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Demência vascular

Por

Juebin Huang

, MD, PhD, Memory Impairment and Neurodegenerative Dementia (MIND) Center, University of Mississippi Medical Center

Última revisão/alteração completa abr 2020| Última modificação do conteúdo abr 2020
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Recursos do assunto

A demência vascular é a perda da função mental devido à destruição do tecido cerebral, pois seu suprimento de sangue está reduzido ou bloqueado. Geralmente a causa são acidentes vasculares cerebrais, sejam poucos derrames grandes ou muitos pequenos.

  • As doenças que danificam os vasos sanguíneos no cérebro, geralmente acidentes vasculares cerebrais, podem causar demência.

  • Os sintomas podem ocorrer em fases, e não de forma gradual.

  • A demência em pessoas que apresentam fatores de risco ou sintomas de um acidente vascular cerebral é frequentemente a demência vascular.

  • A eliminação dos fatores de risco para acidentes vasculares cerebrais pode ajudar a retardar ou evitar danos maiores.

A demência vascular é a segunda causa mais comum de demência entre os idosos.

A demência é uma diminuição, lenta e progressiva, da função mental, que afeta a memória, o pensamento, o juízo e a capacidade para aprender. A demência difere do delirium, que é caracterizado por uma incapacidade de prestar atenção, desorientação, incapacidade de pensar com clareza e flutuações do nível de alerta.

  • A demência afeta principalmente a memória e o delirium afeta principalmente a atenção.

  • A demência normalmente apresenta início gradual e não um início definitivo. O delirium inicia-se repentinamente e frequentemente apresenta um início definitivo.

Tipos de demência vascular

A demência vascular inclui os seguintes, os quais podem se sobrepor de alguma forma:

  • Múltiplos infartos lacunares: surgem obstruções em vários vasos sanguíneos pequenos localizados profundamente dentro do cérebro.

  • Demência de multi-infarto: A demência é causada por vários acidentes vasculares cerebrais, geralmente envolvendo vasos sanguíneos de médio porte.

  • Demência de Binswanger: Diversos vasos sanguíneos pequenos são bloqueados (infartos lacunares) em pessoas que têm pressão sanguínea alta muito mal controlada e uma doença que afeta os vasos sanguíneos em todo o corpo.

  • Demência estratégica de infarto único: É destruída uma única área do tecido cerebral em uma área crucial.

A demência vascular ocorre frequentemente em conjunto com a doença de Alzheimer (como demência mista).

Causas

Uma série de acidentes vasculares cerebrais pode resultar na demência vascular. Esses acidentes vasculares cerebrais são mais comuns entre os homens e geralmente começam depois dos 70 anos.

Os fatores de risco para a demência vascular incluem:

Pressão sanguínea alta, diabetes e aterosclerose danificam os vasos sanguíneos no cérebro. A fibrilação atrial aumenta o risco de acidentes vasculares cerebrais devido a coágulos sanguíneos do coração. As doenças que causam coagulação excessiva também aumentam o risco de acidente vascular cerebral. Ao contrário de outros tipos de demência, a demência vascular pode ser prevenida através da correção ou eliminação de fatores de risco de acidentes vasculares cerebrais.

Clots and Clogs: Causes of Ischemic Stroke

Quando uma artéria que leva sangue para o cérebro fica obstruída ou bloqueada, um acidente vascular cerebral isquêmico pode ocorrer. Artérias podem ser bloqueadas por depósitos de gordura (ateromas ou placas) devido à aterosclerose. Artérias do pescoço, especialmente as artérias carótidas internas, são um local comum para ateromas.

Artérias também podem ser obstruídas por um coágulo de sangue (trombo). Os coágulos sanguíneos podem formar-se em uma placa de ateroma em uma artéria. Os coágulos também podem se formar no coração de pessoas com uma doença cardíaca. Parte de um coágulo pode se soltar e viajar através da corrente sanguínea (tornando-se um êmbolo). Ele pode, em seguida, obstruir uma artéria que fornece o sangue para o cérebro, tais como uma das artérias cerebrais.

Clots and Clogs: Causes of Ischemic Stroke

Os acidentes vasculares cerebrais podem destruir o tecido do cérebro, bloqueando o fornecimento de sangue a determinadas partes do cérebro. Uma área de tecido cerebral destruída é chamada de infarto.

A demência pode resultar de grandes acidentes vasculares cerebrais ou, mais comumente, de muitos pequenos. Alguns desses acidentes vasculares cerebrais parecem menores ou podem até mesmo não ser notados. No entanto, as pessoas podem continuar a ter pequenos acidentes vasculares cerebrais, e depois de uma quantidade suficiente do tecido cerebral ser destruída, pode ocorrer o desenvolvimento de demência. Desta forma, a demência vascular pode se desenvolver antes que os acidentes vasculares cerebrais causem outros sintomas graves ou, por vezes, até mesmo quaisquer sintomas perceptíveis.

