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Infecção por hantavírus

Por

Thomas M. Yuill

, PhD, University of Wisconsin-Madison

Última modificação do conteúdo ago 2021
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Bunyaviridae contém o gênero Hantavirus, o qual consiste em pelo menos 4 sorogrupos com 9 vírus que causam 2 principais síndromes clínicas, às vezes sobrepostas:

Os vírus que provocam FHSR são Hantaan, Seul, Dobrava (Belgrado) Saaremaa, Amur e Puumala.

  • Argentina: vírus dos Andes, Araraquara, Bermejo, Juquitiba, Lechiguanas, Leguna Negra, Maciel e Oran

  • Brasil: vírus de Araraquara e Juquitiba

  • Chile e leste da Bolívia: vírus dos Andes

  • América do Norte: vírus Sin Nombre, Black Creek Canal, Bayou e Monongahela

  • Panamá: vírus Choclo

  • Paraguai e Bolívia: vírus Leguna Negra

Hantavírus ocorrem em roedores silvestres em todo o mundo e são transmitidos pela saliva, urina e pelas fezes ao longo da vida. A transmissão ocorre entre roedores. A transmissão para seres humanos ocorre pela inalação de aerossóis de excreções de roedores ou, raramente, por mordidas de roedores. Evidências recentes sugerem que a transmissão entre pessoas pode ocorrer com o vírus Andes. Infecções naturais e adquiridas em laboratório são cada vez mais comuns.

O diagnóstico laboratorial de infecção por hantavírus é estabelecido por testes de sorologia e transcriptase reversa—PCR (RT-PCR). Testes sorológicos incluem ensaio de imunoadsorção enzimática (ELISA) e testes de Western blot e immunoblot. O diagnóstico sorológico na América do Norte deve ser capaz de diferenciar entre infecções pelos vírus Seul e Sin Nombre devido à potencial reatividade cruzada. O isolamento do vírus é tecnicamente difícil e requer um nível 3 de biossegurança em laboratório.

Referência geral

Febre hemorrágica com síndrome renal

A febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR) inicia-se de forma semelhante ao quadro gripal e pode progredir para choque, sangramento e insuficiência renal. O diagnóstico é realizado com testes de sorologia e PCR (polymerase chain reaction). A mortalidade é de 6 a 15%. O tratamento é feito com ribavirina intravenosa.

Algumas formas da febre hemorrágica com síndrome renal são leves (p. ex., nefropatia epidêmica, causada pelo vírus Puumala, como ocorre na Escandinávia, na parte ocidental da antiga União Soviética e na Europa). Em geral, alguns são leves, mas ocasionalmente podem ser graves (p. ex., vírus de Seul que tem disseminação mundial em camundongos marrom selvagens e em camundongos domesticados). Outras formas são graves (p. ex., aquelas causadas pelos vírus Hantaan como ocorre na Coreia China e Rússia ou pelo vírus Dobrava [Belgrado] como ocorre nos Bálcãs).

A infecção é transmitida para seres humanos por inalação de excreções de roedores.

Sinais e Sintomas

O período de incubação é de aproximadamente 2 semanas.

Em formas leves, a infecção com frequência é assintomática.

Quando os sintomas de FHSR ocorrem, o início é súbito, com febre alta, cefaleia, dor lombar e abdominal.

Bradicardia relativa leve está presente e hipotensão transitória ocorre em cerca de metade dos pacientes, com choque na minoria dos casos. Após o 4º dia, instala-se a insuficiência renal.

Aproximadamente 20% dos pacientes tornam-se confusos. Convulsões ou sintomas neurológicos focais graves ocorrem em 1%. Os pacientes desenvolvem poliúria e se recuperam ao longo de várias semanas. Proteinúria, hematúria e piúria podem se desenvolver; insuficiência renal pode ocorrer.

Diagnóstico

  • Sorologia ou PCR (polymerase chain reaction)

Suspeita-se de febre hemorrágica com síndrome renal nos pacientes com possível exposição que apresentam febre, tendência a sangramento e insuficiência renal.

Em caso de suspeita, deve-se obter hemograma completo, eletrólitos, testes de função renal, testes de coagulação e análise de urina. O diagnóstico presuntivo de uma infecção hantaviral pode ser rapidamente confirmado ao se detectar a combinação de trombocitopenia, proteinúria e micro-hematúria. Durante a fase de hipotensão, o hematócrito aumenta e o paciente apresenta leucocitose e trombocitopenia. Albuminúria, hematúria e cilindros de eritrócitos e de leucócitos podem ser observados normalmente entre o 2º e o 5º dia. Durante a fase diurética, anormalidades de eletrólitos são comuns.

O diagnóstico de FHSR baseia-se em sorologia ou PCR.

Prognóstico

O óbito pode ocorrer durante a fase diurética, consequentemente à depleção de volume, aos distúrbios eletrolíticos e às infecções secundárias. A recuperação geralmente leva 3 a 6 semanas, mas pode levar 6 meses.

