A melhor maneira de ajudar a prevenir a doença arterial periférica oclusiva é modificar ou eliminar os fatores de risco para aterosclerose. A prevenção inclui as seguintes medidas:

O bom controle do diabetes ajuda a retardar ou prevenir o desenvolvimento de doença arterial periférica oclusiva e reduz o risco de outras complicações.

Tratamento

  • Controlar os fatores de risco

  • Exercício

  • Medicamentos

  • Angioplastia

  • Cirurgia para desobstruir ou contornar o bloqueio

  • Amputação de um membro em caso de morte do tecido

Os objetivos do tratamento são os seguintes:

  • Evitar que a doença progrida

  • Reduzir o risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e morte relacionado à propagação da aterosclerose.

  • Evitar a amputação

  • Melhorar a qualidade de vida através do alívio dos sintomas (como claudicação intermitente)

Os tratamentos incluem medicamentos, como os utilizados para alívio da claudicação e os que fazem com que os coágulos se dissolvam (medicamentos trombolíticos ou fibrinolíticos), angioplastia, cirurgia e outras medidas, como a prática de exercícios e cuidados com os pés. O tratamento a ser usado depende dos seguintes fatores:

  • Se o bloqueio surgiu subitamente ou progressivamente

  • Gravidade dos sintomas

  • Gravidade do bloqueio

  • Localização do bloqueio

  • Riscos relacionados ao tratamento (principalmente para cirurgia)

  • Saúde geral da pessoa

Independentemente dos tratamentos específicos usados, as pessoas precisam, ainda assim, tratar os distúrbios que constituem fatores de risco para aterosclerose (como hipertensão arterial, diabetes, tabagismo e colesterol alto) para melhorar seu prognóstico geral. Angioplastia e cirurgia são apenas medidas mecânicas para corrigir um problema imediato. Elas não controlam nem revertem o processo que causou a doença em primeiro lugar.

Exercício

Exercícios regulares podem ajudar a aliviar a dor na maioria das pessoas com claudicação intermitente. Praticar exercícios é o tratamento mais eficaz e pode ser apropriado para as pessoas motivadas, que podem seguir um programa com prescrição de exercícios diários. Não se sabe exatamente como a prática de exercícios alivia a claudicação, mas ela provavelmente melhora a função muscular e o fluxo sanguíneo ou promove o crescimento de vasos sanguíneos novos (colaterais). As pessoas com claudicação devem caminhar pelo menos 30 minutos por dia, pelo menos três vezes por semana, se possível. Para a maioria das pessoas, seguir essa rotina aumenta a distância que elas podem caminhar confortavelmente. O desconforto sentido durante a caminhada não é perigoso. Quando há desconforto, a pessoa deve parar de andar até o desconforto desaparecer e, em seguida, voltar a andar. O tempo de caminhada total (excluindo os períodos de descanso) deve ser de pelo menos 30 minutos para melhorar a distância percorrida.

A prática de exercícios é mais eficaz quando realizada em um programa de reabilitação sob a supervisão de um terapeuta treinado. Os médicos recomendam que as pessoas com claudicação se submetam a um teste de esforço antes de iniciarem um programa de reabilitação para haver certeza de que o fornecimento de sangue ao músculo cardíaco é adequado.

Cuidados com os pés

É importante ter um cuidado especial com os pés. Isso ajuda a evitar que as feridas ou úlceras se infeccionem e se tornem dolorosas ou que se desenvolva uma gangrena. Um bom cuidado com os pés também ajuda a evitar a amputação. As medidas de cuidados pessoais incluem

  • Examinar os pés diariamente à procura de fissuras, úlceras, verrugas e calosidades

  • Lavar os pés todos os dias com água morna e sabonete suave e secá-los completamente e com delicadeza

  • Usar um hidratante, como lanolina, para pele seca

  • Usar talco comum para manter os pés secos

  • Cortar as unhas dos pés retas e não muito curtas (pode ser necessário que um podólogo corte as unhas; o podólogo precisa saber que a pessoa tem doença arterial periférica)

  • Verrugas e calos devem ser tratados por um podólogo

  • Evitar adesivos ou produtos químicos fortes para extrair calos ou calosidades

  • Trocar de meias diariamente e de sapatos frequentemente

  • Usar meias de lã folgadas para manter os pés aquecidos

  • Não usar meias com cinta-liga ou meias com elásticos muito apertadas

  • Utilizar calçados que se ajustem bem, com bastante espaço para os dedos

  • Evitar calçados abertos ou andar descalço

  • Pedir ao podólogo uma prescrição de calçados especiais se os pés apresentarem deformidades

  • Não usar bolsas de água quente nem almofadas de aquecimento

  • Não mergulhar os pés em água quente ou em soluções químicas

As úlceras do pé requerem cuidado meticuloso. Esses cuidados são necessários para tratar a infecção, proteger a pele de lesões adicionais e para que a pessoa consiga continuar a caminhar.

