Tuberculose (TB)

Análise completa: fev. 2026 PorMichael Croix, MD, University of Rochester Medical Center | Colega revisado porChristina A. Muzny, MD, MSPH, Division of Infectious Diseases, University of Alabama at Birmingham
Última atualização: fev. 2026
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Visão Educação para o paciente

A tuberculose (TB) é uma infecção por Mycobacterium tuberculosis; a infecção inicial é frequentemente seguida por um período latente assintomático, que, em uma parcela das pessoas, evolui por reativação para tuberculose ativa sintomática. A tuberculose afeta mais comumente os pulmões. Os sintomas incluem tosse produtiva, febre, perda ponderal e mal-estar. O rastreamento é realizado com teste cutâneo tuberculínico ou ensaios de liberação de interferon-gama. O diagnóstico é geralmente feito com esfregaço e cultura de escarro e, quando disponível, com testes moleculares. O tratamento é feito com uma terapia de múltiplos antimicrobianos administrada por pelo menos 4 meses.

(Ver também Tuberculose perinatall e Tuberculose extrapulmonar.)

Micobactérias são pequenos bacilos aeróbios de crescimento lento. São diferenciadas por um envelope celular complexo e rico em lipídios, composto de ácido micólico que as torna álcool-ácido resistentes (isto é, resistentes à descoloração pelo ácido após coloração com carbolfucsina) e relativamente resistentes à coloração de Gram.

A infecção micobacteriana mais comum é a tuberculose, que é uma das principais causas de morte no mundo (1). A infecção por HIV é o fator mais importante de predisposição para infecção por TB e mortalidade em regiões do mundo onde ambas as infecções predominam.

Outras infecções micobacterianas incluem hanseníase e várias infecções por micobactérias não tuberculosas ambientais, como aquelas causadas pelo complexo Mycobacterium avium.

Referência geral

  1. 1. World Health Organization (WHO): Global Tuberculosis Report 2025. Accessed February 2, 2026.

Epidemiologia da tuberculose

Taxas globais de TB

Globalmente, em 2024, o número de pessoas que adoeceram por TB (casos incidentes) foi de 10,7 milhões e a taxa de incidência foi de 131/100.000 pessoas (1). Os casos incidentes de TB diminuíram de forma constante em todo o mundo de 2010 a 2020 e, em seguida, aumentaram de 2021 a 2023; no entanto, apresentaram declínio subsequente.

Em 2024, a maioria dos novos casos ocorreu no Sudeste Asiático (34%), no Pacífico Ocidental (27%), na África (25%) e no Mediterrâneo Oriental (8,6%). Baixas taxas de incidência foram relatadas nas Américas (3,3%) e na Europa (1,9%) (1). Em termos de idade e gênero, entre as pessoas que desenvolveram TB, 54% eram homens, 35% eram mulheres e 11% eram crianças e adolescentes jovens.

A TB é uma das principais causas de morte em todo o mundo (1). Globalmente, o número de óbitos causados pela TB caiu em 2024 para uma estimativa de 1,23 milhão de mortes (1,08 milhão entre pessoas sem infecção por HIV e 150.000 entre pessoas com infecção por HIV). Isso representou uma redução de 3% em relação aos 1,27 milhão em 2023. De 2010 a 2019, a mortalidade global por TB diminuiu de forma constante. As taxas de mortalidade aumentaram devido a interrupções no diagnóstico e no tratamento ocorridas em consequência da pandemia de COVID-19 em 2020 e 2021, reduzindo-se posteriormente aos níveis pré-pandêmicos.

Taxas de tuberculose nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, em 2023, houve 9.633 casos incidentes de TB e a taxa de incidência foi de 2,9/100.000 pessoas (2). A incidência de TB declinou de maneira constante entre 1992 e 2019. Durante a pandemia de COVID-19 em 2020, houve uma queda de 20% em relação às taxas de 2019. A magnitude dessa redução sugere que houve subnotificação da tuberculose durante a pandemia de covid-19 e/ou diagnóstico tardio de uma quantidade substancial de casos. De 2021 a 2023, as taxas aumentaram para os níveis pré-pandêmicos.

Em 2023, o fator de risco médico mais comumente relatado associado à TB foi o diabetes mellitus (23,4% das pessoas com TB), e o fator de risco social mais relatado foi o tabagismo ou uso de vaporizadores de tabaco atual ou anterior (31%) (3). Outros fatores de risco incluem situação de rua e residir em instituições prisionais ou instituições de cuidados de longa permanência.

Entre pessoas nascidas nos Estados Unidos, a incidência em 2023 variou conforme raça ou etnia: hispânicos ou latinos (1,5/100.000 pessoas); indígenas americanos ou nativos do Alasca (4,0/100.000); asiáticos (1,3/100.000); negros ou afro-americanos (2,1/100.000); nativos do Havaí ou de outras ilhas do Pacífico (6,1/100.000); e brancos (0,3/100.000) (4). Mais de 50% dos casos ocorreram em homens (5).

A TB foi relatada como a causa subjacente de 565 óbitos (0,2/100.000 pessoas) em 2022 (2).

Epidemiologia da tuberculose resistente a medicamentos

Globalmente, a incidência de TB sensível a medicamentos tem diminuído devido ao melhor acesso a medicamentos para TB e para a infecção por HIV. No entanto, em muitas partes do mundo, permanecem preocupações significativas de saúde pública com relação à TB multirresistente (TB-MR), definida como a resistência a pelo menos isoniazida e rifampina (rifampicina), e à TB resistente à rifampina (TB-RR).

A TB-MR surgiu pela primeira vez nas décadas de 1980 e 1990. Em 2022, estima-se que 410.000 pessoas tenham desenvolvido TB-MR/RR em todo o mundo (6).

A tuberculose multirresistente/RR resulta em uma proporção desproporcional de sofrimento humano, morte e consequências econômicas para as pessoas impactadas e suas famílias. Embora os casos de tuberculose multirresistente/RR representem < 4% dos casos incidentes, o diagnóstico e o tratamento desses casos consomem uma proporção desproporcional dos recursos para o controle da tuberculose.

Desde 2015, a TB-MR/RR tem sido o foco de esforços substanciais de controle, tanto nos Estados Unidos quanto globalmente, por meio de medidas de saúde pública e medidas institucionais de controle de infecção. A taxa de incidência de TB-MR/RR permaneceu relativamente inalterada de 2021 a 2023, apesar do aumento no número total de novos casos de TB (1). Prováveis explicações incluem a melhora no diagnóstico (molecular), no tratamento e no manejo de casos de TB sensível a fármacos e resistente a fármacos.

Referências sobre epidemiologia

  1. 1. World Health Organization (WHO): Global Tuberculosis Report 2025. Accessed February 2, 2026.

  2. 2. Centers for Disease Control and Prevention (CDC): Reported Tuberculosis in the United States, 2023. National Data. November 7, 2024. Accessed September 17, 2025.

  3. 3. CDC. Reported Tuberculosis in the United States, 2023. Risk Factors. January 31, 2025. Accessed September 30, 2025.

  4. 4. CDC. TB by Race/Ethnicity Among U.S.–Born Persons: 1993–2023. October 31, 2024. Accessed October 29, 2025.

  5. 5. CDC. Demographics. November 6, 2024. Accessed October 29, 2025.

  6. 6. WHO. Tuberculosis: Multidrug-resistant (MDR-TB) or rifampicin-resistant TB (RR-TB). May 20, 2024. Accessed September 30, 2025.

Etiologia da tuberculose

Tuberculose refere-se tipicamente apenas à doença causada pelo Mycobacterium tuberculosis (do qual os seres humanos são o principal reservatório). Doença semelhante às vezes resulta de micobactérias intimamente relacionadas, M. bovis, M. africanum, e M. microti. Essas 3 bactérias, juntamente com M. tuberculosis e outras micobactérias menos comuns, são conhecidas como o complexo Mycobacterium tuberculosis. Nos Estados Unidos, a maioria dos casos de TB é causada pelo M. tuberculosis (1).

A TB é transmitida quase exclusivamente pela inalação de partículas em suspensão (núcleos de gotículas) que contêm M. tuberculosis. Essas partículas se dispersam principalmente por meio de tosse, canto e outras manobras respiratórias forçadas (1) por pessoas com TB pulmonar ou laríngea ativa e cujo escarro contém um grande número de organismos (aproximadamente 10.000 organismos/mL, o limite de detecção por microscopia fluorescente). O risco de transmissão extensa da TB ativa é mais elevado em pacientes com escarro com alta densidade bacteriana (ou seja, carga bacteriana), conforme identificada pela quantificação dos bacilos álcool-ácido resistentes na coloração do escarro (2). Pessoas com lesões cavitárias pulmonares são especialmente contagiosas por causa do alto número de bactérias contidas na lesão (3).

Núcleos de gotículas (partículas de aproximadamente 1 a 5 micrômetros de diâmetro) contendo bacilos de tuberculose podem permanecer suspensos em correntes de ar em ambientes fechados por várias horas, aumentando a probabilidade de disseminação. No entanto, quando essas gotículas caem em uma superfície, é difícil suspendê-las novamente (p. ex., varrendo o chão, sacudindo roupas de cama) como partículas respiráveis. Embora tais ações possam ressuspender as partículas de pó contendo bacilos de tuberculose, estas partículas são demasiado grandes para alcançar as superfícies alveolares necessárias para iniciar a infecção. Contato com fômites (p. ex., superfícies, alimentos, respiradores pessoais contaminados) não parecem facilitar a disseminação.

A tuberculose pulmonar ativa não tratada é altamente variável em termos de contagiosidade. Certas cepas de M. tuberculosis são mais contagiosas, e os pacientes com baciloscopia de escarro positiva são mais contagiosos do que aqueles com apenas culturas positivas ou lesões cavitárias positivas. A eficácia da tosse e de outras manobras respiratórias na produção de aerossol varia significativamente. Em geral, secreções respiratórias com menor viscosidade são mais facilmente aerossolizadas.

Fatores ambientais podem influenciar o risco de exposição aos bacilos. A transmissão é favorecida pela exposição frequente ou prolongada a pacientes não tratados que geram grande número de bacilos da tuberculose em espaços superlotados, fechados e pouco ventilados; consequentemente, pessoas que vivem na pobreza ou em ambientes coletivos (p. ex., abrigos para pessoas em situação de rua, estabelecimentos prisionais) estão especialmente em risco. Pessoas que viajam com frequência para regiões onde a TB é endêmica também apresentam alto risco. Profissionais de saúde que têm contato próximo com pacientes com TB ativa apresentam risco aumentado (4).

Portanto, as estimativas de contagiosidade variam amplamente. Alguns estudos sugerem que aproximadamente 30% dos pacientes com TB pulmonar não tratada infectam contatos próximos (p. ex., aqueles que coabitam em um domicílio) (5), mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cada paciente não tratado pode infectar 10 a 15 outras pessoas através de contato próximo por ano (6). Entretanto, a maioria daqueles que são infectados desenvolvem infecção latente por TB e não desenvolvem doença ativa (ver Infecção latente por TB).

A contagiosidade diminui rapidamente quando o tratamento eficaz começa; a tosse diminui, e os organismos não são infecciosos, mesmo que persistam no escarro. Estudos epidemiológicos com contatos domiciliares sugerem que a transmissão cessa em 2 semanas depois do início de um tratamento eficaz; contudo, estudos mais precisos em humanos e animais sugerem que a transmissão cessa alguns dias após o início do tratamento.

Rotas não respiratórias de transmissão são possíveis, embora raras.

A tuberculose das tonsilas, linfonodos, órgãos abdominais, ossos e articulações já foi comumente causada por ingestão de leite não pasteurizado ou produtos derivados do leite (p. ex., queijos moles) contaminados com M. bovis, mas essa via de transmissão é rara agora porque foi largamente erradicada em países onde o leite é pasteurizado e as vacas com resultado positivo no teste cutâneo tuberculínico são abatidas. Tuberculose decorrente de M. bovis ainda ocorre em países onde a tuberculose bovina é endêmica (p. ex., alguns países da América Latina) e em imigrantes oriundos desses países ou viajantes frequentes para esses países (7). A crescente popularidade de queijos feitos de leite não pasteurizado levanta novas preocupações quando os queijos vêm de países com altas taxas de tuberculose bovina (p. ex., México, Reino Unido). TB bovina e humana podem ser transmitidas (por inalação de aerossóis ou ingestão de alimentos contaminados) a outras espécies, como texugos, cervos, primatas e animais de zoológicos. Abatedouros têm sido associados à transmissão de TB zoonótica devido à aerossolização de bactérias provenientes de tecidos de animais infectados.

Raramente, o contágio resulta da aerossolização dos organismos após irrigação das feridas infectadas, em laboratórios de micobacteriologia, ou por aerossol ou punção direta em salas de autópsia. Exposições ocupacionais como essas podem levar à inoculação direta do M. tuberculosis na pele ou na mucosa, resultando em TB cutânea ou mucosa localizada.

A TB resistente a medicamentos é causada por cepas de M. tuberculosis que demonstram resistência aos tratamentos convencionais (7). A infecção se propaga pelas mesmas vias (isto é, geralmente por transmissão aérea) que a TB sensível a medicamentos e é considerada igualmente contagiosa.

Referências sobre etiologia

  1. 1. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Clinical Overview of Tuberculosis. January 6, 2025. Accessed September 30, 2025.

  2. 2. Lohmann EM, Koster BF, le Cessie S, Kamst-van Agterveld MP, van Soolingen D, Arend SM. Grading of a positive sputum smear and the risk of Mycobacterium tuberculosis transmission. Int J Tuberc Lung Dis. 2012;16(11):1477-1484. doi:10.5588/ijtld.12.0129

  3. 3. Palaci M, Dietze R, Hadad DJ, et al. Cavitary disease and quantitative sputum bacillary load in cases of pulmonary tuberculosis. J Clin Microbiol. 2007;45(12):4064-4066. doi:10.1128/JCM.01780-07

  4. 4. Baussano I, Nunn P, Williams B, Pivetta E, Bugiani M, Scano F. Tuberculosis among health care workers. Emerg Infect Dis. 2011;17(3):488-494. doi:10.3201/eid1703.100947

  5. 5. Kato-Maeda M, Choi JC, Jarlsberg LG, et al. Magnitude of Mycobacterium tuberculosis transmission among household and non-household contacts of TB patients. Int J Tuberc Lung Dis. 2019;23(4):433-440. doi:10.5588/ijtld.18.0273

  6. 6. World Health Organization (WHO). Tuberculosis: How does TB spread? May 8, 2025. Accessed September 29, 2025.

