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Dermatite seborreica

Por

Thomas M. Ruenger

, MD, PhD, Georg-August University of Göttingen, Germany

Última modificação do conteúdo fev 2021
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Recursos do assunto

A dermatite seborreica é uma doença inflamatória comum das regiões da pele com alta densidade de glândulas sebáceas (p. ex., face, couro cabeludo, esterno). A causa é desconhecida, mas Malassezia spp, uma levedura cutânea normal, desempenha um papel importante. A dermatite seborreica ocorre com maior frequência em pacientes com HIV e em naqueles com certas doenças neurológicas. A dermatite seborreica causa prurido ocasional, caspa e descamação gordurosa amarelada no couro cabeludo, ao longo da linha do cabelo e na face. O diagnóstico é clínico. O tratamento é com antifúngicos, corticoides tópicos, alcatrão e ceratolíticos.

Apesar do nome, a composição e o fluxo de sebo, geralmente, é normal. A patogênese da dermatite seborreica não é clara, mas sua atividade foi vinculada ao número de leveduras Malassezia presentes na pele e à reação inflamatória a elas. A dermatite seborreica ocorre mais frequentemente em crianças, geralmente nos primeiros 3 meses de vida, e em pessoas com 30 a 70 anos. A incidência e gravidade da doença parecem ser afetadas por fatores genéticos ou emocionais, estresse físico ou clima (em geral piora no frio). Dermatite seborreica pode preceder ou estar associada com psoríase Psoríase É uma doença inflamatória cuja manifestação mais comum são as pápulas ou placas eritematosas bem delimitadas, recobertas por escamas prateadas. Vários... leia mais Psoríase (chamada seborreia ou sebopsoríase). Dermatite seborreica pode ser mais comum e mais grave em pacientes com doenças neurológicas (especialmente doença de Parkinson Doença de Parkinson A doença de Parkinson é uma doença lentamente progressiva e degenerativa caracterizada por tremores em repouso, rigidez muscular, movimentos lentos e diminuídos (bradicinesia)... leia mais ) decorrentes de, por exemplo, alterações na atividade das glândulas sebáceas, ou entre aqueles com HIV/aids, provavelmente por causa do desequilíbrio das respostas pró e anti-inflamatórias dos linfócitos T. Muito raramente, a dermatite se generaliza.

Sinais e sintomas da dermatite seborreica

Os sintomas de dermatite seborreica se desenvolvem gradualmente, e a dermatite geralmente só é aparante como flocos secos (caspa) ou descamação difusa, seca ou oleosa do couro cabeludo (caspa) com prurido variável. Na doença grave, aparecem pápulas descamativas amarelo-avermelhadas ao longo da linha do cabelo, atrás das orelhas, nas sobrancelhas, nas dobras nasolabiais e ao longo do esterno. Podem se desenvolver blefarite marginal com crostas amareladas secas e irritação conjuntival. A dermatite seborreica não causa queda de cabelos.

Recém-nascidos podem desenvolver dermatite seborreica com lesão crostosa espessa e amarelada no couro cabeludo (crosta láctea); fissuras e descamação amarelada atrás das orelhas; pápulas avermelhadas na face e exantema refratária na região das fraldas. Crianças com mais idade e adultos podem desenvolver espessas placas descamativas no couro cabeludo, com 1 a 2 cm de diâmetro.

Manifestações da dermatite seborreica

Diagnóstico da dermatite seborreica

  • Avaliação clínica

O diagnóstico de dermatite seborreica é feito pelo quadro clínico.

