Manual MSD

Please confirm that you are a health care professional

honeypot link

Febre de Lassa

Por

Thomas M. Yuill

, PhD, University of Wisconsin-Madison

Última modificação do conteúdo ago 2021
Clique aqui para acessar Educação para o paciente

A febre de Lassa é uma infecção por arenavírus Visão geral de infecções por arbovírus, arenavírus e filovírus Arbovírus (vírus transmitidos por artrópodes) aplica-se ao vírus que é transmitido para seres humanos e/ou outros vertebrados por certas espécies de artrópodes que se alimentam de sangue, principalmente... leia mais frequentemente fatal e que ocorre principalmente na África Ocidental. Pode envolver sistemas de múltiplos órgãos. O diagnóstico é realizado com testes de sorologia e PCR (polymerase chain reaction). O tratamento é feito com ribavirina intravenosa.

Epidemias de febre de Lassa ocorreram na Nigéria, Libéria, Guiné Togo, Benin, Gana e Serra Leoa. Foram levados casos para os EUA, Alemanha, Suécia e o Reino Unido. Embora os casos possam ocorrer em qualquer época do ano em países endêmicos, há um pico sazonal no período de fevereiro a março. Os profissionais de saúde devem estar preparados para o aumento da ocupação hospitalar e deve-se intensificar a vigilância durante esse período.

O reservatório é o rato Mastomys natalensis, M. erythroleucus e Hylomyscus pamfi. O camundongo pigmeu (Mus baoulei), que comumente habita casas na África, foi recentemente implicado como uma espécie reservatório na África Ocidental. A maioria dos casos em humanos resulta da contaminação de alimentos com urina, saliva ou fezes de roedores, mas pode ocorrer transmissão entre as pessoas por exposição a urina, fezes, saliva, vômitos ou sangue das pessoas infectadas. A transmissão nosocomial de uma pessoa para outra é comum quando não equipamentos de proteção pessoal disponíveis, ou não são usados.

Com base em dados sorológicos, os povos indígenas de áreas endêmicas têm uma taxa muito alta de infecção — muito mais alta do que sua taxa de hospitalização por febre de Lassa—sugerindo que muitas infecções são leves e autolimitadas. Mas alguns estudos observacionais com missionários enviados para áreas endêmicas mostram que esses povos têm uma taxa muito mais alta de doença grave e de mortalidade. Os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) estimam que cerca de 80% das pessoas infectadas têm doença leve e aproximadamente 20% têm doença grave multissistêmica.

Sinais e sintomas da febre de Lassa

O período de incubação da febre de Lassa é de 5 a 16 dias.

Os sintomas da febre de Lassa começam com febre gradualmente progressiva, fraqueza, mal-estar e sintomas gastrintestinal (p. ex., náuseas, vômitos, diarreia, disfagia, dor de estômago); sinais e sintomas de hepatite Sinais e sintomas É a inflamação hepática difusa causada por vírus específicos hepatotrópicos que apresentam diversos modos de transmissão e epidemiologia. Um pródromo viral não específico é seguido de anorexia... leia mais podem ocorrer. Durante os 4 a 5 dias subsequentes, os sintomas progridem com prostração e faringite, tosse, dor torácica e vômitos. A faringite se torna mais intensa durante a primeira semana; placas de exsudato brancas ou amarelas podem aparecer nas tonsilas, com frequência coalescendo em uma pseudomembrana.

De 60 a 80% dos pacientes apresentam pressão arterial (PA) sistólica < 90 mmHg, com pressões de pulso < 20 mmHg e possível bradicardia. Edemas de face, pescoço e conjuntiva ocorrem em 10 a 30% dos casos.

Ocasionalmente, pacientes apresentam tinido, epistaxe, sangramento de gengiva e em locais de venopuntura, exantema maculopapular, tosse e vertigem.

Cerca de 20% dos pacientes desenvolvem perda auditiva neurossensorial, na maioria das vezes, permanente.

Os pacientes que se recuperam defervescem em 4 a 7 dias. A progressão para doença grave resulta em choque, delirium, estertores, derrame pleural e, ocasionalmente, convulsões generalizadas. Pericardite ocorre algumas vezes. O grau de febre e os níveis de aminotransferase correlacionam-se com a gravidade da doença.

São sequelas tardias: alopecia, iridociclite e cegueira passageira.

Diagnóstico da febre de Lassa

  • PCR (polymerase chain reaction) ou sorologia

Suspeita-se de febre de Lassa em pacientes possivelmente expostos, que tenham um pródromo viral seguido por doença inexplicada de qualquer sistema de órgãos.