A mortalidade global é de 6 a 15%, quase todos os casos pertencentes a formas mais graves. Disfunção renal residual não é comum, exceto com doença grave que ocorre nos Bálcãs.

Tratamento

  • Ribavirina

  • Algumas vezes, hemodiálise

O tratamento da febre hágica com síndrome renal é feito com ribavirina IV: dose ataque de 33 mg/kg (máximo de 2,64 g), seguida de 16 mg/kg a cada 6 h (máximo de 1,28 g a cada 6 h), durante 4 dias e, a seguir, 8 mg/kg a cada 8 h (máximo de 0,64 g, a cada 8 h) por 3 dias.

O cuidado de suporte, que pode incluir hemodiálise, é decisivo, em particular durante a fase diurética.

Síndrome pulmonar por hantavírus

A síndrome pulmonar por hantavírus (SPH) ocorre nos EUA, principalmente na região Sudoeste, no Canadá, sobretudo nas províncias ocidentais, na América do Sul e no Panamá. Inicia-se como uma doença semelhante à gripe e dentro de dias evolui para edema pulmonar não cardiogênico. O diagnóstico é feito por meio de testes de sorologia e PCR (polymerase chain reaction), RT-PCR. As formas mais graves têm uma letalidade de até 50% dos casos. O tratamento é de suporte.

A maioria dos casos de SPH é causada por

  • Hantavírus Sin Nombre, Andes e Choclo

Outros são causados por

  • Vírus Black Creek Canal, vírus Muleshoe e vírus Bayou no sudeste dos EUA e no México

  • Vírus New York (uma variante do vírus Sin Nombre) na costa leste dos EUA

  • O vírus Convict Creek e o vírus Isla Vista na costa oeste da América do Norte

  • O vírus Laguna Negra (e sua variante do Rio Mamoré), vírus semelhante ao Andes Hu39694, Lechiguanas, Oran, Prata Central, Buenos Aires, Rio Mearim, Juquitiba, semelhante a Juquitiba, Macaco Aime Itapua, Araucária, Jaborá, Neembucu, Anajatuba, Castelo dos Sonhos, Maripo e Hantavírus Bermejo na América do Sul

A infecção é transmitida aos seres humanos pela inalação de excrementos de roedores sigmodontinos (especialmente o rato-veadeiro para o vírus Sin Nombre). A maioria dos casos ocorre no oeste do Rio Mississippi na primavera ou no verão do hemisfério norte, tipicamente após chuvas fortes que provocam o crescimento da vegetação que serve como alimento que promove o crescimento da população de roedores.

Sinais e sintomas da síndrome pulmonar por hantavírus

A síndrome pulmonar por hantavírus começa com um quadro inespecífico semelhante à gripe, com febre aguda, mialgia, cefaleia, e sintomas gastrintestinais. Dois a 15 dias depois (4 dias em média), o paciente desenvolve rapidamente edema pulmonar não cardiogênico e hipotensão.

Vários pacientes apresentam uma combinação de FHSR e SPH. Também são reconhecidos casos leves de SPH.

Diagnóstico da síndrome pulmonar por hantavírus

  • Sorologia ou PCR (polymerase chain reaction)

Suspeita-se da síndrome pulmonar por hantavírus nos pacientes com possível exposição se apresentarem quadro clínico ou radiológico de edema pulmonar inexplicado. A radiografia de tórax pode mostrar trama vascular aumentada, linhas B de Kerley, infiltrado bilateral, ou derrame pleural.

Em caso de suspeita, deve-se realizar ecocardiograma para excluir edema pulmonar cardiogênico.

Deve-se solicitar também hemograma completo, testes hepáticos e análise de urina. Há discreta leucocitose, neutrofilia, hemoconcentração e trombocitopenia. Elevações modestas da desidrogenase lática, aspartato aminotransferase e alanina aminotransferase, com diminuição da albumina sérica, são típicas. São demonstradas anormalidades mínimas na urina.

O diagnóstico de SPH é feito por sorologia ou PCR-TR.

Prognóstico para síndrome pulmonar por hantavírus

Pacientes com SPH que sobrevivem nos primeiros dias melhoram rapidamente e se recuperam de maneira completa ao longo de 2 a 3 semanas, geralmente sem sequelas. As formas mais graves da SPH têm uma letalidade de até 50% dos casos.

Tratamento da síndrome pulmonar por hantavírus

  • Cuidados de suporte

O tratamento da síndrome pulmonar por hantavírus é de suporte. Ventilação mecânica, controle meticuloso de volume e vasopressores podem ser necessários. Para insuficiência cardiopulmonar grave, a oxigenação mecânica extracorporal pode ser vital (ver também Centers for Disease Control and Prevention: Hantavirus Virus: Treatment).

Informações adicionais

O recurso em inglês a seguir pode ser útil. Observe que este Manual não é responsável pelo conteúdo desse recurso.

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