A osteogênese imperfeita é um distúrbio hereditário do colágeno que causa fragilidade óssea difusa e anormal, bem como deformidades esqueléticas. Às vezes é acompanhada por perda auditiva neurossensorial, escleras azuis, dentinogênese imperfeita e hipermobilidade articular. O diagnóstico é baseado nas manifestações clínicas e nos testes genéticos. O tratamento inclui hormônio do crescimento para alguns tipos, bisfosfonatos e às vezes denosumabe ou teriparatida.
Há 5 tipos clínicos da osteogênese imperfeita (1–3):
I: Não deformante com escleras persistentemente azuis
II: Letal perinatal
III: Progressivamente deformante
IV: Moderado
V: Com calcificação das membranas interósseas e/ou calo hipertrófico
Seu modo de herança é geralmente autossômico dominante, mas os tipos II, III e IV têm formas que são autossômicas recessivas. Mais de 85% das pessoas com um desses tipos clínicos têm mutações nos genes que codificam as cadeias pró-alfa do pró-colágeno tipo I (um componente estrutural dos ossos, ligamentos e tendões): COL1A1 ou COL1A2 (3).
Há alguns outros tipos mais raros, que são provocados por mutações em diferentes genes.
Referências gerais
1. Marom R, Rabenhorst BM, Morello R. Osteogenesis imperfecta: an update on clinical features and therapies. Eur J Endocrinol. 2020;183(4):R95-R106. doi:10.1530/EJE-20-0299
2. Mortier GR, Cohn DH, Cormier-Daire V, et al. Nosology and classification of genetic skeletal disorders: 2019 revision. Am J Med Genet A. 2019;179(12):2393-2419. doi:10.1002/ajmg.a.61366
3. Chaugule S, Constantinou CK, John AA, et al. Comprehensive Review of Osteogenesis Imperfecta: Current Treatments and Future Innovations. Hum Gene Ther. 2025;36(5-6):597-617. doi:10.1089/hum.2024.191
Sinais e sintomas da osteogênese imperfeita
A perda da audição afeta até 70% de todos os pacientes com osteogênese imperfeita e pode ocorrer em qualquer um dos 5 tipos clínicos.
O tipo I (não deformante com esclera persistentemente azul) é o mais leve. Os sinais e sintomas de alguns pacientes limitam-se às escleras azuis (em decorrência de uma deficiência do tecido conetivo, o que permite que os vasos subjacentes sejam visíveis) e às dores musculoesqueléticas devido à hipermobilidade articular. Fraturas recorrentes podem estar presentes na infância.
Tipo II (tipo letal perinatal ou osteogênese imperfeita congênita) é a forma mais grave e letal. As fraturas múltiplas congênitas provocam encurtamento das extremidades. As escleras são azuis. O crânio é mole e, quando palpado, dá a sensação de um saco de ossos. Como o crânio é mole, traumas de parto podem provocar hemorragia intracraniana e natimorto ou neonatos que morrem subitamente durante os primeiros dias ou semanas de vida.
Esta foto é uma vista aproximada do olho, mostrando a esclera azul (normalmente branca).
Tipo III (progressivamente deformante) é a forma não letal mais grave de osteogênese imperfeita. Pacientes com o tipo III têm baixa estatura, curvatura da coluna e fraturas múltiplas recorrentes. Macrocefalia, face triangular e deformidades do tórax são frequentes. A esclerótica azul é variável.
Anormalidades cardiopulmonares, incluindo doença das valvas cardíacas, insuficiência cardíaca e doença pulmonar restritiva (tanto parenquimatosa quanto causada por anormalidades torácicas e espinais), podem ser observadas nos tipos II e III.
Esta foto mostra um paciente com osteogênese grave imperfeita que tem tórax em barril, coluna vertebral curvada, deformidades ósseas graves, frouxidão articular e deficit no desenvolvimento muscular.
Tipo IV (moderado) é intermediário/moderado em gravidade. A taxa de sobrevida é elevada. Esse tipo é variável e deformante. Fraturas ósseas podem acontecer na infância antes da adolescência. A esclerótica tem cor tipicamente normal. A altura é moderadamente prejudicada. O diagnóstico preciso é importante, pois esses pacientes podem ser beneficiados pelo tratamento.
O tipo V manifesta-se com calcificação das membranas interósseas e/ou calo hipertrófico e com luxação da cabeça do rádio. As escleras apresentam coloração entre azul e azul-acinzentado. Esse tipo pode ser leve a moderado em gravidade, e indivíduos com sintomas leves podem levar vidas relativamente normais.
Diagnóstico da osteogênese imperfeita
Avaliação clínica
Análise do pró-colágeno tipo I e/ou exames genéticos
Às vezes, prenatalmente, com ultrassonografia, biópsia de vilosidades coriônicas ou amniocentese
O diagnóstico da osteogênese imperfeita é geralmente clínico, mas não existem critérios padronizados.