  7. 7. CDC. CDC Yellow Book: Health Information for International Travel. April 23, 2025. Accessed September 30, 2025.

Fisiopatologia da tuberculose

A infecção por tuberculose pode ser categorizada como:

  • Infecção primária

  • Infecção latente

  • Doença ativa

Bacilos de M. tuberculosis causam inicialmente uma infecção primária, na maioria dos casos seguida por um estágio de infecção latente, e 5 a 15% dos pacientes com TB latente acabam evoluindo para doença clínica (1). Uma porcentagem desconhecida das infecções primárias desaparece espontaneamente, mas a maioria é seguida por uma fase latente. Um percentual variável (5 a < 10%) de infecções latentes posteriormente reativa com sinais e sintomas de doença (2).

Em geral, a infecção não é transmissível no estágio primário (exceto quando evolui para doença ativa) e no estágio latente, mas é contagiosa durante a TB ativa.

A tuberculose ativa também pode ocorrer após reinfecção, em vez de após um período de infecção latente. Isso ocorre quando uma pessoa que foi tratada com sucesso anteriormente para TB é subsequentemente infectada de novo com uma cepa nova e geneticamente distinta de M. tuberculosis. A reinfecção é o mecanismo mais provável nas regiões onde a tuberculose é prevalente e os pacientes são expostos a um grande inóculo de bacilos. A reativação da infecção latente predomina nas regiões de baixa prevalência. Em um dado paciente, é difícil determinar se a doença ativa resultou de reinfecção ou reativação.

Infecção primária por tuberculose

A infecção primária por TB ocorre quando uma pessoa inala o M. tuberculosis e os bacilos se implantam nos pulmões. A maioria (> 90 a 95%) das infecções primárias é assintomática (2). Durante esse período, os bacilos podem se disseminar antes que a imunidade celular contenha a infecção. Dependendo da resposta imunológica do hospedeiro, ele pode desenvolver infecção por TB ativa (se a resposta imunológica falhar em conter a infecção) ou infecção latente por TB (se a resposta imunológica conseguir contê-la) após a infecção primária por TB.

A infecção respiratória requer inalação de partículas suficientemente pequenas para atravessar as defesas das vias respiratórias superiores e se depositar profundamente nos pulmões, geralmente nos espaços aéreos subpleurais dos lobos médios ou inferiores. Gotículas maiores tendem a se alojar nas vias respiratórias mais proximais e, como costumam ser eliminadas pela tosse, geralmente não resultam em infecção por TB. A infecção geralmente começa a partir de um único núcleo da gotícula, que tipicamente contém poucos organismos. Um único organismo pode ser suficiente para causar infecção em indivíduos imunossuprimidos, enquanto indivíduos imunocompetentes podem necessitar de exposição repetida para desenvolver infecção.

O bacilo da tuberculose é o patógeno intracelular prototípico; ele infecta macrófagos e causa granulomas. Tanto as respostas imunológicas inatas quanto as adaptativas desempenham um papel no combate à infecção.

Para dar início à infecção, bacilos M. tuberculosis devem ser ingeridos pelos macrófagos alveolares. Esses macrófagos primeiro fagocitam os bacilos, mas estes conseguem sobreviver e se replicar dentro dessas células devido à sua capacidade de inibir a fusão fagossomo-lisossomo e resistir à destruição intracelular (3). Bacilos que não são destruídos pelos macrófagos replicam-se em seu interior, acabando por matar o macrófago. Utilizando adesinas únicas (que promovem a aderência e a invasão de células de barreira) e toxinas (que promovem a lise das células de barreira infectadas), os bacilos podem então disseminar-se para o interstício pulmonar. Respostas imunológicas adaptativas são então recrutadas e, com a ajuda de linfócitos T CD8+ (que destroem os macrófagos), outras células inflamatórias são atraídas para a área. Isso causa uma pneumonite focal que coalesce formando os tubérculos característicos observados na histologia.

Nas semanas iniciais da infecção por TB, alguns macrófagos infectados migram dos pulmões para linfonodos regionais (p. ex., hilares, mediastinais), onde acessam a corrente sanguínea. Os organismos podem então se disseminar hematogenicamente para qualquer parte do corpo, particularmente para a porção apicoposterior dos pulmões, rins, epífises dos ossos longos, corpos vertebrais e meninges. A disseminação hematogênica é menos provável nos pacientes com imunidade decorrente da vacinação ou de infecção prévia por M. tuberculosis ou micobactérias ambientais.

Infecção latente por TB

A maioria das infecções primárias por TB evolui para um estágio de infecção latente em indivíduos imunocompetentes. Após aproximadamente 2 a 12 semanas de crescimento não inibido, o sistema imunológico geralmente consegue suprimir a replicação bacilar antes que sintomas ou sinais se desenvolvam (4).

A infecção latente por tuberculose (ILTB) é um estado no qual a pessoa está infectada por M. tuberculosis, mas não apresenta evidências clínicas de doença ativa. A ILTB é assintomática e não contagiosa. O teste cutâneo tuberculínico (TC) e os ensaios sanguíneos de liberação de interferon-gama (IGRA) tornam-se positivos durante a fase latente da infecção. Bacilos viáveis persistem no organismo e podem se reativar posteriormente. Os sítios de infecção latente são centros dinâmicos com atividade inflamatória contínua e não são completamente dormentes como se acreditava anteriormente.

Granulomas podem se formar como parte da resposta imunológica à infecção por TB, tanto nos estágios latentes quanto nos ativos da infecção por TB. As células T CD4+ desempenham um papel fundamental nesse processo. Os granulomas são agregados organizados de macrófagos, células epitelioides e linfócitos que contêm os bacilos e limitam a destruição tecidual. Granulomas de células epitelioides podem ter centros caseosos e necróticos. Bacilos da tuberculose podem sobreviver nesse material durante anos; o equilíbrio entre a resistência do hospedeiro e a virulência microbiana determina se a infecção essencialmente desaparece sem tratamento, se permanece dormente ou torna-se ativa.

Focos infecciosos podem deixar fibronodulares cicatriciais nos ápices de um ou ambos os pulmões (focos de Simon, que costumam resultar de disseminação hematogênica a partir de outro local da infecção) ou pequenas áreas de consolidação (focos de Ghon). Um foco de Ghon com envolvimento de linfonodos é chamado de complexo de Ghon, e um complexo de Ghon calcificado é chamado de complexo de Ranke.

Menos frequentemente, o foco infeccioso primário progride para doença ativa por TB de modo imediato, causando doença aguda com pneumonia (às vezes cavitária), derrame pleural e aumento acentuado de linfonodos mediastinais ou hilares (que, em crianças, pode comprimir os brônquios). Derrames pleurais discretos são predominantemente linfocíticos, contendo tipicamente poucos microrganismos e desaparecendo em algumas semanas. Essa sequência talvez seja mais comum entre crianças pequenas recém-infectadas ou pacientes imunossuprimidos reinfectados.

Doença ativa

A tuberculose ativa é caracterizada por sinais ou sintomas causados pela infecção por M. tuberculosis. Pessoas com ILTB podem desenvolver tuberculose ativa. Pessoas imunocompetentes com infecção por TB apresentam um risco de aproximadamente 5 a 15% ao longo da vida de desenvolver a doença ativa (1). Em indivíduos que desenvolvem doença ativa, a TB geralmente se reativa nos primeiros 2 anos após a infecção primária. A reativação também foi relatada décadas mais tarde; contudo, esse intervalo longo é menos comum.

O risco de reativação é aumentado pela imunossupressão e por outros fatores. Doenças que comprometem a imunidade celular (essencial para a defesa contra a tuberculose) facilitam a reativação. No entanto, essa porcentagem pode variar significativamente conforme a idade e outros fatores de risco (5). A infecção pelo HIV é o fator de risco mais forte para o desenvolvimento de tuberculose ativa. Em 2024, a tuberculose foi fatal em aproximadamente 150.000 pessoas com infecção por HIV (6). Durante a epidemia de HIV na década de 1990, uma grande proporção de pacientes com tuberculose ativa recém-diagnosticada também apresentava infecção por HIV na África (31%) e em alguns outros países, como os Estados Unidos (26%) (7). Contudo, com o advento da terapia antirretroviral (TARV), a prevalência da infecção por HIV em pacientes com TB diminuiu para aproximadamente 8% até 2001 (8).

Outros fatores de risco que facilitam a reativação da TB, mas em menor grau do que a infecção por HIV, incluem:

Entre os pacientes em terapia imunossupressora, aqueles em regimes administrados após transplante de órgãos sólidos apresentam o maior risco de reativação da TB devido à inibição da ativação das células T (10). Contudo, outros imunossupressores como glicocorticoides e inibidores do fator de necrose tumoral (TNF) também costumam provocar reativação.

Qualquer órgão inicialmente semeado com bacilos pode se tornar um sítio de reativação, mas a reativação ocorre mais frequentemente nos ápices pulmonares, presumivelmente devido à alta tensão de oxigênio, menor perfusão sanguínea e vigilância imunológica reduzida. Esses fatores criam um microambiente que favorece a persistência e a proliferação do bacilo. Focos de Ghon e linfonodos hilares afetados têm muito menos probabilidade de serem locais de reativação.

A tuberculose danifica os tecidos por hipersensibilidade do tipo tardio (HTT), geralmente produzindo necrose granulomatosa com aspecto histológico caseoso (semelhante a queijo). Lesões pulmonares são característicamente, mas não invariavelmente, cavitárias, sobretudo nos pacientes imunossuprimidos com deficiência de DTH. Derrame pleural é menos comum do que em tuberculose primária progressiva, mas pode ocorrer por extensão direta ou disseminação hematogênica. A ruptura de uma ampla lesão tuberculosa no espaço pleural pode produzir empiema com ou sem fístula broncopleural; às vezes, causa pneumotórax.

O curso da tuberculose varia muito, dependendo da virulência do microrganismo e do estado das defesas do hospedeiro. O curso pode ser rápido em membros de populações isoladas (p. ex., indígenas americanos ou nativos do Alasca) que, ao contrário de muitos europeus e seus descendentes americanos, não passaram por séculos de pressão seletiva para desenvolver imunidade inata ou natural contra a doença. O curso costuma ser mais indolente nas populações europeias e americanas.

A síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), que parece ser decorrente de hipersensibilidade a antígenos de tuberculose, raramente se desenvolve após disseminação hematogênica difusa ou ruptura de uma grande cavidade com derrame nos pulmões.

Tuberculose extrapulmonar em qualquer local pode se apresentar, algumas vezes, sem evidência de envolvimento pulmonar. Linfadenopatia tuberculosa é a manifestação extrapulmonar mais comum; entretanto, a meningite é a mais preocupante porque causa alta mortalidade entre os muito jovens e os muito idosos.

Referências sobre fisiopatologia

  1. 1. Escalante P, Vadiyala MR, Pathakumari B, et al. New diagnostics for the spectrum of asymptomatic TB: from infection to subclinical disease. Int J Tuberc Lung Dis. 2023;27(7):499-505. doi:10.5588/ijtld.23.0032

  2. 2. Boom WH, Schaible UE, Achkar JM. The knowns and unknowns of latent Mycobacterium tuberculosis infection. J Clin Invest. 2021;131(3):e136222. doi:10.1172/JCI136222

  3. 3. Schorey JS, Schlesinger LS. Innate Immune Responses to Tuberculosis. Microbiol Spectr. 2016;4(6):10.1128/microbiolspec.TBTB2-0010-2016. doi:10.1128/microbiolspec.TBTB2-0010-2016

  4. 4. Kaplan JE, Benson C, Holmes KK, et al. Guidelines for prevention and treatment of opportunistic infections in HIV-infected adults and adolescents: recommendations from CDC, the National Institutes of Health, and the HIV Medicine Association of the Infectious Diseases Society of America. MMWR Recomm Rep. 2009;58(RR-4):1-CE4.

  5. 5. Shah M, Dorman SE. Latent Tuberculosis Infection. N Engl J Med. 2021;385(24):2271-2280. doi:10.1056/NEJMcp2108501

  6. 6. World Health Organization (WHO): Global Tuberculosis Report 2025. Accessed February 2, 2026.

  7. 7. Corbett EL, Watt CJ, Walker N, et al. The growing burden of tuberculosis: global trends and interactions with the HIV epidemic. Arch Intern Med. 2003;163(9):1009-1021. doi:10.1001/archinte.163.9.1009

  8. 8. American Thoracic Society; Centers for Disease Control and Prevention; Infectious Diseases Society of America. American Thoracic Society/Centers for Disease Control and Prevention/Infectious Diseases Society of America: controlling tuberculosis in the United States. Am J Respir Crit Care Med. 2005;172(9):1169-1227. doi:10.1164/rccm.2508001

  9. 9. Cheng MP, Abou Chakra CN, Yansouni CP, et al. Risk of Active Tuberculosis in Patients with Cancer: A Systematic Review and Meta-Analysis. Clin Infect Dis. 2017;64(5):635-644. doi:10.1093/cid/ciw838

  10. 10. Meije Y, Piersimoni C, Torre-Cisneros J, Dilektasli AG, Aguado JM; ESCMID Study Group of Infection in Compromised Hosts. Mycobacterial infections in solid organ transplant recipients. Clin Microbiol Infect. 2014;20 Suppl 7:89-101. doi:10.1111/1469-0691.12641

Sinais e sintomas da tuberculose

Infecção primária é quase sempre assintomática, mas quando os sintomas ocorrem, normalmente são inespecíficos e incluem febre baixa e fadiga sem tosse proeminente.

Na tuberculose pulmonar ativa, mesmo na doença moderada ou grave, o paciente pode não ter nenhum sintoma, exceto mal-estar, anorexia, fadiga e perda ponderal, que se desenvolvem gradualmente ao longo de várias semanas, ou ter sintomas mais específicos. A tosse crônica é a mais comum. A princípio, ela pode ser minimamente produtiva de escarro amarelo ou verde, frequentemente ao levantar de manhã, mas a tosse pode ficar mais produtiva com a evolução da doença. Raramente, pode ocorrer hemoptise em decorrência de TB cavitária (quando há dano granulomatoso progressivo que erode os vasos brônquicos). Ainda mais raramente, pode se desenvolver hemoptise devido ao crescimento fúngico em uma cavidade (p. ex., aspergilomas).

A febre baixa é comum, mas não está universalmente presente. Sudorese noturna intensa é um sintoma clássico, mas não específico da tuberculose. Dispneia pode ser o resultado de envolvimento de parênquima pulmonar, pneumotórax espontâneo, ou tuberculose pleural com derrame.