As úlceras do pé devem ser mantidas limpas. Elas devem ser lavadas com sabão neutro ou solução antibacteriana e cobertas com curativos limpos e secos diariamente. As pernas devem ser mantidas abaixo do nível do coração para ajudar a melhorar o fluxo de sangue. As pessoas que sofrem de diabetes devem controlar as concentrações de açúcar no sangue da melhor maneira possível. Em geral, qualquer um com má circulação nos pés ou diabetes deve consultar um médico caso uma úlcera do pé não cicatrize em um período de aproximadamente sete dias. Muitas vezes, os médicos prescrevem uma pomada antibiótica.

Se as úlceras não cicatrizarem, pode ser necessário repouso absoluto. Se for necessário repouso absoluto, ataduras com proteção almofadada para os calcanhares ou botas de espuma de borracha devem ser usadas para evitar a formação de escaras (úlceras de pressão) nos pés. A cabeceira da cama deve estar levantada cerca de 15 a 20 centímetros e as pernas devem ser mantidas abaixo do nível do coração, de modo que a gravidade ajude o fluxo de sangue através das artérias. Se a úlcera estiver infeccionada, os médicos geralmente prescrevem antibióticos orais e que a pessoa pode precisar ser hospitalizada.

Medicamentos

Podem ser administrados medicamentos para tratar quadros que causam doença arterial periférica, como hipertensão arterial, diabetes e colesterol alto. Outros medicamentos podem ser prescritos para dissolver coágulos de sangue ou prevenir a formação de novos coágulos. Os medicamentos mais comumente usados são aspirina e clopidogrel, que diminuem o risco de formação de coágulos.

Aspirina ou clopidogrel são administrados com frequência, pois esses medicamentos ajudam a prevenir a formação de coágulos e a reduzir o risco de ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral. Esses medicamentos modificam as plaquetas de modo que elas não aderem às paredes dos vasos sanguíneos. Normalmente, as plaquetas, que circulam no sangue, unem-se e formam um coágulo para interromper uma hemorragia quando um vaso sanguíneo é lesionado.

Medicamentos como pentoxifilina ou cilostazol são tomados por via oral para tratar a claudicação. Ambos os medicamentos podem aumentar o fluxo sanguíneo e, dessa forma, melhorar o fornecimento de oxigênio aos músculos. Cada um desses medicamentos deve ser tomado por um período de dois a três meses para que seja possível determinar sua eficácia. No entanto, a utilização da pentoxifilina é questionada atualmente e muitos especialistas já não a recomendam. Por outro lado, o cilostazol pode resultar em um aumento de 50 a 100% na distância que pode ser percorrida sem dor. O cilostazol não deve ser usado por pessoas com insuficiência cardíaca.

Estudos também mostram que o ramipril, pertencente a uma classe de medicamentos chamados inibidores da enzima conversora de angiotensina (os quais ajudam os vasos sanguíneos a dilatar e às vezes melhoram o fluxo sanguíneo), aumenta a distância que a pessoa consegue caminhar sem dor.

Angioplastia

Às vezes, a angioplastia para alargar um vaso sanguíneo é realizada imediatamente após a angiografia. Quando a obstrução ocorre subitamente, a angioplastia precisa ser feita o quanto antes para prevenir a perda irreversível de função ou amputação do membro. Ela pode ser feita para aliviar os sintomas e, assim, adiar ou evitar a cirurgia. Às vezes ela é usada em combinação com cirurgia ou com um procedimento para retirar um coágulo de sangue. A angioplastia consiste em inserir um cateter com um balão em sua extremidade na parte estreitada da artéria e, em seguida, inflar o balão para eliminar a obstrução. Para manter a artéria aberta, os médicos podem inserir um tubo elaborado com uma malha de arame (stent) em seu interior. Alguns stents agora contêm medicamentos que são liberados lentamente (stents com eluição de medicamentos) e previnem o ressurgimento do bloqueio.

A angioplastia normalmente é feita como um procedimento ambulatorial. A angioplastia raramente é dolorosa, mas pode ser um pouco desconfortável, pois a pessoa precisa ficar deitada sem se movimentar em uma superfície dura. Ela é realizada com um sedativo leve, mas sem anestesia geral.