Deve-se diferenciar a dermatite seborreica do couro cabeludo de outras doenças:

Tratamento da dermatite seborreica

  • Terapia tópica com antifúngicos, corticoides, alcatrão, queratolíticos e inibidores de calcineurina

Adultos e crianças maiores

O tratamento da dermatite seborreica do couro cabeludo deve incluir lavagem com xampu pelo menos duas vezes por semana, pois lavagens menos frequentes não impedem a proliferação de Malassezia. Xampus antifúngicos (p. ex., cetoconazol a 2% ou 1%) são altamente eficazes no controle da caspa da dermatite seborreica. Xampus queratolíticos (piritionato de zinco, sulfeto de selênio ou enxofre e ácido salicílico) e xampus de alcatrão (disponíveis sob venda livre nos EUA), usados diariamente ou em dias alternados até que a caspa seja controlada e duas vezes/semana depois disso também são úteis. Se antifúngicos e ceratolíticos não conseguirem aliviar suficientemente o prurido, utilizam-se soluções de corticoide tópico (p. ex., solução de fluocinolona acetonida a 0,01%). Embora o couro cabeludo seja uma das áreas menos suscetíveis aos efeitos adversos dos corticoides tópicos (p. ex., telangiectasia, atrofia, foliculite, acne, estrias por distensão), estes podem ocorrer com o uso a longo prazo; assim, os corticoides tópicos só devem ser usados quando necessários. Como a dermatite seborreica tende a ser crônica e muitas vezes recidivar com a interrupção do tratamento, o uso a longo prazo de xampus antifúngicos (p. ex., 1 a duas vezes por semana) costuma ser necessário. Trata-se a dermatite seborreica nas áreas da barba e sobrancelhas de maneira semelhante à dermatite seborreica do couro cabeludo. Entretanto, as áreas da barba e sobrancelhas são mais propensas aos efeitos adversos dos corticoides tópicos. Assim, deve-se utilizar corticoides com menos frequência e, quando possível, soluções de corticoides de menor potência (p. ex., triancinolona a 0,025%).

Para a dermatite seborreica em áreas não terminais com pelos (p. ex., pregas nasolabiais, áreas pós-auriculares, esterno), o tratamento é semelhante. Mas cremes (que normalmente não são aceitáveis em áreas com pelos) são preferíveis a soluções. Para casos mais leves, creme de cetoconazol a 2% ou outros imidazóis tópicos aplicados duas vezes/dia frequentemente são suficientes. Do contrário, aplicam-se corticoides tópicos suaves (hidrocortisona em creme a 1% a 2,5% e valerato de hidrocortisona a 0,2%), duas vezes ao dia. Corticoides tópicos de maior potência normalmente não são necessários e só devem ser utilizados a curto prazo, se absolutamente necessários, por causa da suscetibilidade da pele facial aos efeitos adversos dos corticoides (p. ex., telangiectasia, atrofia, foliculite/acne, dermatite perioral). Inibidores de calcineurina (pimecrolimo e tacrolimo) também são eficazes, especialmente quando é necessário uso a longo prazo e antifúngicos isoladamente não são suficientemente eficazes.

Recém-nascidos e crianças

Em neonatos, usa-se xampu para lactentes diariamente, e pode-se utilizar 1 a 2,5% de creme de hidrocortisona ou óleo a 0,01% de fluocinolona 1 a duas vezes/dia para vermelhidão e descamação no couro cabeludo ou na face. Antifúngicos tópicos, como creme de cetoconazol a 2% ou creme de econazol a 1%, também podem ser úteis nos casos graves. Em lesões espessas no couro cabeludo de lactente ou criança pequena aplica-se óleo mineral, óleo de oliva ou gel ou óleo de corticoide à noite às áreas afetadas, por exemplo, fricção leve na região com uma escova de dentes. O couro cabeludo deve ser tratado com xampu diariamente até que as escamas espessas desapareçam.

Pontos-chave

  • Em adultos, a dermatite seborreica causa caspa e, às vezes, descamação do couro cabeludo, ao redor das sobrancelhas, dobras nasolabiais, nariz, meato acústico externo, atrás das orelhas e no esterno.

  • A dermatite seborreica pode causar lesão com crostas amareladas espessas no couro cabeludo de recém-nascidos ou placas escamosas no couro cabeludo de crianças mais velhas e adultos.

  • Os tratamentos incluem antifúngicos, xampus queratolíticos e de alcatrão e corticoides tópicos.

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