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Visão geral das doenças priônicas

(Encefalopatias espongiformes transmissíveis)

Por

Pierluigi Gambetti

, MD, Case Western Reserve University

Última modificação do conteúdo dez 2018
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As doenças priônicas são distúrbios encefálicos degenerativos, progressivos, fatais e intratáveis.

Os tipos proeminentes incluem

Um tipo recém-identificado é a doença priônica associada a diarreia e neuropatia autonômica, que é hereditária.

Doenças priônicas resultam de enovelamento incorreto de uma proteína cerebral normal na superfície celular chamada proteína priônica celular (PrPC), cuja função exata é desconhecida. Proteínas priônicas com enovelamento incorreto são chamadas príons ou PrP com scrapie (PrPSc—do nome da doença priônica prototípica da ovelha).

Príons (PrPSc) são patogênicos e muitas vezes infecciosos. Eles produzem doença priônica por

  • Autorreplicação: PrPSc induz a transformação conformacional da PrPC, criando duplicatas de PrPSc que, por reação em cadeia, induz a continuação da transformação da PrPC em PrPSc. Esse processo de transformação dissemina a PrPSc para várias regiões do cérebro.

  • Causar morte celular neuronal

  • Ser transmissível

A PrPC normal é hidrossolúvel e sensível à protease, mas boa parte da PrPSc é hidroinsolúvel e extremamente resistente à degradação da protease (similar à beta-amiloide na doença de Alzheimer, com a qual a PrPSc se parece), resultando em acúmulo celular lento, mas inexorável e morte das células neuronais. As alterações patológicas associadas incluem gliose e alterações vacuolares (espongiformes) histológicas características, resultando em demência e outros deficits neurológicos. Os sinais e sintomas se desenvolvem meses a anos após a exposição inicial à PrPSc.

A presença de doenças priônicas deve ser cogitada em todos os pacientes com demência.

Transmissão das doenças priônicas

As doenças priônicas se originam

  • Esporadicamente (talvez começando de modo espontâneo, sem uma causa conhecida)

  • Via herança genética (familiar)

  • Via transmissão infecciosa

As doenças priônicas esporádicas são as mais comuns, com incidência mundial de aproximadamente 1/1 milhão de pessoas. A maneira como a PrPSc inicialmente se forma é desconhecida.

Doenças priônicas familiares são causadas por defeitos no gene PrP, contido no braço curto do cromossomo 20. As mutações genéticas que causam doenças priônicas são autossômicas dominantes; isto é, causam doenças quando são herdadas somente de um dos pais. Além disso, a penetrância é variável; isto é, dependendo do tipo de mutação, um percentual variável de portadores da mutação tem sinais clínicos da doença ao longo de suas vidas. Alguns defeitos causam DCJ familiar, alguns causam a síndrome GSS e outros doenças com características mistas da DCJ e GSS. Até o momento, pesquisadores identificaram apenas uma mutação que causa insônia familiar fatal (FFI), a forma familiar da insônia fatal. As mutações genéticas da PrP alteram a sequência de aminoácidos da PrPC, causam enovelamento incorreto e sua transformação em PrPSc. Pequenas alteraçòes em códons específicos (sequências de nucleotídeos que são os blocos de construção dos genes), que por si sós não causam doenças, podem determinar os sintomas predominantes e o grau de progressão nas doenças familiares e priônicas (1).

Doenças priônicas transmitidas de maneira infecciosa são raras. Elas podem ser transmitidas

  • De pessoa para pessoa: iatrogenicamente, via transplantes de órgãos e tecidos, utilização de instrumentos cirúrgicos contaminados ou, raramente, transfusão de sangue (como na vDCJ); ou por meio de canibalismo (como na Kuru)

  • De animal para pessoa: via ingestão de carne bovina contaminada (como na vDCJ)

Não se sabe se nas doenças priônicas o contato pessoa a pessoa ocasional é contagioso.

As doenças priônicas ocorrem em muitos mamíferos (p. ex. martas, renas, alces, ovelhas e gado domésticos) e podem ser transmitidas entre espécies via a cadeia alimentar. Entretanto, a transmissão de animais para humanos só foi observada na vCJD, depois que as pessoas consumiram carne de gado com (EEB, ou doença da vaca louca).

Em vários estados do oeste dos EUA e Canadá e, atualmente, na Coreia do Sul e Noruega (2), a preocupação é de que a doença degenerativa crônica (DDC), a doença priônica transmitida por alces e renas, possa ser transmissível para pessoas que caçam, abatem ou se alimentam de animais doentes. Embora a transmissão da DDC de animais para humanos seja improvável, dados recentes indicam que as barreiras entre as espécies podem ser enfraquecidas quando a DDC foi transmitida de animal para animal várias vezes (como pode acontecer na natureza [3]).

Referências sobre transmissão

  • 1. Pocchiari M e Manson J, editores. Human Prion Diseases. In Handbook of Clinical Neurology, edited by M Pocchiari, and J Manson. New York, Elsevier, 2018, vol 153, pp. 2–498.

  • 2. Benestad SL, Mitchell G, Simmons M, et al: First case of chronic wasting disease in Europe in a Norwegian free-ranging reindeer. Vet Res 47 (1):88, 2016. doi: 10.1186/s13567-016-0375-4.

  • 3. Barria MA, Telling GC, Gambetti P, et al: Generation of a new form of human PrPSc in vitro by interspecies transmission from cervid prions. J Biol Chem 4;286 (9):7490–7495, 2011. doi: 10.1074/jbc.M110.198465.

Tratamento

  • Cuidados de suporte

Não há tratamento para doenças priônicas. O tratamento é de suporte.

Os pacientes devem ser encorajados a preparar as diretivas antecipadas (p. eg., tratamentos no final da vida preferidos) assim que doença é diagnóstica.

O aconselhamento genético é recomendado para parentes de primeiro grau dos pacientes com doença priônica familiar.

Prevenção

Os príons resistem às técnicas de antissepsia padrão e podem representar um risco para outros pacientes e cirurgiões, e para patologistas ou técnicos que manipulam tecidos ou instrumentos contaminados.

A transmissão pode ser prevenida tomando precauções ao manipular tecidos infectados e usando técnicas apropriadas para limpar os instrumentos contaminados. Recomenda-se o uso de algum dos seguintes procedimentos:

  • Autoclavagem a vapor a 132 °C durante 1 h

  • Imersão em hidróxido de sódio 1 N (normal) ou 10% de solução de hipoclorito de sódio durante 1 h

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