Na suspeita, testes hepáticos, análise de urina, testes sorológicos e hemograma completo devem ser obtidos. Proteinúria é comum e pode ser intensa. Os níveis de aspartato aminotransferase (AST) e alanina aminotransferase (ALT) aumentam (para 10 vezes o normal), bem como os níveis de desidrogenase lática.

O teste diagnóstico mais rápido é a PCR, embora a demonstração de anticorpos IgM para Lassa, ou um aumento de 4 vezes o título de anticorpos IgG, por meio de técnica de fluorescência indireta para anticorpos, também seja empregada para tal.

O isolamento do vírus que cresce em culturas não é realizado rotineiramente. Em razão do risco de infecção, em particular em pacientes com febre hemorrágica, as culturas devem ser realizadas somente em laboratório com nível 4 de biossegurança.

Em radiografa de tórax, obtida quando há suspeita de envolvimento pulmonar, pode-se observar pneumonite basilar e derrame pleural.

Prognóstico da febre de Lassa

Recuperação ou morte geralmente ocorre em 7 a 31 dias (média de 12 a 15 dias) depois do início dos sintomas. Nos pacientes com doença multissistêmica grave, a letalidade é de 16 a 45% dos casos.

A doença é grave durante a gestação, especialmente durante o 3º trimestre. A letalidade é de 50 a 92% dos casos em gestantes ou dentro de 1 mês do puerpério. A maioria das gestantes infectadas perde o feto.

Tratamento da febre de Lassa

  • Ribavirina

A ribavirina pode reduzir a mortalidade em mais de 10 vezes, se introduzida dentro dos primeiros 6 dias. O tratamento com ribavirina IV é de 30 mg/kg (máximo de 2 g), em dose única de ataque, seguida por 16 mg/kg, IV (máximo de 1 g por dose), a cada 6 h, durante 4 dias, e então 8 mg/kg, IV (máximo de 500 mg por dose) a cada 8 h, durante 6 dias.

Plasma para febre anti-Lassa foi experimentado em pacientes muito enfermos, mas não mostrou ser benéfico e não é recomendado.

O tratamento de suporte, incluindo a correção de líquidos e desequilíbrios de eletrólitos, é imperativo.

Para gestantes infectadas, o aborto diminui o risco de morte materna.

Prevenção da febre de Lassa

Ao tratar pacientes com febre de Lassa, recomenda-se a adoção de precauções universais como o uso de equipamentos de prevenção pessoal e outras medidas de isolamento com relação à transmissão pelo ar (p. ex., uso de óculos de proteção, máscara de alta eficiência, ambiente com pressão negativa e respiradores de ar com filtro de pressão positiva) e recomenda-se monitoramento dos contatos ao tratar pacientes com a febre de Lassa.

A transmissão primária do vírus Lassa de seu hospedeiro roedor para seres humanos pode ser prevenida em áreas endêmicas evitando alimentos, água e ambiente contaminados por roedores infectados; entretanto, a ampla distribuição desses hospedeiros roedores na África torna impraticável o controle total desses reservatórios. Diretrizes para limpeza dos locais de roedores e realização de atividades em áreas com potenciais excrementos de roedores do Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

Não há vacina disponível contra a febre de Lassa.

Pontos-chave

  • A febre de Lassa costuma ser transmitida pela ingestão de alimentos contaminados com excreção de roedores, mas a transmissão entre pessoas pode ocorrer por urina, fezes, saliva, vômito ou sangue infectados.

  • Os sintomas podem progredir de febre, fraqueza, mal-estar e sintomas gastrointestinais para prostração com faringite, tosse, dor no peito e vômitos; às vezes a choque, delirium, estertores e derrame pleural; e, ocasionalmente, para doença grave e choque.

  • Para o diagnóstico mais rápido, usar PCR, mas testes de anticorpos também podem ser utilizados.

  • A febre de Lassa é grave durante a gestação; a maioria das gestantes infectadas perde o feto.

  • Ribavirina, se iniciada nos 6 primeiros dias, pode reduzir em até 10 vezes a taxa de mortalidade; tratamento de suporte, incluindo a correção de líquidos e desequilíbrios de eletrólitos, é imperativo.

Clique aqui para acessar Educação para o paciente
OBS.: Esta é a versão para profissionais. CONSUMIDORES: Clique aqui para a versão para a família
quiz link

Test your knowledge

Take a Quiz! 
ANDROID iOS
ANDROID iOS
ANDROID iOS
PRINCIPAIS