Sintomas

Ao contrário de outras demências (que tendem a progredir continuamente), a demência vascular pode progredir em etapas. Os sintomas podem se agravar de forma súbita, em seguida, estagnar ou diminuir um pouco. Podem então piorar meses ou anos mais tarde, quando ocorre um outro acidente vascular cerebral. A demência que resulta de muitos pequenos acidentes vasculares cerebrais geralmente progride mais lentamente do que aquela devido a alguns acidentes vasculares cerebrais grandes. Os pequenos acidentes vasculares cerebrais podem ser tão sutis que a demência pode parecer se desenvolver gradualmente e de forma contínua, em vez de ocorrer em etapas.

Os sintomas de demência vascular (perda de memória, dificuldade de planejamento e iniciar ações ou tarefas, raciocínio lento, e uma tendência a vagar) são semelhantes aos de outras demências. No entanto, em comparação com a doença de Alzheimer, a demência vascular tende a causar perda de memória mais tarde e afetar menos a personalidade. Comparada à doença de Alzheimer, as dificuldades a seguir surgem mais cedo na demência vascular:

  • Planejar, resolver problemas, lidar com tarefas complexas e usar o bom senso (chamada função executiva)

  • Iniciar ações

O raciocínio pode ficar perceptivelmente lento.

Os sintomas podem variar dependendo de qual parte do cérebro está destruída. Normalmente, alguns aspectos das funções mentais não são prejudicados, pois os acidentes vasculares cerebrais destroem o tecido em apenas uma parte do cérebro. Assim, as pessoas podem ser mais conscientes de suas perdas e mais propensas à depressão do que as pessoas com outros tipos de demência.

Conforme ocorrem mais acidentes vasculares cerebrais e a demência progride, as pessoas podem ter outros sintomas devido a esses acidentes vasculares cerebrais. Um braço ou uma perna pode ficar fraco ou paralisado. Algumas pessoas podem ter dificuldade para falar. Por exemplo, podem falar de forma indistinta. A visão pode ficar embaçada ou pode ser perdida de forma parcial ou completa. Pode ocorrer a perda da coordenação, tornando o andar instável. As pessoas podem rir ou chorar de forma inadequada. As pessoas podem ter dificuldade em controlar a função da bexiga, resultando em incontinência urinária.

Cerca de 6 em cada 10 pessoas morrem dentro de 5 anos após o início dos sintomas. Muitas vezes é devido a um acidente vascular cerebral ou ataque cardíaco.

Diagnóstico

  • Uma avaliação de um médico para demência

  • Tomografia computadorizada ou imagem por ressonância magnética

O diagnóstico da demência vascular é semelhante ao de outras formas de demência.

Os médicos devem determinar se uma pessoa apresenta demência e, se for o caso, se é uma demência vascular.

Diagnóstico de demência

O diagnóstico de demência é baseado no seguinte:

  • Sintomas, que são identificados ao perguntar à pessoa e seus familiares ou outros cuidadores

  • Resultados de um exame físico

  • Resultados do teste de estado mental

  • Resultados de testes adicionais, como tomografia computadorizada (TC) ou imagem por ressonância magnética (RM)

Testes de estado mental, consistindo de simples questões e tarefas, ajudam os médicos a determinar se as pessoas apresentam demência.

Algumas vezes, mais detalhes para os testes (chamados testes neuropsicológicos) são necessários. Esses exames cobrem todas as funções mentais principais, incluindo o estado de ânimo, e a sua realização dura de 1 a 3 horas. Esse teste ajuda os médicos a distinguirem a demência de outras condições que podem causar sintomas semelhantes, tais como desgaste da memória associado à idade, do transtorno cognitivo leve e da depressão.

Informações das fontes acima geralmente ajudam os médicos a descartarem delirium como a causa dos sintomas (consulte a tabela Comparação entre delirium e demência). Fazer isso é essencial, pois o delirium, diferente da demência, pode, frequentemente, ser revertido se for tratado rapidamente.

Diagnóstico de demência vascular

Uma vez que a demência é diagnosticada, os médicos suspeitam da demência vascular em pessoas que apresentam fatores de risco ou sintomas de um acidente vascular cerebral. Os médicos, então, fazem uma avaliação completa para verificar se ocorreu um acidente vascular cerebral. TC ou RM são realizadas para verificar evidências de acidente vascular cerebral. São realizados exames laboratoriais para verificar a presença de diabetes, níveis de lipídios elevados e outros distúrbios que aumentam o risco de acidente vascular cerebral e distúrbios que afetam os vasos sanguíneos e o fluxo de sangue (distúrbios vasculares). Os resultados desses exames podem corroborar o diagnóstico de demência vascular mas não são definitivos.