A análise do pró-colágeno tipo I de fibroblastos cultivados (de uma biópsia de pele) e/ou o sequenciamento dos genes COL1A1, COL1A2 e de outros genes causadores são utilizados para confirmar o diagnóstico.
Prenatalmente, a osteogênese imperfeita pode ser detectada por ultrassonografia detalhada; o momento ideal e a probabilidade de diagnóstico dependem do tipo e da gravidade (1). Se uma mutação parental for conhecida, células de vilosidades coriônicas ou amniócitos podem ser analisados para essa mutação específica. Células de vilosidades coriônicas (mas não amniócitos) também podem ser cultivadas para análise do pró-colágeno tipo I produzido e para comparação com os resultados do teste de pró-colágeno de um membro afetado da família.
Referência sobre diagnóstico
1. Byers PH, Krakow D, Nunes ME, Pepin M; American college of medical genetics. Genetic evaluation of suspected osteogenesis imperfecta (OI). Genet Med. 2006;8(6):383-388. doi:10.1097/01.gim.0000223557.54670.aa
Tratamento da osteogênese imperfeita
Bisfosfonatos
Hormônio do crescimento
Às vezes denosumabe ou teriparatida
Às vezes, vitamina D
Algumas vezes, cirurgia
O tratamento com bisfosfonatos (p. ex., pamidronato 0,5 a 3 mg/kg IV uma vez ao dia por 3 dias, repetido conforme necessário a cada 4 a 6 meses; ácido zoledrônico 0,0125 a 0,025 mg/kg IV repetido a cada 3 a 6 meses; alendronato 1 mg/kg [máximo de 20 mg] por via oral uma vez ao dia) tem como objetivo aumentar a densidade óssea e diminuir a dor óssea, e o risco de fratura e escoliose (1, 2).
O hormônio do crescimento em conjunto com a terapia com bisfosfonatos pode melhorar o crescimento e a densidade mineral óssea em alguns pacientes (2, 3).
Denosumabe, um ligante do receptor ativador do fator nuclear kappa B (RANKL), é um potente inibidor da reabsorção óssea osteoclástica e é geralmente administrado como uma injeção. Estudos demonstraram que este medicamento é benéfico em alguns pacientes com osteogênese imperfeita (2, 4).
O teriparatida, um hormônio paratireoideo recombinante, é utilizado por 24 meses e é administrado por via subcutânea. Não é para uso em crianças (5). O romosozumabe, um anticorpo contra a esclerostina, e o fresolimumabe, um anticorpo inibidor do fator de crescimento transformador (TGF)-beta, ainda estão em ensaios clínicos (6).
Deve-se fornecer suplementação de vitamina D para pessoas com deficiência desse hormônio.
A cirurgia ortopédica, incluindo o implante de hastes nos ossos longos, pode estabilizar o crescimento e prevenir fraturas (2). A fisioterapia e a terapia ocupacional com foco na manutenção sustentável da força muscular ajudam a melhorar a função.
Há indicação para o implante coclear em casos selecionados de perda da audição.
Referências sobre tratamento
1. Dwan K, Phillipi CA, Steiner RD, Basel D. Bisphosphonate therapy for osteogenesis imperfecta. Cochrane Database Syst Rev. 2016;10(10):CD005088, 2016. doi:10.1002/14651858.CD005088.pub4
2. Chaugule S, Constantinou CK, John AA, et al. Comprehensive Review of Osteogenesis Imperfecta: Current Treatments and Future Innovations. Hum Gene Ther. 2025;36(5-6):597-617. doi:10.1089/hum.2024.191
3. Antoniazzi F, Monti E, Venturi G, et al. GH in combination with bisphosphonate treatment in osteogenesis imperfecta. Eur J Endocrinol. 2010;163(3):479-487. doi:10.1530/EJE-10-0208
4. Li G, Jin Y, Levine MAH, et al. Systematic review of the effect of denosumab on children with osteogenesis imperfecta showed inconsistent findings. Acta Paediatr. 2018;107(3):534–537. doi:10.1111/apa.14154
5. Liu W, Lee B, Nagamani SCS, et al. Approach to the Patient: Pharmacological Therapies for Fracture Risk Reduction in Adults With Osteogenesis Imperfecta. J Clin Endocrinol Metab. 2023;108(7):1787-1796. doi:10.1210/clinem/dgad035
6. Sun Y, Li L, Wang J, Liu H, Wang H. Emerging Landscape of Osteogenesis Imperfecta Pathogenesis and Therapeutic Approaches. ACS Pharmacol Transl Sci. 2024;7(1):72-96. Published 2024 Jan 2. doi:10.1021/acsptsci.3c00324