Na coinfecção por HIV, muitas vezes a apresentação clínica é atípica por causa do comprometimento da hipersensibilidade do tipo tardio (HTT). Esse comprometimento leva a uma formação deficiente de granulomas e à contenção inadequada de patógenos, resultando em um maior risco de disseminação. Consequentemente, os pacientes têm maior probabilidade de apresentar sintomas de doença extrapulmonar ou disseminada. O grau de imunossupressão (isto é, contagem de células T CD4+) correlaciona-se com o risco de disseminação (1).

TB extrapulmonar é discutida em detalhes separadamente. Causa várias manifestações sistêmicas e localizadas, dependendo dos órgãos afetados.

Referência sobre sinais e sintomas

  1. 1. Meintjes G, Maartens G. HIV-Associated Tuberculosis. N Engl J Med. 2024;391(4):343-355. doi:10.1056/NEJMra2308181

Diagnóstico de tuberculose

  • Radiografia de tórax

  • Exames de escarro e de outras amostras: exame microscópico de esfregaço corado para bacilos álcool-ácido resistentes; testes moleculares (isto é, testes de amplificação de ácidos nucleicos [TAANs]); e cultura de micobactérias

  • Testes de triagem: teste cutâneo tuberculínico (TCT) ou ensaio de liberação de gama-interferon (IGRA)

A suspeita clínica de tuberculose pulmonar é alta em pacientes com febre, tosse por > 2 a 3 semanas, hemoptise, sudorese noturna, perda ponderal e/ou linfadenopatia e em pacientes com suspeita de exposição à tuberculose (p. ex., via membros da família, amigos ou outros contatos infectados; exposição institucional; ou viver ou viajar para áreas onde a tuberculose é endêmica).

Costuma-se suspeitar de TB ativa com base em um dos seguintes critérios (1):

  • Radiografias de tórax com aspecto característico, realizadas como parte de uma avaliação para sintomas respiratórios típicos de TB ou para febre de origem indeterminada (FOI; também às vezes chamada de pirexia de origem indeterminada) ou um TCT positivo

  • IGRA feito como um teste de triagem ou durante a investigação de contato

Os exames iniciais são radiografia de tórax e exames de escarro, incluindo cultura. Se o diagnóstico de TB ativa ainda não estiver confirmado após exame de imagem do tórax e exame e cultura de escarro, podem ser realizados TCT ou IGRA, mas esses testes detectam a presença de qualquer estágio de infecção, e não de doença ativa.

Depois que a tuberculose é diagnosticada, deve-se testar nos pacientes infecção por HIV e, naqueles com fatores de risco de hepatite B ou hepatite C, deve-se testar os respectivos vírus. Deve-se fazer testes basais (p. ex., hemograma completo, química básica do sangue, como função hepática e renal).

Radiografia de tórax

Em adultos, um infiltrado multinodular acima ou atrás da clavícula é mais característico de TB ativa; ele sugere reativação da doença. É melhor visualizada em incidência ápico-lordótica (incidência projetada para melhorar a visualização dos ápices pulmonares elevando as clavículas) ou em uma TC de tórax.

Infiltrados nas áreas média e inferior do pulmão são inespecíficos, mas deve levantar a suspeitar de tuberculose primária em pacientes (normalmente jovens) cujos sintomas ou história de exposição sugiram infecção recente, em particular se houver derrame pleural.

Pode haver linfonodos hilares calcificados; eles podem resultar de infecção primária por TB, mas também podem resultar de histoplasmose em áreas onde ela é endêmica.

Tuberculose (radiografia de tórax)
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Esta imagem mostra uma lesão cavitária do lobo superior direito (setas) em uma radiografia de tórax de um paciente com tuberculose.

ZEPHYR/SCIENCE PHOTO LIBRARY

Teste de escarro

O exame de escarro é uma pedra angular no diagnóstico de TB pulmonar (1). Amostras de escarro são avaliadas por microscopia para bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR) e cultura de micobactérias; pelo menos 1 amostra também deve ser testada com um teste de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN), e alguns especialistas recomendam que o TAAN seja o teste inicial realizado (1).

Pacientes com suspeita de TB pulmonar devem ser submetidos à coleta de pelo menos 3 amostras de escarro, idealmente com intervalo de 8 a 24 horas, e pelo menos uma dessas amostras deve ser coletada no início da manhã para maximizar o rendimento (2).

Pacientes que não podem produzir escarro espontaneamente podem ter este processo induzido por meio de aerossol salino hipertônico. Caso contrário, lavagens brônquicas que são particularmente sensíveis podem ser obtidas por meio de broncoscopia por fibra óptica. Como a indução do escarro e a broncoscopia podem implicar risco de infecção para a equipe de saúde, esses procedimentos devem ser realizados como último recurso em casos selecionados. Precauções apropriadas (p. ex., uso de sala com pressão negativa, respiradores N95 ou outros respiradores adequadamente ajustados) devem ser adotadas para proteger a equipe de saúde que realiza esses testes. Máscaras N-95 ou outros respiradores não são normalmente usados pelo paciente durante tais procedimentos.

Testes moleculares

A abordagem do diagnóstico da TB evoluiu com os avanços nas técnicas de testes moleculares (1). Em muitas regiões com recursos limitados e alta prevalência de TB, a avaliação do esfregaço de escarro para BAAR continua sendo o teste diagnóstico inicial para TB ativa. Entretanto, os testes moleculares podem detectar os bacilos em aproximadamente 2 horas. As diretrizes atuais da OMS recomendam a realização tanto de testes moleculares com TAANs automatizados de baixa complexidade quanto de microscopia para BAAR, onde disponíveis (1).

Os TAANs são o principal tipo de teste molecular utilizado, e existem diversas classes recomendadas pela OMS para o diagnóstico da TB:

  • Testes de amplificação de ácidos nucleicos automatizados de baixa complexidade (TAANs-abc)

  • Testes de amplificação de ácidos nucleicos manuais de baixa complexidade (TAANs-mbc)

  • Testes de amplificação de ácidos nucleicos automatizados de complexidade moderada (TAANs-acm)

  • Testes moleculares em fita

  • Tecnologias de sequenciamento de próxima geração

Os TAANs-abc incluem os testes Xpert MTB/RIF, Xpert MTB/RIF Ultra, Xpert MTB/XDR, Truenat MTB Plus e Truenat MTB-RIF Dx. Esses testes podem identificar o DNA de M. tuberculosis em uma amostra de escarro em apenas 2 horas. Os testes Xpert MTB/RIF, Xpert MTB/RIF Ultra e Truenat MTB-RIF Dx também podem detectar resistência à rifampina (rifampicina). Os testes Xpert MTB/XDR e Truenat MTB Plus também podem detectar resistência à isoniazida e a diversos medicamentos de segunda linha. Os TAANs-abc são mais sensíveis do que a baciloscopia e quase tão sensíveis quanto a cultura para o diagnóstico da tuberculose.

Os TAANs-mbc incluem o kit de detecção Loopamp MTBC (TB-LAMP), que permite uma detecção da TB mais rápida do que a cultura. Ele requer menos recursos do que os TAANs automatizados, mas não consegue detectar padrões de resistência a medicamentos.

Os TAANs-acm incluem os testes Abbott RealTime MTB, Abbott RealTime MTB RIF/INH, BD MAX MDR-TB, cobas MTB, cobas MTB-RIF/INH, FluoroType MTB VER 1.0 e FluoroType MTBDR VER 2.0. Assim como os TAANs-abc, esses testes detectam rapidamente o DNA de M. tuberculosis e a resistência a medicamentos. São úteis em locais onde o volume diário de testes é alto.

Os testes moleculares em fita podem identificar a presença de M. tuberculosis e a resistência à rifampina e à isoniazida. Mas a sensibilidade é menor do que a do Xpert MTB/RIF. Esse teste só é feito nas amostras de baciloscopia positivas. Sondas para vários antimicrobianos de segunda linha estão disponíveis.

As tecnologias de sequenciamento de última geração incluem os testes Deeplex Myc-TB, AmPORE-TB e TBseq. Estes são testes adicionais usados para avaliar a resistência contra muitos antimicrobianos em um único teste, inclusive para medicamentos não testados por outros métodos moleculares.

Há vários algoritmos de diagnóstico que diferem com base nos testes disponíveis (3, 4).

Se um resultado de TAAN em uma amostra de escarro for positivo, geralmente se considera confirmado o diagnóstico de TB pulmonar. (Para cenários clínicos, ver tabela .) Nesses casos, pode-se iniciar o tratamento com base nos padrões locais de suscetibilidade a fármacos. Uma exceção a essa regra ocorre quando o TAAN é positivo no contexto de negatividade simultânea da pesquisa de BAAR e da cultura; isso provavelmente decorre de erro laboratorial ou outro erro de coleta e exige repetir o TAAN e a pesquisa de BAAR para determinar se o tratamento deve ser iniciado.

Se os resultados do TAAN e BAAR são negativos ou se os resultados do esfregaço do BAAR são positivos e os do TAAN são negativos, utiliza-se julgamento clínico para determinar se o tratamento da tuberculose deve ser iniciado enquanto aguarda-se os resultados da cultura. (Ver tabela .)

Outros TAANs podem estar disponíveis (5); a escolha baseia-se geralmente em considerações logísticas (p. ex., disponibilidade regional, custo, desempenho do teste).

Tabela
Tabela

Microscopia de bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR)

O exame microscópico de amostras de escarro é realizado para avaliar a presença de BAAR. Bacilos da tuberculose são nominalmente Gram-positivos, mas a coloração de Gram é inconsistente; amostras são mais bem preparadas com corantes de Ziehl-Neelsen ou Kinyoun para microscopia óptica convencional ou coloração com fluorocromo para microscopia fluorescente mais sensível. A baciloscopia pode detectar cerca de 10.000 bacilos/mL no escarro, tornando-a insensível quando ha menor quantidade de bacilos, como ocorre na reativação precoce ou nos pacientes com coinfecção por HIV.

A microscopia de esfregaço para BAAR é menos sensível e não consegue distinguir o M. tuberculosis de micobactérias não tuberculosas (em comparação com o TAAN), mas uma baciloscopia de BAAR positiva no contexto clínico apropriado fornece forte evidência inferencial de infecção por TB (2). Entretanto, o diagnóstico definitivo geralmente requer uma cultura micobacteriana positiva ou um TAAN positivo. (Ver tabela .)

Cultura de escarro

A cultura de escarro é realizada para confirmar o diagnóstico; no entanto, uma cultura negativa não afasta o diagnóstico de TB ativa em um paciente com resultado positivo de TAAN e/ou microscopia de BAAR e sintomas, sinais e radiografia de tórax característicos. A cultura pode detectar no mínimo 10 bacilos/mL no escarro e pode ser feita utilizando meios sólidos ou líquidos. Mas pode levar até 3 meses para a confirmação final dos resultados da cultura. Os meios líquidos são mais sensíveis e mais rápidos do que os meios sólidos, com os resultados disponíveis em 2 a 3 semanas. O teste rápido de antígeno para detectar o antígeno MPB64 (uma proteína secretora específica do complexo M. tuberculosis) pode confirmar que os organismos em crescimento em cultura micobacteriana pertencem especificamente a espécies de M. tuberculosis (6).

Tradicionalmente, a cultura também era necessária para isolar as bactérias para os testes de sensibilidade convencionais e genotipagem. Contudo, os testes moleculares de sensibilidade a medicamentos estão cada vez mais substituindo os métodos baseados em cultura.

Testes de sensibilidade

Testes de suscetibilidade a medicamentos (TSM) devem ser realizados em isolados iniciais (p. ex., escarro em caso de suspeita de TB pulmonar) de todos os pacientes para identificar um esquema anti-TB eficaz. Em pacientes com TB pulmonar, esses testes devem ser repetidos mensalmente caso os pacientes continuem a apresentar escarro com cultura positiva após 3 meses de tratamento ou se as culturas se tornarem positivas após um período de culturas negativas. A doença da tuberculose pode ser causada por mais de uma cepa, cada uma com diferentes padrões de resistência a medicamentos, especialmente em ambientes de alta transmissão.

Os resultados dos testes de sensibilidade podem levar até 8 semanas se forem utilizados métodos bacteriológicos convencionais, mas, como observado acima, vários testes moleculares de sensibilidade a fármacos podem detectar rapidamente (em questão de horas) a resistência à rifampicina (rifampicina) e a outros medicamentos de primeira e segunda linha.

Exames de outras amostras

Lavados gástricos, positivos à cultura em uma minoria das amostras, não são de uso corrente, exceto em crianças pequenas, que em geral não conseguem produzir amostra adequada de escarro. Entretanto, pode-se utilizar a indução de escarro em crianças pequenas que podem produzir uma amostra adequada.

Em lesões infiltrativas, podem-se realizar biópsias transbronquiais e avaliar as amostras por cultura, histologia e testes moleculares.

Para biópsia, a cultura de amostras frescas permanece o padrão-ouro para a detecção de M. tuberculosis no tecido porque a fixação pode inibir o PCR, e o PCR não distingue organismos viáveis de organismos mortos. No entanto, pode-se utilizar TAAN para tecidos fixos quando necessário (p. ex., para biópsia de linfonodos se o exame histológico detectar inesperadamente alterações granulomatosas). Esse uso de TAAN não foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, mas pode ser extremamente útil; entretanto, os valores preditivos positivos e negativos não foram estabelecidos.

Testes cutâneos

O teste cutâneo tuberculínico (TCT; método intradérmico de Mantoux) utilizando derivado proteico purificado (DPP) é o teste cutâneo mais comumente realizado. O TCT baseia-se no princípio da hipersensibilidade tardia e mede a resposta imunológica celular ao M. tuberculosis; por isso, costuma ser positivo tanto na infecção latente quanto na ativa. Portanto, o TCT não consegue distinguir entre infecção latente e ativa.

A dose-padrão nos Estados Unidos de 5 unidades de tuberculina (UT) de PPD em 0,1 mL de solução é injetada por via intradérmica no antebraço volar. É fundamental administrar a injeção por via intradérmica (isto é, com a agulha posicionada em ângulo de 10 a 15° em relação ao antebraço), e não por via subcutânea. Uma pápula ou bolha bem demarcada após a injeção indica uma injeção corretamente aplicada.

O diâmetro de enduração (não eritema) transversal ao eixo longitudinal do membro superior é medido 48 a 72 horas após a injeção. O uso de uma caneta para demarcar os limites da induração na pele pode ajudar a produzir medidas mais precisas. Contudo, a leitura dos testes cutâneos é inerentemente variável e sujeita a vários erros, incluindo a preferência por dígitos terminais, ou seja, uma tendência a favorecer o registro dos valores 5, 10, 15 e 20 mm.

