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Bejel, pinta e bouba

Por

Larry M. Bush

, MD, FACP, Charles E. Schmidt College of Medicine, Florida Atlantic University;


Maria T. Perez

, MD, Wellington Regional Medical Center, West Palm Beach

Última modificação do conteúdo mar 2017
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Bejel, pinta e bouba (treponematoses endêmicas) são infecções crônicas, tropicais e não venéreas causadas por espiroquetas que se disseminam pelo corpo por contato. Os sintomas de bejel são lesões mucosas e mucocutâneas, seguidas de gomas nos ossos e na pele. Bouba causa periostites e lesões dérmicas. As lesões de pinta são limitadas à derme. O diagnóstico é clínico e epidemiológico. O tratamento é feito com penicilina.

A família Spirochaetales distingue-se pela forma helicoidal das bactérias. Estas são muito finas para serem visualizadas à microscopia comum, mas podem ser vistas usando-se microscopia de campo escuro. Há 3 gêneros: Treponema, Leptospira e Borrelia.

Para bejel, pinta e bouba, os agentes etiológicos são

  • Bejel: Treponema pallidum subsp endemicum

  • Bouba: T. pallidum subsp pertenue

  • Pinta: T. carateum

Essas espécies de Treponema são morfológica e sorologicamente indistinguíveis do agente da sífilis, T. pallidum subsp pallidum. Como na sífilis, o curso típico é uma lesão inicial mucocutânea seguida por lesões difusas secundárias, um período de latência e doença destrutiva tardia.

A transmissão é feita por meio de contato íntimo com a pele — sexual ou não —, primariamente entre crianças que vivem em condições precárias de higiene. Bejel (sífilis endêmica) ocorre principalmente em países áridos do Mediterrâneo oriental, sul da Ásia e norte da África. A transmissão resulta do contato boca a boca ou do compartilhamento de utensílios para comer e beber. Bouba (frambesia) é a mais prevalente das treponematoses endêmicas e ocorre em países equatoriais úmidos onde a transmissão é favorecida por roupa escassa e trauma de pele. Pinta, que tem uma distribuição geográfica mais limitada, ocorre entre os nativos do México, da América Central e da América do Sul e não é muito contagiosa. A transmissão provavelmente requer o contato com pele lesionada.

Ao contrário da T. pallidum, outras subespécies treponêmicas humanas não são transmitidas através do sangue ou via transplacentária.

Sinais e sintomas

Bejel inicia-se na infância como uma placa mucosa, geralmente na mucosa bucal, que pode passar despercebida, ou como estomatite nos ângulos dos lábios. Essas lesões indolores pode desaparecer de forma espontânea, mas geralmente são seguida por pápulas escamosas e lesões em pápulas erosivas no tronco e nas extremidades, sendo similares à bouba. Periostite dos ossos da perna é comum. Posteriormente, lesões gomatosas do nariz e do palato mole se desenvolvem.

Bouba, após um período de incubação de várias semanas, inicia-se no local de inoculação como uma pápula vermelha que aumenta, corrói e ulcera (boubas primárias). A superfície é semelhante à de um morango e apresenta exsudato rico em espiroquetas. Linfonodos locais podem ser aumentados e sensíveis. A lesão se cura, mas é seguida após meses a 1 ano por erupções generalizadas sucessivas que se assemelham à lesão primária (boubas secundárias). Essas lesões desenvolvem-se, muitas vezes, na área úmida das axilas, nas dobras cutâneas e nas superfícies mucosas; os granulomas se curam lentamente e podem recidivar. Lesões ceratóticas podem desenvolver-se na palma das mãos e na planta dos pés, causando ulcerações dolorosas (bouba caranguejo). Cinco a 10 anos mais tarde, podem ocorrer lesões destrutivas (boubas terciárias) cursando com:

  • Periostite (especialmente da tíbia)

  • Exostoses proliferativas da porção nasal do osso maxilar (gundu)

  • Nódulos justa-articulares

  • Lesões cutâneas gomosas

  • Em última análise, úlceras faciais mutilantes, particularmente em torno do nariz (gangosa)

Bouba — primária
Bouba — primária
Imagem de cima: cortesia do Dr. Peter Perine, através da Public Health Image Library of the Centers for Disease Control and Prevention. Imagem de baixo: cortesia de K McLennon, da Tulane University Medical School, através da Public Health Image Library of the Centers for Disease Control and Prevention.
Bouba — secundária
Bouba — secundária
Imagem de cima: cortesia do Dr. Peter Perine, através da Public Health Image Library of the Centers for Disease Control and Prevention. Imagem de cima: cortesia de Dr. Susan Lindsley, através da Public Health Image Library of the Centers for Disease Control and Prevention.
Bouba — terciária
Bouba — terciária
Imagem cortesia do Dr. Peter Perine, através da Public Health Image Library of the Centers for Disease Control and Prevention.

Lesões de pinta são limitadas à derme. Iniciam-se no local da inoculação como pequenas pápulas e progridem durante vários meses para placas eritematosas e escamosas, em especial nas extremidades, na face e no pescoço. Depois de 3 a 9 meses, placas simétricas azul-ardósia se desenvolvem, normalmente na face, nas extremidades e nas proeminências ósseas. Em seguida, as lesões tornam-se despigmentadas, assemelhando-se ao vitiligo. Lesões por pinta normalmente persistem se não tratadas.

Diagnóstico

  • Avaliação clínica

O diagnóstico da treponematose endêmica baseia-se no aparecimento típico de lesões em pessoas de áreas endêmicas.

Testes sorológicos para sífilis (teste VDRL [Veneral Disease Research Laboratory] e teste de absorção de anticorpos antitreponema fluorescente) são positivos; portanto, a diferenciação de sífilis venérea é clínica. Na microscopia de campo escuro, as lesões precoces são frequentemente positivas para espiroquetas e são indistinguíveis de T. pallidum subsp pallidum.

Tratamento

  • Penicilina

A doença ativa é tratada com 1 dose de penicilina benzatina, 1,2 milhões de unidades, por via intramuscular (IM). Crianças < 45 kg devem receber 600.000 unidades, IM. Uma dose única de azitromicina 30 mg/kg VO (máximo 2 g) ou doxiciclina 100 mg VO 2 vezes ao dia durante 14 dias é uma alternativa para adultos alérgicos à penicilina.

O controle de saúde pública é feito por busca ativa de casos e tratamento da família e de contatos íntimos com penicilina benzatina ou doxiciclina para evitar a infecção.

Pontos-chave

  • As espécies de Treponema que causam bejel, pinta e bouba são morfológica e sorologicamente indiferenciáveis do agente etiológico da sífilis, T. pallidum subespécie pallidum.

  • A doença se dissemina por meio de contato corporal próximo, tipicamente entre crianças que vivem em condições precárias de higiene.

  • Como na sífilis, o curso típico é uma lesão inicial mucocutânea seguida por lesões difusas secundárias, um período de latência e doença destrutiva tardia.

  • Testes sorológicos para sífilis (incluindo testes de anticorpos antitreponema fluorescentes) são positivos; portanto, a diferenciação de sífilis venérea é clínica.

  • Administrar 1 dose de penicilina benzatina IM ou, para adultos alérgicos à penicilina, 2 semanas de doxiciclina 100 mg VO 2 vezes ao dia.

  • Tratar os contatos íntimos com antibióticos.

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