Blefarite

PorRichard C. Allen, MD, PhD, University of Texas at Austin Dell Medical School
Reviewed BySunir J. Garg, MD, FACS, Thomas Jefferson University
Revisado/Corrigido: modificado jan. 2026
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Visão Educação para o paciente

Blefarite é uma inflamação das margens das pálpebras que pode ser aguda ou crônica. Os sintomas incluem coceira e ardor das margens das pálpebras com rubor e edema. O diagnóstico é feito por histórico e exame físico. O tratamento para todos os subtipos de blefarite inclui compressas quentes e higiene das pálpebras. Blefarite ulcerativa aguda geralmente também é tratada com antibióticos tópicos ou antivirais sistêmicos. Blefarite não ulcerativa aguda é ocasionalmente tratada com glicocorticoides tópicos. A doença crônica é tratada principalmente com compressas quentes e higiene palpebral e ocasionalmente antibióticos orais (p. ex., uma tetraciclina ou azitromicina) para pacientes com sintomas refratários.

Etiologia da blefarite

Blefarite pode ser aguda (ulcerativa ou não ulcerativa) ou crônica (causada por disfunção da glândula tarsal, blefarite seborreica, infestação por Demodex).

Blefarite aguda

Blefarite ulcerativa aguda é causada geralmente por uma infecção bacteriana (geralmente estafilocócica) da margem das pálpebras até os cílios; os folículos dos cílios e as glândulas tarsais também estão envolvidos (1). Também pode ser devida a um vírus (p. ex., herpes simples, varicela-zóster). Infecções bacterianas normalmente formam mais crostas do que as virais que geralmente apresentam uma secreção serosa mais clara.

A blefarite não ulcerativa aguda é geralmente causada por uma reação alérgica envolvendo uma mesma área (p. ex., blefarodermatite atópica e blefaroconjuntivite alérgica sazonal) e provoca o seguinte:

  • Prurido intenso e inflamação (em geral, ao longo das bordas das duas pálpebras)

  • Atrito (uma resposta ao prurido que pode aumentar o prurido conjuntival e exacerbar a dermatite atópica [eczema] da pálpebra)

  • Sensibilidade por contato (dermatoblefaroconjunctivite).

Blefarite crônica

A blefarite crônica é uma inflamação persistente da margem palpebral que é geralmente multifatorial (1). As causas incluem colonização bacteriana persistente (geralmente estafilocócica), disfunção das glândulas tarsais, doença de pele subjacente (p. ex., dermatite seborreica, rosácea) e infestação por Demodex.

A causa mais comum de blefarite crônica é a disfunção das glândulas tarsais. As glândulas tarsais nas pálpebras produzem lípidios que reduzem a evaporação das lágrimas pela formação de uma camada lipídica no topo da camada lacrimal aquosa. Na disfunção das glândulas tarsais a composição lipídica é anormal, e os dutos das glândulas e orifícios tornam-se espessados com rígidos tampões de cera. Muitos pacientes têm rosácea e hordéolos recorrentes ou calázios coexistentes.

Muitos pacientes com blefarite seborreica têm dermatite seborreica da face e couro cabeludo ou acne rosácea. Colonização bacteriana secundária ocorre frequentemente nas escamas que se desenvolvem na margem palpebral. Glândulas tarsais podem tornar-se obstruídas.

A maioria dos pacientes com disfunção das glândulas tarsais ou blefarite seborreica tem maior evaporação das lágrimas e ceratoconjuntivite seca secundária, também conhecida como olho seco. A infestação por ácaros Demodex (espécies folliculorum e brevis) também é uma causa comum de blefarite crônica.

Blefarite crônica também pode ocorrer em pacientes com carcinoma de pálpebra (especialmente se a blefarite for unilateral e houver perda de cílios) ou doenças imunomediadas, como penfigoide da membrana mucosa ocular.

Referência sobre etiologia

  1. 1. Yeu E, Garg S, Ayres BD, Beckman K, et al. Current state and future perspectives in the diagnosis of eyelid margin disease: clinical review. J Cataract Refract Surg. 2024 Aug 1;50(8):868-875. doi: 10.1097/j.jcrs.0000000000001483.

Sinais e sintomas da blefarite

Os sintomas comuns a todas as formas de blefarite incluem coceira e ardor das margens das pálpebras, irritação conjuntival com lacrimejamento, fotossensibilidade e sensação de corpo estranho. O prurido mais comumente tem uma causa alérgica em vez de infecciosa. Os sintomas tendem a ser piores no início da manhã comparados com aqueles da ceratoconjuntivite seca, que tendem a ser piores no final do dia.