Dada a dificuldade em demarcar, medir e relatar com precisão a induração, pequenas diferenças nas leituras do teste podem não ser clinicamente relevantes. Por exemplo, uma leitura mostrando 9 mm provavelmente não deve ser interpretada como diferente de uma leitura mostrando 11 mm (isto é, tratar a leitura mostrando 11 mm como infecção latente e descartar a leitura mostrando 9 mm como não infectado).

Clinicamente, é útil lembrar que a maioria das reativações da infecção latente ocorre em até 1 ano a 18 meses após a infecção inicial, embora reativações tardias também sejam possíveis. Se a reativação ocorrer em pacientes imunocompetentes, eles geralmente apresentam uma resposta imunitária vigorosa, evidenciada por resultado fortemente positivo no TCT ou no teste de liberação de interferon-gama (IGRA). Os IGRAs são superiores na detecção de infecções recentes (isto é, progressão da TB latente para a ativa) em comparação com os TCTs (7). Em ambientes de alta transmissão, a doença geralmente resulta de infecção recente em vez de remota, embora ambas possam ser uma causa.

Dicas e conselhos

  • Para o teste cutâneo tuberculínico, deve-se medir o diâmetro da induração, não do eritema.

As respostas imunológicas ao TCT geralmente diminuem à medida que aumenta o tempo decorrido desde a infecção inicial, fenômeno chamado reversão imunológica; no entanto, elas frequentemente persistem muito tempo depois de não haver mais organismos viáveis de M. tuberculosis capazes de reativação. A reversão dos resultados do TCT (teste negativo em paciente com teste previamente positivo) que ocorre na ausência de tratamento ou anergia (ausência de reação a qualquer teste cutâneo) frequentemente passa despercebida porque não se realiza teste de acompanhamento. A cura espontânea é a provável razão.

A administração repetida de TCTs pode fazer com que o sistema imunitário reative respostas de memória imunológica que diminuíram ao longo do tempo (principalmente linfócitos T de memória central), o chamado efeito de reforço. O efeito de reforço não reconhecido pode resultar em tratamento desnecessário dos contatos, por exemplo, no contexto de uma investigação sobre surtos. Para evitar interpretar erroneamente o efeito de reforço como infecção recente em ambientes em que o teste seriado é indicado, recomenda-se o teste comparativo em duas etapas. A ideia é retestar as pessoas com resultado negativo no TCT em 1 a 4 semanas para verificar se há memória da hipersensibilidade prévia. Do contrário, esse resultado é um negativo verdadeiro. Entretanto, supõe-se que um resultado positivo da TCT no novo teste em 1 a 4 semanas após o primeiro teste indica infecção latente preexistente e os pacientes são tratados ou não com base em critérios clínicos. O efeito de reforço não é um problema nos testes IGRA repetidos porque nenhum antígeno é injetado.

A definição de um TCT positivo depende dos fatores de risco (1):

  • Uma induração de 5 mm é considerada positiva em pacientes com alto risco de desenvolver TB ativa se infectados, como aqueles que apresentam evidência radiográfica de TB pulmonar prévia, estão imunossuprimidos devido à infecção por HIV ou imunossupressores (p. ex., inibidores de TNF-alfa, uso de glicocorticoides em dose equivalente a prednisona 15 mg/dia por > 1 mês), são contatos recentes de pacientes com TB ativa, ou têm doença renal em estágio terminal (ou seja, pacientes em diálise), bem como crianças gravemente desnutridas.

  • Uma induração de 10 mm é considerada positiva em pacientes com alguns fatores de risco, como aqueles que fazem uso de drogas injetáveis, vivem atualmente ou visitaram recentemente uma área de alta prevalência (p. ex., imigrantes, viajantes), residem em um ambiente de alto risco (p. ex., prisões, abrigos para pessoas em situação de rua), apresentam certos transtornos ou condições (p. ex., transtorno por uso de álcool, silicose, diabetes, câncer de cabeça ou pescoço), ou têm má absorção crônica (p. ex., resultante de gastrectomia ou cirurgia de bypass jejunoileal).

  • Uma induração de 15 mm é considerada positiva em pacientes sem fatores de risco.

Resultados falso-negativos do TCT podem ocorrer, mais frequentemente em pacientes febris, idosos, com infecção por HIV (especialmente se a contagem de CD4 for < 200 células/mcL [0,2 x 109/L]) (8), imunossuprimidos em razão de doença ou de imunossupressores, ou gravemente enfermos. Muitos desses pacientes não mostram nenhuma reação a qualquer teste cutâneo (anergia). A anergia provavelmente ocorre por causa de anticorpos inibitórios, ou porque tantas células T foram mobilizadas para o local da doença, que poucos permaneceram para produzir uma reação cutânea significativa.

Resultados falso-positivos do TCT podem ocorrer se os pacientes tiverem uma infecção micobacteriana não tuberculosa ou tiverem recebido a vacina contra o bacilo de Calmette-Guérin (BCG). Mas o efeito da vacina BCG no TCT geralmente diminui após vários anos; depois desse período de tempo, é provável que um teste positivo ocorra por causa de infecção por tuberculose. Infecção após vacinação com BCG ocorre mais comumente em ambientes de alta transmissão. Reações aos TCTs causadas pela vacina BCG ou por infecções por micobactérias não tuberculosas geralmente provocam menos induração do que aquelas decorrentes de infecção verdadeira por M. tuberculosis (1). Algumas autoridades de saúde pública sugerem que a situação vacinal em relação à BCG deve ser ignorada e que o diagnóstico de infecção deve se basear exclusivamente nos resultados do TCT, mas isso leva ao sobrediagnóstico de infecção latente por TB, preocupação e tratamento desnecessários, e potenciais efeitos adversos dos medicamentos. O uso de IGRAs em vez do TCT para diagnosticar a infecção por TB eliminou a maior parte desses problemas de interpretação dos testes.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos fornecem informações sobre a administração e interpretação do TCT (ver Mantoux Tuberculin Skin Test Toolkit.)

Os testes cutâneos baseados em antígenos de Mycobacterium tuberculosis (TBSTs) incluem o Diaskintest, o Siiltibcy (Cy-Tb) e o EC-skintest (também chamado de teste C-TST ou C-Tb). Assim como o TCT, os TBSTs utilizam a injeção intradérmica de antígenos para detectar uma resposta imune. O teste é realizado de forma semelhante ao TCT, e a induração é medida 48 a 72 horas após a injeção. Em geral, uma induração de 5 mm é considerada indicativa de um teste positivo. Em vez de utilizar o derivado proteico purificado, esses testes usam os antígenos específicos de ESAT-6 e CFP10 utilizados no ensaio de liberação de interferon-gama (IGRA). Consequentemente, resultados falso-positivos não são observados em pacientes que receberam a vacina BCG, o que torna os TBSTs mais específicos do que o TCT. De fato, alguns TBSTs (p. ex., C-TST) demonstraram ter sensibilidade e especificidade amplamente comparáveis às do IGRA e do TCT (9). Assim, os TBSTs podem ser viáveis em contextos onde os TCTs são utilizados atualmente, aproveitando o treinamento e os recursos existentes (1). Os TBSTs são particularmente adequados a contextos com recursos limitados, nos quais o uso generalizado do IGRA não pode ser sustentado devido a limitações logísticas.

IGRA (ensaio de liberação de interferon-gama)

O IGRA é um exame de sangue que mede a liberação de interferon-gama por linfócitos T de memória efetora expostos in vitro a antígenos específicos da TB. Existem vários IGRAs comerciais com diferentes plataformas de teste, mas estudos comparativos revelam um desempenho muito semelhante (10). A escolha do IGRA é frequentemente ditada pela disponibilidade em um dado contexto clínico. Em uma metanálise que comparou o desempenho dos testes, observou-se que os IGRAs eram nitidamente mais específicos para infecção latente por TB em comparação com os TCTs (98% contra 82%) em pacientes que haviam recebido a vacina BCG (11).

Os resultados de IGRA e TCT nem sempre são concordantes; contudo, alguns dados sugerem que o IGRA é mais eficaz na detecção da infecção por TB. Em um amplo estudo de coorte prospectivo (n = 22.020) realizado nos Estados Unidos, o IGRA apresentou um maior valor preditivo positivo em comparação com o TCT (12).

Diferentemente do TCT, a vacinação prévia com BCG não causa resultado falso-positivo no IGRA. Entretanto, a repetição de TCTs pode causar resultados positivos de baixo nível no IGRA devido à indução de respostas imunológicas à tuberculina. Assim como o TCT, os IGRAs não conseguem distinguir TB ativa de infecção latente por TB, e a hipersensibilidade linfocitária ocorre em ambas as condições.

Em áreas com baixa prevalência de tuberculose e recursos suficientes (p. ex., Estados Unidos) disponíveis para focar na identificação de infecção latente, os IGRAs substituíram amplamente o TCT porque têm menor variabilidade relacionada ao operador, não sofrem interferência da BCG e não resultam em efeito de reforço, e as pessoas não precisam retornar para a leitura. Entretanto, nessas áreas, poucas pessoas apresentam risco suficiente para justificar qualquer método de testagem seriada para TB.

O uso do IGRA é limitado em contextos com poucos recursos por causa do seu custo relativamente alto. Infelizmente, esses cenários também tendem a ser as áreas com alta prevalência de TB.

Referências sobre diagnóstico

  1. 1. World Health Organization (WHO). WHO consolidated guidelines on tuberculosis. Module 3: diagnosis. Geneva: World Health Organization; 2025.

  2. 2. Nahid P, Dorman SE, Alipanah N, et al. Official American Thoracic Society/Centers for Disease Control and Prevention/Infectious Diseases Society of America Clinical Practice Guidelines: Treatment of Drug-Susceptible Tuberculosis. Clin Infect Dis. 2016;63(7):e147-e195. doi:10.1093/cid/ciw376

  3. 3. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Updated guidelines for the use of nucleic acid amplification tests in the diagnosis of tuberculosis. MMWR Morb Mortal Wkly Rep. 2009;58(1):7-10.

  4. 4. Lewinsohn DM, Leonard MK, LoBue PA, et al. Official American Thoracic Society/Infectious Diseases Society of America/Centers for Disease Control and Prevention Clinical Practice Guidelines: Diagnosis of Tuberculosis in Adults and Children. Clin Infect Dis. 2017;64(2):111-115. doi:10.1093/cid/ciw778

  5. 5. David A, de Vos M, Scott L, et al. Feasibility, Ease-of-Use, and Operational Characteristics of World Health Organization-Recommended Moderate-Complexity Automated Nucleic Acid Amplification Tests for the Detection of Tuberculosis and Resistance to Rifampicin and IsoniazidJ Mol Diagn. 2023;25(1):46-56. doi:10.1016/j.jmoldx.2022.10.001

  6. 6. Hasegawa N, Miura T, Ishii K, et al. New simple and rapid test for culture confirmation of Mycobacterium tuberculosis complex: a multicenter study. J Clin Microbiol. 2002;40(3):908-912. doi:10.1128/JCM.40.3.908-912.2002

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  8. 8. García-García ML, Valdespino-Gómez JL, García-Sancho C, et al. Underestimation of Mycobacterium tuberculosis infection in HIV-infected subjects using reactivity to tuberculin and anergy panel. Int J Epidemiol. 2000;29(2):369-375. doi:10.1093/ije/29.2.369

  9. 9. Krutikov M, Faust L, Nikolayevskyy V, et al. The diagnostic performance of novel skin-based in-vivo tests for tuberculosis infection compared with purified protein derivative tuberculin skin tests and blood-based in vitro interferon-γ release assays: a systematic review and meta-analysis. Lancet Infect Dis. 2022;22(2):250-264. doi:10.1016/S1473-3099(21)00261-9

  10. 10. Ortiz-Brizuela E, Apriani L, Mukherjee T, et al. Assessing the Diagnostic Performance of New Commercial Interferon-γ Release Assays for Mycobacterium tuberculosis Infection: A Systematic Review and Meta-Analysis. Clin Infect Dis. 2023;76(11):1989-1999. doi:10.1093/cid/ciad030

  11. 11. Doan TN, Eisen DP, Rose MT, Slack A, Stearnes G, McBryde ES. Interferon-gamma release assay for the diagnosis of latent tuberculosis infection: A latent-class analysis. PLoS One. 2017;12(11):e0188631. Published 2017 Nov 28. doi:10.1371/journal.pone.0188631

  12. 12. Ayers T, Hill AN, Raykin J, et al. Comparison of Tuberculin Skin Testing and Interferon-γ Release Assays in Predicting Tuberculosis Disease. JAMA Netw Open. 2024;7(4):e244769. Published 2024 Apr 1. doi:10.1001/jamanetworkopen.2024.4769

Tratamento da tuberculose

  • Medidas para prevenir a transmissão, às vezes incluindo isolamento respiratório

  • Antibióticos

O manejo da TB ativa envolve medidas para prevenir a disseminação e o tratamento com esquema antibiótico prolongado com múltiplos medicamentos. A escolha dos antibióticos e a duração da terapia são determinadas pelo fato de a infecção ser latente ou ativa e pelos testes de sensibilidade a fármacos (TSF) (1) (ver também Tratamento da ILTB).

A maioria dos pacientes com TB ativa não complicada e todos os pacientes com doenças complicadoras (p. ex., infecção avançada por HIV, hepatite, diabetes), reações adversas a medicamentos ou resistência a medicamentos devem ser encaminhados para um especialista em TB (1–3).

Manejo ambulatorial

Dependendo da gravidade da doença e da capacidade de aderir às medidas de prevenção da transmissão e ao tratamento, a maioria dos pacientes com TB, incluindo TB resistente a medicamentos, deve ser tratada em regime ambulatorial.

As instruções aos pacientes sobre como prevenir a transmissão geralmente incluem:

  • Ficar em casa

  • Evitar visitantes (exceto para membros da família previamente expostos)

  • Cobrir a boca ao tossir

Máscaras cirúrgicas para pacientes com TB são eficazes para limitar a transmissão, mas geralmente não são recomendadas para pacientes que aderem às instruções acima, exceto, por exemplo, aqueles que necessitam de pré-tratamento em um hospital ou clínica (4).

