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Visão geral da função tireoidiana

Por

Jerome M. Hershman

, MD, MS,

  • Distinguished Professor of Medicine Emeritus
  • David Geffen School of Medicine at UCLA
  • Endocrinology Consultant
  • West Los Angeles VA Medical Center

Última modificação do conteúdo mai 2019
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Recursos do assunto

A glândula tireoide, localizada na porção anterior do pescoço, bem abaixo da cartilagem cricoide, consiste em 2 lobos ligados por um istmo. As células foliculares na glândula produzem os 2 principais hormônios tireoidianos:

  • Tetraiodotironina (tiroxina, T4)

  • Triiodotironina (T3)

Esses hormônios atuam em células em virtualmente todos os tecidos do organismo, associando-se a receptores nucleares e alterando a expressão de uma grande quantidade de produtos gênicos. O hormônio tireoidiano é necessário para o desenvolvimento normal dos tecidos cerebral e somático nos fetos e recém-nascidos e, em todas as idades, regula o metabolismo de proteínas, carboidratos e gorduras.

T3 é a forma mais ativa na ligação ao receptor nuclear; T4 tem somente atividade hormonal mínima. Entretanto, T4 tem efeito muito mais duradouro e pode ser convertida em T3 (na maioria dos tecidos) e, dessa forma, serve como um reservatório para T3. Uma 3ª forma de hormônio tireoidiano, T3 reverso (rT3), não possui atividade metabólica; as concentrações de rT3 se elevam em certas doenças.

Além disso, as células parafoliculares (células C) secretam o hormônio calcitonina, que é liberado em resposta à hipercalcemia e reduz as concentrações séricas de cálcio (ver Regulação do metabolismo do cálcio).

Síntese e liberação dos hormônios tireoidianos

A síntese dos hormônios tireoidianos requer iodo (ver figura Síntese dos hormônios tireoidianos). O iodo, ingerido na alimentação e na água como iodeto, é ativamente concentrado pela tireoide e convertido em iodo orgânico (organificação) dentro das células foliculares pela peroxidase tireoidiana. As células foliculares circundam um espaço preenchido por coloide, que consiste em tireoglobulina, uma glicoproteína que contém tirosina em sua matriz. A tirosina em contato com a membrana das células foliculares é iodada em 1 (monoiodotirosina) ou 2 (di-iodotirosina) locais e depois acoplada para produzir 2 formas de hormônio tireoidiano.

  • Di-iodotirosina + di-iodotirosina T4

  • Di-iodotirosina + monoiodotirosina T3

Síntese de hormônios tireoideos

Síntese de hormônios tireoideos

T3 e T4 permanecem incorporados à tireoglobulina dentro do folículo, até que as células foliculares captem a tireoglobulina sob forma de gotas de coloide. Uma vez no interior das células foliculares, T3 e T4 são clivadas a partir da tireoglobulina.

T3 e T4 livres são então liberados na corrente sanguínea, onde se ligam às proteínas séricas para seu transporte. A proteína transportadora primária é a globulina ligadora tiroxina (GLT), com alta afinidade, porém baixa capacidade de ligação de T3 e T4. A TBG normalmente transporta 75% dos hormônios tireoidianos ligados.

As outras proteínas de ligação são

  • Pré-albumina de ligação a tiroxina (transtiretina), que tem alta afinidade, mas baixa capacidade para T4.

  • Albumina, que tem baixa afinidade, mas alta capacidade de se ligar ao T3 e T4

Aproximadamente 0,3% da T3 sérica total e 0,03% da T4 sérica total se encontram na forma livre, em equilíbrio com os hormônios ligados. Apenas T3 e T4 livres estão disponíveis para atuar nos tecidos periféricos.

Todas as reações necessárias para a formação e liberação de T3 e T4 são controladas pelo TSH, que é secretado pelas células tireotróficas pituitárias. A secreção de TSH é controlada por um mecanismo de retroalimentação negativa na hipófise: o aumento das concentrações de T4 e T3 livres inibe a síntese e a secreção de TSH, ao passo que concentrações mais baixas incrementam a secreção de TSH. A secreção de TSH também é influenciada pelo TRH, que é sintetizado no hipotálamo. Os mecanismos precisos que regulam a síntese e liberação de TRH não estão claros, embora a retroalimentação negativa dos hormônios tireoidianos iniba a síntese de TRH.