Blefarite aguda

Na blefarite ulcerativa aguda, pequenas pústulas podem se desenvolver nos folículos pilosos dos cílios e, finalmente, romper para formar úlceras rasas marginais. Crostas persistentes e aderentes deixam uma superfície sangrante quando removidas. Durante o sono, as pálpebras podem ficar aderidas por secreções secas. Blefarite ulcerativa recorrente pode causar cicatrizes palpebrais e perda ou direcionamento (triquíase) dos cílios.

Em sua forma aguda não ulcerativa, as margens das pálpebras se tornam edemaciadas e eritematosas; os cílios podem ficar grudados em decorrência de secreção seca.

Blefarite crônica

Na disfunção da glândula meibomiana, o exame revela orifícios das glândulas dilatados e espessados que, quando pressionados, excretam uma secreção serosa, espessa e de cor amarelada. Na blefarite seborreica, escamas oleosas facilmente removíveis desenvolvem-se nas margens das pálpebras. A maioria dos pacientes com blefarite seborreica e disfunção da glândula meibomiana têm sintomas de ceratoconjuntivite seca, como sensação de corpo estranho, queimação, areia, fadiga e desfoque com esforço visual prolongado. Os achados de eritema palpebral e detritos nos cílios na blefarite ajudam a diferenciá-la da ceratoconjuntivite seca.

Na infestação por Demodex, os pacientes podem ter uma blefarite crônica que não responde aos tratamentos convencionais; os sintomas incluem rubor, inflamação, prurido e terçol recorrente. O exame na infestação por Demodex revela "mangas" (caspas) cilíndricas nos cílios, geralmente na base.

Diagnóstico da blefarite

  • Exame com lâmpada de fenda

O diagnóstico é confirmado por exame com a lâmpada de fenda. Blefarite crônica que não responde ao tratamento pode exigir biópsia para excluir tumores palpebrais ou doenças imunomediadas que podem simular a condição.

Tratamento da blefarite

  • Compressas quentes e higiene palpebral

  • Para blefarite aguda, antimicrobianos e, às vezes, glicocorticoides tópicos para blefarite aguda não ulcerativa

  • Para blefarite crônica, às vezes antibióticos tópicos ou sistêmicos

  • Um ectoparasiticida (p. ex., lotilaner) para suspeita de infestação por Demodex

A base do tratamento para todos os subtipos de blefarite é a higiene palpebral, consistindo em compressas quentes e limpeza das margens das pálpebras. Essa abordagem inicial ajuda a remover detritos e excesso de óleos das margens das pálpebras, o que reduz a inflamação e a carga bacteriana. A terapia adicional (p. ex., antibióticos tópicos) é orientada pela causa subjacente.

Blefarite aguda

A blefarite ulcerativa aguda é tratada com pomada antibiótica (p. ex., bacitracina/polimixina B ou eritromicina) (1). A blefarite ulcerativa viral aguda é tratada com antivirais sistêmicos (p. ex., para herpes simples, aciclovir; para varicela zoster, fanciclovir ou valaciclovir).

O tratamento inicial da forma não aguda não ulcerativa consiste em evitar maior trauma ao local (p. ex., coçar os olhos) ou o uso de substâncias mais irritativas (p. ex., uso de colírio sem orientação). Compressas quentes sobre a pálpebra fechada podem aliviar os sintomas e acelerar a resolução. Se o edema persistir > 24 horas, glicocorticoides tópicos (p. ex., pomada oftálmica de fluorometolona) podem ser usados.

Blefarite crônica

O tratamento inicial para disfunção da glândula meibomiana e blefarite seborreica é direcionado para a higiene das pálpebras e compressas quentes, que podem derreter os tampões cerosos. Ocasionalmente, é necessária massagem palpebral para expelir secreções retidas e lubrificar a superfície ocular.

Se necessário, realiza-se tratamento adicional da blefarite seborreica limpando delicadamente a margem palpebral (esfoliação de pálpebras) duas vezes ao dia com algodão embebido em solução diluída de xampu infantil (2 a 3 gotas em meia xícara de água morna) ou com lenços umedecidos ou esponjas comercialmente disponíveis que contêm ingredientes como um produto suave de limpeza das pálpebras, óleos de melaleuca e coco, ou ácido hipocloroso a 0,01%. Pode-se adicionar um creme tópico antibiótico (eritromicina, bacitracina/polimixina B ou gotas como azitromicina a 1,0% ou sulfacetamida a 10%) para reduzir a contagem bacteriana na margem da pálpebra quando os casos não respondem a semanas de higiene da pálpebra.