Para a maioria dos pacientes com TB ativa, os especialistas recomendam manter as precauções de controle da transmissão por pelo menos 5 dias após o início do tratamento, desde que o paciente esteja recebendo um esquema antibiótico ao qual o microrganismo seja suscetível, apresente melhora clínica e seja aderente à terapia (5). Na tuberculose ativa altamente resistente a fármacos, as consequências da transmissão são maiores e a resposta ao tratamento pode ser mais lenta, de modo que deve-se ter muito cuidado antes de remover as precauções de controle da transmissão.

Evidências indicam que o tratamento eficaz interrompe a transmissão em questão de horas a dias, ao passo que a conversão do escarro na baciloscopia ou na cultura geralmente ocorre apenas após vários meses (5). Esse efeito na cessação da transmissão parece se aplicar mesmo à maioria dos casos resistentes a medicamentos (quando efetivamente tratados). Contudo, determinar que um paciente não é mais infeccioso depende de muitos fatores; por isso, a abordagem padrão é aguardar até que o paciente apresente melhora clínica adequada. Essas considerações incluem o fato de que prever com precisão a probabilidade de o tratamento ser eficaz requer dados de TSF do isolado de TB do paciente. Além disso, os fármacos devem corresponder ao perfil do TSF, devem ser ingeridos de maneira confiável e alcançar níveis plasmáticos terapêuticos.

Hospitalização

As principais indicações para hospitalização por TB ativa são:

  • TB complicada (insuficiência respiratória, TB miliar, meningite, resistência extensa a fármacos exigindo terapia IV)

  • Doença concomitante grave (p. ex., coinfecção por HIV, câncer, desnutrição, doença renal terminal)

  • Necessidade de procedimentos diagnósticos (p. ex., broncoscopia)

  • Questões sociais que afetam a adesão (p. ex., transtorno por uso de substâncias, incapacidade de cumprir o esquema terapêutico ou o acompanhamento, histórico de tratamento prévio da TB incompleto)

  • Necessidade de isolamento respiratório, como para pessoas que vivem em ambientes coletivos (p. ex., prisões) onde pessoas não expostas previamente seriam encontradas regularmente

Idealmente, todos os pacientes hospitalizados devem ser mantidos em um ambiente de pressão negativa com 6 a 12 trocas de ar/hora. Os profissionais de saúde que entram na sala devem utilizar um respirador (não uma máscara cirúrgica) que tenha sido adequadamente ajustado e que atenda os critérios de aprovação do National Institute for Occupational Safety and Health (N-95 ou superior).

A duração típica da hospitalização para pacientes com TB em contextos ricos em recursos é de aproximadamente 14 a 18 dias, com base em grandes estudos de coorte (6, 7). O tempo mediano de permanência é influenciado pela gravidade da doença, comorbidades (p. ex., coinfecção por HIV, câncer, doença renal), idade, estado clínico geral e presença de complicações ou resistência a fármacos. Pacientes com TB miliar, doença cavitária ou reações adversas a medicamentos frequentemente requerem um tempo de permanência maior, e aqueles com TB-MR muitas vezes necessitam de períodos substancialmente mais longos de hospitalização para garantir que um regime eficaz seja estabelecido. Durante a hospitalização, devem ser tomadas medidas para a notificação ao departamento de saúde competente e para o rastreamento de contatos (8).

Embora pacientes em tratamento eficaz se tornem não infectantes antes que as baciloscopias de escarro se negativem, a liberação do isolamento respiratório geralmente requer 3 baciloscopias de escarro negativas ao longo de 2 dias, incluindo pelo menos 1 amostra matinal negativa. Pode-se utilizar dois TAANs negativos no escarro para descartar tuberculose para fins de isolamento em pacientes sob avaliação com base em sinais ou sintomas, mas não podem ser utilizados em pacientes com TB conhecida porque o DNA do M. tuberculosis pode ser detectado por TAANss muito tempo depois de o tratamento tornar os pacientes não infecciosos. Entretanto, muitas vezes é razoável dar alta aos pacientes diretamente para casa a partir dos quartos de isolamento, independentemente do resultado da baciloscopia, pois os conviventes domiciliares saudáveis (previamente expostos) provavelmente apresentam menor risco do que outros pacientes hospitalizados, cujas doenças os tornam mais vulneráveis à transmissão e à doença grave.

Considerações de saúde pública

Para limitar a transmissão e o desenvolvimento de cepas resistentes a fármacos, o tratamento é monitorado por meio de programas de saúde pública a fim de assegurar a adesão, até mesmo se o paciente estiver sendo tratado por um médico da iniciativa privada. Na maioria dos Estados Unidos, cuidados para com a tuberculose (inclusive teste cutâneo, radiografia de tórax e medicamentos) estão disponíveis gratuitamente em clínicas de saúde pública para reduzir barreiras ao tratamento.

O apoio ao tratamento é oferecido aos pacientes como forma de ajudar na adesão ao tratamento completo da TB (9). Diversos métodos, incluindo o tratamento diretamente observado (TDO) e o tratamento diretamente observado por vídeo (TDOv), podem ser utilizados para monitorar pacientes quanto ao uso da medicação conforme prescrito. O TDO envolve a supervisão, por profissionais de saúde pública, da ingestão de cada dose do tratamento antibiótico para TB. Acredita-se que o TDO aumente a probabilidade de conclusão de todo o curso do tratamento, mas as evidências são inconclusivas (10), e a decisão de utilizar ou não o TDO para qualquer paciente deve ser considerada caso a caso (11).

O TDO é particularmente importante em certas populações de pacientes:

  • Crianças e adolescentes

  • Pacientes com infecção por HIV, doença psiquiátrica ou transtorno por uso de substâncias

  • Pacientes que tiveram insucesso terapêutico ou recaída, ou desenvolveram resistência a medicamentos

Existem limitações inerentes ao TDO. Os desafios logísticos incluem o agendamento de consultas que não interfiram no trabalho, nos estudos e em outras atividades; o transporte; e o potencial estigma associado ao comparecimento a um profissional de saúde na comunidade (11). Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos recomendam TDOv como um método equivalente para garantir a supervisão apropriada da terapia anti-TB em comparação com TDO presencial.

O tratamento autoadministrado seletivo (TAS) é uma opção para pacientes que são capazes de aderir ao tratamento e ao acompanhamento sem o TDO. Idealmente, são fornecidas preparações de medicamentos em combinação de dose fixa para facilitar a ingestão, evitando-se também a monoterapia, que pode levar à resistência a fármacos. Dispositivos de monitoramento mecânico de fármacos têm sido preconizados para melhorar a adesão ao SAT.

Equipes de saúde pública costumam visitar as casas para fazer o seguinte:

  • Avaliar potenciais barreiras ao tratamento (p. ex., pobreza extrema, alojamento instável, problemas de cuidado infantil, transtorno por uso de álcool, transtorno de saúde mental)

  • Avaliar contatos próximos para TB ativa

Contatos próximos referem-se a pessoas que compartilham o mesmo espaço respiratório por períodos prolongados, tipicamente pessoas que residem na mesma casa, mas com frequência incluem pessoas do trabalho, escola e locais de recreação. A duração precisa e o grau de contato que constitui risco variam porque os pacientes com tuberculose variam significativamente em termos de contagiosidade. Mesmo pessoas que tiverem um contato relativamente casual (p. ex., passageiros em um ônibus) com pacientes altamente contagiosos (evidenciado por múltiplos membros da família com doença ou teste tuberculínico positivo) devem ser encaminhadas para teste tuberculínico e avaliação para infecção latente e tratamento preventivo se necessário. Os pacientes que não infectam nenhum contato doméstico têm menor probabilidade de infectar contatos casuais.

Início do tratamento

Para pacientes com alta suspeita clínica de TB com base nos sintomas clínicos, na história de exposição e nos achados radiográficos (especialmente naqueles com possíveis complicações da TB potencialmente fatais), deve-se iniciar prontamente um esquema terapêutico empírico com 4 medicamentos, mesmo antes de estarem disponíveis os resultados de testes moleculares, da baciloscopia de BAAR ou da cultura de micobactérias (1).

Fármacos de primeira linha para tuberculose

Os 4 medicamentos de primeira linha isoniazida (INH), rifampina (RIF) (rifampicina), pirazinamida (PZA) e etambutol (EMB) são geralmente administrados em combinação como tratamento inicial da TB ativa. A dosagem dos medicamentos de primeira linha depende do esquema específico escolhido.

A dose de isoniazida (INH) é geralmente de 5 mg/kg (normalmente um máximo de 300 mg) via oral, uma vez ao dia para adultos (1). Tem boa penetração tecidual (incluindo líquido cefalorraquidiano) e é altamente bactericida. A INH permanece sendo o fármaco mais útil e menos caro de todos para o tratamento de tuberculose. Décadas de uso sem controle, com frequência como monoterapia, em muitos países (em especial na Ásia Oriental) aumentaram intensamente a prevalência de cepas resistentes. Nos Estados Unidos, em 2023, 8,5% dos casos de TB apresentavam resistência à INH no diagnóstico inicial. A proporção foi maior entre pessoas que não nasceram nos Estados Unidos (9,2%) do que entre aquelas que nasceram (5,8%) (12). 

Os possíveis efeitos adversos da INH incluem exantema, febre, hepatotoxicidade, neuropatia periférica e, raramente, anemia e agranulocitose. A INH é segura durante a gestação.

INH causa elevações assintomáticas e transitórias de aminotransferases em até 20% dos pacientes e hepatite clínica (normalmente reversível) em cerca de 1/1.000 (1). A hepatite clínica ocorre com mais frequência em pacientes com as seguintes características: idade > 35 anos, transtorno por uso de álcool, doença hepática crônica e período pós-parto. Não se recomenda monitoramento com testes hepáticos seriados, a menos que os pacientes tenham fatores de risco para doença hepática. Os sintomas de hepatotoxicidade incluem fadiga inexplicada, anorexia, náusea, vômito ou icterícia. Caso esses sintomas ocorram, o tratamento é suspenso e exames hepáticos são realizados. Pacientes com sintomas e qualquer elevação significativa de aminotransferase (ou elevação assintomática > 5 vezes o normal) são diagnosticados com hepatotoxicidade, e a INH é descontinuada.

Após a resolução das elevações leves das aminotransferases e dos sintomas (p. ex., conforme determinado após monitoramento semanal [mais frequente em casos mais graves] dos exames hepáticos), pode-se fazer reexposição com segurança a meia dose de INH por 2 a 3 dias. Se essa dose for tolerada (tipicamente em cerca de metade dos pacientes), a dose plena pode ser reiniciada com monitoramento atento para a recorrência dos sintomas e deterioração da função hepática.

RIF e PZA também podem causar hepatotoxicidade. Em pacientes tratados com a combinação de INH, RIF e/ou PZA, todos os medicamentos devem ser interrompidos caso ocorra hepatotoxicidade, e o teste de reintrodução deve ser realizado com cada medicamento separadamente. INH ou PZA têm maior probabilidade de causar hepatotoxicidade do que RIF.

A neuropatia periférica pode resultar da deficiência de piridoxina (vitamina B6) induzida por INH, com maior probabilidade em pacientes com as seguintes condições: gestação ou amamentação, desnutrição, diabetes mellitus, infecção por HIV, transtorno por uso de álcool, câncer, uremia e idade avançada. Os 2 mecanismos pelos quais a INH induz a depleção de piridoxina são a ligação direta à piridoxina e à sua forma ativa, e a inibição do piridoxal-5'-fosfato, uma enzima essencial envolvida no metabolismo da vitamina B6 (13). Piridoxina 25 a 50 mg por via oral uma vez ao dia pode prevenir essa complicação, mas geralmente não é necessária em crianças e adultos jovens saudáveis.

Quanto às interações medicamentosas, a INH retarda o metabolismo hepático da fenitoína, exigindo redução de dose. Além disso, pode causar reação significativa ao dissulfiram, medicamento ocasionalmente utilizado para o transtorno por uso de álcool.

A rifampina (RIF) (rifampicina) é um tipo de rifamicina. A dose é de 10 mg/kg (máximo de 600 mg), via oral, uma vez ao dia para adultos (1). É bactericida e bem absorvida, penetra bem nas células e no líquido cefalorraquidiano, e tem ação rápida. Elimina também microrganismos latentes em macrófagos ou em lesões caseosas, os quais podem provocar recaídas mais tarde. Assim, a RIF deve ser utilizada ao longo do curso de terapia.

Os potenciais efeitos adversos da RIF incluem icterícia colestática (rara), febre, trombocitopenia e insuficiência renal. A RIF tem uma taxa mais baixa de hepatotoxicidade do que a INH. A RIF é segura para uso durante a gestação.

A RIF está associada a interações medicamentosas clinicamente significativas, que devem ser consideradas ao utilizar esse medicamento (14). A RIF é um potente indutor do CYP3A4; portanto, deve-se ter cautela ao coadministrá-la com outros medicamentos que também sejam indutores ou inibidores do CYP3A4 (15). Como a RIF se liga de forma tão intensa ao CYP3A4, ela pode inibir competitivamente outros medicamentos que se ligam ao mesmo receptor. Portanto, pode acelerar o metabolismo de anticoagulantes, contraceptivos orais, glicocorticoides, digitoxina, medicamentos anti-hiperglicêmicos orais, metadona e muitos outros medicamentos. As interações das rifamicinas com muitos medicamentos antirretrovirais (p. ex., ritonavir, efavirenz) são particularmente complexas; o uso combinado requer conhecimento especializado (1).

As seguintes rifamicinas estão disponíveis para situações especiais:

  • A dose de rifabutina é de 5 mg/kg (máximo de 300 mg) por via oral uma vez ao dia para pacientes em uso de medicamentos (particularmente medicamentos antirretrovirais) que apresentam interações inaceitáveis com RIF. Sua ação é semelhante à da RIF, mas afeta o metabolismo de outros medicamentos em menor grau. Entretanto, o uso combinado com claritromicina ou fluconazol foi associado a uveíte.

  • Em geral, a dose de rifapentina é de 10 a 20 mg/kg (até 1200 mg/dia) via oral, geralmente administrada diariamente na infecção ativa por TB. A OMS e o CDC recomendaram que a rifapentina seja administrada inicialmente na dose de 1200 mg, via oral, uma vez ao dia, em combinação com moxifloxacino, isoniazida e pirazinamida por 8 semanas (56 doses), seguida por 1200 mg, via oral, uma vez ao dia, em combinação com moxifloxacino e isoniazida por 9 semanas (63 doses) (16). Não se recomenda essa combinação para crianças < 2 anos de idade, pacientes com infecção por HIV em tratamento antirretroviral, gestantes ou pacientes esperando engravidar durante o tratamento, pois não se conhece a segurança nesses grupos. Todos os medicamentos são administrados com alimento.