A maior parte da T3 circulante é produzida fora da tireoide pela monodesiodação de T4. Apenas um quinto da T3 circulante é secretada diretamente pela tireoide.

Exames de laboratório da função tireoidiana

Medição do hormônio estimulante da tireoide (TSH)

Medições de TSH são a melhor maneira de determinar a disfunção tireoidiana (ver tabela Resultados de exames laboratoriais da função tireoidiana em várias situações clínicas). Resultados normais essencialmente descartam hipertireoidismo ou hipotireoidismo, exceto em pacientes com hipotireoidismo central por doença no hipotálamo ou na hipófise, ou em raros pacientes com resistência hipofisária ao hormônio tireoideano. TSH sérico pode ser falsamente baixo em pessoas muito enfermas. O nível sérico de TSH também define as síndromes do hipertireoidismo subclínico (TSH baixo) e hipotireoidismo subclínico (TSH elevado), as quais são caracterizadas por T4 sérico normal, T4 livre, T3 sérico e T3 livre.

Tabela
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Resultados de exames laboratoriais da função tireoidiana em várias situações clínicas

Estado fisiológico

TSH sérico

T4 livre sérica

T3 sérica

Captação de radioiodo de 24 horas

Não tratado

Baixo*

Alto

Alto

Alto

Toxicose por T3

Baixo

Normal

Alto

Normal ou alta

Primário, não tratado

Alto

Baixo

Baixo ou normal

Baixo ou normal

Secundário a doença hipofisária

Baixo ou normal

Baixo

Baixo ou normal

Baixo ou normal

Eutireoidismo

Paciente tomando iodo

Normal

Normal

Normal

Baixo

Paciente tomando hormônio tireoidiano exógeno

Normal

Normal em pacientes utilizando T4, baixa em pacientes utilizando T3

Alta em pacientes utilizando T3, normal em pacientes utilizando T4

Baixo

Paciente tomando estrógeno

Normal

Normal

Alto

Normal

Síndrome da doença eutireoidiana

Normal, baixo ou alto

Normal ou baixo

Baixo

Normal

*A concentração sérica de TSH é baixa em pacientes hipertireoidicos, exceto no caso raro de a etiologia ser um adenoma hipofisário secretor de TSH ou resistência hipofisária à inibição normal pelo hormônio tireoidiano.

T3 = tri-iodotironina; T4 = tiroxina; TSH = hormônio estimulador da tireoide.

Mensuração da tiroxina (T4)

A medição de T4 sérica reflete o hormônio livre e ligado. Alterações nas concentrações de proteínas séricas ligadoras de hormônios tireoidianos produzem alterações correspondentes na T4 total, mesmo que as concentrações de T4 livre fisiologicamente ativa permaneçam inalteradas. Assim, um paciente pode ser fisiologicamente normal, mas apresentar concentração anormal de T4 sérica. A concentração sérica de T4 livre pode ser medida diretamente, evitando os erros de interpretação das concentrações totais de T4.

O índice de T4 livre é um valor calculado que corrige o T4 total para os efeitos de quantidades variáveis de proteínas séricas ligadoras de hormônios tireoidianos e, assim, fornece uma estimativa da T4 livre quando se mede a T4 total. A proporção de ligação de hormônios tireoidianos ou a captação de T4 por resina são utilizadas para estimar a ligação com proteínas. O índice de T4 livre está disponível imediatamente e comparável às medidas diretas de T4 livre.

Medição de tri-iodotironina (T3)

As concentrações de T3 total e T3 livre também podem ser medidas. Como T3 está firmemente ligada à TBG (embora 10 vezes menos que T4), as concentrações séricas totais de T3 são influenciadas pelas alterações das concentrações de TBG e por fármacos que afetam a ligação à TBG. As concentrações séricas de T3 livre são medidas pelos mesmos métodos direto e indireto (índice de T3 livre) descritos para T4 e utilizadas, principalmente, para avaliar tireotoxicose.

