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Paracoccidioidomicose

(Blastomicose sul-americana)

Por

Sanjay G. Revankar

, MD, Wayne State University School of Medicine

Última modificação do conteúdo jul 2019
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Paracoccidioidomicose é uma micose progressiva de pele, mucosas, linfonodos e órgãos internos causada por Paracoccidioides brasiliensis. Os sintomas são úlceras de pele, adenite e dor no órgão abdominal envolvido. O diagnóstico é clínico e microscópico, confirmado por cultura. O tratamento é feito com azóis (p. ex., itraconazol), anfotericina B, ou sulfonamidas.

A paracoccidioidomicose só ocorre em focos discretos nas Américas do Sul e Central, mais frequentemente em homens com 20 a 50 anos, especialmente plantadores de café da Colômbia, Venezuela e Brasil. Estima-se que 10 milhões de pessoas na América do Sul estejam infectadas.

Embora seja uma infecção oportunista relativamente rara, a paracoccidioidomicose às vezes ocorre em pacientes imunocomprometidos, mas com menos frequência naqueles com aids.

Embora reservatórios naturais de Paracoccidioides brasiliensis permaneçam indefinidos, presume-se que existam no solo como mofo, com a infecção ocorrendo em razão da inalação de conídios (esporos produzidos pela forma miceloide dos fungos). Estes convertem-se em leveduras invasivas nos pulmões, assumindo-se que sua disseminação ocorra por via linfo-hematogênica.

Sinais e sintomas

A maioria das pessoas que inalam conídios de P. brasiliensis desenvolve infecção pulmonar assintomática; a enfermidade, se ocorrer, normalmente se manifesta como pneumonia aguda, que pode desaparecer espontaneamente. Do ponto de vista clínico, as infecções aparentes são, em geral, crônicas e progressivas, mas comumente não são fatais. Existem 3 padrões:

  • Mucocutâneas: as infecções muito frequentemente envolvem a face, em especial as bordas mucocutâneas do nariz e da cavidade oral. Em geral, leveduras são abundantes e apresentam lesões puntiformes sobre bases granulares de úlceras que se expandem lentamente. Linfonodos regionais aumentam de tamanho, tornam-se necróticos e drenam material necrótico através da pele.

  • Linfáticas: ocorre aumento indolor de linfonodos cervicais, supraclaviculares, ou axilares.

  • Viscerais: caracterizadas por lesões focais que causam aumento, em especial, de fígado, baço e linfonodos abdominais, algumas vezes com dor abdominal concomitante.

As infecções podem ser mistas, envolvendo combinações dos 3 padrões.

A paracoccidioidomicose pode se manifestar como

  • Forma aguda ou subaguda que geralmente acomete pacientes < 30 anos e se manifesta como doença disseminada (atingindo linfonodos, fígado, baço e medula óssea)

  • Forma adulta que resulta de reativação e que pode causar doença pulmonar crônica com fibrose pulmonar, enfisema e bolhas

Diagnóstico

  • Cultura e/ou histopatologia

Achados clínicos sugerem o diagnóstico de paracoccidioidomicose.

O diagnóstico é feito por cultura, embora a presença de grandes leveduras (frequentemente, > 15 micrômetros) nos espécimes, formando brotamentos múltiplos característicos, forneça forte evidência presuntiva. Como a cultura do P. brasiliensis pode representar um risco biológico importante para a equipe do laboratório, o laboratório deve ser notificado sobre a suspeita diagnóstica.

Tratamento

  • Itraconazol

(Ver também Antifúngicos.)

Azóis são altamente eficazes. Itraconazol oral é, em geral, considerado o fármaco de escolha, principalmente por custar menos que outros azóis disponíveis nas áreas endêmicas.

A anfotericina B intravenosa também pode eliminar a infecção, sendo muitas vezes usada em casos graves.

Sulfonamidas, que são amplamente utilizadas em alguns países porque são baratas, podem suprimir o crescimento dos Paracoccidioides e melhorar as lesões, mas não são curativas e precisam ser administradas por até 5 anos.

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