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Envenenamento por substâncias cáusticas

Por

Gerald F. O’Malley

, DO, Grand Strand Regional Medical Center;


Rika O’Malley

, MD, Albert Einstein Medical Center

Última revisão/alteração completa fev 2019| Última modificação do conteúdo fev 2019
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Fatos rápidos
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Recursos do assunto
  • Quando ingeridas, as substâncias cáusticas podem queimar todos os tecidos em que tocam, desde os lábios até ao estômago.

  • Os sintomas podem incluir dor (particularmente com deglutição), tosse, falta de ar e vômitos.

  • O médico insere um tubo flexível para visualização pelo esôfago para procurar queimaduras e determinar a gravidade da lesão.

  • O tratamento é determinado em função das dimensões dos danos e pode envolver cirurgia.

Em âmbito mundial, 80% das ingestões de substâncias cáusticas ocorrem em crianças pequenas; estas são geralmente ingestões acidentais de pequenas quantidades e muitas vezes não são muito prejudiciais. Em adultos, a ingestão de substâncias cáusticas é frequentemente intencional, envolve grandes quantidades e causa risco de morte.

As fontes comuns de substâncias cáusticas incluem limpadores sólidos e líquidos de canos e vasos sanitários. Os produtos industriais são geralmente mais concentrados do que produtos domésticos e, portanto, tendem a ser mais prejudiciais. Contudo, alguns produtos domésticos comuns de limpeza, como limpadores para canos e sanitários e alguns detergentes para lavar louças, têm um conteúdo prejudicial de substâncias cáusticas, como o hidróxido de sódio e o ácido sulfúrico.

Quando se ingerem substâncias cáusticas (ácidos e bases fortes), pode-se queimar a língua, a boca, o esôfago e o estômago. Estas queimaduras podem causar perfurações (orifícios) no esôfago ou no estômago. Uma fuga de comida e saliva a partir de uma perfuração pode causar uma infecção grave, muitas vezes fatal, no tórax (mediastinite ou empiema) ou no abdômen (peritonite). As queimaduras não perfurantes podem resultar em cicatrizes do esôfago e do estômago.

As substâncias cáusticas estão disponíveis na forma sólida e líquida. A sensação de ardor que causa uma partícula sólida que se adere a uma superfície úmida (como os lábios) pode impedir que a pessoa consuma uma grande quantidade do produto. Como os líquidos não são aderentes, é mais fácil consumir mais quantidade do produto, podendo danificar todo o esôfago. Também pode ocorrer inalação (aspiração) de líquidos pelas vias respiratórias, resultando em lesões na via aérea superior.

Sintomas

Surge rapidamente uma dor na boca e na garganta, em minutos, a qual pode ser intensa, sobretudo ao engolir. Pode ocorrer tosse, emissão de saliva, incapacidade em engolir, vômito de sangue e falta de ar. Em casos graves, que impliquem substâncias cáusticas, a pessoa pode ter uma pressão arterial muito baixa (choque), dificuldade respiratória ou dor torácica, conduzindo possivelmente à morte.

Pode ocorrer perfuração do esôfago ou estômago em algumas horas, durante a primeira semana após a ingestão, ou a qualquer momento, geralmente após vômitos ou tosse grave. O esôfago pode ser perfurado na região entre os pulmões (mediastino) ou na região ao redor dos pulmões (cavidade pleural). Ambas as circunstâncias provocam dor no peito intensa, febre, frequência cardíaca, respiração rápida, pressão arterial muito baixa e necessidade de cirurgia. A peritonite causa uma dor abdominal intensa quando o estômago é perfurado.

As cicatrizes do esôfago originam, por conseguinte, uma estenose, que pode causar dificuldade na deglutição. A estenose ocorre nas semanas seguintes à queimadura, por vezes em queimaduras que, inicialmente, apenas causam sintomas leves. As pessoas com cicatrizes e danos no esôfago podem desenvolver câncer do esôfago alguns anos após a lesão.

Diagnóstico

  • Avaliação de um médico

Examina-se a boca para detectar lesões por produtos químicos. Como o esôfago e o estômago podem estar queimados sem que a boca tenha se queimado, o médico pode inserir um tubo flexível de visualização (endoscópio) no interior do esôfago para detectar queimaduras, sobretudo quando a pessoa expulsa saliva ou tem dificuldade em engolir, sobretudo se a pessoa estiver salivando ou tiver dificuldade de engolir. Uma inspeção direta da região permite ao médico determinar a gravidade da lesão e, possivelmente, prever o risco de estenose posterior e a possível necessidade de reparação cirúrgica do esôfago. Radiografias e exames de tomografia computadorizada podem ser necessários para avaliar a extensão da lesão.

Tratamento

  • Beber água ou leite pode diluir a substância cáustica

  • Às vezes, cirurgia para reparar o dano

  • Evitar esvaziamento do estômago

A extensão do dano é determinante para estabelecer o tratamento. Pessoas com queimaduras graves, por vezes, necessitam de intervenção cirúrgica imediata para eliminar o tecido gravemente danificado.

Como as substâncias cáusticas podem causar o mesmo dano que causaram ao serem ingeridas, quando são expulsas pelo esôfago, deve-se evitar o vômito em alguém que tenha ingerido uma substância cáustica. Não é administrado xarope de ipecacuanha nem carvão.

Se as queimaduras forem leves, a pessoa pode ser incentivada a começar a beber leite ou água desde cedo para diluir o líquido corrosivo no estômago. Isso pode ser feito em casa ou a caminho do hospital. Se a pessoa não conseguir beber, os líquidos devem ser administrados por via venosa até o conseguir fazer. As perfurações são tratadas com antibióticos e cirurgia. Caso se forme uma estenose, pode-se colocar um tubo de desvio (stent) dentro do segmento estenosado do esôfago para evitar que este se oclua e permitir um futuro alargamento (dilatação). Pode ser necessário fazer dilatações repetidas durante meses ou anos. Em caso de estenose grave, também pode ser necessária uma intervenção cirúrgica para reconstruir o esôfago.

Você sabia que...

  • Não se deve provocar vômito em uma pessoa que engoliu uma substância cáustica. Não se administra xarope de ipecacuanha.

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