Em 2020, foram encontradas impurezas de nitrosamina em amostras de RIF e rifapentina. Algumas dessas impurezas foram implicadas como possíveis carcinógenos em estudos com animais a longo prazo, com toxicidade amplamente relacionada com a exposição cumulativa. Em 2024, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA emitiu orientações atualizadas sobre o controle de impurezas de nitrosamina em medicamentos e modificou o limite aceitável de ingestão de 1-metil-4-nitrosopiperazina (MNP) na RIF para 5 ppm (17). Entretanto, para tratamento de tuberculose, o consenso entre organizações de saúde pública como o CDC e a OMS é recomendar o uso continuado de RIF, caso aceito pelo paciente, pois a exposição é limitada no tempo e os riscos de não utilizar RIF provavelmente superam em muito quaisquer potenciais riscos associados a impurezas de nitrosaminas.

A dose de pirazinamida (PZA) é de 30 a 40 mg/kg (até um máximo de 2 g), via oral, geralmente uma vez ao dia em adultos (1). É um medicamento bactericida. Quando utilizada durante os 2 meses iniciais intensivos do tratamento da TB, encurta a duração total da terapia para 6 meses e previne o desenvolvimento da resistência à RIF.

Os principais potenciais efeitos adversos da PZA são distúrbios gastrointestinais e hepatite. Provoca, muitas vezes, hiperuricemia, que geralmente é leve e apenas raramente induz à gota. A PZA é comumente utilizada em pacientes gestantes, mas nenhum ensaio clínico randomizado confirmou sua segurança nessa população (18). O CDC recomenda que os médicos orientem as gestantes sobre os riscos e benefícios de tomar PZA como parte de um esquema terapêutico e permitam que tomem uma decisão informada (19). Entretanto, a experiência global favorável com o uso clínico relatada pela OMS sugere que o benefício de seu uso supera os riscos clínicos decorrentes de TB ativa não tratada em gestantes (9).

A dose de etambutol (EMB) é de 15 a 25 mg/kg (máximo 2,5 g) por via oral, geralmente uma vez ao dia, e é o melhor tolerado entre os medicamentos de primeira linha (1). Sua principal potencial toxicidade é a neurite óptica, que é mais comum com doses mais altas (p. ex., 25 mg/kg) e em pacientes com função renal comprometida. Os sintomas iniciais de neurite óptica são a incapacidade de distinguir azul de verde; o comprometimento da acuidade visual pode então se desenvolver. Como ambos os sintomas são reversíveis se detectados precocemente, os pacientes devem realizar um teste basal de visão cromática e acuidade visual, e o monitoramento deve incluir perguntas mensais sobre a visão. Pacientes em uso de EMB por > 2 meses ou em doses superiores às listadas na tabela devem realizar testes mensais de visão cromática e acuidade visual. A cautela é justificada se a comunicação for limitada pelo idioma ou por barreiras culturais. Por razões semelhantes, o EMB é geralmente evitado em crianças pequenas que não conseguem ler gráficos de acuidade visual, mas pode ser utilizado nessa população de pacientes, se necessário, devido à resistência ou intolerância ao fármaco. Caso ocorra neurite óptica, o EMB é substituído por outro medicamento. Pode-se utilizar o etambutol de maneira segura na gestação. Resistência ao EMB é menos comum que aos outros fármacos de primeira linha.

Tabela
Tabela

Fármacos de segunda linha para tuberculose

Outros antibióticos são ativos contra tuberculose e são utilizados principalmente para tratar pacientes com TB resistente a medicamentos (TB-RM) ou que não tolerem um dos fármacos de primeira linha. As 2 classes de medicamentos mais importantes têm sido tradicionalmente os aminoglicosídeos (e o medicamento polipeptídico estreitamente relacionado, capreomicina) e as fluoroquinolonas. Outros medicamentos de segunda linha estão disponíveis, incluindo fármacos mais recentes.

A estreptomicina é um antibiótico aminoglicosídeo. A dose é de 15 mg/kg IM ou IV, uma vez ao dia para adultos; no entanto, alguns médicos preferem 25 mg/kg, 3 vezes por semana (1). A dose máxima é normalmente 1 g para adultos, reduzida para 0,75 g (10 mg/kg) em pessoas com 60 anos de idade. Em pacientes com insuficiência renal, a frequência da administração deve ser reduzida (p. ex., 15 mg/kg/dose, 2 ou 3 vezes/semana).

A estreptomicina foi o primeiro e durante algum tempo o aminoglicosídeo injetável mais utilizado no tratamento da tuberculose, mas na prática atual não é de uso corrente e é cada vez mais difícil de obter, pois foi substituída por medicamentos de segunda linha mais recentes, injetáveis e orais. É muito eficaz e bactericida. A resistência ainda é relativamente incomum nos Estados Unidos, mas é globalmente mais comum. A penetração no líquido cefalorraquidiano é precária e a administração intratecal não deve ser utilizada se outros medicamentos eficazes estiverem disponíveis.

Os potenciais efeitos adversos relacionados à dose de estreptomicina incluem lesão tubular renal e ototoxicidade (ver Ototoxicidade induzida por medicamentos). Para limitar efeitos adversos relacionados à dose, a estreptomicina é administrada apenas 5 dias/semana e por no máximo 2 meses. Se o uso continuado for necessário, pode ser administrada duas vezes/semana por mais 2 meses. Os pacientes devem ser monitorados com testes apropriados de equilíbrio, audição e níveis de creatinina no soro.

Outros potenciais efeitos adversos da estreptomicina incluem exantema, febre, agranulocitose e doença do soro. Rubor e formigamento ao redor da boca geralmente acompanham a injeção, mas diminuem rapidamente. A estreptomicina é contraindicada na gestação porque pode causar toxicidade vestibular e ototoxicidade no feto.

A canamicina e a amicacina são outros antibióticos aminoglicosídeos. A dose para ambos é de 15 mg/kg, uma vez ao dia, IM ou IV em adultos (1). Estes antibióticos podem permanecer eficazes até mesmo se a resistência à estreptomicina se desenvolver. As toxicidades renal e neurológica são semelhantes às da estreptomicina. Canamicina foi um injetável amplamente utilizado contra a TB-MR, mas a amicacina está substituindo-a rapidamente nas situações cada vez mais incomuns em que são necessários injetáveis.

A capreomicina é um medicamento relacionado aos aminoglicosídeos, embora não seja classificado como tal. É um medicamento bactericida parenteral e sua dose é de 15 mg/kg IM ou IV. A dosagem, eficácia e efeitos adversos são semelhantes aos dos aminoglicosídeos (1). Era um fármaco importante para TB-MR porque isolados resistentes à estreptomicina são muitas vezes sensíveis à capreomicina, e é relativamente mais bem tolerado do que os aminoglicosídeos quando é necessária administração prolongada. Como todos os injetáveis, sua administração é dolorosa e sua tolerabilidade é inferior à dos medicamentos mais recentes, habitualmente preferidos, administrados por via oral e eficazes contra TB resistente a medicamentos.

Fluoroquinolonas selecionadas (levofloxacino, moxifloxacino) são os medicamentos mais ativos e seguros para TB após a isoniazida e a rifampina (rifampicina). Moxifloxacino parece ser tão ativo quanto a isoniazida quando utilizado em combinação com rifampicina ou rifapentina.

Outros fármacos de segunda linha incluem etionamida, ciclosserina e ácido para-aminossalicílico (PAS). Esses fármacos são menos eficazes e mais tóxicos do que outros fármacos contra a tuberculose, mas eram essenciais até o advento de regimes totalmente orais (ver abaixo).

Os fármacos anti-TB mais modernos incluem bedaquilina, delamanida, pretomanida e sutezolida. Estes haviam sido reservados para cepas de tuberculose altamente resistentes ou para pacientes que não conseguem tolerar outros medicamentos de segunda linha, mas estão sendo cada vez mais utilizados em regimes inteiramente orais para tuberculose resistente a medicamentos.

Resistência a fármacos

A resistência a medicamentos é uma preocupação importante no tratamento da TB. Embora o uso de testes diagnósticos rápidos para detecção precoce de TB-MR/RR tenha aumentado, em muitas partes do mundo a TB-MR/RR não pode ser rapidamente diagnosticada e prontamente tratada com esquemas terapêuticos eficazes, incluindo o manejo adequado dos efeitos adversos dos medicamentos de segunda linha (2). Essa combinação de fatores resultou em transmissão contínua, baixas taxas de cura e resistência amplificada. O tratamento de pacientes com TB altamente resistente a medicamentos (p. ex., TB extensivamente resistente a medicamentos) tem sido complicado por desfechos menos favoráveis, incluindo altas taxas de mortalidade, especialmente em pacientes coinfectados por HIV, mesmo quando estão sendo tratados com antirretrovirais. Esquemas de tratamento mais recentes, mais curtos e mais eficazes (não injetáveis) (p. ex., bedaquilina, pretomanida) combinados com tratamento dos efeitos adversos, envolvimento com a comunidade e apoio social resultaram em tendências epidemiológicas decrescentes mais favoráveis da tuberculose resistente a fármacos em todo o mundo, especialmente em certas regiões (p. ex., no Peru e na região de Tomsk na Rússia). Índia e China implementaram programas contra tuberculose multirresistente nos respectivos países, e o futuro da TB-MR pode ser significativamente influenciado pelo sucesso ou fracasso desses programas.

Numerosos surtos de TB-MR foram relatados, e a prevalência global permanece elevada, em parte devido a limitações diagnósticas e terapêuticas; em 2023, aproximadamente 79% dos pacientes com TB bacteriologicamente comprovada tiveram acesso a testes de resistência à rifampicina (um substituto para identificar TB-MR), e o acesso a testes tem aumentado gradualmente ao longo do tempo. Em 2024, a OMS relatou uma estimativa de 400.000 novos casos de TB-MR/RR em todo o mundo, entre os quais aproximadamente 150.000 pessoas morreram (20). A OMS estima que somente cerca de 1 em cada 3 pessoas que desenvolvem TBMR/TBRR a cada ano estão em tratamento (20).

A resistência a medicamentos se desenvolve através de mutações genéticas espontâneas. Tratamento incompleto e errático (isto é, má adesão) ou a monoterapia seleciona esses microrganismos resistentes. Depois que uma cepa resistente a fármacos se desenvolveu e proliferou, ela pode adquirir resistência a antibióticos adicionais por meio de mutações subsequentes. Dessa forma, o microrganismo pode desenvolver resistência a múltiplos antibióticos em um processo escalonado, que pode ocorrer rapidamente, embora a transferência plasmidial de genes de resistência (como observado com as beta-lactamases de espectro estendido entre organismos gram-negativos) não seja relevante entre micobactérias.

Contudo, em qualquer paciente, a causa mais comum de TB resistente a medicamentos (TB-RM) é a aquisição por transmissão interpessoal, frequentemente a partir de pessoas com TB-RM não suspeita, não diagnosticada ou inadequadamente tratada. Globalmente, em 2023, apenas 2 em 5 pessoas com TB-MR tiveram acesso a tratamento eficaz (21). Em áreas onde o teste de resistência é inadequado ou não está disponível, muitos pacientes que não respondem ao tratamento de primeira linha provavelmente têm TB-MR não reconhecida e são contagiosos, incluindo a reinfecção de pessoas com histórico de TB sensível a medicamentos. Demonstrou-se que o uso de testes moleculares rápidos para tuberculose e para resistência à rifampina reduz a propagação da TB-MR.

Definem-se as categorias de resistência a fármacos com base nos antibióticos aos quais um organismo é resistente. Em 2021, a OMS definiu formalmente a TB pré-ER e revisou a definição de TB extensivamente resistente a medicamentos (TB-ER) (22). Posteriormente, a OMS revisou novamente sua definição de TB-ER (23). Nos Estados Unidos em 2022, o CDC recomendou definições híbridas, possibilitando o uso das definições da OMS ou alternativas apropriadas nos Estados Unidos (24).

As definições da OMS para categorias de TB resistente a medicamentos são as seguintes:

  • TB multirresistente (TB-MR): resistência tanto a isoniazida quanto a rifampina (rifampicina), os 2 medicamentos de primeira linha mais eficazes

  • Tuberculose pré-extensivamente resistente a medicamentos (TB pré-ER): resistência tanto à isoniazida quanto à rifampicina e também a qualquer fluoroquinolona

  • TB extensivamente resistente a medicamentos (TB-ERM): resistência a rifampicina (com ou sem resistência a isoniazida) e também a ≥ 1 fluoroquinolonas (levofloxacino e/ou moxifloxacino) e a bedaquilina ou linezolida ou a ambas (definição alternativa do CDC — resistência a isoniazida, rifampicina, qualquer fluoroquinolona e bedaquilina ou linezolida ou ambas)

O diagnóstico de TB-MR e a consequente necessidade do uso de fármacos de segunda linha são muito importantes em termos de duração, custo e sucesso do tratamento. Contudo, os novos esquemas orais mais curtos contra a TB-RM facilitaram o tratamento e tornaram essas questões menos determinantes entre o sucesso e o fracasso do tratamento.

Existem dois esquemas mais recentes recomendados condicionalmente pela OMS para o tratamento da TB-RM. Os medicamentos nesses esquemas são fármacos orais altamente ativos contra cepas resistentes e são utilizados por um período de tratamento mais curto do que os esquemas tradicionais. Eles interrompem rapidamente a transmissão e têm taxas mais altas de conclusão e cura e, portanto, são mais propensos a ajudar a controlar a epidemia de TB-RM. No entanto, o sucesso continuará dependendo de fortes compromissos globais em fornecer acesso a diagnósticos moleculares e tratamento eficaz, bem como de supervisão completa do tratamento.

Esquemas de tratamento

Os esquemas de tratamento da TB estão evoluindo. Esforços para desenvolver esquemas mais curtos e que utilizem medicamentos orais visam favorecer melhor adesão ao tratamento completo. Um esquema totalmente oral de 4 meses para pacientes com idade ≥ 12 anos e TB sensível a medicamentos foi recomendado condicionalmente pelo CDC em 2025 (3). Contudo, esse esquema ainda não é universalmente utilizado nos Estados Unidos nem em outros países devido ao custo. Muitos pacientes com TB sensível a medicamentos, recém-diagnosticada e previamente não tratada, são tratados com o seguinte esquema de 6 a 9 meses:

  • 2 meses na fase inicial

  • seguido de 4 ou 7 meses de fase de manutenção

O tratamento inicial na fase intensiva é com 4 antibióticos (ver tabela para dosagem):

  • Isoniazida (INH)

  • Rifampicina (RIF) (rifampicina)

  • Pirazinamida (PZA)

  • Etambutol (EMB)

Esses medicamentos podem ser administrados diariamente durante a fase inicial de 2 meses ou diariamente por 2 semanas, seguidos por 2 ou 3 vezes/semana durante 6 semanas. Esquemas posológicos menos frequentes (habitualmente utilizados com doses mais altas) costumam ser satisfatórios devido ao crescimento lento dos bacilos da tuberculose e ao efeito pós-antibiótico residual sobre o crescimento (o crescimento bacteriano costuma ser retardado muito depois de as concentrações dos antibióticos ficarem abaixo da concentração inibitória mínima). No entanto, a terapia diária é recomendada para os pacientes com TB-MR ou coinfecção por HIV. Os esquemas com doses inferiores às diárias devem ser realizados como terapia diretamente observada (TDO) porque cada dose torna-se mais importante.