O sucesso da angioplastia varia, dependendo da localização do bloqueio e da gravidade da doença arterial periférica. Depois do procedimento, a pessoa recebe um medicamento (como aspirina ou clopidogrel) para ajudar a evitar a formação de coágulos nas artérias do membro afetado e para evitar um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral posteriores. Além disso, é feita uma ultrassonografia Doppler regularmente para monitorar o fluxo sanguíneo através da artéria e, assim, detectar se a artéria está estreitada novamente.

A angioplastia pode não ser bem-sucedida se muitas áreas de uma artéria estiverem estreitadas, se a seção estreitada for muito longa ou se a artéria estiver grave e extensivamente endurecida. Após a angioplastia, pode ser necessária uma cirurgia se um coágulo de sangue (trombo) se formar na área estreitada, se um fragmento do coágulo (trombo) se desprender e bloquear uma artéria a jusante, se o sangue penetrar no revestimento da artéria criando uma protuberância para dentro que bloqueia o fluxo de sangue (um distúrbio chamado dissecção) ou se ocorrer uma hemorragia grave.

Outros dispositivos — incluindo lasers, cortadores mecânicos, cateteres ultrassônicos e lixas rotativas — podem ser usados em vez de um cateter balão durante a angioplastia, mas nenhum parece ser especialmente mais eficaz.

Cirurgia

Pode ser feita uma cirurgia para remover o bloqueio ou uma cirurgia de revascularização se outros tratamentos não aliviarem a claudicação. A cirurgia normalmente é feita para evitar a amputação de uma perna quando o fluxo sanguíneo está muito reduzido, ou seja, quando a claudicação é incapacitante ou ocorre durante o repouso, quando as feridas não se curam ou quando há desenvolvimento de gangrena.

Pode ser feita cirurgia para remover os coágulos sanguíneos (tromboendarterectomia) quando os medicamentos trombolíticos são ineficazes ou muito perigosos. Também pode ser feita cirurgia para remover ateromas (endarterectomia) ou outros bloqueios.

Cirurgia de revascularização na perna

Uma cirurgia de revascularização pode ser feita para tratar artérias que estão estreitadas ou bloqueadas. Nesse procedimento, o sangue é redirecionado e passa a contornar a artéria afetada — por exemplo, em torno de parte da artéria femoral na coxa ou parte da artéria poplítea no joelho. Um enxerto consistindo de um tubo feito de material sintético ou de parte de uma veia de outra região do corpo é ligado à artéria obstruída acima e abaixo da obstrução.

Cirurgia de revascularização na perna

Alternativamente, pode ser feita uma cirurgia de revascularização. Na cirurgia de revascularização, um enxerto constituído por um tubo feito de material sintético ou parte de uma veia de outra região do corpo são ligados à artéria obstruída acima e abaixo do bloqueio. Assim, o sangue é desviado da artéria obstruída.

Outra opção consiste em extrair o fragmento obstruído e substituí-lo por um enxerto. Normalmente, antes da cirurgia, os médicos avaliam a função cardíaca e o fluxo sanguíneo pelo coração para determinar a segurança relativa da cirurgia, pois muitas pessoas com doença arterial oclusiva periférica também têm doença arterial coronariana.

Em casos raros, é necessário realizar a amputação da perna se parte do membro tiver morrido ou se não houver uma forma adequada de restabelecer o fluxo sanguíneo para a área. A amputação é feita para eliminar o tecido infectado, aliviar a dor contínua ou impedir que uma gangrena piore. Os cirurgiões retiram a menor porção da perna possível. É muito importante conservar o joelho, especialmente se a pessoa planeja implantar uma prótese de perna. A reabilitação após a amputação da perna é fundamental.

Outros tratamentos

Deve-se minimizar a exposição ao frio, pois ela causa o estreitamento (contração) dos vasos sanguíneos e limita ainda mais a chegada de sangue aos tecidos.

Também é importante evitar medicamentos que causem contração dos vasos sanguíneos. Entre esses medicamentos estão a efedrina, a pseudoefedrina e a fenilefrina que são componentes de alguns medicamentos para congestão nasal e resfriado.

Atualmente está em estudo a injeção de células-tronco nas pernas de pessoas com deficiências graves no fluxo sanguíneo. As células-tronco podem estimular o crescimento de novos vasos sanguíneos, reduzindo, assim, a necessidade de amputação.

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