Defeitos da via glicolítica são distúrbios metabólicos autossômicos recessivos dos eritrócitos que causam anemia hemolítica não esferocítica.
A via glicolítica é uma das importantes vias metabólicas do corpo. Envolve uma sequência de reações enzimáticas que decompõem a glicose (glicólise) em piruvato, produzindo as fontes de energia trifosfato de adenosina (ATP) e nicotinamida adenina dinucleotídeo reduzido (NADH). Podem ocorrer vários defeitos hereditários nas enzimas da via (1).
O defeito mais comum é:
Deficiência de piruvato quinase
Outros defeitos que causam anemia hemolítica são as deficiências de:
Hexoquinase
Glicose fosfato isomerase
Fosfofructocinase
Em todas essas vias com defeito, só ocorre anemia hemolítica em pacientes homozigotos para a mutação. O mecanismo exato da hemólise é desconhecido.
Os sintomas estão relacionados com o grau da anemia e podem ser icterícia e esplenomegalia. Os achados do esfregaço de sangue são inespecíficos, como equinócitos (eritrócitos espiculados) e anisopoiquilocitose, mas a morfologia dos eritrócitos pode parecer normal no geral.
Os testes bioquímicos da atividade enzimática dos eritrócitos (p. ex., atividade da piruvato quinase) são diagnósticos, mas podem ser limitados por transfusões recentes e, às vezes, pela reticulocitose, que pode mascarar o defeito, ou por interferência de leucócitos no ensaio. Testes genéticos também podem ser realizados.
Referência geral
1. Luzzatto L. Diagnosis and clinical management of enzymopathies. Hematology Am Soc Hematol Educ Program. 2021;2021(1):341-352. doi:10.1182/hematology.2021000266
Tratamento dos defeitos da via glicolítica
Ácido fólico durante a hemólise
Hemotransfusão como indicado
Esplenectomia, se necessário
Os pacientes podem precisar de 1 mg de ácido fólico por via oral uma vez ao dia ou transfusões. Quelação de ferro pode ser necessária se houver evidências de sobrecarga de ferro.
Para a deficiência de piruvato quinase, mitapivat, um ativador oral de piruvato quinase eritrocitária, pode ser considerado para adultos com anemia sintomática ou dependência de transfusão (1).
Nos casos graves, os pacientes podem depender de hemotransfusão, nesses casos há indicação de esplenectomia. Embora haja melhora, tanto a hemólise quanto a anemia persistem após a esplenectomia, em particular com deficiência de piruvato quinase.
Referência sobre tratamento
1. Al-Samkari H, Galacteros F, Glenthoj A, et al. Mitapivat versus Placebo for Pyruvate Kinase Deficiency. N Engl J Med. 2022;386(15):1432-1442. doi:10.1056/NEJMoa2116634



