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Hipolipidemia

Por

Anne Carol Goldberg

, MD, Washington University School of Medicine

Última modificação do conteúdo mar 2018
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A hipolipidemia consiste na diminuição da lipoproteína plasmática causada por fatores primários (genéticos) ou secundários. Em geral, é assintomática e diagnosticada por acidente na triagem de rotina dos lipídios. O tratamento da hipolipidemia secundária abrange o tratamento das doenças subjacentes. O tratamento da hipolipidemia primária geralmente não é necessário, mas pacientes com algumas alterações genéticas necessitam de altas doses de vitamina E.

Define-se hipolipidemia como colesterol total < 120 mg/dL (< 3,1 mmol/L) ou LDL < 50 mg/dL (< 1,3 mmol/L).

As causas podem ser primárias (genéticas) ou secundárias. As causas secundárias são muito mais comuns que as primárias e incluem:

O achado inesperado de baixos níveis de colesterol ou LDL em um paciente que não está tomando hipolipemiantes deve levar a uma investigação diagnóstica, com dosagem de AST, ALT e hormônio estimulante da tireoide; o resultado negativo desta avaliação sugere possível causa primária.

Existem 3 alterações primárias nas quais mutações únicas ou múltiplas resultam em produção reduzida ou depuração aumentada de LDL.

  • Abetalipoproteinemia

  • Hipobetalipoproteinemia

  • Doença de retenção de quilomícrons

A perda das mutações de função do PCSK9 é outra causa dos níveis baixos de LDL. Não há consequências adversas e nenhum tratamento.

Abetalipoproteinemia (síndrome de Bassen-Kornzweig)

Doença autossômica recessiva causada por mutações do gene da proteína transferidora microssômica de triglicerídios, uma proteína fundamental para a formação de quilomícrons e VLDL. A gordura da alimentação não pode ser absorvida e as lipoproteínas das duas vias metabólicas estão virtualmente ausentes do sangue; o colesterol total é tipicamente < 45 mg/dL (< 1,16 mmol/L), os triglicerídeos são < 20 mg/dL (< 0,23 mmol/L) e o LDL sé indetectável.

Em geral, a doença é primeiramente detectada em recém-nascidos com má absorção de gorduras, esteatorreia e retardo no desenvolvimento. Pode resultar em retardo mental. Como a vitamina E é distribuída aos tecidos periféricos via VLDL e LDL, a maioria dos indivíduos afetados ocasionalmente desenvolve grave deficiência de vitamina E. Sinais e sintomas são alterações visuais decorrentes de degeneração retiniana lenta, neuropatia sensorial, sinais da medula posterior de ataxia e parestesia, sinais cerebelares de dismetria, ataxia e espasticidade, que com o tempo levam à morte.

O diagnóstico se faz pela ausência de apo B no plasma; biópsias intestinais mostram falta de proteína transferidora microssômica. A acantocitose de eritrócitos é uma característica diferencial no esfregaço periférico de sangue. Exames genéticos podem confirmar o diagnóstico.

O tratamento se faz com altas doses de vitamina E (100 a 300 mg/kg, uma vez ao dia), com suplementação da gordura na dieta e de outras vitaminas lipossolúveis. Geralmente o prognóstico é muito reservado.

Hipobetalipoproteinemia

Doença autossômica dominante ou codominante causada por mutações no gene que codifica a apo B.

Pacientes heterozigotos apresentam apo B truncada, causando depuração rápida de LDL. Os heterozigotos não apresentam sinais ou sintomas, exceto colesterol total < 120 mg/dL (< 3,1 mmol/L) e colesterol LDL < 80 mg/dL (< 2,1 mmol/L). Os níveis de triglicerídeos são normais. Alguns pacientes podem ter esteatose hepática.

Pacientes homozigotos apresentam quebras ainda menores, provocando níveis ainda mais baixos de lipídios (colesterol total < 80 mg/dL [< 2,1 mmol/L], colesterol LDL < 20 mg/dL [< 0,52 mmol/L]) ou síntese ausente de apo B, causando sinais e sintomas de abetalipoproteinemia.

O diagnóstico é encontrar baixos níveis de LDL e apo B no lipidograma. Diferenciar a hipobetalipoproteinemia e a abetalipoproteinemia pela história familiar.

Os heterozigotos e os homozigotos com nível de colesterol LDL baixo, mas detectável, não necessitam de tratamento. O tratamento de pessoas homozigóticas sem LDL é o mesmo que o da abetalipoproteinemia sendo feito com vitamina E e suplementação de gordura na alimentação e das outras vitaminas lipossolúveis. O prognóstico é variável, mas o diagnóstico precoce e adesão rigorosa ao tratamento podem retardar a progressão da doença.

Doença de retenção de quilomícrons (doença de Anderson)

A doença de retenção de quilomícrons é uma doença recessiva autossômica muito rara causada pela deficiência de secreção do apo B pelos enterócitos. Mutações em um gene que codifica uma proteína importante do transporte de quilomícrons ao longo dos enterócitos foram associadas a essa doença.

Recém-nascidos afetados apresentam má absorção de gorduras, esteatorreia e retardo no desenvolvimento, e podem ter distúrbios neurológicos semelhantes aos da abetalipoproteinemia.

O diagnóstico é feito por biópsia intestinal de pacientes com níveis baixos de colesterol e ausência de quilomícrons pós-prandiais.

O tratamento é feito pela suplementação de gordura alimentar e das vitaminas lipossolúveis. O tratamento precoce com altas doses de vitamina E pode melhorar o prognóstico.

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