Tratamento

  • Medidas de segurança e apoio

  • Controle das condições que aumentam os riscos

O tratamento de demência vascular envolve medidas gerais para proporcionar segurança e apoio à medida que a função mental declina, assim como para todas as demências.

Medidas de segurança e apoio

Criar um ambiente seguro e de apoio pode ser muito útil.

Geralmente, o ambiente deve ser iluminado, alegre, seguro, e estável e projetado de tal forma que ajude com a orientação. Alguns estímulos, como rádio ou televisão, são úteis, mas estímulos excessivos devem ser evitados.

A estrutura e a rotina ajudam as pessoas com demência vascular a ficarem orientadas e obter uma sensação de segurança e estabilidade. Qualquer alteração no ambiente, rotinas ou cuidadores deve ser explicada para as pessoas de forma clara e simples.

Seguir uma rotina diária de tarefas como tomar banho, comer e dormir ajuda as pessoas com demência vascular a lembrarem das coisas. Seguir uma rotina regular na hora de dormir pode ajudá-las a dormir melhor.

Atividades programadas regularmente podem ajudar as pessoas a se sentirem independentes e necessárias, concentrando sua atenção em tarefas prazerosas ou úteis. Tais atividades devem incluir atividades físicas e mentais. As atividades devem ser divididas em pequenas partes ou simplificadas conforme ocorre a piora da demência.

Controle das condições que aumentam os riscos

O tratamento de doenças que aumentam o risco de demência vascular —diabetes, pressão sanguínea alta e dos níveis elevados de colesterol — podem ajudar a prevenir e retardar ou parar a progressão da demência vascular.

Para ajudar a prevenir um futuro acidente vascular cerebral, os médicos recomendam medidas para controlar os fatores de risco de acidente vascular cerebral (como um melhor controle da hipertensão arterial, diabetes, níveis altos de colesterol), parar de fumar, perder peso em caso de sobrepeso e aumentar a atividade física.

Os médicos podem prescrever um medicamento que faz com que os coágulos fiquem menos propensos a se formarem, como a aspirina, ou se as pessoas apresentam fibrilação atrial ou uma doença que provoca coagulação excessiva, varfarina (um anticoagulante). Esses medicamentos ajudam a reduzir o risco de outro acidente vascular cerebral.

Medicamentos

Não há tratamento específico para a demência vascular. Por vezes são dados inibidores de colinesterase (como rivastigmina) e memantina — medicamentos utilizados para a doença de Alzheimer — pois algumas pessoas com demência vascular também têm a doença de Alzheimer.

Se as pessoas tiverem distúrbios que aumentem o risco de acidente vascular cerebral e distúrbios vasculares (tais como diabetes e níveis de lipídios elevados), são administrados medicamentos para tratar esses quadros clínicos conforme necessário.

A depressão, se houver, é tratada com antidepressivos.

Cuidado dos cuidadores

Cuidar de pessoas com demência é estressante e árduo, e os cuidadores podem ficar deprimidos e exaustos, muitas vezes negligenciando a própria saúde física e mental. As seguintes medidas podem ajudar os cuidadores (consulte a tabela Cuidar dos prestadores de cuidados):

  • Aprender como atender com eficácia as necessidades das pessoas com demência e o que esperar delas: Os cuidadores podem obter esta informação de enfermeiros, assistentes sociais, organizações e materiais publicados e on-line.

  • Procurar ajuda quando for necessário: Os cuidadores podem falar com os assistentes sociais (incluindo aqueles do hospital da comunidade local) sobre fontes apropriadas de ajuda, como programas de auxílio, visitas de enfermeiros em casa, assistência de manutenção da casa em tempo integral ou parcial e a assistência residente. Aconselhamento e grupos de apoio também podem ajudar.

  • Cuidar de si mesmo: Os cuidadores precisam lembrar que devem cuidar de si mesmos. Não devem esquecer seus amigos nem deixar de praticar seus hobbies e atividades.

Assuntos relacionados ao final da vida

Antes que as pessoas com demência vascular fiquem muito incapacitadas, devem ser tomadas decisões sobre os cuidados médicos e devem ser feitos acordos financeiros e legais. Estes acordos são chamados de instruções prévias. As pessoas devem nomear alguém que esteja legalmente autorizado a tomar decisões de tratamento em seu nome (intermediário para os cuidados com a saúde). Devem discutir seus desejos de cuidados de saúde com essa pessoa e seu médico. Essas questões são discutidas com todos os envolvidos muito antes da necessidade de tomada de decisão.

Conforme a demência vascular piora, o tratamento tende a ser dirigido para manter o conforto da pessoa em vez de tentar prolongar a vida.

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