A blefarite associada a infestação por Demodex deve ser inicialmente tratada com aplicação tópica de óleo melaleuca em baixa concentração ou ácido hipocloroso (1). Se a condição não responder a esses medicamentos de venda livre, pode-se prescrever um ectoparasiticida (p. ex., lotilaner); entretanto, o lotilaner vem ganhando preferência como tratamento de primeira linha (2).

Em pacientes com sintomas recorrentes ou refratários, podem ser necessários antibióticos orais como azitromicina ou tetraciclina (p. ex., doxiciclina), com esquemas de dosagem alternativos ditados por um oftalmologista. Outros tratamentos que podem ser eficazes para disfunção refratária das glândulas tarsais incluem terapia de luz pulsada intensa (LPI) (3) e pulsação térmica (4). Além disso, a suplementação oral de ômega-3 pode melhorar os sintomas de olho seco associados à disfunção das glândulas tarsais, mas os dados são conflitantes (5).

A ceratoconjuntivite seca secundária também pode se desenvolver quando glândulas tarsais disfuncionais produzem uma camada de óleo fraca, que resulta em maior evaporação das lágrimas. Suplementos lacrimais durante o dia, pomadas neutras (p. ex., vaselina) à noite e, se necessário, plugs lacrimais (inserções que obstruem os pontos lacrimais e, assim, reduzem a drenagem lacrimal) são eficazes na maioria dos pacientes.

Referências sobre tratamento

  1. 1. Amescua G, Akpek EK, Farid M, et al: Blepharitis Preferred Practice Pattern®. Ophthalmology 126(1):P56-P93. doi: 10.1016/j.ophtha.2018.10.019

  2. 2. Donnenfeld E, Nichols KK, Ayres BD, et al. The Demodex Expert Panel on Treatment and Eyelid Health (DEPTH) Consensus Regarding the Preferred Treatment for Demodex Blepharitis. Clin Ophthalmol. 2025;19:1893-1904. Published 2025 Jun 18. doi:10.2147/OPTH.S525681

  3. 3. Wladis EJ, Aakalu VK, Foster JA, et al. Intense Pulsed Light for Meibomian Gland Disease: A Report by the American Academy of Ophthalmology. Ophthalmology. 2020 Sep;127(9):1227-1233. doi: 10.1016/j.ophtha.2020.03.009.

  4. 4. Tao JP, Shen JF, Aakalu VK, et al. Thermal Pulsation in the Management of Meibomian Gland Dysfunction and Dry Eye: A Report by the American Academy of Ophthalmology. Ophthalmology. 2023 Dec;130(12):1336-1341. doi: 10.1016/j.ophtha.2023.07.009. Epub 2023 Aug 27.

  5. 5. Al-Namaeh M. A systematic review of the effect of omega-3 supplements on meibomian gland dysfunction. Ther Adv Ophthalmol. 2020;12:2515841420952188. Published 2020 Oct 16. doi:10.1177/2515841420952188

Prognóstico da blefarite

A blefarite aguda com frequência responde ao tratamento, mas pode recidivar e/ou evoluir para bleferite crônica. A blefarite crônica é, por definição, indolente, recidivante e resistente ao tratamento. As exacerbações são inconvenientes, desconfortáveis e esteticamente desagradáveis, mas geralmente não resultam em cicatriz na córnea ou perda da visão. Cuidados preventivos e de manutenção a longo prazo com compressas quentes e higiene das pálpebras são fundamentais.

Pontos-chave

  • As formas mais comuns da blefarite incluem ulcerativa aguda (frequentemente secundária a infecção estafilocócica ou vírus do herpes), não ulcerativa aguda (geralmente alérgica) e crônica (muitas vezes com disfunção da glândula meibomiana, dermatite seborreica, infestação por Demodex).

  • Ceratoconjuntivite secundária seca geralmente acompanha blefarite crônica.

  • Os sintomas comuns incluem coceira e ardência nas margens das pálpebras, irritação conjuntival com lacrimejamento, fotossensibilidade e sensação de corpo estranho.

  • O diagnóstico é confirmado por exame com a lâmpada de fenda.

  • Considerar diagnósticos alternativos, incluindo carcinoma palpebral, se a blefarite crônica é unilateral.

  • Tratamentos de suporte são indicados (p. ex., compressas quentes, limpeza das pálpebras e tratamento da ceratoconjuntivite seca conforme necessário).

  • Tratamentos medicamentosos específicos podem incluir antimicrobianos tópicos para blefarite ulcerativa aguda, antivirais sistêmicos se há suspeita de infecção viral e glicocorticoides tópicos para blefarite não ulcerativa aguda persistente.

  • O tratamento da blefarite crônica inclui o tratamento da ceratoconjuntivite seca com substitutos lacrimais, uso de compressas mornas e antibióticos tópicos ou sistêmicos, conforme necessário.

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