Globulina ligante de tiroxina (TBG)

TBG pode ser medida. Ela aumenta durante a gestação, por terapia de estrogênio ou utilização de contraceptivo oral, e na fase aguda da hepatite infecciosa. A TBG também pode estar elevada em razão de anormalidade ligada ao cromossomo X. É mais comum estar reduzida em decorrência de doenças que diminuem a síntese de proteínas pelo fígado, uso de esteroides anabolizantes e excesso de corticoides. Grandes doses de certos fármacos, como fenitoína e ácido acetilsalicílico e seus derivados, deslocam T4 de sua ligação nos sítios da TBG, o que reduz falsamente as concentrações séricas totais de T4.

Autoanticorpos para peroxidase tireoidiana

Os autoanticorpos para peroxidase tireoidiana estão presentes em quase todos os pacientes comtireoidite de Hashimoto (alguns dos quais também apresentam anticorpos antitireoglobulina) e na maioria dos pacientes com doença de Graves. Esses autoanticorpos são marcadores de doenças imunes, mas provavelmente não causam a doença. Entretanto, o autoanticorpo contra o receptor de TSH (thyroid-stimulating hormone) nas células foliculares tireoidianas é responsável pelo hipertireoidismo na doença de Graves. Anticorpos contra T4 e T3 podem ser encontrados nos pacientes com doenças tireoidianas autoimunes e podem alterar os valores das dosagens de T4 e T3, mas raramente com importância clínica.

Tireoglobulina

A tireoide é a única fonte de tireoglobulina, a qual é prontamente detectável no soro de pacientes normais e habitualmente está elevada em pacientes com bócio tóxico e não tóxico. A principal utilidade da medida de tireoglobulina sérica é a avaliação de pacientes após tireoidectomia total ou quase total (com ou sem ablação por Iodo-131) para câncer de tireoide diferenciado. A tireoglobulina sérica normal ou elevada indica a presença de tecido tireoidiano residual normal ou de tecido tireoidiano canceroso em pacientes que estão recebendo doses supressivas de levotiroxina, ou após a suspensão da levotiroxina. Entretanto, anticorpos antitireoglobulina interferem na medição da tireoglobulina.

Triagem para disfunção tireoidiana

O rastreamento a cada 5 anos pela dosagem do TSH é recomendado para todos os homens 65 e para todas as mulheres 35. O rastreamento também é recomendado para todos os recém-nascidos e para as gestantes. Para paciente com fatores de risco de doenças da tireoide, o TSH sérico deve ser dosado com mais freqüência. A triagem para hipotireoidismo é tão eficaz em termos de custo quanto a triagem para hipertensão, hipercolesterolemia e câncer de mama. Esse único teste é altamente sensível e específico para diagnosticar ou excluir duas doenças prevalentes e graves (hipotireoidismo e hipertireoidismo), ambos os quais podem ser tratados de forma eficaz. Por causa da elevada incidência de hipotiroidismo em idosos, a triagem em uma base anual é razoável para aqueles > de 70 anos de idade.

Exames de imagem e captação de iodo radioativo

A captação de radioiodo pode ser medida. Uma quantidade muito pequena de radioiodo é administrada por via oral ou IV e um mapeamento detecta a quantidade de radioiodo captada pela tireoide. O radioisótopo preferido é o Iodo-123, que expõe o paciente a radiação mínima (muito inferior à do Iodo-131). A captação de Iodo-123 pela tireoide varia amplamente de acordo com a ingestão de iodo e é baixa em pacientes expostos a excesso de iodo.

O exame é útil para o diagnóstico diferencial de hipertireoidismo (alta captação na doença de Graves e baixa captação na tireoidite). Também pode ser útil para auxiliar o cálculo da dose de Iodo-131 necessária para o tratamento do hipertireoidismo.

As imagens podem ser obtidas usando uma câmera de cintilação após administração de radioisótopos (radioiodo e pertecnetato de tecnécio 99m) para produção da representação gráfica da captação do isótopo. As áreas focais de aumento (quentes) ou diminuição (frias) de captação auxiliam a diferenciar áreas de possível câncer (os cânceres de tireoide existem em < 1% dos nódulos quentes em comparação a 10 a 20% dos nódulos frios).

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