Após 2 meses de tratamento intensivo com 4 medicamentos, a PZA pode ser suspensa. O EMB pode ser suspenso ainda mais cedo, dependendo do padrão de suscetibilidade do isolado original aos medicamentos (isto é, resultados que demonstrem suscetibilidade à isoniazida e à rifampicina).

O tratamento na fase de manutenção depende de:

  • Resultados dos testes de sensibilidade aos fármacos das amostras iniciais (quando disponíveis)

  • A presença ou ausência de lesão cavitária na radiografia de tórax inicial

  • Resultados de culturas e esfregaços colhidos em 2 meses

Culturas positivas aos 2 meses indicam a necessidade de um curso mais longo de tratamento com isoniazida e rifampicina.

Se a cultura e a baciloscopia forem negativas, independentemente da radiografia de tórax, ou se a cultura ou a baciloscopia forem positivas, mas a radiografia não mostrar cavitação, INH e RIF (sem PZA e EMB) devem ser mantidas por mais 4 meses (total de 6 meses).

Se a radiografia mostrar cavitação e a cultura ou amostra for positiva, INH e RIF devem ser mantidas por mais 7 meses (9 meses no total).

Em qualquer esquema, o EMB normalmente deve ser suspenso se a cultura inicial não mostrar resistência a qualquer fármaco. Os fármacos em fase de manutenção podem ser dados diariamente ou, caso os pacientes não sejam HIV-positivos, 2 ou 3 vezes/semana. Pacientes que têm cultura e esfregaços negativos no 2º mês, sem cavitação nas radiografias de tórax e que são HIV-negativos podem receber INH juntamente com RIF, uma vez/semana.

Pacientes com culturas positivas após 2 meses de tratamento devem ser avaliados para determinar a causa da positividade persistente. A avaliação de qualquer tipo de resistência a medicamentos, uma causa comum de falha terapêutica, deve ser minuciosa. Os médicos também devem verificar se há outras causas comuns (p. ex., não adesão, doença cavitária extensa, má absorção dos medicamentos).

Para as fases inicial e de manutenção, deve-se anotar o número total de doses (calculado por doses/semana vezes o número de semanas); dessa forma, se alguma dose for perdida, o tratamento é estendido para completar o número total de doses e não suspenso ao término do período.

Um esquema de 4 meses é recomendado condicionalmente pelo CDC para pacientes com idade ≥ 12 anos com TB pulmonar sensível a medicamentos (3). Um ensaio clínico relatou que um esquema de tratamento da TB com duração de 4 meses que incluía rifapentina 1200 mg por via oral uma vez ao dia e moxifloxacino 400 mg por via oral uma vez ao dia (25, 26) foi não inferior ao esquema padrão de 6 meses de RIF, INH, PZA e EMB. Não houve diferenças quanto às reações adversas graves entre os esquemas de 4 e 6 meses. Fluoroquinolonas alternativas (p. ex., levofloxacino) não devem substituir o moxifloxacino (3).

As considerações antes de utilizar o esquema mais curto de rifapentina-moxifloxacino incluem:

  • Os testes devem evidenciar uma suscetibilidade a fluoroquinolonas, isoniazida e rifampicina.

  • Alimentos com alto teor de gordura aumentam a absorção intestinal de rifapentina; portanto, pacientes são instruídos a tomá-la dentro de 1 hora após a ingestão de uma refeição rica em gordura.

  • O regime com rifapentina-moxifloxacino pode ser mais caro a curto prazo do que o esquema padrão de 6 meses.

Por causa do custo do esquema de 4 meses, é provável que muitos programas de saúde pública continuem utilizando o esquema padrão de 6 meses para a maioria dos pacientes e reservem a opção do esquema de 4 meses para casos não complicados em que a adesão ao esquema de 6 meses é problemática (p. ex., quando um paciente precisa viajar antes que os 6 meses possam ser completados).

O manejo da TB resistente a medicamentos (TB-RM) variava até recentemente, de acordo com o padrão de resistência aos fármacos. Historicamente, a duração do tratamento era longa (18 a 24 meses) e ele era árduo para os pacientes, devido a um esquema prolongado que envolvia muitas injeções e ao potencial de efeitos adversos graves, além de despesas significativas para o paciente e/ou as fontes pagadoras, especialmente quando era necessária hospitalização prolongada. Mais ainda do que a TB sensível a fármacos, a TB-RM requer tratamento por especialistas em centros de tratamento que utilizam sistemas de suporte adequados.

Contudo, o uso de novos medicamentos está melhorando a taxa de sucesso, a tolerabilidade e o custo do tratamento da TB-RM. Em um estudo aberto de braço único (n = 109), participantes com TB-ER ou TB-MR intolerante ao tratamento ou não responsiva ao tratamento foram tratados durante 26 semanas com um esquema de 3 medicamentos (bedaquilina, pretomanida e linezolida, conhecido como esquema BPaL) (27). Seis meses após a conclusão da terapia, 98 pacientes (90%) tiveram um desfecho favorável (cuja definição incluía a resolução da doença clínica e negativação da cultura); contudo, entre os 11 pacientes com desfecho desfavorável, houve 6 óbitos durante o tratamento e muitos pacientes apresentaram efeitos adversos devido à linezolida. Apesar da presença de vários pacientes com desfechos desfavoráveis nesse estudo, esses dados são promissores, pois historicamente os desfechos para pacientes com TB-ER têm sido favoráveis em < 50% dos casos. Outro ensaio clínico randomizado multicêntrico e aberto (n = 552) comparou o tratamento padrão a um curso de 24 semanas de esquemas baseados em bedaquilina e pretomanida e encontrou menos desfechos desfavoráveis com o braço bedaquilina, pretomanida, linezolida e moxifloxacino (BPaLM) do que com o tratamento padrão (12% versus 41%, p < 0,0001) (28).

A evolução dos esquemas totalmente orais, mais curtos e mais bem tolerados contra a TB altamente multirresistente, é um marco no controle global da tuberculose. Contudo, ainda é necessário um envolvimento significativo dos países para diagnosticar e tratar de maneira eficaz esses casos e evitar sua disseminação. Um esquema que foi aprovado condicionalmente pela OMS para o tratamento da TB-RM é o de bedaquilina, pretomanida, linezolida e moxifloxacino (28). É importante destacar que, com base em evidências preliminares de ensaios clínicos randomizados, um novo esquema totalmente oral de 6 meses para o tratamento da TB resistente à rifampicina foi recomendado condicionalmente pela OMS (29). O esquema inclui bedaquilina, delamanida, linezolida, levofloxacino e clofazimina (30). Esse esquema constitui um avanço significativo no tratamento da TB-RM, pois oferece um esquema mais curto e de administração mais fácil para uma gama mais ampla de pacientes, incluindo crianças, adolescentes, e gestantes e lactantes, para os quais os esquemas abreviados anteriores não eram adequados.

Outros tratamentos

Ocasionalmente, pode ser necessária ressecção cirúrgica de uma cavidade tuberculosa persistente ou de tecido pulmonar necrótico. A principal indicação para ressecção é cultura persistentemente positiva para TB-MR ou TB-ER, em pacientes com uma área bem definida de tecido pulmonar necrótico na qual os antibióticos não podem penetrar. Outras indicações incluem hemoptise sem controle e estenoses bronquiais.

O acesso a especialistas cirúrgicos é desafiador em muitas áreas de alta prevalência, visto que estas regiões frequentemente apresentam recursos de saúde limitados. Contudo, com o aumento do acesso a testes moleculares rápidos para resistência a medicamentos e a tratamentos para resistência a medicamentos mais curtos e mais bem tolerados, é provável que o número de pacientes com TB-RM crônica com destruição pulmonar que exija cirurgia diminua com o tempo. Enquanto isso, o acesso a cirurgiões especializados em cirurgia para tuberculose muitas vezes significa a diferença entre o sucesso e a falha no tratamento em pacientes que têm tuberculose avançada com destruição pulmonar grave. No entanto, os efeitos adversos a longo prazo da cirurgia na função cardiorrespiratória exigem pesquisas adicionais.

Glicocorticoides são às vezes utilizados como parte do tratamento da TB quando a inflamação é uma causa importante de morbidade e são indicados para pacientes com insuficiência respiratória aguda (31) ou com infecções em espaço fechado, como meningite (32) ou pericardite (particularmente quando é constritiva). Casos graves de síndrome inflamatória de reconstituição imunológica (SIRI) também são geralmente tratados com glicocorticoides para reduzir a inflamação. Dexametasona, 12 mg VO ou IV a cada 6 horas, é administrada a pacientes com > 25 kg; crianças com < 25 kg recebem 8 mg. O tratamento é continuado por 2 a 3 semanas. Glicocorticoides que são necessários para outras indicações não representam perigo a pacientes com tuberculose ativa que estejam recebendo um esquema de tratamento para tuberculose eficaz.

Referências sobre tratamento

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Prognóstico da tuberculose

Em pacientes imunocompetentes com TB pulmonar suscetível a fármacos, mesmo naqueles que têm doença grave com grandes cavidades, a terapia apropriada guiada pelo teste de sensibilidade a fármacos geralmente é curativa se for iniciada prontamente e completada.

Ainda assim, no geral, a tuberculose provoca ou contribui para a morte em aproximadamente 9% dos casos, muitas vezes em pacientes que estão debilitados por outras razões (1). A meningite tuberculosa pode ser fatal em aproximadamente 29% dos casos apesar do tratamento ideal (2).

Além disso, há morbidade substancial resultante da lesão tecidual residual (especialmente nos pulmões, mas em qualquer órgão) que permanece após a cura bacteriológica. O dano tecidual muitas vezes resulta da resposta imunológica à infecção, mais drasticamente na síndrome inflamatória da reconstituição imunológica (SIRI), mas é cada vez mais reconhecido nos casos avançados de TB, em que a inflamação induzida pela tuberculose pode levar à, por exemplo, insuficiência respiratória crônica, estenose das vias respiratórias superiores, pericardite constritiva e deformidades esqueléticas.

Embora o dano tecidual induzido pelo sistema imunitário seja um problema grave, a ausência de resposta imunológica é um problema ainda maior. A tuberculose progride mais rápida e mais extensivamente em pacientes imunocomprometidos e, se não tratada de forma adequada e agressiva, pode ser fatal em até 2 meses a partir da apresentação inicial do paciente, especialmente na tuberculose multirresistente (TB-MR). Mas com uma terapia antirretroviral eficaz (e tratamento apropriado contra a tuberculose), o prognóstico dos pacientes com infecção por HIV mesmo aqueles com TB-MR, pode se aproximar daquele dos pacientes imunocompetentes. Observaram-se desfechos piores em pacientes com TB extensivamente resistente a fármacos por causa de tratamento menos eficaz, mas isso está mudando à medida que esquemas mais novos abordam a TB altamente resistente a fármacos.

Referências sobre prognóstico

  1. 1. Straetemans M, Glaziou P, Bierrenbach AL, Sismanidis C, van der Werf MJ. Assessing tuberculosis case fatality ratio: a meta-analysis. PLoS One. 2011;6(6):e20755. doi:10.1371/journal.pone.0020755

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Triagem e tratamento da infecção latente por tuberculose

O rastreamento para infecção latente por tuberculose (ILTB) consiste em teste cutâneo tuberculínico (TCT) ou ensaio de liberação de interferon-gama (IGRA). Indicações para rastreamento incluem (1):

  • Contato íntimo com pessoas que têm tuberculose pulmonar ativa

  • Evidência de infecção passada por tuberculose na radiografia de tórax

  • Fatores de risco para exposição à TB (p. ex., pessoas que nasceram em áreas de alto risco, nelas vivem atualmente ou viajaram por > 1 mês para áreas de alto risco, pessoas em situação de rua que residem em abrigos, pessoas em estabelecimentos prisionais, pessoas com transtorno por uso de substâncias, determinados profissionais de saúde com exposição conhecida à TB)

  • Fatores de risco de desenvolvimento de TB ativa (p. ex., infecção por HIV ou outras causas de imunossupressão, gastrectomia, cirurgia de bypass jejunoileal, silicose, doença renal terminal, diabetes, câncer de cabeça ou pescoço, idade > 70 anos)

  • Imunossupressão terapêutica com glicocorticoides, inibidores de fator de necrose tumoral (TNF), ou quimioterapia para câncer

Nos Estados Unidos, a maioria das pessoas sem fatores de risco específicos para tuberculose não deve ser testada para minimizar o número de resultados falso-positivos (2). Além disso, pessoas com suspeita de TB ativa não devem ser submetidas a TCTs ou IGRAs e devem, em vez disso, ser avaliadas com esfregaço para bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR), teste de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN), cultura e radiografia de tórax (3).

Um resultado positivo no TCT ou IGRA (ver os critérios em Teste cutâneo) sugere ILTB. Pacientes com TCT ou IGRA positivo são avaliados em relação a outros fatores de risco clínico e epidemiológico e sintomas de TB, e devem realizar radiografia de tórax. Aqueles com sintomas de TB e/ou anormalidades radiográficas sugestivas de TB requerem avaliação para TB ativa, inclusive exame de escarro por microscopia e cultura.

Reação de reforço

Alguns pacientes com exposição remota à tuberculose, história de vacina do bacilo Calmette-Guérin (BCG) ou infecção por micobactérias atípicas podem apresentar TTC ou IGRA negativo (3); porém, o próprio teste pode servir como um reforço imunitário, de forma que um teste subsequente em menos de 1 semana ou até vários anos depois pode ser positivo (reação de reforço). Assim, em pessoas que são rastreadas pelo TCT regularmente (p. ex., profissionais de saúde), o segundo TCT de rotina provavelmente será positivo, dando a falsa impressão de infecção recente (e, consequentemente, exigindo testes adicionais e tratamento). Se a testagem repetida para ILTB for indicada em um paciente com suspeita de exposição prévia à TB ou vacina BCG, deve-se considerar um teste cutâneo para TB em 2 etapas (repetir o teste em 1 a 3 semanas após o primeiro) para estabelecer se uma reação de reforço está presente, a fim de que um teste positivo não seja interpretado erroneamente como uma infecção recente. Mas TCTs subsequentes podem ser realizados e interpretados normalmente.

