Rompimento no tendão do calcâneo mais frequentemente resulta de dorsiflexão do tornozelo, especialmente quando o tendão está estirado. O diagnóstico é por exame físico e, algumas vezes, RM. O tratamento é com talas em flexão plantar e encaminhamento imediato a um cirurgião ortopedista; correção cirúrgica pode ser necessária.
(Ver também Visão geral de entorses e outras lesões de tecidos moles.)
Rupturas do tendão do calcâneo são comuns. Em geral ocorrem ao correr ou saltar e são mais comuns nos homens e nos atletas de meia-idade. Muito raramente, ocorre ruptura espontânea do tendão do calcâneo em pessoas que fazem uso de antibióticos da classe das fluoroquinolonas ou dos glicocorticoides.
Rupturas do tendão do calcâneo podem ser parciais ou completas.
Sinais e sintomas das rupturas no tendão do calcâneo
A dor na parte distal da panturrilha dificulta a deambulação, particularmente quando há ruptura completa. Podem ocorrer equimose e hematoma na panturrilha.
As rupturas completas podem resultar em um defeito palpável e geralmente ocorrem nos 2 a 6 cm proximais à inserção do tendão.
Diagnóstico de rupturas do tendão do calcâneo
Principalmente história e exame físico
Às vezes, RM ou ultrassonografia
O diagnóstico das rupturas do tendão do calcâneo é clínico (1). A capacidade do paciente de flexionar o tornozelo não descarta uma ruptura.
Se os médicos suspeitarem de ruptura do tendão do calcâneo, 3 testes principais podem ser feitos para ajudar a confirmar o diagnóstico.
Para o teste de Thompson (teste por compressão da panturrilha), o paciente fica em decúbito ventral, e a panturrilha é comprimida para elicitar a flexão plantar. Os resultados incluem:
Se a ruptura for completa, a flexão plantar está ausente ou diminuída.
Se a ruptura é parcial, os resultados algumas vezes são normais, assim muitas vezes essas rupturas não são identificadas.
O teste de Thompson é 96% sensível e 93% específico para rupturas do tendão do calcâneo (1).
Utiliza-se o teste de Matles para avaliar a tensão em repouso. O paciente permanece em decúbito ventral com o joelho fletido a 90° para reduzir a ação do gastrocnêmio. Comparam-se os pés do paciente. Os resultados incluem:
Se o tendão do calcâneo estiver íntegro, ocorre flexão plantar do tornozelo de 20° a 30°.
Se houver ruptura do tendão do calcâneo, o pé cai para uma posição neutra.
O teste de Matles tem 88% de sensibilidade e 85% de especificidade para rupturas do tendão do calcâneo (1).
O objetivo do teste de Matles é procurar por uma flexão plantar natural no pé com um tendão do calcâneo intacto e a ausência de flexão plantar (indicando um teste de Matles positivo) no tornozelo lesionado. Neste teste, o paciente permanece em decúbito ventral com os joelhos flexionados, e o examinador avalia a posição do pé. Nessa imagem, o pé da frente mostra ausência de flexão plantar (isto é, o pé cai completamente plano (à posição neutra com 0° de flexão plantar). Esse resultado constitui um teste de Matles positivo. O pé de trás mostra flexão plantar de 20 a 30°, indicando que o tendão do calcâneo não está rompido (isto é, está intacto).
Para palpação da lacuna do tendão, solicita-se que o paciente permaneça em pé no membro inferior comprometida (se possível). Então o médico palpa delicadamente o trajeto do tendão do calcâneo e sente uma lacuna; a lacuna indica que o tendão está rompido.
O exame físico é mais sensível que a RM para detectar a ruptura do tendão do calcâneo (2). Um estudo de pacientes com ruptura do tendão do calcâneo (2012) descobriu que, se os 3 testes (Thompson, Matles e palpação da lacuna) são positivos, a sensibilidade para uma ruptura do calcâneo é de 100%. De acordo com as diretrizes da American Academy of Orthopaedic Surgeons (2010), o diagnóstico de uma ruptura requer apenas um dos seguintes (3):
2 desses 3 testes são positivos.
1 dos testes é positivo e a flexão plantar do tornozelo está enfraquecida.
A ultrassonografia é cada vez mais utilizada para confirmar rupturas de tendão ou para diferenciar entre rupturas parciais e completas quando são necessários exames de imagem. A precisão diagnóstica parece ser boa quando o teste é feito por avaliadores experientes.
Referências sobre diagnóstico
1. Maffulli N: The clinical diagnosis of subcutaneous tear of the Achilles tendon: A prospective study in 174 patients. Am J Sports Med 26 (2):266–270, 1998. doi:10.1177/03635465980260021801
2. Garras DN, Raikin SM, Bhat SB, et al: MRI is unnecessary for diagnosing acute Achilles tendon ruptures: Clinical diagnostic criteria. Clin Orthop Relat Res 470 (8):2268–2273, 2012. doi: 10.1007/s11999-012-2355-y
3. Chiodo CP, Glazebrook M, Bluman EM, et al: Diagnosis and treatment of acute Achilles tendon rupture: Practice guideline. J Am Acad Orthop Surg 18 (8):503–510, 2010. doi: 10.5435/00124635-201008000-00007
Tratamento de rupturas do tendão do calcâneo
Talas na flexão plantar
Encaminhamento ortopédico imediato
Às vezes, correção cirúrgica
O tratamento inicial das rupturas do tendão do calcâneo é o uso de talas no tornozelo na flexão plantar e encaminhamento imediato a um cirurgião ortopedista.
As rupturas do tendão do calcâneo podem ser tratadas com manejo não operatório (talas e reabilitação progressiva da amplitude de movimento) ou com reparo cirúrgico.
O tratamento não operatório inclui uma tala posterior de tornozelo com o tornozelo inicialmente em flexão plantar e, posteriormente, exercícios progressivos de amplitude de movimento, partindo da flexão plantar até a posição neutra.
O reparo cirúrgico do tendão pode ser realizado com uma técnica aberta, bem como com uma abordagem minimamente invasiva/percutânea.
O tratamento não operatório tem uma taxa de rerruptura ligeiramente maior, mas, por outro lado, as abordagens operatória e não operatória têm desfechos de longo prazo semelhantes (1).
Referência sobre tratamento
1. Dold AP. Acute Achilles Tendon Ruptures: An Update on Current Management Strategies. J Am Acad Orthop Surg. 2024;33(16):881-889. Published 2024 Oct 8. doi:10.5435/JAAOS-D-24-00275



