Medicamentos para dor neuropática

Medicamentos para dor neuropática

Classe/Medicamento

Comentários

Anticonvulsivantes

Carbamazepina

Monitorar a leucometria, sódio e função hepática durante o tratamento

Indutores de CYP3A4 que podem diminuir a eficácia dos contraceptivos hormonais e induzir seu próprio metabolismo, exigindo doses mais elevadas após o início da terapia

Tratamento de primeira linha para neuralgia trigeminal

Pode causar síndrome de Stevens-Johnson (SSJ) e necrólise epidérmica tóxica (NET); considerar testes genéticos para HLA*B 1502 em populações de maior risco.

Gabapentina

Ajustar a dose em pacientes com insuficiência renal

Lacosamide

Monitorar o ECG para prolongamento do intervalo PR

Evidências limitadas para neuralgia do trigêmeo, uso não regulamentado (off-label) para dor neuropática

Lamotrigina

Pode causar SSJ e NET; considerar testes genéticos para HLA*B 1502 em populações de maior risco

Interações farmacológicas com contraceptivos hormonais

Oxcarbazepina

Considerada tão eficaz quanto a carbamazepina para a neuralgia do trigêmeo e útil para outras dores neuropáticas paroxísticas

Pode causar hiponatremia ou diminuir a eficácia dos contraceptivos orais

Pode causar SSJ e NET; considerar testes genéticos para HLA*B 1502 em populações de maior risco.

Fenitoína

Dados limitados; medicamento de 2ª linha

Pregabalina

Mecanismo similar ao da gabapentina, mas com farmacocinética mais estável

Ajustar a dose em pacientes com insuficiência renal

Topiramato

Monitorar a função renal; pode causar cálculos renais

Monitorar os efeitos colaterais cognitivos

Pode causar perda de peso

Pode causar acidose metabólica, exigindo monitoramento periódico do bicarbonato sérico

Aprovado para prevenção da enxaqueca, utilizado off-label para dor neuropática

Valproato

Dados limitados, mas com forte suporte para o tratamento da enxaqueca

Zonisamida

Monitorar as reações de hipersensibilidade, pois é um derivado da sulfonamida

Uso não regulamentado (off-label) para enxaqueca e dor neuropática

Monitorar a acidose metabólica, comprometimento cognitivo e hipertermia (pode prejudicar a sudorese)

Antidepressivos 

Amitriptilina

Não recomendada para idosos ou pacientes com doença cardíaca porque tem efeitos anticolinérgicos potentes

São necessárias doses mais altas para tratar depressão concomitante do que aquelas eficazes para alívio da dor

Desipramina ou nortriptilina

Mais bem tolerada que a amitriptilina; perfil de efeitos adversos melhor com a desipramina do que com a nortriptilina

São necessárias doses mais altas para tratar depressão concomitante do que aquelas eficazes para alívio da dor

Não recomendada para idosos ou pacientes com doença cardíaca porque tem efeitos anticolinérgicos potentes

Duloxetina

Mais bem tolerada que os antidepressivos tricíclicos

A dose alvo para dor costuma ser suficiente para tratar a depressão ou a ansiedade concomitantes

Milnaciprano

Eficaz para fibromialgia; não utilizado para estados de dor neuropática

Venlafaxina

Maior inibição da recaptação de noradrenalina em doses mais altas (≥ 150 mg/dia); doses mais baixas são ineficazes para a dor neuropática

Mecanismo de ação semelhante ao da duloxetina

Eficaz para dor, depressão e ansiedade nessa dose

Agonistas adrenérgicos alfa-2 de ação central

Clonidina

Também pode ser utilizada por via transdérmica ou intratecal

Tizanidina

Tem menor probabilidade de causar hipertensão que a clonidina

Corticoides

Dexametasona

Utilizada apenas para dor com um componente inflamatório

Prednisona

Utilizada apenas para dor com um componente inflamatório

Antagonistas de receptor NMDA

Memantina

Limitada evidência de eficácia

Dextrometorfano

Pode desempenhar algum papel na dor neuropática em pacientes que desenvolveram tolerância ou têm menor limiar de dor por causa da sensibilização central

Em > 90% de pessoas brancas, metabolismo rápido via citocromo hepático P-450 2D6, reduzindo o efeito terapêutico

Metabolismo do dextrometorfano bloqueado pela quinidina

A associação de dextrometorfano/quinidina está disponível para acometimento pseudobulbar nos pacientes com esclerose lateral amiotrófica

Bloqueadores orais do canal de sódio

Mexiletina

Utilizada apenas para dor neuropática

Para pacientes com doenças cardíacas significativas, recomenda-se avaliação cardíaca antes de iniciar o medicamento

Tópica

Capsaicina de 0,025–0,075% (p. ex., creme ou loção)

Algumas evidências da eficácia na dor neuropática e artrite

Lidocaína tópica a 4% a 5% aplicada 1 hora antes do uso de capsaicina pode ajudar a limitar a irritação.

Adesivo de capsaicina a 8%

Causa reação grave da pele semelhantes a queimaduras solares; opioides orais são frequentemente necessários por até 1 semana após a aplicação da capsaicina a 8% para controlar o agravamento da dor cutânea

Alívio significativo da dor durante 3 meses após uma única aplicação

Lidocaína tópica a 4% a 5% aplicada 1 hora antes do uso de capsaicina pode ajudar a limitar a irritação.

EMLA

Utilizada geralmente para testes quando o emplastro de lidocaína é ineficaz; caro

Lidocaína a 5%

Disponível em emplastros

Outros

Baclofeno

Pode agir por meio do receptor GABAB

Útil na neuralgia do trigêmeo; utilizada em outros tipos de dor neuropática

Cetamina

Utilizado para dor neuropática, com maior evidência de eficácia na síndrome da dor regional complexa.

Vários protocolos utilizados

Monitorar a função hepática e o ECG durante o tratamento

Pode causar hipertensão, disforia/alucinações e, com o uso crônico, cistite

*Todas por via oral, salvo se indicada via diferente.

HC = hemograma completo; EMLA = mistura eutética de anestésicos locais; GABA = acido gama-aminobutírico; NMDA = N-metil-d-aspartato; LEU = leucócitos

*Todas por via oral, salvo se indicada via diferente.

HC = hemograma completo; EMLA = mistura eutética de anestésicos locais; GABA = acido gama-aminobutírico; NMDA = N-metil-d-aspartato; LEU = leucócitos

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