Os IGRA para tuberculose latente não envolvem aplicação de antígenos e, assim, não causam de efeito de reforço. Também não são influenciados por hipersensibilidade preexistente resultante da vacinação com BCG ou infecção por micobactérias ambientais, exceto M. kansasii, M. szulgai e M. marinum.

Tratamento da infecção tuberculosa latente

Indica-se tratamento para infecção tuberculosa latente principalmente para:

  • Pessoas cujo TCT se converte de negativo para positivo em 2 anos

  • Indivíduos com alterações radiográficas consistentes com infecção prévia por TB, mas sem evidência de TB ativa

Conversores recentes (isto é, aqueles cujo TCT se converteu de negativo para positivo nos últimos 2 anos) apresentam um risco particularmente alto de progressão. Outras indicações para tratamento preventivo incluem:

  • Indivíduos que, se infectados, apresentam alto risco de desenvolver TB ativa (p. ex., aqueles com infecção por HIV ou em uso de imunossupressores)

  • Qualquer criança com < 5 anos que tenha contato próximo com pessoas com escarro positivo para tuberculose, independentemente da conversão de TCT

Outras pessoas com TTCou IGRA positivo, mas sem esses fatores de risco, muitas vezes são tratadas para ILTB, mas os médicos devem ponderar os riscos individuais de toxicidade farmacológica com os benefícios do tratamento.

Em pacientes sem interações medicamentosas ou intolerância a medicamentos, 2 esquemas que contêm rifamicina (rifabutina ou rifapentina) são os tratamentos preferenciais para ILTB (2, 4):

  • Monoterapia com rifampina (RIF) (rifampicina): 600 mg (adultos) ou 15 a 20 mg/kg (crianças) via oral, uma vez ao dia, por 4 meses

  • INH mais rifapentina (300 a 900 mg dependendo do peso) via oral, uma vez por semana, por 3 meses

  • Monoterapia com INH: 300 mg por via oral uma vez ao dia por 9 meses (maioria dos adultos) ou 10 mg/kg por via oral por 6 a 9 meses (crianças) (opção alternativa)

O tratamento tradicionalmente consistia em monoterapia com isoniazida (INH), a menos que houvesse suspeita de resistência (p. ex., exposição a um caso sabidamente resistente à INH) ou os pacientes não pudessem tomar outros medicamentos. A monoterapia com INH é limitada por um maior risco de toxicidade e menores taxas de conclusão do tratamento do que a maioria dos esquemas mais curtos. A monoterapia com INH também pode levar a picos de resistência a medicamentos, pois muitos pacientes não completam integralmente o curso de 9 meses recomendado. Portanto, a monoterapia com INH é recomendada atualmente apenas se os pacientes não puderem realizar um dos outros esquemas, mais curtos. A adesão é melhor com 4 meses de RIF. Independentemente do regime escolhido, consultas mensais para monitorar os sintomas e incentivar a conclusão do tratamento constituem prática padrão em termos de boas práticas clínicas e de saúde pública.

As principais limitações do tratamento da ILTB são:

  • Hepatotoxicidade

  • Baixa adesão

Quando utilizada para ILTB, é raro a INH causar hepatite clínica, que geralmente regride se a INH for interrompida prontamente. Pacientes que recebem tratamento para infecção tuberculosa latente devem suspender o fármaco se experimentarem qualquer sintoma novo, em especial fadiga inexplicada, perda de apetite, ou náuseas. Hepatite decorrente de RIF é menos comum do que aquela resultante de INH, mas interações medicamentosas são frequentes.

Referências sobre triagem e tratamento de infecção latente por TB

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  4. 4. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Treatment for Latent Tuberculosis Infection. April 17, 2025. Accessed November 3, 2025.

Prevenção da tuberculose

Seguem-se medidas preventivas gerais (p. ex., ficar em casa, evitar visitantes, durante tosses cobrir a boca com lenço ou mão).

Vacinação

A vacina BCG, feita de uma cepa atenuada de M. bovis, é administrada a > 80% das crianças do mundo, principalmente em países de alta prevalência (1). A eficácia média na prevenção de longo prazo da TB ativa é provavelmente apenas 50%, mas a vacina BCG claramente reduz a taxa de TB extratorácica em crianças, especialmente meningite tuberculosa (2). Portanto, é considerada vantajosa em regiões de alta prevalência.

A imunização com BCG tem poucas indicações nos Estados Unidos, exceto exposição inevitável de uma criança a uma pessoa com TB infecciosa que não pode ser tratada efetivamente (isto é, TB pré-ER ou TB-ER) e, possivelmente, para profissionais de saúde previamente não infectados expostos regularmente a TB-MR ou TB-ER.

Embora a vacina BCG com frequência converta o TCT, a reação é geralmente menor que a resposta à infecção natural por tuberculose e, na maioria das vezes, diminui mais cedo. O CDC recomenda que as reações ao TCT em pacientes vacinados e não vacinados com a BCG sejam interpretadas utilizando os mesmos critérios (3).

IGRA não são influenciados pela vacinação BCG e idealmente devem ser utilizados nos pacientes que receberam a vacina BCG.

Referências sobre prevenção

  1. 1. World Health Organization (WHO). Bacillus Calmette–Guérin (BCG) vaccination coverage. Accessed October 2, 2025.

  2. 2. von Reyn CF. Correcting the record on BCG before we license new vaccines against tuberculosis. J R Soc Med. 2017;110(11):428-433. doi:10.1177/0141076817732965

  3. 3. Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Latent Tuberculosis Infection: A Guide for Primary Health Care Providers. April 2, 2024. Accessed November 3, 2025.

Populações especiais

Pacientes com infecção por HIV

A TB é a principal causa de morbidade e mortalidade entre pessoas vivendo com HIV em todo o mundo (4). A TB pode desenvolver-se no início da infecção por HIV e pode ser a manifestação clínica na apresentação. A disseminação hematogênica da tuberculose em pacientes com infecção por HIV causa doença grave, frequentemente desafiadora do ponto de vista diagnóstico devido aos sintomas de ambas as infecções (5).

Uma doença por micobactéria que se manifeste em um paciente com infecção pelo HIV, com contagem de linfócitos T CD4 200/mcL (0,2 × 109/L), quase sempre é tuberculose. Por outro lado, dependendo da probabilidade de exposição à tuberculose, uma infecção micobacteriana que se desenvolve com contagem de CD4 < 50 células/mcL (0,05 × 109/L) normalmente é resultante do complexo Mycobacterium avium (MAC). A infecção por MAC não é contagiosa e, em pacientes com infecção por HIV, afeta principalmente o sangue e a medula óssea, não os pulmões.

Em pacientes com infecção por HIV não tratada e infecção latente por TB (ILTB), a TB ativa desenvolve-se em aproximadamente 3 a 16% ao ano, enquanto em pessoas imunocompetentes, desenvolve-se em aproximadamente a mesma porcentagem ao longo da vida (4). O rastreamento de TB em pacientes imunocomprometidos é desafiador porque a sensibilidade do TCT é geralmente baixa nesses pacientes, que podem apresentar anergia. Em alguns estudos, os IGRAs parecem ter desempenho melhor do que o TCT em pacientes imunocomprometidos, embora essa vantagem ainda não tenha sido estabelecida de forma conclusiva (6–8). Pacientes com infecção por HIV cujas reações à tuberculina são 5 mm (ou com resultado positivo no IGRA) devem receber quimioprofilaxia.

Nos anos 1980 e 1990 (isto é, na era pré-terapia antirretroviral), > 70% dos pacientes coinfectados por TB e HIV que não foram tratados ou foram infectados por uma cepa multirresistente morreram, com sobrevida mediana de apenas 4 a 8 semanas (9). Os desfechos melhoraram em certa medida em países onde há testagem e tratamento mais precoces com terapia antirretroviral, mas a TB em pacientes com infecção por HIV continua sendo uma preocupação séria. Em países com acesso limitado a fármacos e testes para infecção por TB e HIV, a mortalidade continua alta entre os pacientes coinfectados por HIV e tuberculose resistente a múltiplos fármacos ou extensivamente resistente a fármacos. Globalmente, um total de 413.516 casos de TB e 150.000 mortes entre pessoas com infecção por HIV foi relatado à OMS em 2024 (10).

A disseminação de bacilos durante a infecção primária é normalmente muito mais extensa em pacientes com infecção por HIV. Por conseguinte, uma proporção maior de tuberculose é extrapulmonar. Tuberculomas (lesões em blocos nos pulmões ou sistema nervoso central devido à tuberculose) são mais comuns e mais destrutivos. Infecção por HIV reduz a reação inflamatória e a cavitação de lesões pulmonares. Como resultado, a radiografia de tórax pode mostrar uma pneumonia inespecífica ou até mesmo ser normal.

Amostras negativas de tuberculose são mais comuns quando há coinfecção por HIV. Como a tuberculose com baciloscopia negativa é comum, a coinfecção por HIV-TB é muitas vezes considerada um estado de doença paucibacilar.

Pacientes diagnosticados com infecção por HIV ao mesmo tempo em que são diagnosticados com TB devem receber 2 semanas de tratamento antimicobacteriano antes de iniciar terapia antirretroviral para diminuir o risco de desenvolver SIRI. A tuberculose em pessoas infectadas pelo HIV geralmente responde bem a esquemas habituais quando estudos in vitro mostram suscetibilidade a fármacos. Entretanto, para cepas da TB multirresistente, os resultados não são tão favoráveis porque os fármacos são mais tóxicos e menos eficazes. Deve-se manter a terapia para TB suscetível por 6 a 9 meses após as culturas de escarro se converterem em negativas, mas pode-se encurtá-la para 6 meses se 3 baciloscopias de escarro separadas antes do tratamento forem negativas, sugerindo baixa prevalência de organismos. Recomendações atuais sugerem que, se a cultura de escarro for positiva com 2 meses de terapia, o tratamento deve ser prolongado para 9 meses.

Crianças

As manifestações clínicas da TB em crianças são frequentemente inespecíficas e variam de acordo com a idade e o estado imunológico (1). A maioria das crianças tem poucos sintomas além de tosse estridente, mas podem ocorrer febres baixas e insuficiência de crescimento.

Embora a incidência de TB seja menor em crianças, crianças infectadas por TB têm maior probabilidade do que os adultos de progredir para doença ativa, que comumente se manifesta como doença extrapulmonar. A linfadenite (escrofulose) é a manifestação extrapulmonar mais comum, mas a tuberculose também pode comprometer as vértebras (mal de Pott), epífises altamente vascularizadas dos ossos longos, sistema nervoso central e meninges.

Na ausência de sintomas clínicos característicos, o diagnóstico de TB em crianças pode ser desafiador. O sinal mais comum na radiografia de tórax é linfadenopatia hilar, mas pode ocorrer atelectasia segmentar. A adenopatia pode progredir até mesmo após o início dos medicamentos anti-TB e pode produzir atelectasia lobar que normalmente melhora durante o tratamento. Doença cavitária é menos comum do que em adultos e a maioria das crianças abriga muito menos microrganismos e não são contagiosas.

A coleta de uma amostra para cultura em crianças geralmente requer um dos seguintes:

  • Aspiração gástrica

  • Indução de escarro

  • Um procedimento mais invasivo como lavado broncoalveolar

As estratégias terapêuticas são semelhantes àquelas para adultos, exceto que os medicamentos devem ser administrados em doses calculadas estritamente de acordo com o peso da criança (ver tabela ).

Adultos idosos

Idosos apresentam maior incidência e maior taxa de mortalidade por TB em comparação com pessoas mais jovens (2, 3). Essa disparidade deve-se, em parte, à imunossenescência, à presença de outras comorbidades e ao aumento do risco de doença grave ou complicações (p. ex., disseminação ou TB miliar, meningite tuberculosa). A doença reativada também pode contribuir para a morbidade e envolver qualquer órgão, em particular pulmões, cérebro, rins, ossos longos, vértebras ou linfonodos. A reativação pode produzir poucos sintomas e ser negligenciada durante semanas ou meses, retardando uma avaliação apropriada.

Independentemente da idade, residentes de instituições de longa permanência para idosos ou outros ambientes coletivos que tinham TCT previamente negativo estão em risco de doença decorrente de transmissão recente, que pode causar pneumonia apical, de lobo médio ou de lobo inferior, bem como derrame pleural. A pneumonia pode não ser reconhecida como tuberculose, persistir e se disseminar para outras pessoas enquanto for tratada erroneamente com antibióticos ineficazes de largo espectro.

Os riscos e benefícios do tratamento da TB latente devem ser cuidadosamente avaliados antes de tratar idosos. A quimioprofilaxia costuma ser administrada para idosos somente se a induração depois do TCT aumentar 15 mm a partir de uma reação previamente negativa. Contatos próximos de uma pessoa com infecção ativa e outras pessoas de alto risco com TCT ou IGRA negativos também devem ser considerados para tratamento preventivo, a menos que contraindicado.

A maior probabilidade de baixa adesão ao tratamento e a incapacidade de concluir longos períodos terapêuticos são considerações importantes no manejo da TB em idosos.

Referências sobre populações e ambientes especiais

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Pontos-chave

  • A tuberculose causa infecção primária, frequentemente assintomática seguida de infecção latente e, em alguns pacientes, uma fase de doença ativa.

  • Aproximadamente um quarto da população mundial está infectado com infecção latente por TB (ILTB), e cerca de 11 milhões têm doença ativa em qualquer dado momento.

  • A doença ativa é muito mais provável nos pacientes com imunidade comprometida, particularmente aqueles com infecção por HIV.

  • Deve-se suspeitar do diagnóstico diante de radiografias de tórax, sintomas respiratórios, doença inexplicada, febre de origem indeterminada, teste cutâneo de tuberculina positivo e ensaios de liberação de interferon-gama; confirmar por testes de escarro (testes moleculares, exame microscópico e cultura).

  • Os esquemas de tratamento variam, mas todos incluem múltiplos medicamentos administrados por vários meses.

  • A resistência farmacológica é uma preocupação importante e é aumentada por baixa adesão, uso de esquemas terapêuticos inapropriados e testes de sensibilidade inadequados.

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